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sábado, 5 de fevereiro de 2011

LIBERDADE E TOTALIDADE PESSOAL





Creio que o sonho dessa noite foi uma resposta do meu inconsciente a respeito do sonho passado sobre “anorexia afetiva”. Eu estava junto com um homem, o qual me mostrava algo que não lembro o que era, quando o carro dele estilo Kombi começou a andar sozinho. Como se o veículo estivesse desengatado ele saiu correndo atrás do mesmo e chamou-me para ajudá-lo, mas eu fiquei quieta, sem reação, pois sabia que não ia conseguir parar e segurar o mesmo (seria um pré-julgamento?). Depois de algum tempo ele voltou num outro carro e comentou que tudo tinha acontecido dentro do tempo certo. Ao escutar isso eu desconfiei que tudo fora armação, que ele deixara o veículo aberto para o mesmo ser roubado e assim poder conseguir outro com o seguro (seria um segundo pré-julgamento?). Pensar nisso me fez ter medo do sujeito e saí correndo com medo que ele viesse atrás de mim . Além de sentir-me usada para um plano escuso, também senti-o como um perigo, pois ele poderia voltar-se contra mim ao constatar que eu não aprovava sua atitude (terceiro pré-julgamento?). Conforme corria, o medo foi se tornando tão intenso que por fim comecei a voar. Quando parei estava perto de uma fileira de caminhões. Enquanto tentava entender o que se passava naquele local interditado, também analisava (ou será que tentava me auto-justificar?) tudo o que acontecera comigo. Lembrei que estar com as pessoas era algo sem-graça. disse comigo mesma que antes negar-me aos outros do que ser derrotada pela insatisfação de não sentir-me bem perante os relacionamentos, as amizades e as vivências humanas de modo geral. Não senti que essa insatisfação estivesse ligada ao fracasso de não ser semelhante a uma idealização sociável de mim mesma, mas sim um desgosto causado por não ter afinidade com os outros, por não achar divertido estar com as pessoas. Eu preferia ser esquiva a ter que me frustrar passando por situações desagradáveis, pois esse é o sentimento que geralmente sinto em companhia alheia: desconforto.

Estaria meu inconsciente apenas reforçando a resposta e o entendimento de que o constrangimento que sinto é o julgamento que realizo, é a severidade e o padrão classificatório que aplico ao coletivo, é o despreparo e a insegurança pra lidar com a imprevisibilidade? Mas como fazer se isso parece sempre ser mais forte do que eu?

Na relação com o mundo, apartir da construção do Eu, a justificativa funciona para todo neurotico como referência para atitudes que ampliem o conforto nas relações sociais. Assim o mentiroso encontra justificativas para mentir, o rato encontra justificativas para roubar, o assassino para matar, o oportunista para aceitar o assédio do corrupto, o imoral para transgredir,etc.

A justificativa tambem funciona como referência na construção da pessoalidade para a criação de defesas e resistências que protejam o sujeito de ameaças, distanciado-o da frustração. Em geral o limiar de resistencia à frustração é reduzido, em decorrência de hipersensibilidade ou de fragilidade emocional originada na imaturação neuropsiquica.

No seu caso existe tendência, e já comentei aqui, de predefinir os acontecimentos, antes que ocorram, para se precaver de frutrações e a sua justificativa é sempre a insatisfação de ter que conviver com o incômodo de relações que a “desagradam”. Há justificativa para proteger a individualidade que é ameaçada pela frustração de viver aquilo que não quer ou a expectativa que não se realiza.

É possivel que a frustração tenha se elevado a níveis de sofrimento quando voce passou a ser controlada e dominada na adolescência. Você “engoliu” o martírio de ser controlada pelo outro mas decisivamente rejeitou a submissão se tornando “Mal Criada” e evitando as situações que não atendiam sua expectativa severa e exigente.

Voce caiu na sua armadilha. Tentando se agarrar na sua suposta individualidade passou a se castrar antes que os outros o fizessem. E deixou de aceitar que todo processo de socialização é castrador. Que a maioria se submete a esse processo. Nos adequamos para que adaptados na sociabilidade possamos conquistar instrumentos que nos permitam reconquistar a Liberdade da natureza selvagem que impera no interior do ser.

Essa liberdade é possivelmente a grande reconquista do homem socializado. Está além de qualquer tipo de poder social, posses materiais ou fama. É a liberdade de poder transitar dentro do coletivo estando resguardado, com autonomia plena de sujeito, singularidade, individualidade.

A armadilha fez você renunciar ao que é inevitável: a interação, a relação com o coletivo. Há um momento em que isto é possível ao individuo liberto, se libertar do coletivo. Mas a conquista da libertação do coletivo é dada ao agraciado que conquista a liberdade do individual. E a liberdade do individuo se conquista através do sacrifício da entrega ao coletivo, à socialização que a civilidade exige.

Nos casos patológicos os que, não aceitam esses principios, seguem os caminhos da psicopatia, se perdem ao redor de seus anseios de centros deformados de carater, anseios de domínio, de ilhas absolutas de centro do mundo.

