sábado, 11 de setembro de 2010

EROTISMO EDIPIANO II




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Como funciona: a força da autoridade, de julgamento moral e criticidade que o sujeito aplica nas suas relações sociais são compensadas, na tentativa de promover equilíbrio biopsicoenergético, introduzindo-a em vivências que descompense a configuração de perfeição idealizada pelo sujeito, mostrando-o como igual àquilo que julga.

Enquanto o sujeito se idealiza perfeito e banaliza os outros, a psique tenta quebrar a sua idealização, antes que esta se apodere e desconecte o individuo do seu eixo, mostrando-o identificado com aquilo que condena ou que nega em si mesmo.

Há também neste contexto a competição entre você e sua mãe. O pai, ou no caso do menino a mãe, funcionam como o objeto onde o sujeito projetando seus desejos consegue realizar a compensação de estima que lhe permite se libertar do jugo dos pais.

Filhos precisam se libertar de pai e mãe, para se tornarem adultos, e na manifestação do desejo são projetados num jogo de competição que lhes permite a demarcação dessa individualidade e de um território pessoal que somente a eles pertence. Como a tendência de identificação é com o mesmo sexo, o desejo é projetado no oposto, e a competição aflora de forma imaginária.

Em princípio penso que quanto maior a mistura de identidades entre pais e filhos, maior a necessidade de separação, a competição, e tanto maior a força dos desejos perturbadores, neste caso, a perversão pode aparecer como uma forma para manter a referência limite da realidade.

Ou seja, a perversão não viria necessariamente de alguma deformação de caráter, mas de uma intenção pré-anunciada do inconsciente de proteger o equilíbrio psíquico do individuo referendando com limites morais que o mantém referendado na realidade social em que está inserido e o impedindo de avançar para comportamentos que possam devastar a sua estrutura psíquica.

Um exemplo: esta semana em Belo Horizonte um jovem de 23 e três anos foi preso logo após ter estuprado a mãe de 73 anos. Ele foi denunciado já que repetia este comportamento há algum tempo. Neste caso específico, esse jovem fazia uso de Álcool, possivelmente fazia uso de Crack – que moralmente é devastador. São substâncias que, sabemos, tem o poder de promover a deformação de caráter, relativizando a moralidade, os preceitos sociais, eliminando filtros quaisquer princípios de referência ética, moral ou religiosa. Liberando o sujeito à sua animalidade e bestialidade.

Duas semans atrás na zona rural próximo à região que moro, um jovem de 24 anos, estuprou a mãe, matou, cravando-lhe duas pontas de espelho nos ovarios, colocou-a deitada  na posição de cruxificada,  formou uma cruz , a vertical entre os seios e a horizontal  de seio a seio, e saiu pela rua gritando, nu aos gritos: estou liberto! Como já lhe: disse precisamos matar os pais, mas... Sem suicidar.


No sonho são perceptíveis suas mudanças de atitudes frente a esses sonhos de confronto que podem indicar alterações em sua dinâmica. A psique desarma o gatilho de defesa que havia construído. E esse desarme já lhe disse é feito no caminho inverso, por onde passou na ida passarás na volta.

É transparente a existência do conflito: a força do desejo lhe empurra para o acontecimento que racionalmente rejeita e perturba. Há o principio moral e a referência de realidade, mas o desejo lhe impinge a submissão.

É o que tentei mostrar mais acima: quanto mais reprimimos os desejos naturais, mais sua força se manifesta, escapando entre os dedos. Assim, a repressão não é o caminho. Quando escapamos do exagero moral, suavizamos nossas defesas, permitimos a manifestação mais suave dos impulsos que querem se realizar e conquistamos a possibilidade de transformá-los retirando-lhes suas polarizações, deslocando essa energia para ações de construção e criação. Isto é, aplicamos de forma positiva esta poderosa força da sexualidade em ações de transformação. Quando não o fazemos o vulcão explode de forma descontrolada e devastadora.

Enquanto você fica aprisionada na competição com a mãe, a representação do pai ainda é objeto de foco do impulso, ou instrumento para que a psiquê faça uso de sua inconsistência, e não abrindo espaço para outros homens, você não se liberta desse artifício psíquico que lhe empurra para a necessidade de sua libertação. Não amadurece com mulher de outros homens, mantendo a velha parceria e as velhas respostas... mas as coisas estão mudando, há entrega e o conflito parece ceder.

Para avançar precisaria de dados sobre o histórico de suas vivencias edípicas, o que não tenho. Fiquemos no básic.

Não se esqueça: para crescermos precisamos abrir mão e renunciar aos velhos hábitos, respostas e defesas.

Eu Cheguei a uma frase que para mim é uma síntese graciosa de bons conhecimentos:



NOVOS CENÁRIOS EXIGEM NOVAS RESPOSTAS.

PRECISAMOS APRENDER A DESENVOLVÊ-LAS,

SE QUISERMOS SER BEM SUCEDIDOS

EM NOSSA EMPREITADA DE VIVER.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

INDIVIDUALIDADE E PRIVACIDADE


Carla

Na sequência eu estava com minha irmã, que estava grávida, meu cunhado e sobrinha. Estávamos num local de muita neve e procurávamos um restaurante para comer. Nisso comentei que esquecera a máquina fotográfica e separei-me deles para ir buscá-la. Embora parecesse vantajoso estar com eles, eu preferia estar sozinha. Pensei comigo que na próxima viagem eu ia pensar melhor entre ir só ou ir com eles. Houve um momento no meio desse sonho, cujas lembranças parecem vagas, donde entrei num ônibus com um monte de mochilas. Do lado de fora havia muita neve e embora estivesse atenta a tudo, sumiram duas de minhas mochilas. Comentei com o motorista sobre o possível roubo e disse que o endereço para donde ia, meus documentos e todo o meu dinheiro estava numa das mochilas que sumira. Embora preocupada, eu não estava tensa, pois sentia que a situação não ia ficar por isso mesmo, ou seja, tinha comigo a certeza de que há males que vem para bem. Ele disse que ia desviar a rota, mas não entendi em que isso poderia ser útil. Desconfiei de três homens que estavam dentro do ônibus, pois eles me olharam com jeito desafiador. Notei que eles deveriam ser os malandros e fui falar pessoalmente com eles. Primeiro aproximei de um que parecia coreano e comentei que a vida dele poderia mudar totalmente se suas atitudes mudassem. Ele pareceu entender o recado, disse que ia pegar um voo para algum outro local e começar vida nova. Enquanto isso, um dos outros dois quis saber que intimidade verbal era aquela e comentei que quando ele estivesse a altura de entender-me, eu passaria o recado. De certa forma eu já não estava preocupada com as minhas mochilas, pois sabia que estava cumprindo meu dever e que o roubo das mesmas fora providencial para algo além da minha racionalidade. Infelizmente só lembro até aí.

