domingo, 16 de janeiro de 2011

CEM ANOS DE SOLIDÃO

Coronel Aureliano Buendia - "Cem Anos de Solidão".
 em sua morte - ilustração de autor "não identificado"

Primeiro sonhei que eu conversava com alguém que me perguntou sobre algo do meu dia a dia. Disse-lhe que num momento era bom e no outro nem tanto. Daí não lembro se foi ele ou eu, mas um de nós comentou que em verdade o evento era sempre igual, a diferença estava nas minhas emoções perante os fatos, na mudança de postura sentimental, na minha predisposição racional de perceber o externo, analisá-lo e canalizá-lo para o mundo interno.

A experiência de viver poderia ser traduzida, na falta de outros recursos, como o efeito que um evento dentro da realidade promove no corpo de um individuo, cujo resultado é percebido/ sentido como uma “impressão”. Sobre isso Einstein nos alertou que uma onda produzida aqui reverbera por todo o universo. Nós detectamos algumas dessas ondas, e se assim não fosse, sem filtros a vida poderia ser um inferno, na percepção do caos.

A vida só existe dentro de mim. Ainda que este existir só exista em decorrência daquilo que existe fora de mim. A vida independe de minha existência, ainda que "exista" só a partir de minha experiência

Gabriel Garcia Marques , em “Cem Anos de Solidão” conta, se bem me lembro, que para proteger o Coronel Aureliano Buendia da loucura em que mergulha, ele é amarrado em um poste no terreiro, e ali fica durante um longo período. Depois de um certo tempo alguém lhe pergunta sobre os dias que ali passa e ele diz que não há mais domingos, pois todos os dias são iguais. Ele havia perdido a sensibilidade e mesmo que curado da loucura em direção a um estado "numinoso", tinha mergulhado no tédio ou no “non sense”. Ele morrerá em pé com a cabeça encostada na árvore e envolvido por borboletas. Ele é o realismo fantástico do viver.

Costumo dizer que a vida é cheia de armadilhas, a rotina é uma delas. Não porque haja igualdade nas ações de uma pessoa que todos os dias faz a mesma coisa, mas porque a sensibilidade fica entorpecida, e o sujeito acaba fugindo para o sem sentido de suas ações. Não porque as ações repetidas não tenham mais sentido, mas porque o sujeito perde a conexão e o poder de extrair significado de suas ações.

Mesmo que todos os dias o sol nasça, um dia não será igual a outro. Mesmo que façamos as mesmas ações do dia anterior, mesmo que vivamos aparentemente na igualdade e na repetição, o presente é sempre um novo presente, pois a realidade avança para o imprevisível. Pessoas se aprisionam no conforto da mesmice por escolhas, atitudes e posturas em suas vidas.
No sonho vemos que há uma consciência que amplia o seu conceito de “Estar ao Mundo” mesmo que continue “Estando no Mundo”. Há reelaboração conceitual na sua atitude diante do mundo ou da realidade.

Esta resignificação é fundamental porque define diretamente o seu “humour”, a forma como o fio de sua vida se desenrola diante de seu olhar.

No passado podia-se detectar com facilidade o pré-conceito, pré-construído do momento presente idealizado ou criticado, do cenário em que se inseria. O foco podia ser selecionado a partir da classificação que mobilizava o seu humor para reagir diante dos fatos que se desenrolavam. Assim acontecimentos normais na vida de qualquer pessoa poderiam lhe parecer desinteressantes e você poderia responder com certo ar Blasé, apática, desinteressada ou até banalizando a realidade em que estava inserida, reforçando a postura de vitimizada ou de superioridade que compensasse o seu sentimento de inferioridade. Tudo ligado à sua baixa estima.

A postura parece-me renovada. Há dinâmica de resignificação mental. Você identifica sentimentos, emoções e há disponibilidade para avaliar os cenários, em que se insere. Isso se dá com um olhar novo e não com o velho olhar classificatório. Não mais com a negatividade ou desinteresse pelo não atendimento de suas expectativas, mas com agradável e curiosa disponibilidade para o novo.

No sonho o conceito já está introjetado, você percebe e o expressa: O que faz a diferença é a forma como nos relacionamos com o mundo, o olhar. Se estivermos abertos para o presente, para aquilo que a vida nos propõe, ficaremos mais conectados com as infinitas possibilidades de retirar prazer dos acontecimentos que nos rondam.

A diferença: Quando a predisposição nos leva a não aceitação do mundo porque ele não é o mundo que queremos, a vida se fecha porque nós nos fechamos para a vida;

Quando há disponibilidade, a alma se faz grande, o espírito se amplia e se abre para descobertas que a vida nos reserva ou nos agracia.

Viver na opulência, no topo, pode parecer fácil e interessante, mas quando conseguimos retirar significados e riqueza do simples, nós enriquecemos o em torno, o transformamos num tesouro excepcional, ou passamos a ser capazes de detectar o extraordinário que nos rodeia.

Pouco importa o lugar onde estamos. Rodeados do belo ou do feio, do trágico ou do dramático, da riqueza ou da pobreza, o que importa é a forma como lidamos com essa realidade, a postura diante do mundo, a dignidade da presença e a atitude diante da vida, diante das pessoas.

Essa atitude favorece a percepção do mundo, a forma como ele penetra, invade e nos impregna de sentimentos e emoções. Os resultados podem ser míseros caprichos ou vaidades insaciáveis, percepções defensivas e ególatras, insatisfação, tanto quanto podem ser a descoberta de novos sentidos, sensações, sentimentos suaves e delicados, nobres e leves, de um tipo que inunda o espírito de luz.

O caminho me parece um bom caminho. Crescer e amadurecer é assim, a sofisticação da capacidade de perceber o mundo, a existência.

O presente é sempre um presente, só precisamos aprender a desvendá-lo para apreendê-lo em nossa experiência.

Ψ



sábado, 15 de janeiro de 2011

DESEJO, INCESTO E VINGANÇA






Depois sonhei que chegava numa casa e meu pai veio me recepcionar. Disse-lhe que eu não podia demorar e ainda assim vi ele trancar o portão e guardar as chaves. Enquanto adentrávamos pelo quintal em direção a casa, pensei em como reagiria se ele quisesse fazer sexo comigo. Eu não saberia definir se havia algum interesse proibido em mim. Entretanto, numa sequência de pensamentos, eu já estava em dúvida e não sabia se tudo o que acontecera de incesto fora verdade ou apenas criação mental. Logicamente dentro do sonho o que estava em minha mente não era a vida real, mas os vários outros sonhos de conteúdo sexual tidos com meu pai. Era como se houvesse ocorrido uma sabotagem onírica.

O pai pervertido havia sido real mesmo dentro dos sonhos, teria alguma conotação com a realidade, ou tudo não passava de fantasia mental?

Quem ou qual tipo de pai era aquele?

Seria o pai real ou o pai interno pervertido projetado nos sonhos?

Enquanto pensava ele me deu um rádio antigo para segurar (igual a um rádio que meu pai teve na vida real) dizendo que o havia consertado. Realmente a música estava limpa, sem chiados ou ruídos. Ao invés de entrarmos na casa, a qual parecia estar trancada, meu pai pendurou o rádio num galho de árvore e começou a podar a mesma. Nesse momento contemplei o local e agradei-me de ali estar. Era um terreno bastante inclinado com uma construção de fundo, na parte mais alta. Interessante que só me dei conta da inclinação ao estar lá no topo, ou seja, não senti a subida em si. De lá até o portão havia um gramado com duas fileiras (no sentido atravessado do terreno) de arvores. Havia muito mato e as arvores realmente estavam precisando de poda. Não entendi o fato de justamente naquele momento ele ir serrar os galhos das árvores e remexer naquilo me deixando um tanto perdida sem saber o que fazer ou pensar. E mais um detalhe: lá embaixo havia um banheiro e observei duas mulheres adentrando nele, mas não dei importância ao fato, embora achasse curioso ter aquele banheiro lá.
Em principio a sua relação com seu pai não pode em tese ser separada da relação entre sua mãe e sua irmã. Desta forma seus desejos incestuosos seriam uma forma de estabelecer um pacto de proximidade e de cumplicidade com seu pai, satisfazendo um certo desejo mórbido de se vingar de sua mãe e de sua irmã sendo a amante de pai, a que rouba o homem da mãe e que estabelece uma relação mais profunda do que sua irmã poderia ter estabelecido com sua irmã.