O sujeito egocentrado se entrega apenas à satisfação do desejo pessoal, nada oferece ao coletivo, nem mesmo a presença, a companhia, o compartilhar. Dessa forma suga o coletivo sem nada a oferecer. Seu castigo paradoxalmente é o aprisionamento no outro, no coletivo. Deixa de encontrar a liberdade pessoal, e não é libertado do coletivo.

Quando o medo supera seus limites, o voar, a ilusão, se torna a compensação da libertação, posto que o aprisionamento sufoca sua existencia.

Estaria meu inconsciente apenas reforçando a resposta e o entendimento de que o constrangimento que sinto é o julgamento que realizo, é a severidade e o padrão classificatório que aplico ao coletivo, é o despreparo e a insegurança pra lidar com a imprevisibilidade?

Reforçando a mensagem de que o constrangimento é resultante de confusão conceitual, conflito entre o desejo de inclusão e o desejo de exclusão. É o ritual do sacrifício de se punir, punindo aqueles que te castraram e a “obrigaram” a renunciar ao projeto de autonomia pessoal. Projeto que se deforma no capricho de não se permitir socializável. O projeto pessoal se transforma em conteúdo autônomo revestido de orgulho, capricho, ressentimentos, competitividade, amor próprio, vaidade, petulância, ou como conteúdo inferioridade se compensando como superioridade, atuando e conduzindo seu comportamento.

É a rebeldia para não se entregar ao inevitável: o partilhar coletivo.
A ilha se constrói, mas não se basta.

Mas como fazer se isso parece sempre ser mais forte do que eu?

Dirigindo seu veículo, sua Kombi. O termo Kombi é originário do alemão Kombinationfahrzeug que quer dizer veículo combinado. Combina carro de passeio e utilitário. Mas seu veículo Kombinado está sem motorista, sem condutor, e desce a rua comandado pelas forças que atuam na naatureza.

A pulsão interior, originária de conteúdos inconscientes penetra na área de transferência e conduz o sujeito já que o individuo não tendo consciência acredita que tudo o que ocorre dentro dele é ele. Ele passa a ser conduzido por conteúdos autônomos do interior que tem vida própria, mas como não é capaz de se distinguir passa a ser resultado de sua sombra, deste lado obscuro do inconsciente.

O caminho é a consciência. A partir das pequenas escolhas focar a consciência, fortalecer a compreensão, assumir o comando da vida referendado em princípios que favoreçam distinguir comandos de comportamento pessoal e comandos de conteúdos internos de origem desconhecida. Isso permite a diferenciação interna entre o Joio e o trigo, atuando na dinâmica psíquica e é um longo trabalho de paciência e humildade, de vigilância e determinação. Caso contrário é seguir pelo caminho da indiferenciação, o caminho do simplismo, onde o individuo se consome fortalecendo seu ego e enfraquecendo seu espírito. Seu domínio.

Esta, possivelmente, é a tarefa mais árdua do ser humano, se constituir individualidade estruturada, em pleno domínio de si mesmo, de seu mundo interior e na forma como estabele as relações com o mundo. Hoje em dia, as pessoas por se acreditarem indivíduos constituídos de um “nome” e um número de identidade se pensam individualidades formadas e bem constituídas quando na verdade se dedicaram apenas a estabelecer um projeto idealizado de individualidade, sem nem mesmo se distinguirem internamente como personalidades bem constituídas. Se acreditam fantásticas porque se pensam maravilhosas, se idealizam perfeitas. Se satisfazem com o projeto que idealizam acerca de si e acreditam que isso é o bastante e porque mentem acabam acreditando nas mentiras que criam.

O SER HUMANO TECE A SUA TEIA

ENQUANTO SE ENREDA NELA.



Ψ

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

MULHER JOVEM, PROCURA




Eu cuidava de um bebê, mas ao mesmo tempo em que era um bebê humano, era também um bebê gato. Achei legal a maneira como lidava com aquilo, eu o ninava e o mimava como se fosse uma mãe e já tivesse prática para tal. Acabei dormindo com ele nos braços e quando acordei estava noutro ambiente.

Levantei e notei estar no meio de uma turma de estudantes. Por certo devo ter tomado banho, mas minha recordação maior é de tirar a toalha dos cabelos molhados e penteá-los. Eu estava junto de duas jovens e uma delas se ofereceu para cuidar dos meus cabelos quando houvesse uma oportunidade, e eu aceitei. Por gostar muito da atividade de cabeleireira, ela já se oferecera para fazer isso na outra jovem, mas esta não quisera. Ao terminar de pentear os cabelos disse-lhes que tinha de ir tomar o café da manha, pois eu já estava um tanto atrasada e quase todas já o haviam tomado.