O que tais sonhos querem me dizer?

O seu movimento, a sua ação, ou suas escolhas, podem indicar uma dinâmica de fortalecimento de sua individualidade, um processo de desgarramento e de libertação.

Quando o sujeito fortalece sua individualidade, aprende a conviver consigo mesmo. O que parece uma coisa natural, saber conviver com si mesmo, se mostra uma conquista de poucos. Em geral elas pensam que se amam, que se adoram, que se bastam, mas vivem apenas a idealização deste desejo. Elas não sabem estar só, consigo mesmo, envolvidas em projetos pessoais, envolvidas em suas dinâmicas de aprimoramento, estudos e desenvolvimento. Na verdade vivem uma profunda solidão inseridas em contextos sociais turbulentos e cheios de movimentos, dessa forma elas conseguem aplacar a dificuldade de terem de conviver consigo mesmo.

Este é um dos grandes males da vida moderna. O externo chama em excesso, é sedutor e envolvente e quando nos entregamos a essa babilônia pós-moderna abre-se mão da privacidade, das buscas pessoais, do prazer de viver consigo mesmo, na ilusão de preencher o buraco existencial. Só que este buraco permanece presente, como um buraco negro, que “come tudo”, que a cada dia mais matéria exige, mais esforço. E o individuo já sem a riqueza da pessoalidade, sem saber conviver consigo mesmo é enredado na trama da armadilha que construiu para si mesmo. E acaba consumido pelo coletivo.

O coletivo é essencial, mas não é tudo. É preciso trabalhar a pessoalidade, nossa singularidade para que encontremos em nos o sentido da existencial, caso contrário podemos passar pela vida como perdidos, que se “acham”, mas que não se encontram. Perdidos de si mesmo, na ilusão de um universo fantástico, mas sutilmente ardiloso, se não agirmos como guerreiros.

Naturalmente, ninguém se basta, mas cada um nessa vida tem um encontro marcado com a existência. Um encontro que não pode ser relevado. E para este encontro precisamos nos preparar. Hoje infelizmente, o simplismos leva a maioria à buscas que apenas lhes dão o conforto de estarem fazendo alguma coisa. No fundo sabem que pouco ou quase nada estão fazendo para se preparar para este encontro fatal com o destino.

Na sequência do sonho aquela velha forma de focar suas obsessões reaparece: O medo de ser lesada, roubada, enganada, o medo de perder, o medo da perda da referência do poder e da representação de sua imagem. Mas em seguida a nova mulher reaparece com novas respostas, com uma nova forma de lidar e responder aos desafios da realidade, E agora não mais como aquela que apenas sofre as consequências das mudanças inoportunas, da imprevisibilidade, mas como um sujeito que tem escolha e atua, intervém, indica o erro, o descompromisso, sem o medo do subjugado.

Essa é a conquista, sua vitória que aparece: A mudança do padrão de resposta. Não mais como a menina vítima, mas como mulher, como Sujeito, individuo que faz escolhas e interfere na construção da realidade, de sua realidade.

Você diz:

“eu já não estava preocupada com as minhas mochilas, pois sabia que estava cumprindo meu dever e que o roubo das mesmas fora providencial para algo além”.

Este é o espírito da coisa. Não se pode focalizar a força no que é pouco importante, é preciso cumprir o dever, o dever pessoal, e entender que existem forças superiores que nos propõem desafios que precisam ser superados e que geralmente à frente poderemos compreender um pouco melhor os desígnios para nossa vida.

Quando nos damos mais importância do que ao divino, damos importância às ilusões de tirania e poder que ansiamos e projetamos, assim fortalecemos a vaidade, o narcisismo, e deixamos de aperceber e apreender os sinais divinos que indicam o sentido de nossa existência. Quando caminhamos em sintonia com os desígnios da vida a providencia divina nos ampara, no guia, nos protege e nos encaminha para aquilo que é nosso dever realizar: o pleno sentido da existência.

Os sinais são claros,
o caminho que segues é um bom caminho.

Você terá sucesso na empreitada.
 Mas não se esqueça:
O Presente está no olhar.
sua máquina de apreensão e de foco na vida
O olhar abre a porta da percepção.
A percepção só existe com a consciência.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

DOR E DEFESA DA INTEGRIDADE PSY I


   Imagem utilizada no blog aeternus femininus

Carla156

Sonhei que estava fazendo uma regressão ao meu passado. Eu me vi bebê, junto de minha mãe e uma outra mulher. Nisso eu bebê comecei a chorar e essa mulher deu dois violentos tapas na minha boca que engoli o choro, não porque entendesse que não era para chorar, mas por susto e pânico. Fiquei chocada. Minha mãe não fez nada e a mulher disse que era assim que ensinava desde cedo a ter obediência e que uns tapas de vez em quando não fazia mal, mas ali eu era um bebê. Toquei meu rosto bebê com carinho e peguei-me no colo. Elas não me viam pois eu não estava na cena em si quando ela ocorreu. Peguei-me no colo e aconcheguei-me em meu peito dando-me total proteção e amor. Quanta estupidez agir daquele modo com um ser tão indefeso. Abracei o bebê escondendo-o entre as mantinhas a ponto de verificar posteriormente se ele não ia sufocar-se, de tão agarrado que coloquei-o junto a mim.

   SOBRE A ORIGEM DAS DEFESAS E A FORMAÇÃO DAS SOCIOPATIAS
PEQUENAS CONSIDERAÇÕES

Para mim é um prazer voltar a postar no blog, o tempo se anuncia cada vez mais reduzido e as últimas semanas de viagens afastou-me deste Jardim sofisticado onde me distraio passeando por esse universo fantástico de nossa existência psíquica.

O SONHO É EXCEPCIONAL, e em vários aspectos retrata uma realidade que envolve a todos humanos.

Nascemos para existir em um mundo onde somos submetidos a um número inimaginável de ameaças à nossa vida, à integridade e ao equilíbrio psíquico.

Não é de graça que a sociedade urbana, a cada dia, se defronta com atitudes e comportamentos que espelham o desequilíbrio, o tormento e a maldade de indivíduos que projetam o descomprometimento, a revolta, em forma de agressividade e violência. Retrato evidente da desvinculação com o universo, retrato da doença e da patologia que leva o individuo à densidade e ao afundamento na ilha escura em que se transformam. Destruindo projetam maldade e se escondem na solidão e nos vícios compensatórios, na ilusão de viverem numa sociedade que odeiam, pois não conseguem estabelecer vínculos tônicos e afetivos. Um desarranjo completo.

