terça-feira, 25 de maio de 2010

COLISÃO


  
CH 74                 
Essa noite tive muitos sonhos negativos e creio que, exatamente por isso, não consigo lembrar direito. Vou chamá-los de sensações, pois não lembro o começo e nem o desfecho, apenas um entremeio vago.

Primeira sensação: eu estava dentro de um carro que, ao ser retirado da garagem, foi batido por outro carro e empresado contra um caminhão. Fiquei num espaço muito apertado na direita traseira e, agoniada, queria sair rápido dali, mas alguém me disse que não era para sair, pois o pior já acontecera e o perigo já passara. Eu estava muito assustada e essa pessoa dizia que sair correndo desesperada e sem rumo seria em vão, mas todos os meus impulsos eram para agir em fuga e seria o que faria se não sentisse autoridade e confiança (cujo meu medo quase se fazia maior) por parte da pessoa que me falava. De todo modo, apesar da hesitação, não sei se fiquei ou não.

O SONHO

Vou chamar meus comentários de impressão, a expressão de minhas sensações:

Colisão -colidir, ir de encontro, abalar.

O nível elevado de tensão do sonho anterior se mostra mais uma vez neste sonho. O conflito (batida), pressão elevada a que está submetida (por exigência externa ou severidade das cobranças pessoais). Sonhos de batida, trombadas espelham esses conflitos e tensões e manifestam as angústias ou depressões mascaradas.

No sonho aparece o conflito a conturbação e sua resposta de fuga. Possivelmente sua necessidade de fuga seja a resposta que desenvolveu para lidar com o nível de conturbação que você se induz.

Você se conturba... Atormenta-se e... Foge (para as suas fantasias).

Neste momento a psique lhe indica que é necessário interromper este ciclo, parar de se induzir ao tormento que justifiquem comportamento de SCAPE, de fuga da realidade.

Outro as aspecto é que o cenário atual exige-lhe mais do que vem sendo capaz de suportar, o que aumenta a sua demanda para escapes.

Pode haver referência à sua condição de dependente, O carro foi retirado da garagem – sujeito indeterminado - sua condição de dependência é situação que exerce um aumento de pressão e aumenta a complexidade de sua vida.



OBSERVAÇÕES TEÓRICAS

A psique possui mecanismos que nos protegem de estados de desordem. Temos um limiar de resistência que nos protege dos impactos da realidade sobre nós. À medida que esses impactos aumentam sua pressão, nosso limiar de resistência aumenta para resistir e proteger o sistema dentro de um determinado nível de segurança para manutenção do equilíbrio.

O sistema sofre dois tipos de pressão:

1. Interno - originário da consciência, de núcleos compulsivos que acionamos ou mobilizamos, de núcleos autônomos que invadem a cãmara do pensamento;

2. Externo. – originários no meio externo, fatos e exigências de realidade e de fontes diversas.

O Mecanismo de adaptação biopsicofísico, detecta a necessidade de aumento do limiar de resistência, mas não detecta a origem, interna ou externa, da pressão. Possivelmente por que para a psiquê essa diferença não exista de forma fenomenológica, ou não haja a possibilidade de diferenciação entre o que é interno ou externo ao organismo. Outra possibilidade é que a consciência seja considerada um produto externo, um conteúdo em princípio Invasor e não uma aquisição superior.

Como dizia, como não há detecção da origem da pressão, a psique que possui o comando geral do organismo aumenta o limiar de resistência e altera as configurações de detecção de descompensações biofísicas, produz consequentemente, num ciclo vicioso, aumento dos níveis de tensão interna. Neste aspecto as mudanças também alteram os ciclos biofísicos aumentam o desconforto físico, quando alteram ciclos hormonais, e ampliam sensações que promovem desconforto corporal.

Como se a psique fosse ficando encantoada.

O resultado? Aumento das angustias, da ansiedade, de alterações dos ciclos biológicos e do desconforto psíquico, que podem aparecer nos sonhos como uma forma da psique tentar compensar o equilíbrio espelhando sua vivência. Funciona como uma forma dela se regularizar anunciando o seu desconforto.

Por isso a forma como conduzimos a nossa consciência é determinante para não ser gerador de aumento dos desequilíbrios internos. Mesmo que o cenário externo seja de tranquilidade a consciência conturbada pode sinalizar para a psiquê um cenário de ameaça, e a psique reage em estado de alarme, aumentando seu limiar de resistência frente ao impacto da pressão que sofre da consciência conturbada.


FEED BACK16

Walt Disney - Cinderela do conto de Charles Perrault


Feed Back


Faz muito sentido a questão de eu viver a viuvez de minha mãe junto com ela. Acho que sou mais solidária a solidão dela do que medrosa de viver o mesmo. Acho que me vejo por vezes como uma Gata Borralheira. A proposito, minha sobrinha (adotiva) tem tres anos.Vou refletir a respeito das variantes.

Tres anos! Esta é a referência regressiva. Quando se fala: a pessoa está regredida, se faz referência  genérica. Mas quando ocorre o recuo psíquico, seja por cautela, proteção do sistema psiquico, comportamentos manipulativos, jogos de domínio, castração, sedução, ameaças e perigo iminente, é fundamental que possamos nos referenciar no período da regressão, para que haja a possibilidade de resgatar lembranças e buscar compreender melhor a fonte que desencadeou a formação traumática ou impeditiva na história pessoal. Neste caso, parece-me que a indicação é a de  recuo para estados mentais, respostas emocionais, comportamento, ou defesa reativa  para os seus três anos de idade. Fique atenta!

A Cinderela retrata o ideal arquetípico que sinaliza o intento psiquico de se realizar em forma do desejo de ser reconhecida como um individuo singular e que realiza seus anseios de ascensão material e espiritual. A imperatriz é neste aspecto o propósito definido de seus anseios, a gata que se casa com o príncipe.
Bom... Enquanto seu Brad não passa montado num cavalo é melhor correr atrás da realização de seu sonho pessoal, se o ele passar, ótimo. Se não passar, você não fica submetida ao dissabor de ser a Eterna Gata Borralheira deprimida, entupida de lexotan, infeliz e fracassada.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

IMPERADOR

  D. Pedro I - Imperador do Brasil - 1830
Museu Imperial de Petrópolis
Simplício Rodrigues de Sá - Último retrato

CH72

Essa noite sonhei que eu era esposa de Dom Pedro Napoleão Bonaparte II, um imperador de longas datas atrás (não sei de onde meu inconsciente tirou esse personagem que carrega o nome de dois imperadores reais). Nós tínhamos um bom casamento e nos amávamos. Na cena do sonho, que parecia de um filme antigo, como se eu fosse uma atriz misturada com a personagem real, estávamos chegando no alpendre de uma casa. Havia uma parte arredondada perto da parede que era própria para se sentar. Tanto nela quanto no chão haviam algumas folhas amareladas de árvores, que eram trazidas com o vento, dando sinal de que fazia algum tempo que o local fora limpo. Lá nos sentamos e ele puxou um sério assunto comigo. Retirando do bolso da casaca uma caixeta preta baixa, mostrou-me um lindo colar de ouro com pedras ametistas lilases em formas de gotas de vários tamanhos. Era uma joia preciosíssima, dessas que só já vi em revistas ou na televisão. Nós tínhamos um filho de oito anos, mas naquele momento, com muita firmeza, enquanto colocava o colar no meu pescoço, ele disse que queria outro filho homem. Completou dizendo que me amava, mas caso eu não lhe desse outro filho homem, ele me mandaria de volta para a casa dos meus pais. Parece que aceitei ao seu pedido-ordem, mas não lembro direito o desfecho.

A referência a Napoleão Bonaparte II é instigante, pois aos 4 anos foi reconhecido como imperador e faleceu aos 21  . Era uma figura de saúde frágil e que não vingou. O oposto do pai Viril que se fez Imperador. Já Dom Pedro, não sabemos qual dos dois (I ou II), são representações diferentes, O primeiro o imperador autoritário e o segundo mais afeito ao conhecimento e à ciência.

De qualquer forma é a força do masculino Imperando em você e determinando suas escolhas como mulher. No caso, a postura submissão à figura do Macho Imperador, não sabemos se em função do poder masculino, da riqueza ou em função da força de seus sonhos de menina princesa. Sinaliza também um grau pessoal elevado de exigência na escolha do parceiro, que compensa sua baixa estima, ou seu senso, postura ou fantasia de realeza. Como se estivesse em posição muito acima da pessoa comum.