Nesta ótica, o pai criado internamente é aquele que realiza o seu desejo mórbido e a perversão é do tamanho do ressentimento originado na exclusão da relação entre a mãe e a irmã e na necessidade de punir a mãe por ter-lhe entregue ao domínio da irmã.

Quando a mãe abre mão de ser a mãe que te conduz entregando-lhe ao poder de sua irmã, sua mãe consegue se safar da relação de competição e do embate travado e criado por você.

Quando você se envolve na competição com a mãe, num processo, até um certo limite, natural de diferenciação de sua individualidade você antecipa o seu processo de maturação sem estar devidamente preparada para essa ascensão. Você define, de certa forma, a atitude de sua mãe de renunciar à autoridade materna e de entregar essa responsabilidade à sua irmã.

No jogo das relações parece-me que você nunca aceitou este desfecho dado pela mãe, através da renúncia ao jogo competitivo. Ela não suportou o seu confronto e pediu socorro, ela precisava te "salvar" e se salvar.

Assim a presença do pai torna-se a sua possibilidade de vingança, frente ao resentimento que poderia estar te consumindo, decorrente da revolta, de ter ganho o jogo mas não ter levantado a taça da vitória.

Faço esta associação e considero sua negação de ocorrência real de um pai incestuoso.

O rádio é a ampliação da capacidade de perceber aquilo que instrumentalmente somos incapazes. Você ligada ao mundo, às ondas do mundo.

Enquanto seu pai realiza a poda, o corte dos excessos, o direcionamento do crescimento, a limpeza das árvores você já se encontra no topo.

A árvore é símbolo feminino e materno, referência da fixação na terra. Podemos pensar que este lado masculino do lenhador ou do castrador seja aquele que controla e administra a fecundidade, ou que impede a plena expansão do seu lado feminino. Ainda que possa ser o principio de realidade que a mantém ligada ao mundo.

As mulheres “lá embaixo” podem ser referência à sua irmã e à sua mãe, já que elas fazem irremediavelmente parte de um triangulo da qual participa junto delas, elas que são seu foco e referência de mãe.

O sonho ainda pode ser o encontro com o pai falecido. Neste caso, ele vindo do mundo dos mortos, pode estar lhe indicando a necessidade de focar sua ação em projetos mais definidos dentro da realidade, ou a importância de realizar em sua vida a poda dos excessos, a limpeza do campo no seu entorno, à importância de trabalhar a construção através da manutenção daquilo que é de sua responsabilidade cuidar e sua vinculação com a natureza.

Há o detalhe do seu incômodo  causado pelas mudanças que vão sendo realizadas, processadas, inicialmente tira-lhe as referencias e a deixa paralisada. È preciso assimilar essas novas mudanças, digerí-las e incorporá-las à sua vida. 
Além disso, a certeza de que na vida precisamos abrir mão de galhos para colher no futuro os frutos do renascimento.

Ψ

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

COSMIC MESSAGE



Imagem do filme "O Segrêdo", editada

Sonhei que estava dormindo e não conseguia mexer-me. O corpo estava pesado como se ele dormisse enquanto eu, ou melhor, minha mente, permanecia completamente alerta. Sentia agonia por isso e queria acordar, mas também não dava conta. Nisso uma voz masculina me disse para não desperdiçar a oportunidade de dormir com consciência e ensinou que eu deveria mexer com bastante sutileza, começando pela ponta dos dedos e vagarosamente, sem grande esforço, ir movendo o membro todo. Apesar de conseguir levantar o braço com tal truque, ainda assim era difícil e não deixava de ser um tanto desesperador, pois era como se precisasse técnica para algo que normalmente basta um comando de impulso. Por mais que eu soubesse sobre meu corpo estar seguro em suas atividades normais, o fato de não poder mexer em sonhos do gênero é associado a sufocamento, como se existisse medo dos órgãos vitais ficarem inertes sem conseguirem funcionar. Tentei mexer mais do que o braço e com muito custo, dando o máximo de mim para dominar a agonia, sentei na cama, mas em verdade eu não sabia se estava mexendo o corpo ou apenas a parte espiritual desprendida da matéria. Levantando eu não sabia se aquilo me faria ser sonâmbula ou se estaria movendo apenas a mente, ou seja, simplesmente sonhando com consciência. A sensação de estranheza continuava sendo gigante como sempre foi em tais tipos de sonhos. O homem mestre nisso, um figurante inédito que não reconheci pois apenas escutava-lhe a voz, disse-me que o processo era difícil mesmo e que eu precisaria de bastante treino para deixar de sentir a agonia inicial de não conseguir me mover, a qual geralmente me fazia ter ímpetos de acordar para sair do estado cataléptico. Interessante que eu continuei dormindo sem acordar.

Há muitos mais mistérios neste universo do que podemos ser capazes de imaginar.

Os sonhos são criados como um resultado do processo de reordenação, reconfiguração, redirecionamento, atualização dos sistemas corporais e alerta projetivos para a consciência. Em decorrência disso se transformou num meio de comunicação entre o inconsciente, como centro de comando dos sistemas e a consciência que é a possibilidade de aprimoramento do comando psíquico.

Essa comunicação se dá em vigília através de pensamentos que podem aparecer como percepção, intuição, alertas de perigo, sensações corporais de dor ou prazer e da seletividade perceptiva que direciona os instrumentos de percepção (audição, visão, etc.) para o foco de interesse do inconsciente.

Assim enquanto vivemos, sistematicamente estamos funcionando como mediadores entre a realidade externa, o mundo, e a realidade interna, nosso interior.

A psique possui nos sonhos um meio de comunicação, ponte e conexão com a consciência, mas é claro que o mecanismo do sono possui alem da conexão e construção onírica, outros recursos que podem ser desenvolvidos, aprimorados e que servem para permitir à consciência acesso a outras dimensões do universo ou a outras possibilidade de estabelecermos relações com o mundo e com outras dimensões.

Na manifestação relatada, temos o relaxamento físico em estado de sono e a manutenção do estado de consciência, o corpo entra em estado de repouso, baixa atividade, funções lentificadas, para reprogramação, atualização da condição mecânica, bioquímica e funcional dos órgãos e a manutenção da consciência funcionando transcendentalmente como em estado de vigília.

Essa supra consciência, plugada com o fenômeno rompe com o estado de vacuidade e mantendo-se em vigília consegue abstrair sua existência alem da materialidade corporal e desenvolver a função de transporte e de mobilidade trans espacial e trans temporal

. O corpo repousa em estado profundo;

. A consciência mantém-se desperta, e adquire:

1. A capacidade de mobilidade extracorpórea no espaço;

2. A superação da força de gravidade;

3. A capacidade de deslocamento como expansão e projeção em forma de luz;

4. A capacidade vibracional de um estado de consciência que supera a dimensão temporal.

Na educação e sociabilização sofremos processo padrão de adequação à realidade material e corporal, como se escolhêssemos viver limitados dentro de uma dimensão confortável e administrável. Deixamos de desenvolver e de aprimorar certas habilidades de nossa natureza incomum e não material. O que não quer dizer que as funções ou fenômenos deixem de existir ou de ocorrerem.

Naturamente, lidar com o desconhecido causa estranheza e desconforto, e principalmente lidar com funções corporais que não temos o poder de controlar pode se tronar assustador, ameaçador e desconfortável. Mas desde que haja disponibilidade essas habilidades podem ser reaprendidas e aprimoradas. Para o deleite dos corajosos que rompem com o status da realidade padronizada.

Quando nos dispomos ouvir, ver, sentir, e aprender, um portal magnífico se abre à nossa frente para se avançar no aprimoramento da consciência e apreender de forma mais completa a plenitude do sentido de existir num universo mágico, absoluto e esplêndido.