Como já anunciei, estou próximo de também interromper este blog, por isso recebo este sonho como presente merecido do seu Incs., Já que ele vem para fortalecer a minha teoria de formação e desenvolvimento daquilo que chamo de neurose sociopática, a que precede em evolução a formação do individuo Psicopata. Portanto, farei um rápido comentário que possa alerta as pessoas para a natureza sociopática que vem acometendo os indivíduos em índices cada vez mais crescentes e, infelizmente, irreversíveis na sociedade. Prenúncio de uma sociedade em sofrimento e cada vez mais acuada pela maldade. Em seguida farei comentários e associações sobre o que considero significativo no seu sonho.

Um recém-nascido é um ser completamente independente e indefeso, e quando levado pelo impacto da violência, ao ápice da suscetibilidade, seu sistema se desarranja, se desconfigura da situação de relax para a polaridade oposta, de tensão, por isso se protege e se defende criando um filtro que possa amortecer os impactos de uma realidade ameaçadora.

A formação do filtro dependerá de cada individuo. Inúmeros são os tipos possíveis de filtro, e cada resposta definirá o tipo de filtro que a psiquê construirá para se blindar e se proteger de desarranjos, ou má formação, deformação.

Neste momento, a criança não sabe o que é um tapa, mas pode identificar a dor, o desconforto, a ardência, o corpo queimando, o sistema reagindo e liberando adrenalina. As sensações ainda são percebidas de forma difusa sem identificação e localização da região afetada, portanto o corpo responde como uma massa que se contraia para se proteger.

O estimulo, necessariamente,não precisa ser um tapa, pode ser um susto, um esbarrão, um balanço mais agressivo, um ambiente tumultuado e conturbado, um apertão na bochecha, um puxão no corpo, etc. mas a resposta sempre existirá e dependerá da forma como cada um identifica o sinal como ameaça ou de sua natureza biológica, desenvolvimento de gestação, ocorrências na gravidez, sensibilidade, e vários outros eventos.

A resposta? Bem cada individuo terá a sua, desde uma leve contração e tensão, a elevados níveis de tensão de levarão o individuo para a formação de defesas que possam blindar seu sistema, ou deformações que definirão posteriormente suscetibilidades de caráter, dificuldades severas no estabelecimentos de vínculos afetivos e comportamentos destrutivos e autodestrutivos.

DOR E DEFESA DA INTEGRIDADE PSY II


Carla156
   O SONHO


Muitos são os que agridem a criança para fazê-las silenciarem, Muitas vezes os silenciam por toda uma vida.

É possível que o sonho seja o resgate de memória de uma vivência semelhante, neste caso, ele lhe oferece a possibilidade de se reconstruir, de se reconfigurar dentro deste seu momento. Em sonhos anteriores detectamos a necessidade de sua reconciliação com seu lado criança. Este lado criança difere do adulto infantilóide. É a natureza original, espontânea, natural que precisa ser cuidada e protegida para que possa se manifestar na plenitude de suas potencialidades. E no sonho você cuida de sua criança. Pode ser compensação (não creio), neste caso olhe com mais carinho para você, sua natureza, seus desejos, suas necessidades. Cuide mais de si mesma, se leve mais em consideração, sem precisar se esconder no ego centrado. Dê mais valor aos seus sentimentos, emoções, percepções, sentimentos, privilegiei-se.

Sua resposta de proteção difere da defesa neurada, da blindagem agressiva e reativa. Elas (as mulheres) nem a percebem, sinal possível de que sua privacidade esta melhor constituída. E esta proteção é resposta afetiva que se desenvolve, é comprometimento, consigo mesmo e com o mundo.

Se sua psiquê lhe permite viver esta cena é para que possa se reconciliar consigo e com o mundo, e merecimento pelo seu esforço. Já não há apenas a menina ressentida, severa e critica que julga e condena a todos, mas aflora a mulher que se protege, Mãe de Si Mesmo, maternal, afetiva, que tem a exata dimensão daquilo que deve ser feito, e o faz sem dramaticidade mas apenas com o poder do amor.

Muitas vezes só nos damos conta de fatos e ocorrências quando estamos preparados para olhá-los de frente sem sermos desconstruídos pelos acontecimentos, sem sermos devastados pela memória de nossa tragédia.

Porque nesta vida é assim: o guerreiro sabe que não pode ficar se lamentando pelo destino trágico de sua vida. Ele sabe que o mais importante é fazer alguma coisa, o possível, enquanto há tempo.Desta forma ele abandona o passado dramático e se encontra no presente absoluto da vida. Mas para isso é preciso aprender a renunciar aos ressentimentos, aqueles que nos mantêm a lembrança viva de nossos sofrimentos.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

PORTAS PORTAIS



C155

Sonhei que eu e minha mãe estávamos numa casa nova, diferente, recém-construída, cujas decoradoras ainda se encontravam fazendo uns últimos ajustes. O tamanho era aconchegante, tudo tinha aspecto de estar limpa, arejada, clara e agradável, entretanto, a porta da cozinha, local donde estávamos, era muito pequena na altura e comentei que para passar por ela eu teria que agachar. Fiquei a me indagar se ninguém tivera atenção com algo tão obvio. Todos os armários da cozinha e inclusive essa porta eram de vidro. A transparência dava a boa sensação de acesso rápido por estar tudo às vistas, o único inconveniente era a porta.

O que ela significa dentro desse contexto?

Conheço uma história sobre um fiel que disse que Deus já não escutava os homens, e o rabino disse que os homens é que não se silenciavam mais para escutar a Deus.

A primeira associação que me veio neste sonho é sobre a necessidade de agachar, abaixar, ser humilde.

A porta limitada, restrita, exige esforço para ser transposta e esse esforço pode ser a necessidade de humildade.

A porta é literalmente o portal, a passagem, a mudança de estado de consciência, a transição entre o antes e o depois, entre uma margem e a outra margem, entre um estado e o outro estado, entre um sistema e outro.

Nesta última colocação, quero indicar a relação entre a realidade interior e a exterior, e os impedimentos que impedem o fluxo natural das trocas.

A casa é nova, está bem organizada, clara e transparente.

Dificuldades para sair e para entrar na sua casa.

Ótimo! Mas não é o bastante, a necessidade de transformação permanece na jornada pessoal. Não basta a transparência, você podia estar rodeada de transparência, mas como numa bolha de vidro se manter blindada de contatos e de relações com o exterior. Foco a necessidade de mudança nas relações interpessoais e avalie a relação com a sua mãe.