Volto a pensar: não sei se para compensar a baixa estima, a elevada severidade na exigência e perfeccionismo que lhe afasta do homem comum, ou se esse homem poderoso é aquele que atende suas necessidades de poder e riqueza, de ambição, posses, ou da necessidade de se diferenciar dos mortais comuns e de realizar um destino magnífico, esplêndido na sua ilusão, nas escolhas daquilo que aparenta importância.

Se o ego está inflacionado ocorre identificação, neste caso as imagens satisfazem a sua demanda por vivências diferenciadas e especiais, pelo grau elevado, pelo status, elite imperial e compensa a necessidade de ser agraciado com tesouros, se associar ao grandioso. Compensa a estima pessoal, no caso, a inferioridade.

É bom prestar atenção à fantasia idealizada do homem que buscas para realizar seus sonhos, já que se isto ocorre você se distancia da realidade, da possibilidade de realizar o sonho de mulher de encontrar um parceiro, acontecimento que mesmo comum a tornaria realizada e grandiosa como mulher, e não pela associação com o poderoso. E naturalmente isso a distancia de realizar o sentido natural da maternidade. Sem parceiro e sem a maternidade você abre mão de duas obras em nome da espera do príncipe encantado.

A GRANDIOSIDADE DA FANTASIA

AUMENTA A DOR DA QUEDA

NA REALIDADE OU

NO ABISMO DA ILUSÃO.

Se considerarmos a presença de complexos autônomos que jogam para baixo sua autoestima, a grandiosidade do sonho é a mostra de uma força que a subjuga e que cresce quando ocorrem dinâmicas que podem dissolver esses núcleos autônomos de energia.

Por outro lado a grandiosidade pode se mostrar na aparência mas residir no conteúdo: o desejo de realizar a maternidade simplesmente como mulher. A riqueza de procriar, a joia preciosa de gestar um ser. Neste aspecto, sua fantasia lhe lança na grandiosidade do império, aprisiona o seu foco no objetivo equivocado, quando a riqueza não se faz tão distanciada, mas na sua capacidade de realizar a maternidade, que deveria ser o verdadeiro foco.


POR OUTRO LADO,
não podemos esquecer que mulher de Imperador é Imperatriz e essa é uma carta do Tarô que, no mínimo, por curiosidade, deve-se considerar como conteúdo arquetípico. Na Sequência posto o conteúdo de A IMPERATRIZ para que possa servir de reflerencia e reflexão. Existe, conteúdos mais completos que fica para seu interesse de investigação.  Deveria tambem ler sobre a carta O IMPERADOR


A IMPERATRIZ

Tarô de Marselha
DESCRIÇÃO. Uma mulher coroada, de semblante afável, segura na mão esquerda um cetro encimado por um globo e uma cruz. Na outra mão, apresenta um brasão no qual está cinzelada uma águia.

SIMBOLISMO. O TRÊS, número da comunicação, domina a dualidade. Leva a uma nova integração e a uma abertura mais ampla.

A influência de VÉNUS, planeta da sorte e do amor, traz charme, doçura e simpatia. O movimento, a habilidade e a inteligência são marcados pela influência de MERCÚRIO. Esta mulher jovem e inteligente é o símbolo da sabedoria que cria. Sobre a cabeça, a coroa confirma seu poder mental e sua dignidade. Poderoso símbolo de poder e de comando, segura na mão esquerda o cetro destinado a fazer reinar a ordem. A IMPERATRIZ está plenamente consciente da extensão de suas possibilidades: detém o "Poder", mas não ultrapassa seus limites. Esse cetro, aliás, termina numa cruz, imagem da espiritualidade. A inteligência é expressa pelo brasão, que traz uma proteção benéfica. Qual um pentáculo, ele é a representação da Tradição. Pássaro soberano, celeste e solar ao mesmo tempo, a águia alia o poder e a força. A lenda afirma que é o único pássaro que pode olhar o sol de frente sem piscar. A IMPERATRIZ está sentada numa cadeira cujos espaldares altos lembram asas, em sinal de elevação e de voo para o Infinito. A PAPISA se esconde no seu mistério. A soberana IMPERATRIZ traz, ao contrário, a luz, o poderio contra as hesitações. Ela dissipa com inteligência as trevas da dúvida.

PERSONALIDADE. A lucidez e o discernimento permitem a ação e a criação.

A IMPERATRIZ anuncia a elevação, a inteligência, a eficácia, a intuição e a fertilidade.

SENTIMENTOS. Ela é o indício de felicidade e alegria. Os encontros e contatos são harmoniosos e agradáveis. Uma excelente abertura de comunicação permite uma evolução sentimental feliz. Em amor como em amizade, essa soberana anuncia sinceridade, aproximação e irradiação. As esperas são cheias de promessas benéficas.

PROFISSIONAL. São previstos sucesso e progresso profissional. Os conhecimentos intelectuais, a vivacidade de espírito favorecem as atividades de "comunicação". A concretização dos projetos é factível, porque as negociações transcorrem com facilidade, e os negócios são concluídos rapidamente.

MATERIAL. Se bem que o domínio financeiro seja mais protegido, há um estímulo a gastos dos quais convém desconfiar. Essas leviandades estão frequentemente ligadas ao desejo de agradar e dar prazer às pessoas de suas relações.

SAÚDE. Convém não abusar de suas forças: a estafa e a fadiga nervosa podem ser pressentidas.

ESPIRITUAL. A intuição leva à consciência e permite uma abertura sobre a energia cósmica.

DIVERSOS. Esta lâmina mediadora anuncia as novidades e as mudanças.

SÍNTESE. A IMPERATRIZ traz soluções eficazes a problemas de toda ordem. Suas ideias ricas e fecundas ajudam o crescimento e o êxito procurados.
                            
 do livro:  ABC do Tarô - Collette H. Silvestre 1987 Circulo do Livro

FRAGMENTOS


CH 73 Fragmentos


Os sonhos seguintes me pareceram confusos. Lembro de cinco partes cuja ordem não sei se está correta:

Na primeira, eu estava andando no meio de um local florido, parecia uma praça, quando houve um tiroteio entre bandidos e policiais. Eu saí apressada tentando me esconder.

Nível elevado de tensão, conflitos, ansiedade, angustia, conturbação, tormento. Momento de proximidade ao perigo. Parece que em momentos de tensão elevada você sonha com bandidos e tiroteios. Angústias? Cenário de realidade ameaçadora? A praça simboliza a configuração mandálica ordenada... Flores indicam polarização para equilibrar a tensão representada pelo conflito entre a transgressão e a repressão pelos mecanismos referenciais de sociabilidade, defesa, princípios morais e éticos. Tendências de transgressão e repressão de desejos, e a psique equilibrando o conflito.

Na segunda, eu estava junto de uma turma que ia viajar e fui chamada para assinar um papel. Parece que a viagem um tanto surpresa tinha sido paga junto com o boleto de pagamento da faculdade. Perguntei para quando ia ser a mesma e a moça informou-me que seria na próxima semana. Era uma viagem internacional e além de ansiosa eu fiquei bastante feliz.

Viajar, neste caso compensa a tensão elevada, novamente aparece a ansiedade como indicativo dos limites corporais e a necessidade de fuga do cenário de tensão para compensar a tensão. Há polarização.

Na terceira, eu andava por uma espécie de bosque com um senhor (era o ator Stênio Garcia com seus 78 anos) e uma jovem, quando eu disse que tinha direito a ter uma segunda chance. A mulher não era muito de acordo, mas o senhor sim. Depois eu já estava com os dois dentro de um shopping. A mulher circulava entre as prateleiras olhando uma galeria enorme de roupas de frio e bolsas, e eu a seguia admirada com a quantidade e variedade de tudo, embora desinteressada de fazer compras. Ele andava tendo a cabeça deitada em meu ombro e, pela idade, eu o sentia como se ele fosse meu pai, mesmo que a aparência fosse diferente. Houve um momento que ele cheirou meu pescoço e eu perguntei se ele gostava do meu perfume. Ele disse que sim e continuamos andando. Num momento seguinte ele já não era um senhor idoso, mas sim um homem, e meu marido. A mulher tinha se transformado numa criança que ao cair chorou e foi acudida pelo pai, ou seja, meu marido.