Ψ


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

CAPIM E AUTOESTIMA


 
Sonhei que me arrastava sobre capim seco no escuro total. Eu estava com medo do capim pegar fogo. Não tenho muitas lembranças, mas não foi um sonho muito agradável. De repente percebi que estava dentro de uma jaula, mas haviam alguns buracos e eu podia sair dela se quisesse. Depois sonhei que minha irmã tinha ido a uma psicologa para saber algumas coisas a respeito da educação da minha sobrinha e o primeiro conselho era de não enfatizar os aspectos ou pontos negativos da criança. Então comentei que durante vinte anos haviam cometido esse erro comigo. Lembro apenas disso.

Capim é gramínea, tanto quanto pode significar dinheiro, é parente da palha. No indicador temático, Palha pode representar a cobertura, ou o poder inflamável, “dar uma palha” é dar uma canja, trabalhar um pouco,etc.

A vegetação ao nível da Terra, unindo a terra mãe ao principio ativo masculino, realidade, representado pela possibilidade do fogo.

Muitas comparam o poder do fogo rápido, ao homem e o aquecimento lento à mulher. Você nadando, se arrastando no capim com medo do fogo, pode estar relacionado ao medo de mergulhar no fogo da sexualidade ou no principio ativo do elemento masculino, a realidade. A jaula é a repressão, a severidade crítica e a condenação a que se sujeitava, pagando no aprisionamento. Agora já existem possibilidades de fuga ou de libertação, as defesas vêm sendo superadas, as grades esburacadas já permitem o caminho de escape rumo à liberdade.

Seus processos de elaboração das vivências infantis e juvenis estão em desenvolvimento. Assim, aos poucos você vem elaborando, ordenando os fatos, os acontecimentos, compreendendo, tomando consciência, dos processos a que esteve envolvida, das intervenções e atuações de figuras de autoridade em sua história.

Muitos são os que sofrem a devastação de dinâmicas educativas baseadas na negação, na negatividade, no reforço negativo. As intenções podem ser boas, originadas de pessoas bens intencionadas tentando ajudar, focam o negativo para que o outro prove o contrário. Acreditam que realçando o negativo estimulam o outro a enfrentar os desafios e a superá-los. Desacreditam o sujeito na intenção esperançosa de que ele possa se supere.

Mesmo que este método funcione com alguns, e isso depende da natureza de cada um, na maioria o esquema funciona destruindo a Autoestima, minando a segurança, desqualificando as conquistas e os passos dados pelo sujeito que recebe a intervenção.

Sofrer este tipo de estímulo educacional, o negativo funcionando como sombra e ameaça, pode ser emocionalmente devastador e promotor de núcleos e de complexo de inferioridade.

Durante vinte anos cometeram esse equivoco com você. Sei que não serve de compensação, e nem gostaria que o fosse, mas coletivamente, para mim, o grande problema da sociedade brasileira é a Auto Estima. O brasileiro padece coletivamente de um grave problema de Inferioridade e de Baixa Estima.

Aqui neste espaço já percebemos que você vem reconstruindo essa Estima, e já lhe disse que a solução não é compensar se afirmando para todos : “Eu me amo; eu me adoro”. E preciso encontrar o seu tamanho, o tamanho da dignidade de ser humano. Nem mais, nem menos, o tamanho de sua consciência como Ser, como existência.

A mensagem pode estar associando a importância da reconstituição pessoal de sua autoestima para que possa redescobrir e encarar, a realidade, o fogo da sexualidade e da paixão, a afetividade plena como manifestação explicita do afeto, sem medo de sair queimada.

Na verdade esse mergulho absolutamente seguro não existe. Este é um mergulho que precisamos dar para que possamos superar o desafio de abandonar o estado do tolo e incauto, característico de crianças e de jovens. Assim conquistamos a segurança, como prêmio, depois de arriscar a cabeça, sofrendo ou não sofrendo, apanhando, aprendendo e descobrindo que se pode lidar com o afeto, com a sexualidade de forma mais natural e consistente, sem neuras, possessividade, compulsões ou dor. Mas... Essencialmente livres.

Seu caminho já está traçado.

Dois detalhes:

1.Fica evidente uma indicação crítica de que sua sobrinha venha a sofrer o mesmo processo que você sofreu. Ela é a filha da irmã que se apresentou como sua irmã. Não sofre pelo destino possível de sua sobrinha. As realidades são diferentes, sua irmã pode ter aprendido com a experiência de te controlar. Mas se essa preocupação existir aproveite para mostrar para ela os erros que você diagnostica na conduta dela, o que te fez sofrer e apenas isso o destino de formação da filha dela cabe a ela como mãe e formadora.

2.Mesmo que focalize a sua irmã como a origem de certas questões pessoais mal resolvidas, não se esqueça de contextualizar a sua experiência. Pode ser que essa tenha sido a alternativa que tenha mudado o seu destino, mas pode ter sido a alternativa que te salvou de dinâmicas piores.

O importante e que agora tem a sua vida em tuas mãos e pode fazer as suas escolhes com independência e autonomia.

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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

LEMBRANÇAS PICADAS





Tenho várias lembranças picadas de sonhos.

TRAVESSIA

Inicialmente lembro de nadar em várias piscinas conjugadas até que tive a sensação de ter atravessado todo o continente e saído noutro local bem diferente. Lá várias pessoas pareciam me conhecer e abraçavam-me com bastante afeto.

O esforço pessoal está evidenciado. Há Determinação, envolvimento e dedicação. Há mudança de cenários e pessoas, há o afeto que surge, agregamento e melhor aceitação.

O seu esforço pessoal determina o afeto que podes receber. Você supera a resistência da água, mas está dentro do seu elemento, ainda não é terra firme mas você já sabe nadar e romper distâncias, superar dificuldades. Mas pode ainda haver severidade esforço descomunal para conquistar o afeto dos outros.

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BANANACABEIRA OU JABUTICABANA

Também lembro de sonhar que colhia uma banana numa jabuticabeira. Será que algo em mim está inadequado?

Não necessariamente. Às vezes as frutas é que não são do jeito que lhe agrada, ou que gostaria ter criado e não lhe satisfazem a expectativa.

Há muita insatisfação? Seu nível de expectativa e elevado? Seu grau de severidade e de exigência impendem a satisfação? Você é insaciável?

A presença da bana pode ser indicativo de necessidade de potássio em sua constituição, portanto, em sua alimentação.

Estranhamente enquanto a jabuticaba pode travar a eliminação de resíduos, a banana pode favorecer. Há problema intestinal?

Talvez haja a necessidade de avaliar a alimentação para fazer troca de alimentos, de uns por outros. Avalie.

Ou será que sua percepção está alterada, vendo o que não existe?

Ψ

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

LEMBRANÇAS PICADAS

REGISTROS


Depois eu estava com minha mãe e irmã na entrada de um navio donde íamos fazer uma viagem. Enquanto uma colega se despedia de mim dizendo que assim que tivesse condições me mandaria uma carta, eu entregava minha máquina fotográfica para colocarem no guarda volume. Não sei porque eu não podia levá-la comigo. Eu estava muito preocupada deles sumirem com ela. Como se apercebe é um instrumento que valorizo muito. Percebendo a situação desconfortável de preocupação em que eu ficara, minha irmã comentou que eu devia aprender a desprender-me das coisas. Não lembro se apenas pensei ou se cheguei a comentar: 'você se desprende facilmente pois tem facilidade para as possuir, ou seja, não passa pelo meu sacrifício para conseguir ter um determinado objeto'. O interior do navio parecia-se um cinema. Sentamos nas poltronas e eu senti o balançar da mesma, algo muito gostoso, como se ela estivesse flutuando diretamente sobre as águas. Achava chato não estar com a maquina em mãos para tirar as fotos. Além disso minha mãe estava vestida com as minhas melhores blusas de frio e achei aquilo um tanto injusto, pois o ar condicionado do ambiente começava a me arrepiar. Isso sem falar na falta que eu estava sentindo de um caderno de anotações para registrar a viagem.

Fica nítido que escrever, registrar e analisar minha própria vida é algo extremamente substancial para mim.