Na dimensão somática avalie o sistema respiratório, capacidade aeróbica e suas funções digestivas e excretoras.

Avalie a motivação e mobilidade sexual, já que o nível elevado de tensão pélvico pode indicar repressão sexual e consequentemente o fechamento da porta para o prazer, restrição, ou dificuldades de recepção e passagem para a visita do falus “erectus”. É claro que a casa não precisa ser uma casa com portas grandes para a passagem pública, mas a guardiã precisa aprender a administrar essa porta para o prazer, liberando a entrada de uns e proibindo a de outros.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

EXU

Carla 154


Sonhei que estava numa festa com uma jovem que deveria ter por volta de uns dez anos. Parecíamos ser a melhor amiga uma da outra. Nisso vi uma conhecida de longa data (que na vida real foi minha professora), mas ela passava por mim como se não me notasse. Resolvi eu mesma ir cumprimentá-la. Cheguei perto e perguntei se ela não ia me abraçar, pois eu queria um abraço. Nos abraçamos, ela foi cordial e saudosista. Depois ela fez-me algumas perguntas, traçou alguns comentários e me chamou dizendo que queria me mostrar algo. Disse para minha amiga me esperar e saí abraçada com essa conhecida. Nesse meio tempo escutei-a comentar que criança era uma tristeza e me indaguei se ela estava se referindo a minha amiga. Sem entender o comentário não dei importância. Depois de tanto tempo sem nos vermos, era para eu senti-la como uma estranha, mas eu estava bem à vontade, sentindo-me intima de nossa velha amizade. Acompanhei-a até uma casota retirada do local da festa. Na frente da mesma haviam três homens e pensei que deveriam ser seguranças do local, mas me questionei porque aquele local precisaria de tal tipo de proteção. Ao chegar mais perto notei que eles bebiam e fumavam charuto. Se eram vigilantes disfarçados em homens comuns (sem uniforme) não deveriam estar bebendo, pois bêbados não iam fazer a menor diferença no local.

Ao passar por eles percebi que os três homens estavam incorporados com exus e acenei a mão em cumprimento. Apesar das minhas indagações, até então tudo estava tranquilo. Fiquei a me perguntar se as pessoas sabiam do fato deles estarem incorporados, mas minha atenção foi desviada quando a conhecida pegou a bolsa e começou a procurar algo. Novamente ela disse que criança era uma tristeza e não entendi onde ela queria chegar dizendo aquilo. A qual criança ela se referia e por qual motivo dizia aquilo? Fiquei calada esperando que ela justificasse seu comentário, mas ela não prolongou o assunto. Em seguida ela pegou uma linha de pesca, trancou a porta com a chave e começou a amarrar a fechadura com a linha. Tive a plena sensação de que ela ia me matar e fiquei desesperada. Estariam os três exus vigiando o local contra ou a favor de algo anormal ocorrer nele? Porque pessoas (isso incluía os exus) pelas quais eu tinha tanta consideração estariam querendo me matar? Era eu a criança referida? O que estava de fato acontecendo? Mil perguntas passavam pela minha cabeça desesperada. De repente a conhecida sumiu e fiquei ali trancada. A minha sensação era de estar enterrada viva. Entretanto, enquanto chutava a porta com toda força, tive a certeza de que eu ia conseguir sair dali, mesmo que não soubesse como. Foi com alívio que acordei. Foi um sonho estranho e não compreendo que significado poderia ter. O que acha?

O sonho sinaliza mudanças e uma recorrência marcante, alem do triângulo de poder dos três homens incorporados:

1. A mudança envolve sua conquista e o conflito repetido entre a polaridade da autonomia e a força polarizada da submissão.

A conquista – você não permite, inicialmente, que a prevalência de conteúdos que terminam sua tendência à baixa estima determine sua resposta diante da expectativa frustrada de não reconhecimento. Antes de entrar na nóia, a partir da suposição da rejeição alheia, você se apresenta e supera a crítica severa que faz de si mesmo. Este é o comportamento saudável. Eu reconheço a pessoa e ela não me reconhece, eu me apresento, sem fantasias de rejeição pelo outro.

Quando abrimos espaços para que conteúdos se utilizem de nossas fragilidades para se manifestarem, eles se alimentam energeticamente aumentando sua sobrevida, desta forma se fortalecem na psique abrindo espaços para promoverem mais desequilíbrios. Eles crescem pois quando focados recebem fluxos de energia.

Nós sabemos que esses conteúdos ainda não foram dissolvidos, e a psique, no sonho, lhe favorece esta distinção entre conteúdos pessoais e autônomos e lhe permite no confronto buscar respostas mais saudáveis. E você se supera apresentando novas respostas mais saudáveis. Isso favorece a formação de referencias internas de comportamento, de formação de atitudes, de respostas diante da realidade.

2. Há dificuldades pessoais em colocar limites. Você ainda se deixa levar, se permite ser conduzido, o que pode representar perigo iminente. É necessário cautela. A carência ou a disponibilidade em excesso pode representar renúncia à autonomia ou perigo à individualidade constituída.

3. “escutei-a comentar que criança era uma tristeza” Quando sempre se dá mais valor ao que o outro faz, o banal se transforma em essencial e o insignificante te envolve como coisa importante. Quando se é conduzido o outro define as prioridades que serão importantes para nós. Há submissão em evidência. Você se torna presa do imponderável.

4. A fantasia é terra de ninguém. Quando nos tornamos presas das fantasias, os fantasmas e as assombrações, a ilusão, o mundo do impossível se mostra tangível, possível, e ameaçam o equilíbrio conquistado. Produzir fantasias e criar ilusões é dar vida a fantasmas, criar exércitos de inimigos que tentam se sobrepor à força do real, guerreando contra seu criador.

5. Mais importante do que a possibilidade de escapar do aprisionamento é não se permitir perder a liberdade.

6. Você fica suscetível à influencia alheia quando abre mão de definir seus caminhos.

Quando o suposto aliado não atende suas expectativas confortáveis ele se torna ameaçador e favorece o seu desequilíbrio, seus medos, suas angustias.

MENSAGEM

“me chamou dizendo que queria me mostrar algo.” O que ela queria lhe mostrar? Que você é criança? Que se coloca em situação de risco em decorrência de necessidade em ser aceita? Bem, há em você uma observadora impaciente, que define os acontecimentos em sua vida a partir de um pré-diagnóstico precipitado. Há conflito frente à

Exu é o orixá do movimento, irreverente, brincalhão e a forma como é representado como um falo humano ereto, simbolizando a fertilidade. De caráter irascível, ele se satisfaz em provocar disputas e calamidades àquelas pessoas que estão em falta com ele. E assim é Exu, o orixá que faz: O erro virar acerto e o acerto virar erro. É astucioso, vaidoso. Evidência de conflito, disputa.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

SONHOS

Hoje estou caminhando num lugar especial e ficam as imagens  desse lugar para partilhar com aqueles que visitam este blog, mais tarde voltamos ao dia a dia que ninguem é de ferro. 
