Não lembro de comer em si, mas lembro de ter ido em seguida para uma sala de aula de canto. Nisso entrou um professor de antropologia que me deu aula na universidade (em 2002). Lembrando que naquela semana eu tinha aula de estatística ao invés de canto, saí do ambiente enquanto o professor dava algum recado que nem fiz questão de escutar. Já estava chegando na outra sala quando escutei o professor falar meu nome pela segunda ou terceira vez. Pensei que ele estava me usando como exemplo, querendo saber onde eu fora ou então me procurando para conversar algo. Como eu já estava atrasada para a aula de estatística, a principio não importei-me, mas num segundo momento, ao olhar para trás e verificar que o professor estava com todo o grupo fora da sala, resolvi ver o que queriam comigo ou o quê falavam de mim. Estavam indo fazer uma visita numa comunidade indígena e eu estava convidada para ir se quisesse. Não tive dúvidas de que queria ir, mesmo que fosse ficar com falta na aula de estatística. Preocupada com as faltas, que por certo deveriam ser muitas, comentei que eu sempre esquecia que tinha aula de estatística ao invés de canto, pois para mim cantar era muito mais agradável do que fazer cálculos. Entramos numa espécie de elevador, mas o mesmo era feito de tubos (canos) plásticos e não havia fundo. Ele era fino (pequeno) de modo que precisávamos escalar nele para cabermos. Ajeitei-me e sem nenhum medo, como se já estivesse acostumada aquele aparelho incomum, começamos a subir.

Num momento da subida o elevador foi enfraquecendo até quase parar e alguém comentou que ele não ia suportar o peso. Outro alguém lhe respondeu que era daquele jeito mesmo (eu já sabia disso) e logo depois o elevador deu um baque (era como se ele houvesse parado para se energizar) e continuou subindo. Pouco depois as paredes laterais sumiram e começamos a subir no meio do nada. Estávamos infinitamente longe da terra.

Interessante que eu continuava não sentindo medo, o problema foi que meus óculos começaram a cair do rosto com a força do vento. Mesmo tendo de me segurar com apenas uma mão, ajeitei várias vezes os óculos no rosto. Eu queria ficar com os olhos abertos a fim de ver o cenário, mas o vento foi ficando tão forte que precisei fecha-los. Fiz isso e fiquei quieta com a cabeça para os óculos não caírem. Fiquei tanto tempo quieta que quando abri os olhos eu estava numa espécie de balanço sobre terra firme. Nisso meus óculos finalmente caíram e ao tocarem o chão se transformaram em óculos de sol. Mesmo sentada dei um impulso no balanço e peguei os óculos, os quais naquele momento senti serem do meu pai (talvez por parecer com um que ele teve em vida). Fiquei esperando para continuar a subida até que me dei conta de que aquele balanço realmente não era mais o elevador.

Senti-me tola ao perceber que estava sozinha ali. Saindo do balando passei a mão na cabeça e notei que não estava com nenhum lenço (em todo caso eu não estava de lenço antes). Intrigada me perguntei quem teria pego o lenço português (estilo xale) que minha mãe me emprestara. Em compensação eu estava com um colar de penduricalho nas cores vermelho, verde e branco (lembrou-me a bandeira da Itália). Saindo do balanço retirei o colar e fiquei olhando para minhas mãos: de um lado aquele colar diferente que não sabia de onde viera e, na outra, o óculos escuro que também parecia não ser meu.

Passei os olhos pela região e concluí que já estava na comunidade indígena. Antes de explorar o local, caminhei até uma espécie de galpão donde estava tendo uma palestra. Comecei a andar entre eles na intenção de achar alguém. Estava um pouco escuro e sem os óculos eu tinha de me aproximar para tentar enxergar as pessoas melhor, mas ao fazer isso uma mulher tirou seus pertences do banco achando que eu queria sentar. Disse-lhe que não precisava e retirei-me indo mais para frente. A mulher índia tinha o semblante sério, mas não pensei que fosse por minha causa. Aquele por certo era o jeito dela. Entretanto, senti que poderia estava atrapalhando, porém precisava encontrar alguém conhecido e continuei procurando.

Estava nessa procura quando acordei.
*****

Faltam informações sobre suas atitudes afetivas, mas a introdução sonho revela a ausência de defesa e resistência afetiva frente a recém-nascidos, a compensação de sua atitude afetiva defensiva frente a outras pessoas ou o nascimento, a formação, de conteúdos psíquicos, que recebem foco de atenção que canalizam energias afetivas. O acontecimento pode ter influencia decisiva na reconstrução de sua auto estima.

Há também a possibilidade de conteúdos arquetípicos ligados à sua natureza maternal sendo compensados e direcionando a atenção e mobilizando sua disposição para este aspecto decisivo da natureza feminina a maternidade, e/ou sinalização de mudanças orgânicas de ciclos femininos (ovulação, menstruação, período fértil).

Filho de gato, gato é. A transformação pode ser indicativa de atitudes afetivas sendo projetadas em focos que permitam a sua realização como Intento. A maternidade não realizada é compensada no papel de mãe de um gato onde você pode projetar a sua afetividade compensando o sentido original da energia.

Cabelo – manifestação energética, de forças superiores, sentido de fertilidade. Força primitiva, símbolo solar. Representação da força viral, e da alegria de viver, ligada a vontade focada no Triunfo. Correspondem ao elemento Fogo.

“Estava nessa procura quando acordei.”

Quem procura, busca. Quem acha, acorda!

O sonho relata uma característica que vem se repetindo a forma com dissolve sua força em decorrência de não definir seus propósitos. Possivelmente já tenha me manifestado sobre o equivoco que há entre aqueles que acreditam que deixando se levar encontram a forma segura de aceitar os desígnios da vida.

Poucos podem desta forma obter resultados satisfatórios, a maioria se perde num mar de ilusões e de dispersão.