Você me lembra P.D. Ouspensky, quando dizia que a primeira tarefa para alguém em busca do aprimoramento era se libertar da necessidade de posse, e que para isso o individuo primeiramente tinha que possuir bens. A ideia é interessante: quem mais precisa de dinheiro, mais se sente escravo, mais passa tempo pensando nele, fixado. E quem já o possui em valores significativos não necessita dedicar tempo ou pensamento a ele.

Este foi um dos princípios dos que queriam se dedicar ao aprimoramento. Primeiro conquistava a libertação material para não ficar aprisionado na necessidade. Nikos Kazantzakis autor de Zorba, o Grego, descreve a forma com que Zorba se liberta de um desejo que o perseguia: Zorba era menino e vivia atormentado por umas frutinhas que via numa venda quando se dirigia à escola. Um dia acordou mais cedo que o pai, furtou-lhe uns tostões, para comprar uma caixa das tais frutas e comeu até ter dor de barriga. Depois disso vivia dizendo que nunca mais pensou naquelas frutinhas vermelhas.

É compreensível o seu conceito: você é apegada porque custou a conquistar ou satisfazer o desejo de possuir. Se houvesse mais posses não ficaria tão apegada ou possessiva, seria mais desprendida.

Mas será questão de apego, posse ou o medo da perda? Medo de perder o suporte que o objeto representa, o vínculo objetal? Há é claro a dificuldade de desprender, há a culpa pelo apego, há a dificuldade pela ameaça da perda, do que é conquistado, do objeto com o qual está vinculada.

Há no objeto a projeção de uma carga afetiva associada à dificuldade de sua conquista e uma forte vinculação correspondente à carga afetiva projetada nela. Tudo envolve a relação objetal. É mais fácil administrar o afeto projetado nos objetos do que projetado nas pessoas. As pessoas tem vida própria, vão e vem, vem e somem. Os objetos podem ser controlados, daí o pavor, a agonia de ser roubada ou da perda por falta de atenção e descuido.

A necessidade do registro pode ser apenas uma forma que encontra para manter sob controle o seu entorno, certa insegurança, ou alguma verve de escritora. E se isso houver, a humanidade agradece pois anda muito desmemoriada. 

Uma armadilha:

Enquanto fica focada nas sensações você está relaxada e vive o prazer, mas quando sente necessidade de controle, e de domínio, você perde o vínculo com as sensações, abandona o prazer de navegar, para ter o prazer do controla mental que se vincula à simbólica sensação de posse.


"Fica nítido que escrever, registrar e analisar minha própria vida é algo extremamente substancial para mim".

 O universo é memorial. Tudos é codificado e registrado, a natureza da matéria é codificada, se reúne, se constitui por configurações, por níveis de energia. Nós somos o resultado de uma evolução que antes de tudo é  codificada e registrada.


O PASSADO E O FUTURO SE ENCONTRAM EM NOSSO PRESENTE.

Quando o indivíduo percebe a importância de registrar sua vida, ele está acionando um nível de consciencia do mundo e de si mesmo. A mente é a sofisticação dessa capacidade de processamento. E quando estamos nos localizando no presente, processamos dados que nos permitem nos situar nos cenários em que estamos inseridos, isto significa estar mais consciente diantes de nos mesmos e diante do mundo.
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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

LEMBRANÇAS PICADAS



TARÂNTULA

Adiante lembro de sonhar com uma tarântula que me deixou agoniada e tensa. Eu tentei matá-la com uma chinela, mas ela não morria. Então joguei-lhe produtos de limpeza tentando exterminá-la. Por fim a grande aranha preta sumiu e notando a garganta amarga de nojo e nervoso, fui cuspir. Primeiro achei que estava cuspindo nódulos de sangue coagulado. Depois percebi que aquilo era comida, e embora essa percepção tenha me deixado mais calma, achei tudo muito estranho, pois eu vomitara tossindo. Será que isso tem ligação com meu problema de refluxo e eructação?

Olha o que encontrei no indicador temático, aranha:

Aranha – animal Lunar ,. Demiurgo podem representar três sentidos simbólicos: O poder criador de tecedora: O poder agressivo e ardiloso; O poder da criação da criatura, a Teia, a trama, a armadilha. A aranha em sua teia é um símbolo do Centro do Mundo. Na Índia é considerada com Maia (ilusão), a eterna tecedora do véu das ilusões. Para Scheineider a ação construtiva e desconstrutiva simboliza a inversão contínua da qual se mantém em equilíbrio a vida no cosmo. O sacrifício contínuo, que impõe ao homem a transformação permanente durante sua existência.

Como considero os símbolos passíveis de construção e modificação prefiro ver na aranha o poder criativo e de sobrevivência excepcional, neste aspecto ela reproduz a inteligência da matéria a construir com habilidade a trama que lhe transforma em uma caçadora fenomenal. Exercita a criação, o trabalho, e pratica a paciência, a espera para sobreviver com maestria. Talvez por isso se considere a aranha símbolo da introversão e do narcisismo, a absorção do ser pelo seu próprio centro.

Uma visão popular associa teia de aranha ao desuso, coisa velha, esquecida. Mulher que não faz uso do sexo, máquina que não se usa. Como pode perceber essa aranha acima da cabeça pode significar um mundo de coisas.

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Mas podemos avançar na compreensão deste símbolo e na ideia sonho.

Quero partir do princípio que escrevi anteriormente: Como considero os símbolos passíveis de construção e modificação... O significado do símbolo também se transforma, se acresce, enriquece com o tempo, também é dinâmico.

Os animais fazem parte da realidade em que vivemos, mas representam uma dimensão à parte dntro dela, seja pelas diferenças de estado de consciência, a forma como lidamos com eles e as ameaças que possam representar. Animais peçonhentos são mais ameaçadores ainda que possamos lhes representar mais ameaças do que eles a nós.

O animal representa a dimensão desconhecida, os mistérios, aquilo que pode estar além de nosso alcance, o desconhecido, a realidade única com que convivemos, partilhamos mas que é inacessível.

O sonho indica seu permanente e elevado nível de tensão, ansiedade e possivelmente angústia. Originária de algum foco desconhecido. Sua prontidão e instinto de defesa já afloram, mas você ainda não conseguiu localizar a origem do “mal” ou do “perigo”.

A aranha trabalha com maestria tecendo a rede, a armadilha que a alimentará, estabele a sua relação com o mundo e sua sobrevivência.
Este ameaça e perigo, algo que tece uma teia que a envolve, que é pegajosa e que pode ataca-la.

Se for corporal pode ser ameaça à sua saúde. Considere sua associação do problema estomacal. Bem como da ansiedade que revira seu estômago. A garganta amarga pode indicar a possibilidade biliar.

Reveja hábitos alimentares noturnos e alimentações feitas de forma acelerada, rápida com deficiência mastigatória, o que dificulta a digestão dos alimentos e força o organismo.

Se emocional, pode será materialização de miasmas (energias densas que se materializam em forma de gosma ou escoria) que o corpo procura eliminar. Neste caso, frente ao momento, pode fazer sentido.

O "popular" masculino associa aranha a vagina, a aranha que enreda o macho e o mata. Muitos homens se sentem acuados diante de uma Vagina Poderosa. Em relação ao sonho o seu lado vaginal, satisfação dos desejos, parceria sexual, tem sido uma questão que você tem tido dificuldades para digerir.

E aranha muitas vezes tambem é associado à Mãe Aranha, aquela que tece uma teia enredando os filhos, ou a mulher aranha que envolve os homens dominando-os e controlando-os em sua rede pegajosa.

Será algum lado seu que voce não consegue aceitar ou lhe parece in-digesto?

O Disgesto é uma das quatro partes do Corpus Juris Civilis.compilação de leis romanas ou de regras e decisões juridicas. associando resta-lhe a pergunta: Há alguma coisa na sua vida que está sendo difícil de processar?





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LEMBRANÇAS PICADAS



CICLOS, TRANSIÇÃO E DIFERENCIAÇÃO


Por fim eu estava lendo um livro e ficou gravado em mim apenas o seguinte trecho: “...levei nove anos para diferenciar doutrina de religião, mistério (misticismo) de fé...”

O que existe de importante nessas lembranças?