Reaparece seu foco voltado para conflitos que envolvem seus direitos individuais e seu papel de vítima, seja por manipulação ou senso de justiça. Conflito, tensão, disputa, competição, defesa. As compras podem aparecer em variantes:

Compulsão de comprar para compensar a ansiedade; diminuir a tensão; preencher o vazio decorrência da angústia gerada pelo conflito que produz a tensão; conquistar e incorporar objetos que compensem a solidão, etc.

A transformação do ator em pai compensa a necessidade de proteção nos momentos de perigo. Isto pode indicar sua facilidade de se relacionar com homens mais velhos, já que satisfazem sua demanda por segurança, ou por referencias de proteção. Neste caso você busca um pai não um homem, daí a confusão de um pai marido para viver a sua vivência edípica. Tem-se que considerar o papel de ator representado pela figura masculina, Um Camaleão que assume formas diversas, característica do oportunismo de representar aquilo que lhe interessa, de pensar aquilo que lhe interessa.
A ação do pai socorrendo a criança pode ser projeção de sua necessidade de ser acudida.

Na quarta, estava eu com minha irmã e uma criança de três anos idêntica a mim em tal idade. Nisso passou um pensamento repentino pela minha cabeça e eu disse para minha irmã que eu não podia ser filha de uma criança de três anos. A menina se aborreceu e vendo-a prestes a chorar, peguei-a no colo, falando que eu estava apenas brincando ao dizer aquilo, acalmei-a e levei-a para dormir. Em seguida voltei para continuar o assunto com minha irmã. Estava intrigada pensando em como descobrir quem seriam os meus pais. Entretanto, eu não tinha ponto de partida. Minha irmã disse que era para eu fazer o exame e verificar se a mãe dela não seria a minha mãe. No sonho era como se minha irmã e mãe fossem apenas duas conhecidas. Daí ela completou a fala dizendo que o difícil seria descobrir o pai, já que sua mãe tivera muitos homens durante o decorrer da vida.

Veja que existe confusão conceitual e, possivelmente, de identidade. Conturbação mental.

A NEUROSE SE JUSTIFICA,

Para manobrar e manipular o meio, a si mesma ou às pessoas. O neurótico cai na armadilha de justificar as ações que lhe interessam, de realizar o que lhe é oportuno e que satisfaça seus desejos e não percebe que engana apenas a si mesmo, perdendo referências conceituais, se perdendo em códigos básicos, e referências sociais, familiares, de relações afetivas. A armadilha de se lançar em confusão se acreditando mais.

Internamente você ganha consciência, põe luz na escuridão, mas tudo isso é apenas o principio de uma caminhada.

Na quinta eu estava com uma jovem que tirou seu bebê no carrinho para amamentar. Ele ainda dormia, mas aceitou o alimento. Depois ela o colocou em pé para arrotar e, estranhando que ela não o segurasse, fiquei apoiando-me atrás para ele não cair.

Culpa e necessidade de se proteger da vida, insegurança, falta de confiança, domínio e controle excessivo. As recorrências de relações maternais se fazem permanentes, e me faltam, informações para associações seguras sobre a dinâmica de inconsciente no presente momento. O que a leva a uma reflexão sobre seus conceitos nas relações afetivas, familiares, como filha, como mãe simbólica, ou como futura Mãe. Reflita sobre esses conteúdos em tua vida. Como já lhe disse, há limites nesta leitura.

Que sonhos bizarros! Qual o sentido deles?

Arrisquei-me a apontar significâncias nestes fragmentos, mas são simples observações já que em dinâmica de reorganização do inconsciente até a leitura deve ser paciente e cautelosa à espera de melhores momentos. Sonhos como os fragmentos acima precisam ser olhados com paciência, cuidado, delicadeza e atenção.

Para mim eles apontam para um momento específico de reconfiguração psíquica. Ou seja de ordenação psíquica, ou de transição e passagem de um estado para um novo momento psíquico.

Necessariamente não posso considerar bizarros sonhos, ainda que os sejam indecifráveis ou se mostrem impenetráveis e sem sentido. Prefiro pensar na minha incapacidade ou incompetência em compreendê-los.

Por exemplo: seus sonhos anteriores foram, para mim, absolutamente lúcidos e claros. Se no momento seguinte não o são, é preciso compreender que eles são resultantes da dinâmica de sua vida, de suas escolhas, de sua realidade, aquela que te cerca e que te envolve emocionalmente, afetivamente como filha, como família, socialmente, nas escolhas de trabalho, de convívio social, nos sonhos que quer realizar, nas expectativas pessoais.

A Vida é Insólita e possivelmente sejamos, todos nós, bizarros, mas sonhos são apenas um movimento da alma em busca de luz e de consciência, quando envolta na bruma nebulosa da noite de nossas vidas.



sábado, 22 de maio de 2010

LA PIETÁ E NARCISO

     The Villeneuve - lès Avignon Pietá
1455 - Louvre
CH 70


   LA PIETÁ DE MADONA
Essa noite sonhei que entrei com minha mãe em um centro espírita. Ele era bem pequeno e tinha uma mulher que era vidente (não sei como eu percebi isso). Havia bancos dos dois lados e no meio apenas o espaço de passar. Como haviam muitos idosos eu fui obrigada a sentar num banco quebrado para ceder os lugares bons. Em pé eu não queria ficar, pois imaginava que o atendimento fosse demorar. Minha mãe que estava sentada do outro lado não quis ficar longe de mim e veio para o meu lado. Nisso um senhor falou que transitar ali dentro pegava muita energia ruim e minha mãe tratou de sentar-se logo num outro banco meio quebrado que estava ao meu lado. Logo em seguida ela começou a tremer e depois desmaiou ficando com a cabeça caída em meu colo. Algumas outras pessoas também pareceram não muito bem, embora eu soubesse que tudo estava dentro do controle (sentia uma certa confiança com o ambiente religioso e o trabalho ali desempenhado, mesmo que estivesse nele pela primeira vez). Fiquei com receio de sentir-me mal também, mas isso não aconteceu. Não me assustei com a situação de minha mãe como se aquilo fosse natural ou estivesse acostumada a tal. Fiquei rezando para manter as boas vibrações enquanto aguardava a momento do atendimento. Houvéramos tido informações de que tal lugar era muito bom e sabia que íamos sair renovadas de lá. Não lembro o resto.

Alguns detalhes que considero significativos chamam-me a atenção, mas antes uma observação que se faz necessário:

Mudanças de comportamento acontecem em dois momentos específicos:

1. Na hora do evento existe um “momentum”, que ocorre num “Flash”, em que o sujeito implementa, aplica, coloca em prática a partir de escolha pessoal, uma nova atitude, um novo comportamento. Este momento é paradigmático e pessoal, pois o individuo deixa de repetir o passado e renasce em novas atitudes diante do mundo;

2. A Dinâmica da psiquê em processo e a partir de novas configurações gestálticas, formadas a partir de inumeráveis eventos, conduz o individuo a apresentar novas respostas diante dos acontecimentos que a realidade externa exige ou demanda. Este determinismo psíquico conduz o individuo no seu processo de maturação é também é resultante dos “imputs” que o sujeito implementa a partir dos acontecimentos e de suas respostas diante do mundo.



Quando olho para um sonho não posso apenas pensar em mensagens do inconsciente para o sujeito. Elas são significativas, mas apenas uma variável tão importante quanto outras que se mostram, entre elas o retrato da dinâmica por que passa e que serve para um mecanismo de auto regulação e determinador de novos imputs de mudanças.

Vejamos no sonho acima esse acontecimento: A psiquê a confronta produzindo um cenário em que a sua resposta e de generosidade, afetiva e de renúncia ao conforto pessoal. Para que isto ocorra você abre mão de sua postura egocentrada, de defesa dos interesses pessoais, do conforto pessoal, em prol do interesse coletivo, do respeito aos menos favorecidos, de doação aos que mais são exigidos.

Isto significa deixar de olhar para o redor do seu umbigo, olhar para fora e ver o mundo e a necessidade dos que precisam mais do que você. Abrir mão em função do outro mais necessitado.

Este foi o foco determinante para o homem sair do primitivismo a se tornar ser gregário e assim formar a base da sociedade humana, da civilização humana. Uns protegendo os outros para sobreviver às vicissitudes dos perigos da vida. Este é o nascimento da solidariedade.