Em sonho anterior escrevi sobre o caminho entre a Ação e a Não-Ação. Quando nos deixamos levar pelas ondas do mar do inconsciente podemos dar num porto seguro tanto quanto dar num quebra mar rochoso, numa praia paradisíaca ou num mar de lugar nenhum. A Não-Ação é tão fundamental quanto a Ação. É fundamental se situar no seu cenário de vida, bem observá-lo para saber a hora em que se deve agir, atuar, e a hora em que se deve se deixar levar.

O sujeito que apenas age, acredita na presunção de um poder que não possui. O sujeito que apenas se deixa levar, se entrega ao sabor das ondas sem saber onde pode parar.

O inconsciente anseia evolução e para isso necessita da consciência que ajuda a construir e de onde espera ajuda para se ordenar. Necessita rumo ainda que possa se referendar em princípios resultantes de conteúdos arquetípicos que espelhem o conhecimento das gerações ancestrais que o norteiam.

Quando o sujeito se deixa apenas ser levado se entrega ao sabor de uma noção sem rumo, sem norte que precisa se referendar nos limites de uma realidade que funciona como Porto Seguro.

Você tem uma leve (ou profunda?) tendência de se deixar levar. Abre mão de referências lógicas, racionais, em nome do prazer ou de sensações que lhe servem de guia para se conduzir.

A intuição é um poder magnífico que quando bem utilizado nos permite caminhos seguros e acertados. Mas para se guiar pela intuição é fundamental se “Ouvir” e... Refletir, avaliar, diagnosticar, escolher. Quando mal utilizada por desconhecimento do mecanismo, ela pode se tornar uma armadilha conduzida por conteúdos que atuam para paralisar, travar e boicotar o sujeito.

Você se deixa conduzir, se entrega em mãos de aprendizes, justificada na bondade ou por oportunismo, conforto ou simplismo.

Sua Força Vital possui uma dona, uma Rainha: Você. Nada pode justificar a conduta de se entregar ao destino acreditando na magia de ser protegida ou guiada para um paraíso. É preciso trabalho duro. Montar o lombo do cavalo selvagem e domá-lo. Assim podemos nos comprometer com a vida que nos foi dada, ou que conquistamos.

Os óculos são instrumentos de ampliação da visão, consciência ampliada, ou descanso – óculos de sol-.

A tribo indígena pode ser a referência à postura dos guerreiros que sobrevivem em território ameaçador, indicação de força primitiva e ancestral.

Encontrar suas mãos no sonho é um acontecimento especial, mas isso fica para outra oportunidade.

Ψ

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

CONTINUUM PSÍQUICO



CONSCIÊNCIA E INCONSCIENTE -TEMPO E VAZIO

Como Faltou informação sobre o tempo de ocorrência dos sonhos que se seguem, acrescento as observações neste pré post.

Mesmo que eles tenham ocorridos num tempo sequencial e com interrupção, o segundo sonho parece a continuação do primeiro relatado. E mesmo que tenham ocorrido com intervalo, de um dia de vigília, ainda podem ser sequenciais da dinâmica psíquica.

A falta de informações deste detalhe me abre a possibilidade de fazer pequena observação neste tema.

Diferentemente de outros estudiosos não considero os sonhos como ocorrências separadas, distintas, que se encerram em si, mas como manifestações de uma dinâmica que existe num contínuo ainda que separados por vazios, lapsos e ausências.

C. G. Jung foi excepcional, inspirado e sofisticado em sua capacidade perceptiva como observador dos fenômenos psíquicos. Ao longo de sua obra ele nos brinda com pérolas e brilhantes que elucidam de forma sistêmica os mistérios que rondam a existência humana. Não é à toa que o considero um dos homens mais lúcidos da história das ciências humanas.

Ele foi Brilhante quando detecta, observa, e nos Alerta que a Consciência não é contínua, mas que funciona como ondas com ápices e vazios ou ausências, e acrescenta que os pensamentos preenchem esses vazios nos dando a noção de uma continuidade e linearidade de consciência.

Para que possam visualizar utilizo uma pequena e reduzida imagem de Eletroencefalografia (EEG) registro gráfico das correntes elétricas desenvolvidas no encéfalo. Esse registro das variações das tensões elétricas mostra o ápice da variações e seu vagalhões, depressão do funcionamento. O cérebro funciona em ondas variáveis.

Nós temos uma falsa ideia de uma consciência contínua que em realidade não existe. Os indivíduos se utilizam de recursos variados para preencher essas lacunas e vazios de consciência e se refugiam nesses esquemas para tentarem escapar do encontro inevitável que precisamos realizar com a consciência.

Ao longo de minha experiência clínica pude observar que quanto mais graves os processos de transtornos mentais maiores são os vazios de consciência e a sua descontinuidade e quanto mais saudáveis os indivíduos maior a estabilidade menores a instabilidade das ondas mentais.

O que faz sentido já que quanto mais o indivíduo se desequilibra maior o esforço que a estrutura mental necessita realizar para manter a estabilidade do sistema. Quanto maior a harmonia com que funciona, a estabilidade emocional e a relação com o meio, menores as variações e o esforço mental e os vazios ou ausências.