Livro da vida, registro, memória, padrão de configuração conceitual, tempo cíclico, formação e consolidação de conceito, tempo e resistência

Nove pode ser uma data que faz referência a ciclo pessoal, à sua idade aos nove anos ou a indicação simbólica do nove.

O NOVE –triplo do triplo, dos três mundos –Matéria/corpo, mente, espírito. Fim de ciclo e retorno ao principio, reinício, novo ciclo. Representa a síntese dos três mundos e a reordenação da cada plano.

Não se assuste com os nove anos, tem gente que nunca diferencia. O sonho fala de seu ciclo de aprendizagem anuncia a finalização e indica um novo ciclo em sua vida a partir de parâmetros constituídos no conhecimento, na intelectualidade e na formação de consciência.

O sonho reafirma conteúdos já detectados e significados em sonhos anteriores e mostra que a dinâmica de transformações se processa com a tomada de consciência.

O saber é assim

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domingo, 9 de janeiro de 2011

CICLOS E PASSAGENS

RoseWindow


Esta reflexão completa leitura do próximo sonho: Lembranças Picadas - Ciclos, Transição e Diferenciação.

Já foi falado, cada um possui seu o seu ciclo, que pode ser ditado por imposição de origem, de natureza e pelo “time” de funcionamento do corpo definido pelos ritmos e ciclos e capacidade de resposta de cada um.

Dessa forma a diferença entre os indivíduos define a diferença de ciclos. Uns são mais acelerados, afoitos, e outros mais lentos e cautelosos, Uns mais resistentes às mudanças e outros mais abertos às transformações. Na mistura das variáveis se define o ciclo de cada um: 1;3;5;7;9... Sendo que as transformações operadas podem ocasionar mudanças de tempo de ciclo. Por exemplo: se este último ciclo durou nove anos o próximo pode durar 1;3;5;7. Nessa ordem de possibilidades. O que definirá o tempo será a sua nova forma de responder à realidade, associada à sua condição de resposta interior, e à sua capacidade de blindagem do seu sistema.

Como tendo a acreditar num tempo original que foi alterado, diminuído ou alongado, a tendência é de que um tempo alongado, finalizado, poderá indicar um novo ciclo curto e rápido, de forma a compensar o alongamento ou o retorno ao tempo original da natureza de sua matéria. Assim, pessoas que evitam transformar o que lhe é exigido transformar, são levadas a novos ciclos que compensem o alongamento e consequentemente podem passar por experiências intensas de confronto e de mudanças, sendo mais exigidas e sendo obrigadas a passar por desafios seguidos para que superem e transformem aquilo que evitaram. Muitos nestes cenarios se protegem criando carapaças  e resistindo às mudanças com heroismo, mas acabam derrotas e devastadas, descobrem tardiamente que lutam com o fluxo da vida.
C. G Jung havia nos alertou para um estado de mudança arquetípico especial entre os 28 e os 35 anos de idade, quando um arquétipo abre espaço no comando do individuo para outro arquétipo. O que comanda a primeira etapa da vida abre espaço para o que comandará a segunda metade. O Puer Aeternus entrega o poder para o Senex.

Isto é claro dentro de um desenvolvimento natural, já que muitos eventos podem definir alterações, impedir, resistir a essa mudança de dinâmica.

Nos anos de atuação clínica sempre fui acometidos de dúvidas ao ver indivíduos antecipando este estágio de transição na inicialização (27 anos) ou na finalização (33/34 anos). Outras vezes detectei o alongamento da transição (até os 36/37 anos), ou “ad infinutu”

Levei anos para juntar as peças desse mosaico. O tempo de transição, como um ciclo especial, serve como um regulador do tempo de outros ciclos, permitindo e favorecendo ao corpo regular seu sistema: assim, ciclos que foram antecipados, ou alongados na primeira fase da vida (até os 28 anos) podem ser compensados nesse período de transição. Indivíduos que entram com mais idade, atrasados, no ciclo de transição, podem viver um curto período de transição para novos comandos arquetípicos. Indivíduos com sistemas lentificados podem viver transições alongadas que lhes permitam tempo de elaboração e adaptação de seus sistemas.



Ψ



sábado, 8 de janeiro de 2011

CAMINHOS RELIGIOSOS

A imagem ao fundo é a vista de um terreno onde espero
construir um Espaço para trabalhos Terapêuticos
e  Retiro Espiritual.


Feed Back:

Já tentei vários “caminhos” religiosos, mas nenhum deles me agrada cem por cento. Sinto falta de um exercício prático, como disse, e já experimentei um pouco de quase tudo, mas não permaneci por muito tempo. Gosto de ser cristã sem precisar ser dependente de uma determinada crença religiosa. Todas as religiões são válidas e sinto que umas complementam as outras, ao menos para mim. Encontro dificuldades exatamente por gostar de todas e, ao mesmo tempo, não encontrar uma que me preencha por completo. Pessoas restritas a uma única religião podem achar um absurdo, mas houve uma época em que eu saía da igreja católica na missa de sexta-feira, donde ajudava a cuidar da sacristia e organizava quem ia fazer as leituras da liturgia, e ia para o centro de umbanda donde ajudava como Iabá na cozinha e ainda era cambone. Daí eu ia no sábado para as reuniões da Seicho-No-Ie e no domingo ia ao culto da igreja quadrangular evangélica. Isso sem falar no centro espírita Kardecista que dia ou outro eu também frequentava e ajudava na campanha do quilo. Atualmente não estou tendo muito tempo para nada.



Nada de estranho. Apenas uma Católica Cristã Umbadista que em horas vagas bebe na fonte de Kardec e se regala na Seicho-no-ie. Isto é o que se pode chamar da riqueza do sincretismo brasileiro, amálgama de concepções heterogêneas que nem tão heterogêneas são. Assim como respeitamos todas as manifestações religiosas, Deus fala com todas as línguas, com todos os ritos e abre espaço para que os indivíduos possam se conectar com o divino independente de cor, raça, língua, ritos ou classe.

Eu por exemplo fui formado em Escola Católica, seria frade Franciscano e acabei como Psicólogo estudando religiões do mundo. Tento trazer para a minha vida o melhor do que aprendo vindo do Hinduísmo, Islamismo, do Budismo, do Zen Budismo, do Espiritismo Kardecista e até da Cabala.

O limite da minha ignorância é a insatisfação com o meu conhecimento.

Estamos no tempo da síntese. A Era de Aquárius ≈ exige-nos essa síntese, a integração do saber, e se no passado, na história humana, a verdade, foi captada de forma diferenciada resultando em múltiplas manifestações religiosas, no presente coube-nos o Holismo, Hoje a diferenciação foi superada, vivemos uma globalidade arquetípica, que tende a permitir aos homens uma aproximação de estados de consciência. O coletivo nos empurra para uma unificação? Não a unificação massifica que elimina a singularidade pessoal, mas a unificação que permite a todos a compreensão mais ampla e plena dos significados da existência e do universo.

Períodos de transição são assim: Muitos se encontram em um conceito, de uma forma tradicional, e são felizes com o que encontram. Muitos outros se encontram na busca permanente de sentido existencial, que os levam a múltiplas facetas e conceitos religiosos. E outros tantos rejeitam o tradicional e desacretitam na buscas, se encontram no vazio, na negação dos ritos e da tradição porque não conseguem se libertar de seus espíritos críticos ou da rigidez mental em que se protegem. Na transição somos assim... Múltiplas diferenças.

Há anos que acredito que o essencial é viver a Religiosidade, manifestar uma atitude religiosa, diante dos outros e da vida. E isto pode ser o bastant. Assim, por vezes, a vida nos dá a oportunidade de partilhar com os outros a fé comum diante do Divino... Um flash de magia universal. Um portal se abre, numa vibração estonteante, harmoniosa, uma sensação única,  e pessoal ou em conjunto experimentamos momento especial, transcendental, além dos conceitos e ritos das religiões construídas pelos homens.

É apenas uma chave que nos conecta diretamente com o divino.

Encontramos-nos, neste novo século, em busca de novas formas de viver mais plenamente essa religiosidade, mas antes de tudo, essencial é que possamos através de uma postura religiosa, diante do universo, encontrar as respostas que necessitamos para vivermos de forma integrada a existência pessoal.