E solidariedade só existe se existe afetividade, generosidade, renúncia aos interesses e conforto pessoal.

E olha que fantástico, ao fazer a sua escolha, você cresce, amadurece, como entidade, como indivíduo, como pessoa, como mulher. E como que isto aparece?

A imagem da filha que acolhe no colo a mãe desfalecida.

A imagem é arquetípica. Quando a Madona repousa no seu colo o seu filho, filho do Espírito Santo, o filho divino e sofre calada o sacrifício do filho, ela vive a dramática negação do instinto de preservação da espécie.

Natural é que filhos enterrem seus pais, Tragédia são os pais enterrando seus filhos, matando a esperança de continuidade da gênese na família, é o anti natural, o fluxo inverso. Por isso a tragédia da Mãe Divina comove a todos, por todos temem essa dor, dar a vida, alimentar, educar, amar e... perder.

No seu sonho o fluxo natural é reencontrada. A filha repousa a mãe desfalecida no seu colo enquanto aguarda a hora sagrada de receber a graça Divina, a cura.

Não há desespero, a calma prevalece, não há desequilíbrio a aceitação se faz presente. A Atitude madura de quem confia e espera o tempo, enquanto ora e clama em silêncio a graça divina.

Poderia pensar que o sonho é compensatório, que seu egoísmo lhe afasta desta realidade, mas não posso ser determinista, já que a dinâmica não é compensatória mas indicativo de que existe um processo de transformação ocorrendo e que a imagem surge para indicar que você pode estar reencontrando o rio da vida que corre para o mar.

Um dos detalhes que me faz pensar nesta possibilidade é a atitude diferenciada, não reativa. E mesmo que você assuma o papel de filha-mãe cuidando da mãe-filha, não posso dizer que é a filha que se faz mãe, mas a filha que cuida da mãe como cuidaria dos filhos, como foi cuidada.

Quando somos dependentes somos filhos sendo cuidados, mas a importância de nos libertarmos da dependência e conquistar a liberdade e a conquista do direito de poder cuidar de quem nos acolheu, amou, cuidou, protegeu. Pra que crescer? Para sermos respeitados como nossos pais, para que possamos lhes devolver o conforto, a segurança e a proteção e que possam suportar, no caminho natural da vida, o processo de envelhecimento, enfraquecimento e fragilidade e se transformem em filhos que necessitam cuidados, amados como o fomos por eles no passado.

A imagem da mãe desfalecida no seu colo é essa graça de poder cuidar da mãe sem ser revoltada com seus desígnios de vida. Eu sinto que as mudanças afetivas se fazem presentes no seu processo, se não o fazem o sonho não é retrato dessa dinâmica, mas apenas compensação e alerta para que retome o fluxo natural de sua vida e passe a dar importância ao que tem importância.

LA PIETÁ E NARCISO parte II



CH70 
     O AFETO NARCISICO


Depois eu estava na casa da família de um rapaz que parecia meu 'namorado' quase de verdade. Abraçada acompanhei uma amiga (não sei quem é, nem dentro e nem fora do sonho) até a porta, pois ela ia embora. Interessante a intimidade e apreço que pareço ter com determinadas pessoas dentro dos sonhos, algo além do que já experimentei fora deles. Depois disso comecei a procurar meu tênis (ou chinelo, não lembro), pois ia sair com esse namorado. Procurei o sapato em todos os cômodos até que ele me ajudou a encontrar. No que eu calçava, um outro sujeito apareceu e, escondidos atrás do portão de entrada, ele e meu suposto namorado começaram a se beijar. Embora sentisse leve ciúme, ele sempre deixara claro para mim que gostava de homem também e eu estaria do lado dele para ajudá-lo e não para atrapalhar. Entretanto, a irmã dele mais nova viu a cena e criou confusão dizendo que ia contar tudo para os pais. Eu sabia que, enquanto sua namorada, era uma prova chave de sua 'masculinidade' e não queria ver meu namoro acabar, muito menos desejava que ele se aborrecesse pela incompreensão e o preconceito dos pais. Eu me sentia bem com aquele namoro conveniente para ambos, pois era bom para meu ego tê-lo como um namorado, mesmo que ele não fosse exclusividade minha. Eu queria amenizar a situação, mas não sabia até que ponto podia intervir. Também pensei que talvez o pior o fizesse se decidir de uma vez por todas entre eu e o outro. Pena que não lembro o resto. Parece que o contexto de tais sonhos não são muito diferentes: relação materna,recinto religioso, envolvimento falso baseado em aparência e mentira, valorização do ego, etc. Nunca sei quais sonhos realmente podem indicar algo importante de ser analisado e daí estou anotando todos que lembro. Parece que meus sonhos ficam me testando em todos os sentidos...

Analisar os próprio sonhos é tarefa Hercúlea, não é questão de sabedoria, informação ou inteligência. É se olhar no espelho como alma, e necessitamos primeiro aprender a ter olhos. Não se exija isso agora. Nesse oceano de águas desconhecidas, distingui-lo é importante para chegar ao porto em segurança, mas a tarefa é pedreira. Por isso, enquanto eu  ainda apareço por aqui aproveite a oportunidade para ter companhia nesta busca, e quando eu já não mais acessar esse espaço, não deixe de seguir na sua caminhada. Acompanhado de um guia os caminhos se mostram menos obscuros, batemos menos a cabeça, apanhamos menos para aprender.

Os sonhos possuem esses mecanismos de confronto, é a forma que a psiquê encontra para que reavaliemos nossos conceitos, nossos preconceitos, resistências, tendências, desejos, fantasias, dificuldades.

Calçar seus pés, protegendo-os ou escondendo seu simbolismo fálico, pode ser evidência de que à medida que esconde seus desejos eles reaparecem em forma de homossexualidade. Você feminiliza seu masculino ou masculiniza seu feminino. Em sonhos anteriores essa erotização homossexual já apareceu em jogos sexuais femininos, desejos ou fantasias e agora aparece em conteúdos masculinos.

Em sonho anterior você afirmou sua heterossexualidade, mas há preconceito? Dificuldade em lidar com as diferenças de desejos? Culpa por ter vivido algum momento de sexo homossexual? Há conflito? Resistência? Defesa? Dificuldade com o tema? Há desejos secretos de envolvimento com iguais? Há ocorrências de medos? Ou seria o sonho apenas uma manifestação do narcisismo regredido?

Abordarei um pouco  da natureza narcisica do sonho. A associação que me vem é da imagem de Narciso encantado com sua imagem ( post Narcisismo no Blog Jornada da Alma) se apaixonando por si mesmo, por um igual.

Esses dois sonhos sequenciais eles são a imagem de nosso duplo “EU”, um constituído de uma natureza coletiva, originada no coletivo de dois seres e o outro singularizado no nascimento da individualidade, da pessoalidade, Possivielmente o narcisismo como conteúdo arquetípico seja, no desenvolvimento do individuo, a primeira ocorrência primária de formação do Simbólico . Uma ocorrência que nasce a partir do estabelecimento dos princípios básicos, concretos, e de garantia de satisfação dos instintos e da sobrevivência.

Ou seja, a partir do momento em que o individuo tem garantido o seu conforto de desenvolvimento (na barriga da mãe), ele repousa em águas tranquilas e se desenvolve seguro e protegido. Neste momento assegurado o equilíbrio, o corpo formado e em crescimento, deve-se primariamente aflorar a dimensão narcísica. O Rei, assistido, repousa, se alimenta e vive o prazer do princípio simbiótico.

A partir do parto, a mudança de meio tira o individuo do “paraíso” e o lança numa condição de instabilidade, neste momento a oralidade sacia a fome da sobrevivência, o calor do corpo materna diminui o desconforto do novo meio, e inicia-se a integração de nova sensações e percepções (aromas, afloramento de sensibilidades táteis e proprioceptivas, sensações de prazer e desprazer, conforto e desconforto, ampliação do universo sonoro e visual, etc.), e a instabilidade originada nas mudanças produz a regressão da natureza narcísica, já que o estado pessoal é lançado em ambiente até certo ponto “inóspito”.