Bom dia! Que eu preciso correr atrás dos meus sonhos.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

DIVINA GRAÇA E ÊXTASE




Carla153

Eu estava no meio de um grupo de ciganos, mas em verdade parecíamos mendigos. Um senhor aproximou-se de mim mostrando que havia ganho um creme de leite e ofereceu-me. Eu peguei a embalagem e agradeci-o dizendo que não estava com apetite. Meu tom de voz era muito suave e calmo, eu sentia uma doce paz dentro de mim e nada me amedrontava ou desconfortava-me. Nisso uma jovem do bando aproximou-se como se estivesse com ciúmes e retirou-o de perto de mim. Afastada do pessoal eu me despedi e comecei a passar pelo meio de uma multidão de pessoas que transitavam numa espécie de mercado-feira. Nisso me deu vontade de dançar. Firmei o pensamento e comecei a me ver e sentir-me dentro de um lindo vestido rodado vermelho-vinho de veludo e renda. Conforme eu levantava a roda da ultima saia, aparecia a parte de baixo feita de cetim branco plissado. Eu rodava com velocidade para ambos os lados e sapateava os pés, mesmo estando apenas com uma sapatilha. Olhei para um dos cantos e vi um jovem recolhendo as moedas que alguns passantes jogavam-lhe no chão. Pensei que poderia ganhar dinheiro com minha dança, entretanto, ninguém parecia estar nem aí para mim. Ninguém me olhava ou parecia se interessar com minha apresentação. Não me senti mal com isso, era como se já estivesse acostumada e soubesse que a realidade era aquela. Pensei comigo mesma que, por mais belo que fosse aquele vestido tão cheio de saias rodadas, preferiria uma roupa de dança do ventre, pois não teria o peso daquele vestido. O mesmo era tão pesado que dificultava meus movimentos. Não sei exatamente por que sonhei com isso. Depois eu estava em um templo, mas ciganos não podiam entrar em tais locais e eu o fazia escondido. Indescritível buscar palavras para o que senti dentro do sonho. Era como se eu estivesse diante de todos os santos, anjos e personagens bíblicos celestes e puros. Era como se eu fosse a criatura mais pequena do universo e, ao mesmo tempo, a mais íntima da realeza divina. Ali eu esquecia o fato de nada ser perante os homens da Terra, pois aquela sensação de paz profunda me levava a sentir que eu era uma parte ativa da luz do Céu.

Como disse, acho que faltam palavras para descrever algo que, de tão grandioso e bom, me faz questionar: como tive a graça de um sonho desses?

Infelizmente eu lembro muito pouco do sonho, mas ainda conservo a sensação inexplicável de bem-aventurança. É algo tão indescritível e mágico que até me perturba por provocar uma vontade de quero mais, de querer sentir isso para sempre. Sei que sonhei bastante essa noite, mas isso é tudo o que recordo.

 

DIVINA GRAÇA E ÊXTASE II

Raquel Brice


Salvo engano, no último ano seus sonhos deixaram de ser angustiantes se transformando em sonhos mais serenos, agradáveis e dadivosos. Este é uma ótima referência do significado de suas transformações internas. Quando a dinâmica onírica se mostra conturbada, promovendo angustias e sofrimentos, desconforto e até receios do repouso é sinal de que o fluxo do rio da vida está sendo desviado, produzindo desconforto, caos e desordem.

A tônica deve ser o bem estar. Eu não tenho dúvidas de que a vida não é uma festa, mas isto não quer dizer que ela tenha que ser um martírio.

Quando sintonizamos o fluxo da vida, interrompemos o processo de desordem e desequilíbrio que produzimos com as inquietações, os tormentos, as revoltas e as escolhas insensatas, apressadas, que relevam o importante e prioriza o insignificante.

Quando paramos de produzir transtornos e seguimos em consonância com o espírito, o caminho fica mais leve, mais suave e o sofrimento não se impõe. O sofrimento se impõe quando queremos conduzir a vida sem considerar seus pressupostos básicos.

Sua sensibilidade se mostra e você começa a entender o “espírito da coisa”, a ideia, o princípio. A vida pode ser um mar de lama ou de graças alcançadas, a escolha é pessoal. Seu esforço pessoal neste último ano dá mostras de que avançou, e sabemos do avanço pela agradável sensação de sermos agraciados com as graças divinas, com o prazer da harmonia, com a força do numinoso que aflora e se deixa ser experimentado.

Nestes tempos de tormentas, onde os desesperados buscam amortecedores nas drogas lícitas e ilícitas, a busca pelo prazer se mostra imperativa e projeção do sofrimento. Quanto mais tormentos mais drogas, mais amortecedores para aliviar o desconforto de viver, as cobranças, a competição, a frustração, a infelicidade.

Quando escolhemos caminhos verdadeiros, trabalhamos em prol dessa harmonia e a vida nos agracia com prazeres inimagináveis e sensações de alegria, satisfação e felicidade.



O SONHO

"Pensei comigo mesma que, por mais belo que fosse aquele vestido tão cheio de saias rodadas, preferiria uma roupa de dança do ventre, pois não teria o peso daquele vestido. O mesmo era tão pesado que dificultava meus movimentos."

A pele do humano civilizado se reveste do socialmente aceitável, mas muitas vezes o aceitável pode ser uma roupagem mais leve que não impeça seus movimentos, sua dança, seus passos, sua graça ou sua capacidade e poder de sedução.

O movimento indica mudança de atitude

Abandonar, pois pesada, a velha roupagem e abrir espaço para a tendência de se mostrar leve, flexível, em movimento. Pouco esforço, mais resultados, mais alegria e menos sofrimento.

Depois eu estava em um templo, mas ciganos não podiam entrar em tais locais e eu o fazia escondida. Indescritível buscar palavras para o que senti dentro do sonho. Era como se eu estivesse diante de todos os santos, anjos e personagens bíblicos celestes e puros. Era como se eu fosse a criatura mais pequena do universo e, ao mesmo tempo, a mais íntima da realeza divina.

Ciganos são povos nômades, livres, e identificados com os seus valores singulares. Vale a pena investigar se tens origens nômade, indígena ou europeia. Pode clarear o significado de algumas tendências. Se não há origem, então considere o simbolismo de um povo corajoso, unido em tribos, que celebra a força da paixão, do amor e da alegria, sem se fixar, aprisionar, ou abandonar a referência ancestral,

A consciência da insignificância do ser humano frente a grandeza do universo é um passo favorável para encontrar o tamanho que temos ou que somos. A auto estima se reconfigura, se resignifica.