Existem outras variáveis que precisam ser consideradas, tais como: idade, hábitos que determinem a saúde ou a degradação precoce do sistema, ocorrências traumáticas que acionem defesas que protegem a estrutura mental.

Ainda que o inconsciente seja o oceano primordial, nada garante sua estabilidade, portanto ele como o universo e como a consciência é instável e descontinuo, podemos aumentando o estado de continuidade da consciência promover uma diminuição da instabilidade e da imprevisibilidade das funções do inconsciente.

Bem... Como dizia: diferentemente de outros estudiosos, necessariamente não considero sonhos de dias distintos como ocorrências distintas e separadas, mas como conteúdos que espelham um sistema, uma dinâmica única. Assim, todos os sonhos de um individuo estão conectados por um fio à esse sistema mesmo que seus temas sejam distintos. Isto dentro de um ciclo que define uma ocorrência temporal.

Assim ciclos distintos definem variações distintas de temas, ainda que possam incorporar temas de ciclos passados que não foram adequadamente superados ou transformados.

Poderia dizer que são variações em torno de um mesmo tema: a vida.

Segue o relato do sonho...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

GUERREIROS IMPECÁVEIS


do filme  SONHOS  de  Akira Kurosawa
CARLA133

Sonhei que estava com um casal de amigos numa sala-refeitório. O rapaz estava mais próximo, sentado no mesmo sofá que eu, enquanto a moça permanecia do outro lado numa cadeira. Eu comia um pedaço de rosca e enquanto isso dizia que queria o contato deles, explicando que muitas pessoas haviam passado pela minha vida e eu nem sabia o paradeiro. Comecei a dizer que não sabia se ainda estavam vivos quando a moça me interrompeu e disse: 'ou se já morreram'. Confirmei, pois de fato era isso. Comentei que das antigas amizades e conhecidos eu mantinha contato virtual apenas com uns três e que o resto ficara apenas na lembrança. Na sequencia do assunto o rapaz me disse que o Tulinho tinha muita admiração por mim. Perguntei: 'Qual Tulinho, o Túlio?' Ele não soube me dizer se estávamos falando da mesma pessoa, mas eu supus que seria e nem dei tempo dele explicar os motivos pelos quais o Túlio me admirava (embora tenha ficado curiosa para saber), pois fui logo afirmando que também gostava bastante do Túlio, explicando que ele era calmo, delicado e divertido. Eu não disse isso como consequência ou compensação por saber que ele me admirava, pois independente da maneira como ele me via, eu realmente sentia simpatia por ele. No momento meu sentimento foi de surpresa pela descoberta. De todo modo, saber que ele tinha admiração por mim fez o meu ego inflar e senti isso muito claramente no sonho. Não era uma pessoa qualquer que me admirava e sim alguém por quem eu também nutria afeto, mas cuja amizade mantinha certo distanciamento formal.

Entendi do sonho que ainda estou presa na armadilha de querer ser apreciada pelas pessoas, pois isso de certa forma mexe com meu ego e autoestima. É isso mesmo? Como fortalecer meu ser sem ter que basear-me na opinião alheia a meu respeito? Não que isso tenha sentido racional, pois tenho minha opinião sobre quem eu sou, sobre meus pontos admiráveis e abomináveis, entretanto, sentimentalmente ainda me faz diferença saber ou sentir que sou admirada, apreciada e desejada. O que tal sonho poderia me dizer?

SOBRE A DINÂMICA DO INCONSCIENTE

A pertinência da leitura se mostra, em certos momentos, quando conseguimos identificar uma dinâmica do inconsciente, veja só:

Este sonho já havia sido enviado por você, quando fiz a leitura do sonho anterior, e eu só tomei conhecimento dele agora depois de ter concluído a leitura anterior.

Na leitura feita foco o olhar na impermanência da vida e do universo, e neste sonho aparece o relato que se segue:

“... explicando que muitas pessoas haviam passado pela minha vida e eu nem sabia o paradeiro. Comecei a dizer que não sabia se ainda estavam vivos quando a moça me interrompeu e disse: 'ou se já morreram.”

Uma Dinâmica de inconsciente é isso. Existe uma continuidade, como um Rio que Corre, um Fluxo natural. Se você acompanha o rio que corre, você pode ver nele tudo que ele trás da nascente, tudo que ocorreu rio acima, o que ele leva para o oceano primordial. E se você não viu o que o rio levou? A dinâmica do inconsciente, como a vida, é cíclica. Na lei do Samsara, até que tenhamos oportunidade de nos libertar, os fatos se repetirão. Este é uma das características do inferno, quando superamos nossas dificuldades nos libertamos daquela repetição que reapresenta o “Incompleto” o não realizado. Viveremos novas experiências, novos desafios que se não forem fechados serão repetidos pela eternidade por nossos descendentes até que se realize, se completem e possam ser pulverizados. O inferno que vivemos é o inferno que criamos.

J. P. Sartre afirmou:

 "O inferno são os outros."

Eu lhe digo:

O "outro" pode representar meu inferno, quando deposito nele as expectativas do meu bem estar.

Eu crio o inferno em que mergulho, em que vivo.
A dinâmica foi vista e antecipada. A vida é impermanente. Tudo é passageiro, temporário, imprevisível, impermanente.