As fases de desenvolvimento que se seguem irão consolidar essas duas naturezas: a narcísica e a coletiva, a individual e a social. E poderemos ficar aprisionados no narcisismo ou amadurecer pela consciência de que não somos únicos mas parte de um corpo muito mais amplo. O paradoxo é que quanto mais avançamos na consciência melhor nos situamos no coletivo e mais conseguimos restaurar a integração pessoal na construção de uma individualidade plena.

Neste aspecto o sujeito narcísico é apenas um retrato pífio deste momento que marca o nascimento da natureza singular da individualidade, e as manifestações que sobrevivem como uma resistência a essa mudança de “Estado” se farão visíveis por toda uma vida, como para confrontar o individuo na importância de aceitar a impermanência da vida, a maturação do individuo na participação do universo coletivo.

Mas narcísicos resistem nesta suposta “pessoalidade” se escondendo na formação e construção de um EGÃO, nas vaidades, no egocentrismo, etc, Como disse o paradoxo é que quando renunciamos a esse narcisismo, fonte e origem da construção do individuo e que encontramos a pessoalidade liberta dos caprichos. E quando o sujeito resiste neste comportamento centrado mais a psiquê precisa encontrar desvios para compensar o estado regressivo que impede a transformação e evolução do SER, produzindo desajustes emocionais e comportamentais no sujeito.

Como já mencionei, os sonhos sequenciais sinalizam essas duas natureza: A natureza coletiva que anseia se realizar e a pessoal regredida que quer evoluir. A Maternidade que se realiza em nós através do afeto, da generosidade, da compaixão e o narcisismo simbólico do ego centrado que quer o mundo girando ao redor do seu umbigo, como se Deus Criador o fosse.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

ESTRANHOS MORREM. ANCESTRAIS SÃO ETERNOS.


Luz - Linhas na Rede de energia da vida

Respondendo à questão do sonho no post sequencial  FRAGMENTOS DE AFETO E PRAZER :

                            O que está me fazendo ter sonhos tão distantes da minha vida real?

Sonhos não são espelhos da vida real, distantes ou aproximados. Sonhos são um canal de conexão entre a consciência que construímos, e o inconsciente que nos originou, ou que nos compõem. São, portanto, um ponto comum, um fluxo de conexão, um estado comum entre a consciência e o inconsciente, um lugar em que a consciência que somos, intermediadora com a realidade se conecta com o fluxo continuo de energia, com o núcleo de poder que ordena, configura, regula, e determina nossa essência como seres.

As dimensões, Interna e Externa, apesar de serem únicas, são diferenciadas, por realidades fenomenológicas específicas de cada realidade. Vejamos:

1. O tempo que a civilidade construiu na evolução da civilidade, da sociabilidade humana, é de dimensão diferenciada do tempo interno, o tempo de vivência psíquico e consequentemente do Momentumn" onírico;

2. A realidade tridimensional (quadridimensional se considerarmos o "tempo"), diferencia-se das dimensões físicas, biopsiquicas, do fenômeno onírico, que em geral pode ser vivenciado e percebido em duas dimensões  (bidimensão) ou monodimensão, ( sabemos que estamos lá,~sentimos, mas não temos referência visuais de plano físico. A imagem é evocada a partir de dados de memória;

3. Se na tridimensão temos largura X altura X profundidade, os sonhos podem ser construídos como imagens bidimensionais com altura X largura e a profundidade é sugerida na imagem e supostamente vivida na ampliação da imagem do profundo a partir do foco de atenção, ou da mobilização do Intento da Vontade. Por exemplo: numa imagem em que o individuo esta inserido como “um Olhar”, se ao olhar a imagem um ponto é focado pelo olhar, esse ponto é ampliado e o sujeito tem a ilusão de profundidade no sonho, consequentemente de viver a sensação de tridimensionalidade desta forma a psiquê consegue favorecer a ordenação da consciência nesta realidade bidimensional. Por isso muitas vezes as imagens passadas em velocidade sob esse olhar como que tentam manter certa linearidade que favorece e permite à consciência manter-se presente (existindo como fenômeno) em baixos níveis de tensão, frequência e memória linear. Este é um esforço excepcional que a psiquê faz uso para conseguir manter uma conexão com essa consciência, que somos nós, com o objetivo de interferir ou sinalizar para mudanças que necessitam ser realizadas na condução do organismo dentro da nossa realidade de consciência, na dimensão em que vivemos.

Perdoe-me ter que entrar nestes detalhes, mas como sei que profissionais e estudiosos acompanham minhas reflexões e leituras, e como a leitura de sonhos que faço é resultado de meus trinta e cinco anos de pesquisa, quando tenho a oportunidade de avançar para tentar mostrar os mecanismos e eventos que são significativos na construção onírica, a leitura se mostra mais compreensível, já que ela é feita considerando certos conceitos que são importantes. Quando sabemos como se constrói mais pertinente fica a desconstrução, ou compreender o significado, entender a mensagem.

4. O tempo como dimensão, no universo onírico, é abstrato (à médida em que é construção de referencia humana) e função por pulso, que pode ser longo ou curto dependendo do efeito que o sujeito como evento interage com o fenômeno. E é mais próximo de sua possibilidade como fenômeno, ou seja, é menos rígido como no mecanismo do nosso tempo real, que é tão evidente em decorrência da regularidade solar e da relação dia/noite pelas mudanças. No sonho não há tempo para a regularidade estelar. Os sonhos são construções rápidas e intensas, em estágios de repouso que permitem essa inserção psíquica. Portanto se fazem mais elásticos. A intensidade do vivido pode dar a impressão de ter sido longo o tempo de vivência; Estados de relaxamento também podem promover essa sensação de tempo longo; sonhos de confronto com múltiplos eventos ou conceitos e acontecimentos podem dar a impressão de tempo longo; e imagens rápidas a ideia de tempo breve.

Na especificidade acima, há uma diferença de destinos pós morte entre estranhos e indivíduos com vínculos genéticos. Há indicações possíveis de que as linhagens são separadas diferenciadas, como se cada linhagem constituíssem uma Linha da Rede na mesma dimensão. Mesmo que haja interação na rede entre linhagens, a linhagem é protegida e constitui uma indicação de evolução e estagio de desenvolvimento com sua especificidade. Neste caso a morte não significaria simplesmente um retorno à indiferenciação das águas primordiais, a diferenciação conquistada seria partilhada com o todo para a evolução do todo mas manter-se-ia diferenciada a matriz da conquista evolutiva na linhagem separada.

O que é preciso entender é que se Einstein já nos alertava que um evento reverbera, como uma onda, por todo o universo, como a morte, que é um corte intradimensional, o corte de conexão entre um corpo e sua manifestação fenomenológica, e que provoca mudanças drásticas nessa realidade, não determinará mudanças no universo? É preciso deixar o simplismo de lado. A morte é significativamente mais complexa do que a apenas a dissolução e pulverização do corpo, como poderiam pensar os sonhadores maconheiros dos anos 60', que se imaginavam virando apenas pó de estrelas. o corpo é pulverizado, fragmentado, mas sua manifestação fenômenológica possui vinculação extra corpórea. Não! Não somos apenas um simples corpo, somos uma construção complexa da natureza, interligados a uma Rede multidimensional absurdamente complexa.

E precisamos nos repensar, porque isto pode definir nossa relação com o mundo.



Observação.: Entre excepcionais pensadores do "homem",  no século XX, C.G.Jung nos brindou com sabedoria decifrando mistérios, entre tantas outras percepções sábias foi provavelmente o primeiro a abordar a  questão da multidimensionalidade da vida de forma cientificamente lúcida, sem recorrer à conceitos religiosos. Minhas buscas levaram-me a compreender e identificar-me com sua visão criteriosa. Os conceitos acima relatados são minhas percepções que acrescento com intuito de tentar colaborar para a comprensão do nosso significado como seres e eventos biofísicos originários da matéria inteligente do universo. Minha intenção é de tentar colocar luz em matéria tão árdua e inacessível. 