Não podemos e não devemos relevar o passado e a construção arquetípica que herdamos. É uma referência extraordinária, que indica e prenuncia caminhos,  mas o nosso olhar pode ser liberto para focar objetivos, descobrir e conquistar outras formas de conexão com o divino que este presente nos possibilita, sem medo de sermos queimados na fogueira dos banidos. O conhecimento humano acumulado nos permitiu a sintese e a descorberta destas novas chaves, assim, cada um pode encontrar o caminho que melhor se adequa à sua natureza e singularidade. 

SOMOS TODOS FILHOS DO  PAI E DA MÃE DIVINA.

Ψ


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

CAMISA DE FORÇA E SOCIABILIDADE



Sonhei que estava com minha irmã e sobrinha dentro de uma loja. Enquanto minha irmã era atendida pela vendedora, eu cuidava da minha sobrinha para que ela não caísse em alguns boeiros destampados bem na saída do local. Nisso minha sobrinha começou a ver um carrinho que estava na vitrine junto de alguns outros brinquedos. Depois ela já nem estava mais perto da vitrine quando a filha da vendedora, alguns anos mais velha (uns oito ou nove anos), apareceu dizendo que ela havia deixado o carrinho torto e em tom de ameaça disse que ia contar para a mãe dela. Minha sobrinha desesperada começou a chorar indo imediatamente conferir e tentar ajeitar o carrinho. Achando aquilo um absurdo, aproximei da vendedora e já fui logo dizendo o que a filha dela fizera e ainda completei que aquilo não era coisa que se fazia a uma criança. Minha irmã foi atrás da filha que chorava muito enquanto a vendedora desconcertada tentava acautelar a situação, embora sem repreender a filha. Logo depois minha sobrinha veio até mim e já era praticamente uma adolescente, mas ainda assim quis saber dela como se resolvera a história e abraçando-a reconfortei em meus braços fazendo-a acalmar-se e esquecer o pior que já passara.

Inicialmente vejo que o sonho me identifica em vários personagens: 1. A criança (sobrinha) que se desespera aceitando a culpa de algo insignificante; 2. A criança mais velha que é detalhista e intolerante; 3. A adolescente que ainda precisa de atenção e consolo; 4. A tia (seria a mulher adulta?) que quer proteger, defender e reconfortar.

O quê mais representa tal sonho?

Uma dificuldade recorrente em seus sonhos e a relação com a figura de autoridade, o medo da cobrança, da punição, da repressão. Na sua história esse papel pode ter sido desempenhado por sua irmã que era a única pessoa capaz de te controlar e de repreender seus comportamentos e atitudes sem limites. A autoridade que te colocou numa camisa de força da qual ainda tenta se libertar.

Já lhe disse, de sua “sorte” parece ser mais suave se libertar das amarras do que colocar freio em cavalo selvagem. Pode ser menos traumático retrabalhar a relação com o meio se libertando da repressão do que colocar limites em criaturas devastadas pela ausência de Senso e sociabilidade.

Mas este é um desafio que tens que superar. Redescobrir sua natureza espontânea, abrir espaço para que a jovem dominada e reprimida possa se expressar com a estatura do tamanho de sua dignidade.

O sonho estando relacionado à sua irmã e à sua filha, que lembra-lhe sua condição de submissão como “filha” criada, controlada e dominada pela mãe-irmã parece-me uma reconciliação que seu inconsciente encontra para se dizer que uma criança precisa ser amada e protegida, que você preferiria ter sido protegida do que reprimida, controlada e dominada.

Mas como as coisas são paradoxais pode ser que a mensagem inserida no contexto seja de que, você pode não ter sido protegida como desejaria, mas foi protegida quando alguém funcionou como referencia impondo-lhe limites que não coseguia apresentar.

É sabido que quanto mais um povo sabe se governar menos governo há de precisar, o oposto é verdadeiro: quanto menos as pessoas sabem se governar e se conduzir de mais repressão e de autoridade elas irão necessitar.

A criança repressora funciona como símbolo de conteúdo repressor, a criança repreendida funciona como símbolo de conteúdo de inferioridade, vítima e incapaz. Você já manifesta a capacidade de responder, se proteger e atuar a partir da observação, de atitudes amadurecidas assumindo a responsabilidade ainda que condenando e repreendendo a criança castradora através da mãe. E ainda de forma simbólica consegue indicar uma forma mais amadurecida para lidar com a situação: aceitando o confronto e se posicionando.

São novas respostas, ainda que essa menina castradora exista dentro de você. Mas à medida que você trabalhar a sua expressão e compreensão da realidade maior será o seu bom senso, sua constituição como adulto, como referência, como autoridade, se libertando aos poucos dessa autoridade castradora, desta menina presunçosa que existe em você.

Eu percebo bondade, certa generosidade com os menos favorecidos, com os pequeninos, um conceito "franciscano" de amar fraternalmente.
No nosso processo de desenvolvimento sempre ganhamos e perdemos, perdemos de um lado para ganhar de outro. É assim com a sociabilidade que nos abre as portas para a civilidade, perdemos a essência selvagem que nos permite ganhar e domínio e disciplina para a convivência social. Quando o individuo não abre mão dessa natureza original acaba desenvolvendo respostas antissociais que lhe dão o conforto de uma falsa autenticidade e autonomia, daí o crescimento da sociopatia na sociedade brasileira que não educa o individuo para a vida social.

Mas abrir mãos desta natureza tosca e primitiva significa a disposição de formatá-la para um nível de interação que nos permita apreender conhecimentos e aprimorar a consciência.

Sua auto estima melhora e se consolida como mulher capaz de se posicionar com integridade e como adulta diante do mundo, assumindo o seu papel de mulher madura. Se antes foi forçada a se colocar numa camisa de força por obrigação e formação familiar, agora pode descobrir que este é o principio da cverdadeira autonomia, a conquista da civilidade, constituída na integridade plena do Ser.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

CONTINUUM PSÍQUICO



CONSCIÊNCIA E INCONSCIENTE -TEMPO E VAZIO

Como Faltou informação sobre o tempo de ocorrência dos sonhos que se seguem, acrescento as observações neste pré post.

Mesmo que eles tenham ocorridos num tempo sequencial e com interrupção, o segundo sonho parece a continuação do primeiro relatado. E mesmo que tenham ocorrido com intervalo, de um dia de vigília, ainda podem ser sequenciais da dinâmica psíquica.

A falta de informações deste detalhe me abre a possibilidade de fazer pequena observação neste tema.

Diferentemente de outros estudiosos não considero os sonhos como ocorrências separadas, distintas, que se encerram em si, mas como manifestações de uma dinâmica que existe num contínuo ainda que separados por vazios, lapsos e ausências.

C. G. Jung foi excepcional, inspirado e sofisticado em sua capacidade perceptiva como observador dos fenômenos psíquicos. Ao longo de sua obra ele nos brinda com pérolas e brilhantes que elucidam de forma sistêmica os mistérios que rondam a existência humana. Não é à toa que o considero um dos homens mais lúcidos da história das ciências humanas.

Ele foi Brilhante quando detecta, observa, e nos Alerta que a Consciência não é contínua, mas que funciona como ondas com ápices e vazios ou ausências, e acrescenta que os pensamentos preenchem esses vazios nos dando a noção de uma continuidade e linearidade de consciência.

Para que possam visualizar utilizo uma pequena e reduzida imagem de Eletroencefalografia (EEG) registro gráfico das correntes elétricas desenvolvidas no encéfalo. Esse registro das variações das tensões elétricas mostra o ápice da variações e seu vagalhões, depressão do funcionamento. O cérebro funciona em ondas variáveis.

Nós temos uma falsa ideia de uma consciência contínua que em realidade não existe. Os indivíduos se utilizam de recursos variados para preencher essas lacunas e vazios de consciência e se refugiam nesses esquemas para tentarem escapar do encontro inevitável que precisamos realizar com a consciência.

Ao longo de minha experiência clínica pude observar que quanto mais graves os processos de transtornos mentais maiores são os vazios de consciência e a sua descontinuidade e quanto mais saudáveis os indivíduos maior a estabilidade menores a instabilidade das ondas mentais.