A força da vaidade ainda se exibe, a necessidade de reconhecimento ainda remanesce.

Veja: somos pequenos, mas o alvo indica o realce do filtro. Independente da humildade de reconhecer a pequenez diante do universo, o foco nesse pequeno realça a condição que causa desconforto. A mudança é plena e ocorre com a consciência da relatividade dessa pequenez. Pequenos diante do universo, grandes frente ao microcosmo. Quando essa consciência se instala não existe o grande nem o pequeno apenas o que existe. E neste aspecto a consciência como aquisição excepcional não se restringe à dualidade das diferenças entre o pequeno e o grande.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

MOMENTO CRUCIAL





Existe um momento crucial em nossas vidas, aquele em que a consciência que se forma em nós toma consciência de que existe.

O estado anterior, de consciência em formação no individuo, nos permite nos situar no presente ainda sem a capacidade de transcendência no tempo, sem a consciência de passado, presente e futuro, neste estado somos o Buda sem sabemos que somos iluminados, ou o que somos, vivemos como sem saber o que.

Mas este é um estado perigoso, pois o individuo age como um cego que não sabe que não enxerga e saí espalhando desastres, se debatendo sem saber nadar, acabará se afogando por exaustão.

O momento que chamo Crucial, quando a configuração de consciência se instala, coloca o individuo numa situação delicada: A partir deste instantâneo, ele tem a possibilidade de se diferenciar da massa indiferenciada e iniciar sua caminhada rumo à complementação de sua singularidade, à sua plena realização.

Neste estágio a maioria se confunde entre as realizações materiais, aquelas que acariciam o ego, e a outra, a que realiza e que fortalece a formação do espírito humano.

Esta confusão é natural, já que a sociedade humana não favorece essa compreensão do individuo, ao contrário, lhe fornece uma preparação básica inconsistente que pouco lhe esclarece sobre o significado de sua existência.

A mais importante questão deste momento crucial e que se impõe ao individuo é:

Qual a razão da existência?

Como ele não tem instrumental para se responder e tão pouco a sociedade humana  favorece, facilmente, a resposta, o sujeito segue sozinho na sua busca e rapidamente tende a se perde na confusão das exigências sociais, de sobrevivência e nas exigências internas de anseios e dos desejos.

A compreensão dos sonhos nos permite reconstruir uma conexão perdida com o que é essencial e vital na existência, e a forma mais acessível de olharmos para o nosso interior e nos aproximarmos do elo perdido, aquele que nos aproxima do divino.


sábado, 28 de agosto de 2010

EVA E MAÇAS ENVENENADAS


Carla 152

Tenho dormido menos quantidade de horas por noite e isso, como já disse outrora, faz-me ter um sono pesado e com menos lembranças oníricas. Entretanto, 'por acaso', tive uma ajudinha hoje pela manhã e minha mente clareou-se:

Estava terminando minha corrida no parque quando vi um carro estacionado e haviam várias maçãs dentro dele, bem no para-brisa. Brinquei comigo mesma dizendo: hum que delícia, quero uma! Achei estranho alguém ter deixado cerca de uma dúzia de maças daquele jeito largado dentro do carro, mas nisso veio um lampejo na minha mente e, sincronicamente, lembrei de um sonho lúcido que tive durante a noite. Eu estava no meio de um campo amplo quando deparei-me com uma macieira carregada de belas maçãs. Como nunca estive diante de uma macieira, senti que aquilo era um sonho. Temendo que o mesmo pudesse acabar, colhi uma maça e fiquei observando o que acontecia, mas nada aconteceu. Dei uma mordida, esperei, e tudo continuou calmo. Então colhi outra maça e nada aconteceu. Dei uma mordida na outra maça e tudo permaneceu normal. Feliz como se estivesse recebendo uma bençãos do céu, talvez a benção de comer aquela divina fruta sem ser arrebatada do paraíso interno que aquele meio externo me proporcionava, colhi outra fruta e conscientemente fiz questão de apanhar quatro maçãs, pois lembrei que o número quatro é o representante da perfeição (interessante que sempre fui atraída pelo três, mas no sonho eu ultrapassei o misticismo do três). Pensei dentro do sonho que, quando acordasse e fosse analisar o mesmo, o fato de ter tido concedimento e intenção de pegar quatro frutas faria diferença. A suculenta fruta me fez ter a sensação de estar recebendo uma dádiva indescritível, mas não recordo nada além disso. Ah, enquanto apanhava a primeira maça eu lembrei dos sonhos anteriores com frutas e, uma vez consciente, fiz questão de provar a maçã. Embora estivesse cautelosa pensando que algo trágico pudesse ocorrer, ainda assim o fiz e com bom apetite. Eu queria ter a certeza de que estava sendo agraciada, de que podia suprir meu desejo e sentir-me abençoada exatamente por me permitir saborear o prazer daquela bela fruta.

O que um sonho desse pode dizer de fato?

EVA E MAÇAS ENVENENADAS II




Voce o diz: “... fiz questão de provar a maçã. Embora estivesse cautelosa pensando que algo trágico pudesse ocorrer, ainda assim o fiz e com bom apetite.”

A primeira associação que faço é com a A Branca de Neve “Bela Adormecida”. Eu escolheria não me referenciar nesta associação, mesmo que a pensasse, mas sua observação registrada não me permite desconsiderar que o temor pode ocorrer por associação interna de medo de morder a maça envenenada. Medo, desejo ou consciência?

Não há, portanto, como não fazer as duas associações básicas:

1. A Eva que prova a fruta da árvore do conhecimento, se deliciando pelo prazer da descoberta;

2. A Branca de Neve que provando da fruta envenenada cai em sono até que possa realizar o destino de ser acordada como A Bela Adormecida pelo beijo de amor dado pelo príncipe, decorrente do encantamento que o subjugou e o fez beijar a bela jovem morta, acionando o sopro vital que a traz de retorno à vida.

O amor rompe barreiras, supera sacrifícios, dá vida aos mortos, realiza o milagre divino da existência.

Vemos portanto dois movimentos, duas dinâmicas:

1. Ao provar o gosto prazeroso do saber, você é inundada pela consciência, organização racional (número 4) e inundada de prazer, alegria, júbilo e encantamento

Provar o gosta da fruta da árvore do conhecimento, e o pecado original que todos carregamos, é a aquisição da consciência. Perde-se a pureza, a inocência, a ingenuidade. Passa-se a ter a consciência do pecado.