FRAGMENTOS DE AFETO E PRAZER


CH 69


Da noite de hoje, lembro de muitos sonhos, porém pouco de cada um. Já vou adiantar que em todos eles eu parecia muito mais uma outra pessoa do que eu mesma, principalmente pelo contexto dos mesmos. Tudo foi tão irreal perante a minha realidade! Não lembro a ordem dos sonhos, mas eis o que anotei ao acordar na sequencia das lembranças que me vinham em mente:

primeiro sonhei que estava com meu marido e duas filhas (essa coincidência parece recorrência da historia de minha mãe) num shopping. Eu ia simplesmente ao cinema, mas abracei minhas filhas muito emocionada e sensível como se estivesse fazendo uma longa viagem para outro país. Elas iam ficar com o pai passeando pelo shopping. Eu não sou mãe, mas ali eu senti um amor puro e diferente que só pode ser o amor materno. Não sei por que tanta sensibilidade emocional numa despedida aparentemente tão breve, já que um filme dura no máximo de duas a três horas. Também não sei por que somente eu entraria no cinema. Enfim, foi um sonho nada a ver com minha realidade, inclusive há anos não vou ao cinema por preferir assistir filmes em casa.

Na segunda lembrança eu estava com vários idosos e abracei um velhinho com muito carinho. Ele muito sorridente, ainda abraçado comigo, disse para as senhoras que estavam perto de nós, o quanto gostava de mim, pois eu os tratava como se eles fossem da minha família, mas eu realmente os sentia como pessoas muito próximas e queridas. Sempre me simpatizei muito com os idosos e esse foi um mimoso pedaço de sonho.

Na terceira lembrança o meu pai estava aqui em casa no lugar da minha mãe. Era como se ele não houvesse morrido, como se fosse ele quem houvesse ficado viúvo da minha mãe. Nos primeiros sonhos que tinha com ele eu estranhava o fato dele parecer estar vivo, mas a um bom tempo que já não sinto isso. É como se ele nunca houvesse morrido e isso obviamente é tão estranho quanto ter a sensação de estar vendo um morto-vivo.

Prosseguindo,

Na quarta lembrança, a minha sobrinha estava no colo da minha irmã e disse que eu era uma verdadeira filha de Deus. Ela falou isso como se fosse uma pessoa adulta, e não como uma criança de três anos. Comentei com minha irmã que via uma verdadeira filha de Deus como alguém extrovertida e comunicativa tipo minha sobrinha, e não alguém introvertida e calada feito eu. Falei isso por falar, apenas como uma modéstia minha, pois em verdade creio que todos somos filhos de Deus independente desse detalhe de personalidade. Minha irmã comentou que cada pessoa enxerga a vida e as pessoas de uma maneira e aquela era a forma da minha sobrinha perceber-me. Talvez ela me visse de tal modo exatamente pelo contraste de personalidade que existia entre nós e por geralmente acharmos que os outros são melhores. Não entendi por que minha sobrinha pensava daquela forma, mas fiquei feliz como se estivesse acreditando na sua fala. É como se eu me julgasse um monstro e percebesse-a me vendo como um ídolo. Não posso deixar de dizer que, por melhor que seja um sonho assim, também me pareceu muito estranho! É como se meu inconsciente, ou propriamente os meus sonhos, estivessem sendo bonzinhos comigo.

Na quinta lembrança eu tinha um gato muito dócil que dormia no meu colo, embaixo da coberta (eu não o via, apenas o sentia) e eu acariciava-o impressionada de ter encontrado um bichano tão manso, exatamente como muitas vezes quando criança desejara ter.

Na quinta e ultima lembrança, eu estava dançando com minha prima (que está nos EUA trabalhando no programa de Au Pair). Não sei se estávamos numa festa ou num clube dançante, mas sei que, assim como um dos sonhos anteriores, nossos passos não se encaixavam. Ela dançava num ritmo bem mais rápido. No começo achei a diferença de passos chata e até mesmo constrangedora, mas depois começamos a dançar divertidamente um pouco mais separadas e uma rodopiava a outra. Eu rodava com tanta desenvoltura que era como se estivesse flutuando sobre o chão. Eis outro sonho bom, mas completamente sem sentido. O que está me fazendo ter sonhos tão distantes da minha vida real?

FRAGMENTOS DE AFETO E PRAZER II



CH 69

                                                              O Sonho Propriamente Dito


Quanto aos sonhos fragmentados relatados: todos possuem a singularidade do afeto manifesto em DINÂMICA FAMILIAR, e o último a recorrência da dança. Duas manifestações em mudança: Sua capacidade de expressar o afeto vem sendo transformada. Você se abre mais para as relações de afeto e a dança é o seu exercício de troca afetiva por excelência, seu símbolo de comunhão, aceitação, partilhamento, conjunção mente e corpo, quebra das defesas e das resistências, diminuição da severidade da autocrítica e do julgamento, melhora da autoestima, da confiança em si mesma, introdução do lúdico na sua vida. Não penso que seja apenas compensador (pode até sê-lo como exercício), mas penso com dinâmica de transformação de sua relação com o mundo.

A presença de seu pai é rica e importante. Pai e mãe devem ocupar o mesmo lugar de importância na vida dos filhos. Não há um mais importante do que o outro. Ele vem para ocupar o espaço que lhe cabe.

Estranhos morrem. ANCESTRAIS SÃO ETERNOS.

Os sonhos muitas vezes se fazem de canal para a convivência com entes queridos que mudaram de dimensão, ou que em outras dimensões anseiam por nossa evolução para que possam evoluir através de nós e com o nosso Saber. A evolução precisa ser realizada, se os ancestrais não evoluem nós passamos a Sermos os responsáveis por essa evolução. A existência exige isso de nós, e nossos mortos esperam essa realização, para que, cumprindo nosso dever, eles possam ser libertados do redemoinho espiral do Sansara.

A gata selvagem em você se amansa. Mantêm a característica original de felina sem o comportamento arredio e agressivo. Manifesta-se a suavidade felina, não ferina.

Como filha de Deus há sinais de sua inclusão após manifestação anteriormente realizada sobre o sentimento de exclusão familiar e de sentimento de rejeição na sua gravidez.

“Sonho 61 - Ainda assim eu completei a fala dizendo que o caso era comigo mesma, que não era para eu ter nascido... Na vida real eu nunca pensei que não era para eu ter nascido, mas no sonho eu falei isso com tanta certeza que acordei impressionada. Uma pessoa até pode causar a própria morte antes da hora planejada de morrer, mas acredito fielmente que ninguém nasce se não tem de nascer e isso me fez perguntar a mim mesma: teria eu atentado contra minha própria vida ainda na fase uterina? Minha vontade de não existir nessa vida era suficiente para eu pensar que não tinha de nascer? Havia melancolia como se eu houvesse nascido por minha própria imprudência ou insuficiência e agora estivesse pagando um preço condizente com algo que não era para ser. Minha vida soou como sinônimo de castigo.”

O que mostra que o sentimento de exclusão pode estar relacionado à baixa estima, ao papel de vitima incorporado e não à fantasia de rejeição. E agora, neste sonho, o seu registro como filha de Deus, é como sua inclusão e aceitação no grupo familiar, por si mesma, já que voce é que se exclue e se marginaliza. Evento psiquico que muda a sua dinâmica interna, ou é resultante dessa mudança, e altera a escala de valorização em sua relação consigo mesma, com o grupo familiar e com o mundo.

E finalizando com a dança. O prazer aflora e se manifesta em forma da comunhão e sincronia dos conteúdos, a manifestação do comportamento lúdico e pleno, o retrato da celebração da vida.

Para finalizar, sua questão:
Serão esses sonhos verdadeiramente distantes de sua vida real?
-Eu não creio que o sejam.

Bye.

terça-feira, 18 de maio de 2010

A CARTOMANTE



CH 67


Sonhei que estava esperando minha mãe e um grupo de pessoas que consultavam uma cartomante. Quando todos saíram da sala de consulta (que era o quarto dela) eu fiquei chateada por minha mãe ter encerado a mesma sem eu ter ido lá fazer as minhas perguntas. Mesmo assim eu fui. Era muito cedo e ela estava deitada, pois pretendia voltar a dormir. Insisti com ela para olhar minha 'sorte' até que ela aceitou. Após abrir as cartas ela falou várias coisas sobre meu jeito de ser e pedi-lhe para me dizer alguma coisa que eu não soubesse, como por exemplo a respeito do meu futuro. Então ela baralhou as cartas, cortou e abriu-as revelando que dentro do período de um ano eu ia encontrar um homem, ter um filho, mas logo em seguida eu ficaria viúva por causa de um problema de saúde dele, o qual eu deveria me precaver para não me contagiar também, embora aparentemente eu não corresse nenhum risco. Não gostei nem um pouco daquilo e fiquei me questionando se ela poderia ter inventado aquilo só para me falar algo surpreendente. Entretanto, ela não teria nenhum motivo real que justificasse falar algo tão sério e trágico apenas por falar. Ao acordar quase nem quis pensar no sonho, mas depois analisei que, em verdade, essa é a história da minha mãe. Foi então que resolvi lhe contá-lo para assim eu tentar entender o porquê sonhei com isso.