O que faz sentido já que quanto mais o indivíduo se desequilibra maior o esforço que a estrutura mental necessita realizar para manter a estabilidade do sistema. Quanto maior a harmonia com que funciona, a estabilidade emocional e a relação com o meio, menores as variações e o esforço mental e os vazios ou ausências.

Existem outras variáveis que precisam ser consideradas, tais como: idade, hábitos que determinem a saúde ou a degradação precoce do sistema, ocorrências traumáticas que acionem defesas que protegem a estrutura mental.

Ainda que o inconsciente seja o oceano primordial, nada garante sua estabilidade, portanto ele como o universo e como a consciência é instável e descontinuo, podemos aumentando o estado de continuidade da consciência promover uma diminuição da instabilidade e da imprevisibilidade das funções do inconsciente.

Bem... Como dizia: diferentemente de outros estudiosos, necessariamente não considero sonhos de dias distintos como ocorrências distintas e separadas, mas como conteúdos que espelham um sistema, uma dinâmica única. Assim, todos os sonhos de um individuo estão conectados por um fio à esse sistema mesmo que seus temas sejam distintos. Isto dentro de um ciclo que define uma ocorrência temporal.

Assim ciclos distintos definem variações distintas de temas, ainda que possam incorporar temas de ciclos passados que não foram adequadamente superados ou transformados.

Poderia dizer que são variações em torno de um mesmo tema: a vida.

Segue o relato do sonho...

REDENÇÃO




Tive dois sonhos bem parecidos. No primeiro deles eu conversava com um padre ou bispo (alguém do gênero). Não sei que assunto tratávamos quando o padre levantou-se rápido e saiu apressado. Já era quase hora da missa começar e, no que ele saiu, senti-me muito aflita, assustada, comecei a tremer e passar mal como se fosse desmaiar. Ainda precisava dizer-lhe algo muito importante, que não faço ideia do que seja, mas não consegui alcançá-lo, mesmo chamando-lhe pelo nome repetidamente. Algumas mulheres me acolheram, fizeram-me sentar e disseram que iam chamá-lo. Nisso apareceu um conhecido com seu namorado. A presença dele acalmou-me. Ele me chamou para irmos participar da missa e sentindo-me amparada e protegida, aceitei o convite. No que fomos sentar, quis ficar no meio dos dois. Não recordo direito, mas pouco depois eu estava beijando-o. Seu namorado não manifestou ciúmes e ficamos os três juntos assistindo a missa.

No segundo sonho eu estava noutro país com uma mulher conhecida. Era o ultimo dia em que eu estaria lá e tinha conhecido muito pouco do país. Fiquei com vontade de sair da igreja para explorar mais as redondezas, porém não sabia exatamente aonde ir e, quando pensei de perguntar isso, já havia perdido de vista a mulher. Andei dentro da igreja e achei o clima da sacristia pesado. Tinha a mesma sensação de estar perante um velório. Resolvi assistir uma parte da missa, mas a igreja estava muito lotada e tive que adentrar numa parte reservada para padres, bispos e convidados importantes envolvidos com a religião. Senti-me constrangida. Enquanto buscava ter acesso a parte do “povão”, um dos padres autorizou-me a sentar na sua frente num dos bancos vagos. Sentei-me imaginando estar atrapalhando a cerimônia. Interessante que eles não estavam vestidos a caráter, embora estivessem socialmente vestidos com terno e gravata. Logo depois começaram a tocar um hino e o pessoal levantou-se em festa e começou a fazer uma roda, estilo “trenzinho”, um segurando atrás do outro. Envergonhada esquivei-me de participar, mas nisso vi passar por mim o rapaz gay com seu namorado e outros amigos que estavam se divertindo todos bem a vontade. Num impulso agarrei-me nas costas de um deles e comecei a pular, cantar e dançar assim como eles, bem a vontade. Os dois sonhos são diferentes, mas envolvem exatamente os mesmos tipos de pessoas e um contexto peculiar. O que eles querem me dizer?








Mesmo que conheça um pouco de seu interesse religioso ou de prática místico-religiosa, desconheço sua relação com a Igreja Católica Apostólica Romana, o que pensa a respeito ou seus conceitos sobre a igreja, independente de suas práticas cristãs que me parece ser sua referência. Também desconheço o envolvimento e escolha religiosa da geração que te antecede. Considerando o desconhecimento de dados absolutamente significativos dentro de sua história, de sua formação sou obrigado a me ater aos limites do possível que possa extrair.

Ainda que haja conteúdos simbólicos coletivos, o sonho envolve sua dinâmica pessoal, que é única e singular posto que constituída a partir de suas origens e das escolhas e caminhos que optou seguir.

O início indica que participa de uma celebração religiosa dentro de uma igreja. Há imprecisão. Neste momento não se concluir se o templo é católico ou evangélico. Há mistura dos dois, indicação de celebração católica –missa e posteriormente indicação de ausência de vestuário sem Paramentos – evangélicos.

Há a indicação de celebração de missa e o que se pode detectar como incorporação ou presença de encosto, que pode ser associado com ocorrências de incorporação e encosto nas seções e práticas evangélicas.

Quero salientar a ambiguidade, ambivalência e possível presença de conflito entre caminhos religiosos, já que não sei do sei envolvimento com os evangélicos que podem aparecer no sonho apenas para referendar o espiritismo ou prática religiosa afro-brasileira, que reflete o sincretismo - amalgama de concepções diversas.

Essa primeira parte finaliza-se com o beijo. Que pode ser visto de forma variada.

O beijo:

. Profana O templo com o ato sexualizado;

. Celebra o matrimônio, ritualizado dentro da celebração religiosa;

. Consagra o caminho do afeto, da espiritualidade e da aceitação das diferenças;

. Consolida a presença do feminino entre conteúdos masculinos em processo de integração (enamoramento dos masculinos).

Há a indicação da busca de proteção afetiva ou demanda de carência, na religião (o padre) e no mundo profano (o amigo gay).

Há força na presença religiosa católica, como referência protetora.

Os sonhos anteriores já mostravam que o outro país pode ser indicativo de mudança de estado e de configuração de consciência. Renascimento e morte.

Mudanças de dinâmica. A fila indica ordenação, organização, sequência. O processo indica mudança de humor ainda que o constrangimento assinale insegurança e rigidez de padrão compensando a necessidade de relaxamento devido à tensão que o envolvimento social lhe promove.

A dificuldade de envolvimento em situação social promove conflito entre o desejo de participar e a angústia e insegurança de não saber como participar, em decorrência da perda de controle por estar inserida em contexto onde não possui domínio ou controle de cenário, padrões, pessoas, ambientes, instituição.

Mesmo que haja facilitação e aceitação sua rigidez promove uma elevação de seu nível de tensão, produzindo desconforto, perda de referências em decorrência de severidade, julgamento, e até punição. Assim o que poderia aparentemente surgir como regressão e infantilidade é aflorado como compensação frente ao elevado nível de tensão.

A resultante pode ser considerada significativamente positiva, mesmo que surja como produto reativo ou impulsivo. Você aproveita a onda da ôla, do trenzinho e se lança qual desesperada que se afoga na perda de controle frente e mergulha na confusão social. Mas há esforço pessoal, fé, busca de solução para a eliminação da tensão, e presença de determinação. De certa forma o ceticismo, a desesperança, vem sendo superado.

Se há uma angústia ou ansiedade implícita não é como no passado que lhe impedia o movimento, a ação.

Mesmo que ainda existe diferenciação, não há como evitar este mergulho no coletivo, na doidice coletiva. É como se soubéssemos que para se libertar é preciso primeiro se permitir. Então porque não entrar de forma lúdica tirando proveito para diminuir a tensão.

Relaxai e regozijai. Sede lúdica antes de ser autoridade, mas sem endurecer o coração e sem esquecer que a chama do amor necessita de envolvimento afetivo e não apenas do interesse da chama do desejo e da satisfação de incluída social.