Sinal de crescimento, da chegado ao mundo adulto, ao mundo dos pecadores, ao mundo do prazer, do gozo, dos sabores, das paixões, dos desejos.

Mas Eva é também representação dos instintos e da sexualidade. E a base do desenvolvimento, a saída do paraíso paterno, que nesse caso pode ser relacionado com o paraíso materno, pois na escala do desenvolvimento ontológico, nós saímos do útero materno para o nascimento da consciência. Quando aceitamos simbolicamente o nascimento, ou nos fartar da consciência do prazer, nos libertamos do paraíso materno e assumimos as responsabilidades por nossas escolhas, abandonamos o paraíso uterino. Mas esse é apenas o primeiro grau da dinâmica da tomada de consciência, outros virão e se farão necessários no processo de aprimoramento.

No início essa consciência é indiferenciada, e fica, portanto, suscetível às forças que atuam na preparação do seu desenvolvimento. Assim o sujeito tem que se defrontar com uma consciência do “Real” e com outra que é do “Imaginário”. Avançar na consciência passa pela diferenciação dessas nuances de realidade, o que é um desafio fenomenal. O imaginário nos chama, atrai, encanta, mas aprisiona, mistura e promove o indistinto, não nos diferencia da massa amorfa.

2. Ainda que você haja como a branca de neve ingênua que prova a fruta envenenada, Há uma diferença. Você já não é tão tola ou ingênua quanto a Você tem consciência do perigo, sabe dos riscos e rompe com a fantasia infantil, mesmo sabendo do risco ou temendo repetir o conto infantil.

Aqui reside possivelmente a dinâmica que se contrapõe ao seu desenvolvimento pleno, ainda que você avance e rompa com o aprisionamento no imaginário. Você já não é mais a desavisada (o louco do Tarô) com um pé na realidade e outro no abismo, agora já tem a consciência do medo, sabe dos riscos, tem o saber, mas ainda é suscetível ao encantamento, se entrega. Você se encaminha em direção aos abismos dos prazeres.

Mas... Não há como evitar essa etapa. Esse é o seu próximo dragão: se entregar aos prazeres da carne. Se souber fazer uso da consciência, poderá viver o prazer com o mínimo risco, se relevar essa pequena consciência só o tempo poderá libertá-la depois das amarguras, das frustrações e do sofrimento.

O número quatro é o quadrado, os pontos cardeais, a cruz, o número das realizações tangíveis. Símbolo da terra, do espaço terrestre e da organização racional. Simboliza a plenitude e a universalidade, é totalizador.

Para Jung a quaternidade representa o fundamento arquetípico da psique humana, a totalidade dos processos psíquicos conscientes e inconscientes.

De forma geral para esotéricos e exotéricos, a quaternidade representa ao longo da filogênese humana o axioma fundamental na jornada da alma, na busca e no encontro do do sentido pleno da vida e da realização como existência Totalizada.

Acredito que o sonho tenha sido uma experiência excepcional de satisfação e prazer, a vida é assim, acima e abaixo. E estar sob a força de arquétipos pode ser uma experiência Numinosa. O sonho indica essa dinâmica de transformação e de crescimento. A evolução e o aprimoramento exigem a dinâmica da expansão, de avançar e conquistar transformações ou ficar parado na beira da estrada implorando carona prá Deus.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

ANIMUS - DOMÍNIO E SUBMISSÃO


 DOMINADORES E DOMINADOS

“Vivemos um tempo onde ainda prevalece a necessidade de domínio nas relações entre indivíduos e com o mundo. No cenário contemporâneo existem dominadores, dominados e, felizmente, aqueles que não querem dominar nem ser dominados. Em uma sociedade de supremacia onde se luta por migalhas, dominados e dominadores fazem parte do mesmo modelo, da mesma natureza e do mesmo tempo. São prisioneiros uns dos outros e brincam de guerrear, como generais, no cenário das relações pessoais. É o modelo comum. Chama a atenção àqueles que não são dominados nem se interessam em dominar. Este tipo acredita nas diferenças qualitativas entre seres, mas se sofisticaram na prática do ideal de Igualdade, Fraternidade e Liberdade, que antes de ser ideal francês é realização de evolução da espécie.” Do livro, “Manto Verde Jade”

A sociedade humana pode ser patriarcal ou matriarcal. Mas mesmo em sociedades definidas não se exclui as possibilidades de variações na forma do estabelecimento do domínio nas relações.

O fato do meu animus ser submisso ocasiona esse tipo de preferência por homens mais femininos?

Não compreendo essa possibilidade de submissão do seu animus. Primeiro porque o conteúdo puro não se molda nestes padrões de contaminação e segundo porque, quando procura por homens passivos você busca maior possibilidade de domínio sobre ele. O animus é uma figura, uma representação do conteúdo, do arquétipo. E o conteúdo é o que é, no caso, é um conteúdo masculino, que independe de sexualidade, de submissão ou domínio, não é homem ou mulher, é masculino. E masculino é masculino.
Quando a mulher subjuga esse masculino, o animus, ou o homem subjuga o femino, a ânima, o conteúdo pode aflorá em forma deformada, ou imponde-se como conteúdo através de configurações possíveis, como por exemplo, em forma de desvios ou prevalecendo como característica sobre a personalidade.

A sua família é constituída de mulheres dominadoras, castradoras, impositivas e condutoras, mulheres fálicas. Isto quer dizer que a natureza é de mulheres que apresentam na sua conduta uma atitude Yang diante da vida, diante das relações. São mulheres que apresentam a forte presença do conteúdo masculino dentro delas. Esta forte presença do masculino se manifesta no comportamento em atitude de domínio. Elas são Dominatrix. Mulheres que mantêm seu lado feminino sob custódia da força do masculino nelas e projetam esse domínio, a que estão submetidas, como visgo, imperativo sobre os outros.

Naturalmente muitas são as mulheres que facilmente encontram em homens flexíveis e tolerantes mais facilidades de exercer esse domínio, já que suas relações, de mulheres dominadoras, com homens não passivos podem favorecer o confronto e o embate entre macho e fêmea quanto ao rumo e ao domínio dos cenários em que vivem.

Variáveis são os motivos, emocionais ou racionais, que levam homens a se apresentarem como passivos e mulheres como dominadoras, bem como múltiplas são as formas de domínios que estabelecidas ficam subentendidas nas relações. O certo é que a ideologia do dominado não é diferente da ideologia do dominador, cada um possui um ingrediente que o leva a se entregar e submeter ou ser submetidos a esse tipo de relação.