O SONHO

E essa é a armadilha do afeto, do apego, da dependência. Quando dependentes queremos aprisionar o tempo, para prender as pessoas, para segurar a “felicidade”, e o que conseguimos é o sofrimento o aprisionamento no passado.

Essa me parece outra característica disso que chama de “meu ego inflado”. Existe inflação, mas parece-me que ela é decorrente do apego e da obsessão de se vincular a alguém. A impressão que tenho, e pode ser equivocada, mas é minha impressão, é que nesse seu momento você, como medo de ficar pra Tia velha e sozinha, vai se agarrar a qualquer Bucha Velha para estar acasalada. Cuidado! Ser só pode ser muito mais interessante do que estar mal acompanhada. Não aceite propaganda enganosa. A união mais fabulosa e interessante que podemos realizar, não é a união com o outro, a do acasalamento exterior, mas a do casamento interior, a união dos nossos opostos, a integração num único ser, a Totalidade.

Outro detalhe: muitas vezes recuamos em busca de estabilidade, compensações ou proteção, frente aos riscos que o futuro nos acena. Mas não leve isso muito a sério ou você se encalacra. O passado não é solução é armadilha.

“Entendi do sonho que ainda estou presa na armadilha de querer ser apreciada pelas pessoas, pois isso de certa forma mexe com meu ego e autoestima. É isso mesmo?”

Se for só vaidade, apenas ser “apreciada”, está ótimo. Ser apreciada resolve o seu problema? Não creio.

A armadilha da vaidade é que ela é insaciável.

Como qualquer vaidoso, você não saciará sua vaidade, essa fome compulsiva de aplauso e aceitação. Os vaidosos cnseguem satisfação temporária, mas a fome logo reaparece. Durante um tempo eles conseguem se manter em pé, mas a infelicidade e a frustração fica a um palmo do sujeito, pronto para absorvê-lo, como matyéria para se queimada. Encontre o seu verdadeiro tamanho e seja do seu tamanho, é mais plausível e duradouro, ficamos mais blindados. Quando fazemos isso, a vida nos agracia, nos dá uma única chance de descobrir a nossa grandeza, como seres vivos à imagem e semelhança do  divino.

“Como fortalecer meu ser sem ter que basear-me na opinião alheia a meu respeito?”

Fortalecendo sua independência, pessoal, financeira, econômica, emocional.

“Não que isso tenha sentido racional, pois tenho minha opinião sobre quem eu sou, sobre meus pontos admiráveis e abomináveis, entretanto, sentimentalmente ainda me faz diferença saber ou sentir que sou admirada, apreciada e desejada.”

Isso que você chama de diferença vem sendo mais decisivo na sua vida do que as suas opiniões, que podem apenas encobrir o tamanho de sua carência do outro, que completa a lacuna do seu vazio.

O que tal sonho poderia me dizer?”

Na vida, nada mais nos resta do que a aceitação de nossos desígnios. Não adianta chorar, ter pena de si mesmo, fazer drama, papel de vítima, negociar com o diabo, implorar a Deus. Só nos resta, nesta vida,

SERMOS GUERREIROS IMPECÁVEIS.


terça-feira, 27 de abril de 2010

A CAPITÃ DE CAPITÃO

Imagem de Fragata Pirata em mar calmo: 

CH54

Sonhos dessa noite. Primeiro: Eu passava por uma estrada quando visualizei uma senhora e uma jovem sentadas no meio do caminho. Havia irradiação luminosa nelas e outras figuras humanas de luz opacas que imaginei ser espíritos e, sem muito conhecimento, uma vez que nunca vi espíritos, deduzi que deveriam ser benévolos já que a luz era branca e clara. Nisso a senhora e a jovem também se transformaram em luz e saíram deslizando na minha direção. As figuras pereceram se misturar ou sumir de forma que ficaram apenas duas que se aproximaram de mim e depois já havia apenas uma mulher com um semblante irritadiço como se quisesse me matar. Perguntei o que ela queria comigo e ela respondeu em deboche e com raiva: ‘Você não está lembrando de mim? Pois vai lembrar agora’. Não sei o que ela fez comigo, mas eu comecei a reviver mentalmente milhares de cenas vivenciadas como se houvesse um filme sendo repassado em velocidade na minha cabeça, dentro da pálpebra dos meus olhos. Então eu me vi enquanto capitão ainda jovem de uma fragata (com roupas azuis e um chapéu preto estilo de pirata) e aquela mulher era um homem um pouco mais velho, um integrante de um posto maior da mesma tripulação e, não sei exatamente por qual motivo, eu não gostava dele, o via como inimigo. Mesmo me vendo e me sentindo num jovem rapaz, questionava interiormente se aquela regressão de memória seria real ou se era uma invenção de minha mente. Todas as cenas passaram-se muito rápido e quando voltei à realidade eu estava em casa e minha avó despejava todo o vidro de azeite em seu prato de comida. Desesperada eu corri para pegar o azeite e disse para minha mãe que não podia deixar determinadas coisas ao alcance de minha avó. Minha mãe pareceu não se importar, mas eu fiquei bastante irritada. Minha avó já está gagá a ponto disso, mas o que me atormentou no sonho não foi o descuido de momento, mas sim o descaso de minha mãe em relação á situação de cuidar da vovó. Essa ultima parte foi bem parecida com sonhos passados nos quais houve irritação da minha parte e descaso da parte dos outros. Os espíritos podem ser influência da nova novela das seis horas (Escrito nas Estrelas) a qual comecei a assistir. Mas me ver na pele de um capitão de fragata pareceu-me sem sentido. O que pode ser?