A morte existe no futuro de todos, se isso é tragédia, a vida é trágica por natureza para todos nós.

Se bem entendi sua mãe enviuvou quando seu pai ainda era jovem e as filhas crianças?

No sonho a tragédia não é a morte, mas casar, ter filhos e ficar viúva. Ter que criar o filhos sem a presença do pai, suportar a dor da perda, a solidão, o abandono. Essa é a história de sua mãe e sua, enquanto filha, órfã de pai.

A mensagem sinaliza a possibilidade de você repetir a história de sua mãe, ou repetir sua mãe na tragédia de vida dela? Seria você uma filha viúva? A filha que não se liberta do pai falecido, a filha que se enviúva, solidariamente, como a mãe enviuvada do marido?

Vivências definitivas podem definir a vida de um indivíduo. Neste caso, a sua história de relação simbiótica não completa, pelo seu lado, poderia estar associado a uma relação de compromisso estabelecida com sua mãe, de viver a viuvez dela, como ela, como sacrifício, e tendo em contrapartida uma justificativa para não crescer, amadurecer e se libertar da relação. Neste caso o futuro é apenas a continuidade do presente, ou, sua caracterização, sua consolidação.

Como disse, vivências definitivas podem deixar marcas e medos, assim o sonho pode também refletir seu medo de aprofundar, consumar, estabelecer, no real, uma relação afetiva e amorosa para evitar, por medo, a repetição da história de sua mãe. Para evitar o sofrimento vivido por sua mãe ou o sofrimento de seus filhos como foi a sua dor decorrente da orfandade e da relação não vivida com seu pai.

Neste caso você escorrega das relações por temor de repetir sua história familiar. Deixa de viver sua vida para viver a vida vivida por sua mãe, e a vida não vivida de sua mãe (aquilo que ela deixou de viver), você se priva de suas possibilidades para viver o passado. Aí, podemos compreender um pouco mais a insatisfação e a necessidade de focar vivências grandiosas que possam compensá-la da frustração, e o julgamento crítico que a afasta e a protege dos envolvimentos afetivos.

Obs.: Significações de tarô, não fazem sentido na especificidade do sonho, para considerá-las faça-o dentro da significação do oraculo. Aqui como lá, o sentido é arquetípico. Prefiro não considerá-lo como sonho premonitório e como presumir é especular, o que foge ao averiguável, melhor evitar. 

Reflita. Bye.

GATA BORRALHEIRA


"Cinderella" John Everett Millais (1829-1896)
Oil on canvas, Public collection

CH 68

No sonho seguinte, depois que voltei a dormir, eu estava num apartamento que era da minha irmã. Tanto ela quanto meu cunhado estavam lá e eu fazia um vestido azul para uma boneca Barbie que, provavelmente, deveria ser da minha sobrinha. Meu cunhado saiu para trabalhar e minha irmã também. O clima estava bem ameno, ou seja, não me senti incomodada com nenhum dos dois como se ambos fossem meus amigos, algo que até então nunca senti, principalmente nos sonhos. Surpreendi-me com isso! Eles não me pareceram dois conselheiros críticos (quase insuportáveis) destinados a pegarem no meu pé como até então sempre foram para mim. Eu me sentia relaxada perto deles, o que foi muito bom e, ao mesmo tempo, perante a realidade, me soa como uma incógnita. Ao sair minha irmã recomendou que eu juntasse os lixos e jogasse fora, mas eu estava entretida e afobada com o tanto de coisa que tinha para fazer e não prestei atenção a explicação tão detalhada que ela deu. Fiquei com a recomendação do lixo na cabeça e depois não sabia bem como era para recolher o mesmo. Pensei em juntar tudo num saco só, mas não achei nenhum e logo minha tia (irmã mais velha de minha mãe) apressou-me com a comida. Atarantada deixei o lixo para depois e fui esquentar a comida, mas tendo em mente a preocupação de não me esquecer de recolher o lixo. Coloquei varias panelas com restos de comida sobre as quatro trempes do fogão e mal havia começado a esquentá-las quando o gás acabou. Minha avó sentindo o cheiro do gás comentou que o mesmo deveria ter acabado. Enquanto isso eu desligava todas as chamas já apagadas. Minha avó e tia não estavam na cozinha, mas noutro cômodo, de modo que eu não as via, mas escutava o que ambas conversavam. Interessante que eu não me sentia uma visita na casa da minha irmã e muito menos sentia minha tia e avó como visitantes também. Era como se elas lá morassem e eu fosse apenas uma serviçal da casa, destinada exatamente a cumprir tais funções. Eu tinha aquelas tarefas como minha responsabilidade diária. Relembrando tal sonho sinto o quanto é estranho vivenciar algo tão ilógico. Sei que o inconsciente tem uma linguagem simbólica que mistura as pessoas e situações formando contextos completamente estranhos, mas cujos significados não são estapafúrdios. Pareceram sonhos bons, mas chocantes ao mesmo tempo. Acordei com a firme lembrança do gás acabando e parecia mais assustada em pensar o que isso poderia significar do que com o próprio sonho em si. Não tenho ideia do que meu sonho possa querer me dizer, mas deduzo que não deve ser boa coisa. Ao menos acordei com essa impressão. Ambos os sonhos me causaram uma sensação intrigante. O que acha? Lembrei uma parte do ultimo sonho. Depois do gás acabar, não demorou e minha tia apareceu na cozinha dizendo que seria preciso fazer um 'mexidão' e esquentar no microondas. Eu achei uma boa ideia, pois sempre gostei da praticidade de tal aparelho.

O sonho, não sei bem o porquê, lembrou-me a Gata Borralheira, só faltou o príncipe encantado, o sapatinho, a carruagem. Você brincando de boneca, (qual a idade da sua sobrinha?) concentrada costurando, nos afazeres da casa, o casal indo prá rua, para o mundo, e você recolhendo o lixo e preparando os alimentos, atarefada. Parece estado de fantasia e regressão, ou sinal de não vivido. Solidão, abandono. Mas... Avancemos....

Nada demais nesses afazeres, muito ao contrário são sagrados. Preparar o alimento para alimentar a vida do outro, preparar a casa, para viver bem e com conforto. Mas eles podem sinalizar duas variantes:

1. O movimento pessoal de domínio de sua dinâmica de vida. Cuidar de sua casa, seu templo, sua vida, limpar, eliminar os lixos, os resíduos. Preparar seu sustento; se cuidar; se alimentar. Conduzir a sua vida.

Pessoalmente penso nessas tarefas como essenciais no processo de amadurecimento. Para mim uma pessoa só amadurece quando consegue cuidar de si mesma, e não quando compra esse “cuidar”.

2. Indicação de desgaste, excesso de dever, responsabilidade. Falta de gáz, seria indicação de falta de fogo? Energia? Desgaste? Esgotamento? Há excesso de preocupação? Tensão? Ou é compensação pela ausência de comprometimento com as tarefas do dia a dia?

Para Refletir!


a Borallheira transformada em Rainha

Queen Cinderella - Art Print 
by Howard David Johnson

sábado, 15 de maio de 2010

A DANÇA DO TEMPO II


CH 66


Sonhei que algumas pessoas me explicavam sobre o sono e numa de suas fases, exatamente a do sonho, o individuo era levado a um compartimento redondo com infinitas super dimensões que atraiam situações difíceis que visavam à superação, bem como situações fáceis e agradáveis que serviam de prêmio e conforto meritório perante as superações virtualmente adquiridas. Assim aquela câmara individual interagia com a pessoa que nela entrava para viver os fatos, os quais posteriormente poderiam ser vagamente lembrados em forma de sonhos. Explicaram-me que a função ali era ganhar tempo de superação e interagir com fatos benéficos ao desenvolvimento pessoal (mesmos que sob forma de pesadelos). Os fatos eram divididos em três categorias:

1. Os improváveis de ocorrer na realidade da pessoa;

2. Os prováveis de acontecer futuramente, fosse de forma parecida ou idêntica (este último ligado a pessoas com dons especiais de premonição); e

3. Os impossíveis de se tornarem reais (por irem além das leis físicas).

Seria como viver uma semana de condicionamento emocional e psíquico a cada noite bem interagida naquele compartimento. Ali o tempo se tornava elástico e as projeções multidimensionais vivenciadas eram completamente especificas a cada individuo. Ali era possível sentir dor sem estar de fato ferido, sentir frio sem de fato estar na neve, sentir a água sem de fato estar molhado, etc. mesmo podendo crer piamente estar ferido, na neve ou na água da chuva. A interatividade manipulava a pessoa de forma a fazê-la vivenciar o irreal como sobrenaturalmente real. O esquecimento do que se passava lá dentro ocorria pela grande quantidade de ‘vivência’ tida numa simultaneidade complexa de ser entendida, a qual exigia muita concentração no desenrolar dos fatos, fazendo os mesmos serem rapidamente armazenados após a automação irreal vivenciada, surgindo assim a dificuldade da lembrança consciente.