A vida moderna foi abrindo espaços para que as mulheres pudessem manifestar seu lado Yang, e espaço aos guerreiros masculinos para que se aceitassem ser conduzidos por fêmeas dominadores.
Quanto à fantasia de se entregar a um homem forte, buscar um homem onde possa descansar no seu peito, parece-me a fantasia da maioria das mulheres dominadoras e castradoras. Assim elas revivem a feminilidade perdida, a alma feminina desencontrada e de forma idealizada, tentam resgatar essa feminilidade já abandonada no tempo, entregando ao macho idealizado o poder de conduzir a vida.

Mas isso é apenas ilusão e compensação. Assim continuam a viver o conto de fadas do encontro de um príncipe encantado que as salva dos tormentos da vida. Ainda que, quando encontram algum homem que se enquadra neste perfil, elas o massacrem com selvageria até destruí-los ou reduzi-los a um fantoche, afastando-os como insignificantes. Produzem relações destrutivas, competitivas e de insatisfação.

O preço que, como adultos, pagamos pelas nossas escolhas sempre é um preço alto e muitas vezes sem o saber vendemos a alma eterna para satisfazer os desejos temporários de poder, domínio e conquista.

Desejos de domínio sempre são formas de aniquilar o outro, num processo de canibalismo social e de autofagia.

Mas não tenhas dúvidas, o caminho não é o domínio, muito menos a submissão. O encontro, na igualdade, é sempre o melhor. O encontro sem a necessidade de dominar, ou de se permitir dominado. Mas para isso é preciso que sejamos mais maduros. E quando o somos, além da igualdade, somos agraciados e encontramos a liberdade de sermos mais plenos, permitindo ao outro a mesma experiência.

Para isso é preciso RESPEITO, mas... Enfim, esta é outra conversa.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

ARQUÉTIPOS

   Meu raciocínio tem lógica?


Hoje, ao longo do dia,  farei outras postagens para tentar responder as questões do post anterior. Vamos tentar ordenar e compreender o significado de suas questões.

Iniciemos pelo fim. Você finaliza sua reflexão com a questão Meu raciocínio tem lógica? Bem... Se, tem lógica é conteúdo de “animus”, como principio masculino e como princípio de ordenação. Porque o princípio masculino é referência de realidade, e a lógica é a ordenação que nos permite navegar nessa realidade na qual estamos inseridos e eu lidamos.

O animus é o espírito masculino na mulher, a figura do animus, atuando na mulher, é uma imagem psíquica, uma configuração que emana de uma estrutura arquetípica básica. Como componente psíquico é subliminar e se manifesta a partir do inconsciente. Como conteúdo atua influindo sobre o princípio psíquico dominante e não como contraparte psicológica contrassexual feminina.

O animus é um conteúdo que se manifesta no individuo determinando ação, movimento, comportamento, resposta. Se manifesta em forma de crenças, inspiração, disposição de comprometimento. É um canal que permite ao sujeito tomar consciência de sua natureza, e daquilo que é espontâneo e significativo para a vida psíquica.

Esse canal funciona como uma conexão que permite que através de uma configuração original, ocorra fluxos de impulsos, que promovam uma condição ideal que permite ao individuo formar um estado de consciência que lhe favoreça responder a si mesmo e à realidade de forma referendada em sua natureza, em sua tendência, ou a partir daquilo que é constituído e que foi herdado.

A parte herdada da Psique é o arquétipo, os padrões de estruturação do psicológico, ligados aos instintos. Considere como uma entidade hipotética, ainda difícil de ser representada, que se faz visível através de suas manifestações. É um conteúdo que une o corpo e a psique, instinto e imagem. Jung não considerava a psicologia do individuo e imagens como correlatos ou reflexos de impulsos biológicos. Para ele imagens evocam o objetivo dos instintos e precisam ser considerados no mesmo grau de importância nessa diferenciação.

Os arquétipos são perceptíveis nas experiências externas que coletivamente reproduzimos, nas vivencias básicas e universais, como casamento, maternidade, nascimento e morte, união e separação. E nas vivências internas definindo tendências, comportamentos e se manifestando por meio de figuras como Anima/Animus, Sombra, Persona, etc. Teoricamente podem existir um número indefinido de arquétipos.

Há poucas postagens atrás fiz explanação sobre a importâncias de certos conteúdos e imagens que merecem ser revistos.
  • Naturezas Opostas - faces de uma moeda
  • Viagem a Paris

continua...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

FEED BACK




FEED BACK em SPECTRU E SCORPIONE":

Sim, existe essa preferência e fui criada numa família assim, donde existe a predominância do feminino sobre o masculino, ao menos nos relacionamentos conjugais externos. Minha avó mandava no meu avô, minhas tias em meus tios, minha mãe em meu pai e até minha irmã fala mais alto que meu cunhado. Dizem que o masculino sobrepõe ao feminino, mas isso parece contradizer o que sempre vivenciei em minha família, donde os homens parecem ser os submissos na história. Da minha parte, apesar dessa preferência, sempre existiu uma outra vontade que é àquela ligada a busca ilusória de um homem que tem poder, que pode proteger, enfim, isso já foi bem visível nos sonhos. É como se existisse um desejo de ser comodamente submissa (de ser a frágil) e uma postura de autoridade oculta. Isso parece uma contradição que não sei explicar. O fato do meu animus ser submisso ocasiona esse tipo de preferência por homens mais femininos? Creio que os homens de minha preferência sempre pareceram ou me proporcionaram uma projeção desse meu lado masculino. Buscar um homem afeminado é como afirmar a crença interior de que apenas um homem mais sensível saiba fazer feliz ou compreender uma mulher de fato. Por outro lado, a busca de um homem que não deixe de ser homem afirma a outra crença ilusória de que uma mulher precisa da proteção masculina, forte, ativa. Daí parece que acabo ficando no meio termo, mas sem dúvida a preferência é ligada aos valores e características femininas. Se o mundo é tão governado pela predominância do masculino no poder, porque no meu caso isso parece ser contrário e o masculino se faz passivo e empobrecido? O que ocasiona isso? Ah, quando digo que as mulheres da minha família possuem voz ativa sobre os homens, creio haver uma diferença delas para comigo: minha avó, tias e mãe realmente parecem ter um lado masculino interior predominante. Ao meu contrário, já não tenho essa fibra de impor, ordenar e decidir, a menos que esteja escondido de mim mesma. Uma vez tão feminina e inclusive tendo supostamente meu lado animus feminizado, fica essa sensação de precisar da proteção e atitude de um homem externo para garantir o equilibro, entretanto, a afinidade se dá numa projeção interna fazendo-me preferir os homens mais femininos. Meu raciocínio tem lógica?