O inconsciente é a eterna fonte inesgotável de memória da espécie, Uma memória sem tempo. Os estímulos externos podem acionar imagens oníricas, ilusões e fantasias, mas o que acionam essas imagens, o que estas imagens podem representar e a respeito do que querem falar é a nossa grande questão, o nosso alvo.

Neste sonho se posso tirar de imediato um sentido, é a noção da relatividade do tempo. Ainda que vivamos aprisionados “num tempo ou num intervalo de tempo” ele é o que menos conta, primeiro porque o passado e o futuro se reúnem no presente, e quando pensamos no presente estamos mergulhados, como resultado que somos, num passado inimaginável, ali ao lado, dentro de um futuro impensável. Essa linha do tempo é relativa e não existe, ainda que para referência de consciência precisemos deste constructo de realidade que nos permite nos referendar para não mergulhar nessa inimaginável e múltipla dimensão cósmica mais próxima do caos e dos estados psicóticos fragmentados e desagregados.

Então, considere a relatividade do tempo, e o tenha apenas como referência de uma realidade que mais nos protege do que elucida sobre este mundo.

Assim, “a mulher” que lhe inquire pode ser de origem arquetípica já que faz aflorar uma memória de sua vida. O que ela lhe diz parece indicar um alvo específico, tem a ver com a figura do capitão ou sobre a relação de inimizade nutrida em seu passado? Eu tendo a considerar a incorporação de uma figura castradora de um homem (dentro de uma mulher, o capitão em você) que nutre desafeto por um homem mais velho de hierarquia superior. Não sei se pode ter sido resultado de um processo de formação subliminar que tenha sofrido (em decorrência de relação competitiva entre pai e mãe), falta-me subsídios e informações para afirmar. Seria a representação de seu Pai? Ou diz respeito apenas à sua dificuldade de relações harmoniosas com conteúdos masculinos introjetados e incorporados como ressentimentos ou fruto de mágoas. Mesmo que a origem não seja nas relações indiretas a partir de pai e mãe, podem estar relacionadas até à sua terceira geração ancestral. No seu momento, Já há algum tempo esses processos de reconciliação acontecem e tendem a continuar. Neste sonho há sinais de acionamento de conexões com seu passado, que pode ter sido seccionados em sua dinâmica de vida ou terem sido herdados já seccionados em decorrência de experiências de seus antepassados.

A figura da avó já surge como foco de afeto que precisa ser considerado, os cuidados com a grande mãe, a atenção às origens ancestrais em você, seu comportamento critico, de cobrança e julgamento que lhe norteiam. Ainda em relação à sua avó observo que ela derrama o azeite, e aí aparece você chorando pelo azeite derramado. Essa "avó" envolve um sentido de responsabilidade diante de sua vida e diante da evolução de sua estirpe familiar. Você é a pessoa que agora possui o instrumental para evoluir, para não repetir seus ancestrais para ajuda-los no processo de evolução da familia. E arquetipicamente ela surge como Figura de Senex decrépito que precisa ser considerado, focado.
 Será que tá na hora de deixar de chorar pelo seu passado, de parar de ficar catando coisas naquele passado de decrepitude, ou de interromper na sua vida os lamentos pelos acontecimentos já definidos no passado? E principalmente olhar para seus atos e ações ao invés de focar o alvo no outro. Comportamento que favorece a insatisfação e o foco permanente no outro, como resultado de uma transferência negativa. À medida em que não consegue um acordo tônico responde de forma severa e crítica ao outro, à sua presença.

Mas é interessante te ver como capitã, responsável pela rumo do seu barco de Guerra, conduzindo sua vida, o barco de sua vida nas águas do oceano primordial, nas águas turbulentas do inconsciente. Ainda que seu barco seja dominado por uma mulher macho guerreira e seu ornamento (o chapéu que cobre sua cabeça) seja de um pirata. Os resquícios da pirataria AINDA SOBREVIVEM. E você como “rapaz” deveria levá-la a se perguntar onde anda sua feminilidade? Sua postura é de guerra? Onde anda a mocinha em você? Será que você se faz mais homem e mais velha do que mocinha? Será que é necessário resgatar essa feminilidade? Será que você está precisando é da impetuosidade, vigor e ousadia de um rapaz para romper os entraves que te impedem de realizar seus desejos?
Fragata tambem é a denominação de ave da região costeira, o que pode singularizar a evidência de uma polaridade entre o conteúdo pesado de deslocamento (a NAVE ave de guerra), e a NAVE ave que plaina sobre as águas primordiais, neste caso o indicativo é de necessiadade de mudança de atitude e de postura diante da vida.
agora... se voce olhando este sonho perceber que você foi fragada. E só voce pode dizer, enriqueça-me me dizendo em que?


fragata


De qualquer forma, em raros indicios, este parece-me um sonho que aponto para um momento de Morte, Transição e... Renascimento.

