domingo, 30 de agosto de 2009

MANIFESTO 2

(continuação)

Mais adiante você escreveu: “Emocionalmente você é susceptível à condição precária de maternidade, e essa fragilidade está relacionada ao medo de sofrer num cenário de semelhante, à identificação com essa condição pessoal na sua história ou a uma natureza de auto comiseração que você possui, neste caso é necessário fortalecer sua auto-estima e trabalhar a aceitação das realidades desfavoráveis”. Fiquei chocada ao ler isso, pois nunca imaginei que um sonho pudesse refletir algo tão real de minha individualidade e jeito de ser. Meu único e maior medo é o desalento e a pobreza, independente de estado maternal. Sou muito preocupada com as situações desfavoráveis e muito sensível a isso. Tenho super dificuldade de ir a locais como asilos e hospitais, pois fico muito engasgada e com vontade chorar. Sofro muito quando vejo mendigos e pessoas em situações precárias, seja de dinheiro, saúde ou afeto, principalmente porque me julgo limitada e não consigo fazer nada para ajudar ninguém. A sensação nítida é de me ver e sentir-me no lugar daquela pessoa e se ficar muito perto chego a passar mal.Ao dizer “...essa realidade é apenas a sua escolha, que te faz diferente do outro, nunca melhor. A prioridade é o coletivo” ficou-me uma verdadeira alerta. Meu maior defeito é ser egoísta e muitas vezes realmente me julgo melhor do que os outros pelas minhas escolhas de ser e viver. Na vida real não me julgo melhor que ninguém, mas acho que sinto isso interiormente. As perguntas: “alguma associação com seus 8 anos? Existe uma criança na sua vida? Sutilmente, a imagem de mãos dadas com sua amiga é fraterna ou como Girl Friend? Existem desejos latentes por iguais que acionam conflitos? culpa?” Sinceramente achei difícil pensar sobre isso, pois pouco lembro dos meus oito anos. Não tenho filhos e nem tenho proximidade com nenhuma criança. Acho que o sonho reflete a necessidade de amizades fieis e intimas, algo que realmente não consigo estabelecer, mas que sempre desejei. O tipo de amizade em que você considera o outro como um verdadeiro irmão ou irmã. Ao dizer-me: “Você está misturada, indiferenciada e conturbada de informações e fantasias... Há sinais de que você se deixa levar, ser conduzida, sem entender muito ‘o que’ acontece, como se quisesse se desobrigar da responsabilidade de se conduzir, como se cansada até mesmo de se ouvir.”. Realmente faz sentido, pois vivo o tudo na fantasia e o nada na realidade. Sou uma pessoa acomodada que adora ser levada e guiada pela vontade da vida sem fazer planos para com nada. Tenho certeza de que não conseguiria ser diferente, até porque, independente disso ser uma maneira errada ou certa de viver, não tenho vontades de mudar e, por conta própria, comandar a vida. Prefiro deixar ela me comandar. Sempre me sinto acovardada diante da vida. Quanto à frase: “a alegria e o prazer encontrados na religiosidade sinalizam a possibilidade da prática religiosa favorecer o conforto” é muito verdadeira, pois a religiosidade é minha maior, senão única, fonte de conforto e segurança pessoal. Não tenho religião especifica, pois sou eclética e acho todas importantes com seus pontos positivos e negativos. Estou feliz em saber tudo isso, pois nunca pensei de fato que os sonhos pudessem ser mensagens do inconsciente e refletir tão certo e vivo o nosso mundo interior. Desde já muito obrigada. Vou prestar mais atenção nos sonhos, pois agora eles me fascinam muito mais. Existem noites que sei que sonhei e não lembro, mas noutras é como se eu não houvesse sonhado. Existe diferença, ou seja, é possível não ter sonhado, ou tudo é apenas esquecimento? Espero que não seja incomodo continuar tendo sua ajuda para entender meu mundo onírico. Será que algum dia eu mesma terei condições de auto-analisá-los?

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