E para finalizar não ha como não citar a ocorrência em frente ao altar  associada a um ritual de sacrificio. O sacrificio de abrir mão de respostas utilizadas no passado e a aceitação de novas formas de lidar com o presente. Isto significa sobrevivência, Sobre Vivência, Redenção.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

ESFINGE

Édipo interrogado pela Esfinge
Arte Grega


Depois disso sonhei que minha irmã e cunhado iam me proporcionar uma festa, mas eu não estava interessada e disse-lhe que eles podiam convidar quem quisesse, mas eu não tinha ninguém para convidar. Eles contestaram, pois se a festa era para mim eu tinha que chamar meus amigos. Respondi que eu não tinha amigos e num tom um tanto irritado disse que pessoas que possuem muitos amigos e gostam disso como eles, não compreendem a realidade de vida de alguém que não se interessa em fazer amizade e não possui nenhum amigo como eu. Eu queria mostrar que cada realidade pessoal é diferente e que eu não poderia participar de uma festa usando a realidade de vida, de preferência e de comportamento deles, pois a realidade deles não se encaixava com a minha realidade, com as minhas vontades e personalidade. Eu não estava negando a festa que eles queriam me oferecer de presente, mas deixei claro que minha situação não era propícia para tal. Eles acreditassem ou não, aceitassem ou não, minha realidade e meus interesses foram assumidos e deixados claros como se estivesse impondo que eu era assim, que eu não via vantagem em comparar ou adequar minha realidade com a de ninguém, e pronto.

Dentro do sonho eu era certa disso, mas agora, enquanto o escrevo, fico a me perguntar: estaria eu equivocada?

Como respeitar a própria realidade e ainda preservar o bom-senso de uma realidade em comum?

Numa visão analítica clássica poderíamos pensar em compensação do desejo de ser festejada e celebrada como centro das atenções, foco central de todos, de vivenciar a celebração, os amigos e a festa, de viver a realidade que nega ou que não consegue atingir. Mas, e daí?
Tem eventos interessantes que merecem um olhar mais inquiridor e mais amplo.

Há vitimização?

“mas eu não tinha ninguém para convidar”

A inexistência de amizades pode indicar dificuldades em estabelecer vínculos afetivos com seus iguais, dificuldades de participação social ou de encontrar uma tribo de identidade. Pode indicar tendência ao isolamento, como fuga ou defesa, dificuldades de aceitação de pessoas ou de se fazer aceita, defesas que a protejam mas que a levem ao isolamento social.

A ocorrência hoje pode ser resultado de uma postura desenvolvida no seu passado. Consequências de caprichos, birra, revolta, narcisismo, vaidade, o que pode ter te levado ao isolamento, ao julgamento, à crítica exacerbada e à reatividade e à agressividade, tudo consolidado e compensado com posturas de superioridade crítica, preconceitos, orgulhos e amor próprio “ferido”.

Ainda que houvesse o desejo de interagir. Aquela coisa de, “eu não tenho prazer de degustar as uva, mas... elas estão podres”.

Se no passado a certeza era de ser vítima do outro, agora pode-se descobrir vítima de suas escolhas.

Mais à frente você expressa ou sente: “eu não tinha amigos e num tom... irritado disse que pessoas que possuem muitos amigos e gostam disso como eles, não compreendem a realidade de vida de alguém que não se interessa em fazer amizade e não possui nenhum amigo como eu.”

É Natural, quem não se interessa em ter amigos, não os tem. Nada demais. É preciso respeitar os que não querem ter amigos. Mesmo quando se quer ter já existe uma imensa dificuldade em garimpá-los.

Amigos representam a maior potencialidade de interação: aceitar a imperfeição humana, as dificuldades, os limites, as deficiências, os desvios, crenças políticas e religiosas, filosóficas e religiosas, vícios, hábitos, frustrações, fracassos, compulsões, feiuras e belezuras, bondades e maldades, apegos, etc, etc.

Numa idade mais à frente nossas escolhas pessoais já aproximam os identificáveis e afastam as diferenças, mas sua idade o momento seria de ampliar essas relações para que com o tempo possa consolidar as identidades.

Você sabe que sua condição a levou a um grau de severidade e exigência levando a se esconder numa condição sem ter se libertado da outra.

Seu momento é de descobrir-se fazer “amigos”, tornar-se mais acessível, mais jovem e menos velha e sistemática. Adultos mais maduros são diferentes, fazem suas escolhas e vivem dentro delas, já libertos do desejo de agregação. Mas você está no auge da agregação, da vivência grupal.

Vou te contar uma vivência pessoal: há muitos anos desde quando me afastei de Belo Horizonte, pessoas próximas mantiveram a proximidade e assim nestas celebrações coletivas, se covidavam e vinham para ficar em minha casa. Assim venho vivendo momentos especiais. Neste ano, depois de duas décadas, todos estavam fora, Buenos Aires, Quito, e outros lugares e... foi ótimo ficar relativamente só. Tive tempo para experimentar outras coisas e acredito que vi a queima de fogos mais linda de minha vida, num raio de 100 quilômetros. É bom quando temos poucos amigos em qualidade ja que em quantidade é tarefa difícil, e independente de estarmos juntos o sentimento de proximidade permanece o mesmo.

Amigos são conquistados. Sua postura sempre foi a de querer ser conquistada no alto do seu isolamento, na torre de marfim da Rapunzel. Você se esqueceu de conquistar amigos. Este é o seu momento de buscar esta experiência conquistar pessoas, mostrar quem você é para que elas possam descobrir sua riqueza pessoal, espiritual.

A mensagem parece-me a de que a realidade que você vive não é a realidade que quer, mas a realidade que você construiu. Está na hora de reconstruí-la e de experimentar novas formas de viver este mundo, tomando cuidado para não se encalacrar em conceitos que servem para consolidar seus escapes e defesas.

Dentro do sonho eu era certa disso, mas agora, enquanto o escrevo, fico a me perguntar: estaria eu equivocada?

Possivelmente! Cuidado com as certezas. O seu momento é de se permitir não ter tantas certezas. Duvide! De tudo! Até de si mesma.

Como respeitar a própria realidade e ainda preservar o bom-senso de uma realidade em comum?

Nós não somos uma ilha, e a realidade comum precisa ser conquistada. E só a conquistamos mergulhando neste lago, em que temos que ceder, incorporando a tolerância, a compaixão, a paciência, aceitando as diferenças e abandonando o mito que criamos de nós mesmo. Abandonando o egoísmo, a falsa superioridade, a realeza e... Nos tornando seres mortais, humanos, como qualquer outro dos bilhões espalhados pelo mundo.

NA SUA ESTRADA

VOCÊ SEGREGOU E SE SEGREGOU

ESTÁ É UMA DAS ARMADILHAS

EM QUE VOCÊ SE ENREDOU.

A esfinge parece lhe interrogar:

O viajante solitária, pelos mares da ilusão terrena, se vives no mercado, porque escolher viver sem compartilhar, na privacidade, a experiência de convivências amorosas e afetivas?

Ó jovem solitária, será que lhe resta apenas a covivência social, superficial e distanciada dos estranhos?

Não mereces o compartilhar dos fraternos amigos, ainda que imperfeitos humanos?

Ou lhe resta apenas a solidão dos exilados,que se bastam em seus espelhos?

sábado, 1 de janeiro de 2011

FRATERNIDADE UNIVERSAL



 Às vezes as palavras são cansativas,

mas quando organizadas...

As coisas mais importantes

da vida podem ser traduzidas em poucas palavras.

Se pudessemos ajuntar tudo,

chacoalhar o bastante

 e filtrar

como quando se faz um suco,

restaria apenas o essêncial,

que poderia ser traduzido numa consciência

de existência, cheia de gratidão por se descobrir vivendo num planeta maravilhoso.

Depois de mais de meio século de vida,

já sei que o que aprendi foi só para reforçar aquilo que já sabia:

O que fica desta vida

é a nossa capacidade de compartilhar, comungar, apreender a vida, sorver seus prazeres,

ter paz de consciência, contribuir para um universo melhor

 para um dia poder morrer em paz.

E que o resto sacie a voracidade com as baratas,
se é assim que gostam.

aprendi a respeitar os direitos e a aceitar os alheios.


Às vezes as palavras são cansativas,
mas quando organizadas...

Elas podem nos transportar para um mundo melhor.

FELICIDADES!