PARA NASCER  É PRECISO MORRER
SEM SUICIDAR.

Reflita... Bye.

Perdoe-me, existem sonhos que parecem fechados, como o sonho acima, um verdadeiro deserto, mas dentro deles o oasis é rico, nós é que não vemos. Tentei tirar alguma riqueza deste poço. Se não fez sentido, perdoe-me a falha. Muitas vezes a calmaria do mar, a ausencia de sopro divino, nos faz paralisados. Sonhos intransponíveis não me fazem desistir, ao contrário, me mostram que sempre precisamos de humildade para suavemente acariciar sua magia e encontrar a compreensão.

domingo, 6 de setembro de 2009

LESMAS














Carlot4 (continuação)2 - “Eu parecia estar num ponto de ônibus ou algo semelhante. Estava abraçada a um rapaz que era meu namorado, mas só o conhecia dentro do sonho. Eu estava feliz por estar com ele e parecia até mesmo surpresa com isso. Nisso ele resolveu comprar um pacote de salgados de um vendedor ambulante, mesmo após eu dizer que não queria. No que ele comprou e trouxe o cenário mudou. Daí eu já estava numa espécie de bar com uma amiga (também conhecida só no sonho) e, quando ela foi tirar o salgado do papel de embrulho, este estava cheio de lesma. As lesmas eram bem pequenas e foi uma terceira pessoa que me mostrou algo gosmento no salgado. Daí eu mostrei para minha amiga. Pensei que ela não fosse conseguir enxergar direito, mas nisso as lesmas começaram a crescer até ficarem parecendo uma lagarta. Elas se espalharam e começaram a andar por todo o balcão. Diante daquilo ela ficou muito brava dizendo que queria o dinheiro de volta e fez eles devolverem a quantia exata. Eu fiquei com muito nojo, mas continuei calma como sempre, até porque (embora o cenário fosse outro) inicialmente eu nem queria o tal salgado e parecia não me importar muito com o ocorrido em si. Creio que isso se deu pelo fato de ter sido ela a pagar pelo meu também. Como numa tentativa de evitar escândalos às portas do bar foram fechadas e uma mulher começou a chorar enquanto passava pano no chão e dizia que o patrão não soltava verba para cuidar da higiene do local. Outra vez o cenário mudou e repentinamente estávamos numa espécie de pensão improvisada. Nele eu e essa mesma amiga estávamos nos arrumando para viajar. Ela foi ao banheiro escovar os dentes e me perguntou se eu lembrara de pegar a camiseta. Disse que sim e ela comentou: ‘Ainda bem que já passei o desinfetante no seu cabelo para facilitar’. Ao acordar fiquei por entender essa frase dita por ela, principalmente a palavra desinfetante. Uma mulher muito receptiva do local disse que ainda estava cedo, mas nosso horário de embarque estava marcado. Enquanto me arrumava e olhei para mim mesma, senti que eu estava mais alta. Parecia que meu corpo era outro e achei estranho, mas nada que me desagradasse. Logo depois eu acordei e as lembranças ficaram apenas nisso.No primeiro sonho eu não entendera o recado de meu inconsciente, mas juntando-o ao segundo achei muita coincidencia sonhar com larvas na lama do filtro de água e depois sonhar com gosma de lesmas no salgado. O que tais sonhos realmente possuem de comum e querem me dizer?

Sua percepção é correta, o ICS se repete na tentativa de alertar para fatos de nosso interesse e da realidade do corpo. Vejo de início confronto com a sua forma de responder a acontecimentos da realidade. NOJO. Naturalmente, entre pessoas existem diferenças de natureza que nos fazem reagir de formas diferentes frente aos fatos do dia a dia. Eu por exemplo não suporto cheiro de carniça, Putrefato, bactérias decompositoras, o odor me provoca reflexos de vômito. Mas existem aqueles que possuem uma resistência maior e suportam o que me parece desagradavel. No meu caso qualifico como uma hipersensibilidade olfativa, enquanto os que não têm essa sensibilidade lidam melhor com odores concentrados. Mas... O nojo antecede a resposta orgânica em forma de resposta reativa preventiva. Pessoas existem que só de visualizar a imagem em pensamento já se sentem desconfortáveis. O processo humano é de desenvolvimento, portanto, podemos nos fortalecer, vencer dificuldades, nos aprimorar e o ICS quando percebe que limites auto-impostos podem prejudicar ou formar processos que interfiram no desenvolvimento saudável do ser nos confronta com limites que precisamos superar, nos diferenciando da possibilidade de estímulos externos alterarem o nosso equilíbrio. Neste aspecto só posso conceber a psiquê como um sistema de atualização, de auto-regulação que interfere ou tenta interferir auxiliando-nos na condução do processo total. Você permanecendo calma frente ao confronto é bárbaro, dessa forma o ICS cria situações que favorecem o sujeito a superar dificuldadse que simplesmente o limitam no seu movimento dentro da realidade. Avalie o que lhe disse na primeira parte deste sonho para compreender este 2. Procure trabalhar preconceitos e fique atenta para não responder à realidade na mesmice que reforcem suas dificuldades. Trabalhar a superaração de dificuldades pode ser sinal de um futuro mais natural. Cuide de sua saúde.