Sei que passei por muitos sonhos (vivências) dentro da tal câmera ou compartimento redondo e lembro vagamente o conteúdo dos sentimentos aflorados. Acho que a raiva (sensação de estar sendo afrontada) foi à emoção mais sentida, porém não lembro das experiências em si, apenas a última que veio como um desfecho:

eu estava numa esquina segurando um papel que continha a escrita de uma declaração de amor. Do outro lado da rua havia um local de música. Senti vontade de dançar, mas eu estava sozinha e pensei que os homens daquele local (provavelmente um bar dançante) deveriam estar bêbados e os sóbrios deveriam estar acompanhados. A minha melancolia misturou-se ao ambiente que era escuro com a leve penumbra de uma noite de luar. Nisso a cantora saiu na porta e vieram cinco homens com trajes sociais pretos e gravatas em tons de prata, dourado e cobre vindo em minha direção. Eram todos lindos e eu senti-me lisonjeada. Eles atravessaram a rua estando três à frente e dois atrás, andando com classe, ao ritmo da musica. Da mesma calçada donde eu estava, vieram mais dois homens no mesmo estilo. Não houve disputa como se todos soubessem que teriam sua chance de dançar comigo. O que chegou primeiro, por coincidência o mais belo de todos os sete incrivelmente belos, estendeu-me a mão com galanteria e imergidos em profunda magia começamos a dançar. Notei que ele não parecia bêbado, mas dançava de uma forma completamente diferente. Tentava acompanhá-lo e aprender aquele jeito novo e inédito para mim de dança de salão. Não senti constrangida e nem ele pareceu se atrapalhar ou ficar impaciente pelo fato de eu não conseguir seguir seus passos. Era como se nós sentíssemos extremamente honrados em dançar um com o outro, independente da dança em si. Os demais sorriam numa alegria contagiante como se estivessem aguardando cada um o seu momento de glória. Minha auto-estima parecia reluzir interiormente.

Ao fim de cada vivência o pessoal me passava uma espécie de relatório com meu desempenho ou a aprendizagem que eu devia captar, algo muitíssimo interessante.

Como só recordo dessa ultima vivência, a mensagem era: ‘Se você focar a diferença dos passos na dança dos relacionamentos, sentir-se-á inadequada e inferior, mas se souber relevar e aceitar isso (e o mesmo deve se dar por parte do outro), curtirá uma agradável dança, mesmo que cada um tenha seu modo conhecido e preferido de conduzir os passos. Muitos novos aprendizados são bons, mas não são obrigatórios, portanto, não os tema. Não se prive de estar a bailar por conta das diferenças, pois você pode surpreender-se com o que existe por trás das mesmas a lhe favorecer. Também não julgue todos separando entre bêbados ou acompanhados, pois a generalização apressada é sempre uma falsa indução. Sem dúvida, embora eu só recorde isso, acho que foi um dos sonhos mais maluco e maravilhoso que já experimentei de uma forma muito real e ao mesmo tempo conscientemente irreal.

Por que sonhei com isso?

A DANÇA DO TEMPO II


Fred e a gravata dourada, com Ginger

É uma excelente pergunta! Não sei se saberei responder o porquê, posso tentar, mas a mensagem está expressa, e isso é o que importa, essa é a riqueza do sonho. Sua psiquê lhe transmite uma mensagem como um input para que você se reeduque na forma de conduzir, de se relacionar com o mundo, consigo mesma e na forma de usar o filtro de seleção do interesse, suas defesas, resistências, e aprenda a responder de forma mais positiva ao que a vida lhe propõe e não na mesmice e no simplismo de sempre.

Diante de um sonho me coloco como um adolescente experimentando pela primeira vez a descoberta do amor. Para falar a verdade, tenho esta forma de lidar com a vida a cada dia, como um frescor que me predispõe, como uma experiência única, especial, que mesmo repetida nunca será a mesma, mas vivida de outra forma. É assim que estou me sentindo diante de seu sonho.

Alem da mensagem se mostra visível, e possível, outros conteúdos, e outros mais que pela significância, relevância e profundidade as limitações nos impedem tocar.

O sonho posso considerá-lo como um presente pela mensagem transmitida e por acrescentar e agregar saber sobre mecanismos, constituição de diálogo, e pela troca, retorno, ao mostrar a capacidade do inconsciente de interagir com o individuo, de construir um diálogo quando é considerado e respeitado.

Compartilho sua sensação de encanto, pois o percebo e recebo como feed back da dinâmica de seu inconsciente.

O sonho é construído em duas fases: a primeira lhe introduz numa dinâmica em que você se mostra suscetível e conduzível: sua curiosidade e seu interesse voltado para a descoberta do novo definem suas características de seleção e filtros de escolhas. Assim o inconsciente oferece mel para quem gosta de açúcar e carinho para quem demanda carência, carro para quem gosta de engenharia ou velocidade, e por aí. No seu caso parece-me que sua criticidade excessiva só enfraquece a sua resistência e defesa quando encontra o inusitado, o fantástico, o incrível. E a psiquê lhe oferece o fantástico para que sua resistência e defesas reduzidas possam permitir sua fixação de atenção, aumento da capacidade de memória e de fixação da memória, para que a segunda parte do sonho ocorra.

Ou seja, a primeira parte lhe prepara as condições biofísicas para que a segunda metade se realize dentro de condições que você esteja em condições de ser linkada e comunicada do intento do inconsciente.

O sonho pode ocorrer independente do sonhador, seja no processo de reajuste, alinhamento e atualização dos mecanismos biofísicos. Mas quando mudanças de atitude se fazem necessárias no seu comportamento, a partir de seu comando mental, você deixa de ser um objeto passível de mudanças para ser responsável pelos inputs que determinam essa mudança. Neste caso a psiquê precisa dialogar com você, lhe comunicar onde é necessário que você realize mudanças para que interrompa o processo de impedimento, desmobilização e boicote da psiquê na sua busca de transformação ou de realizar seu intento original, aquilo para o qual esta configurada a fazer.

O primeiro caminho que a psiquê utiliza são os sonhos. Quando esse caminho se mostra inviável por impedimento do diálogo, ocorrem as invasões no pensamento. Uma tentativa do inconsciente de interferir no seu comportamento independente da sua vontade, ou sobre o poder de sua vontade, isso ocorre com fluxos de pulsões de impulsos. Se o individuo continua se acreditando superior esta força impulsiva aumenta e invade com mais intensidade e determinação a consciência. E aí... Todo o tipo de desvios e de comportamentos podem aflorar, determinando novos estados de “equilíbrio” mental, de relação com o sujeito (interna) e na relação com o mundo.

Quando o individuo restabelece a conexão cosigo mesmo, abrindo espaço para compreender “o que é este interior”, seu “espírito”, sua “alma”, reabre o dialogo com seu fluxo interior, com essas forças desconhecidas e as invasões na Câmara do Pensamento e da Consciência diminuem reestabelecendo a construção do diálogo através dos sonhos.

Definitivamente, o mecanismo do sonho é de atualização quando só depende de si próprio, da psiquê, e de interação como referência de comando do corpo quando exige sua participação. Caso contrário o sonho como mecanismo não precisaria se realizar, se a psiquê não tivesse o intento de comunicar sua mensagem. Neste caso o sonho seria um mecanismo inútil. Como isso é tolo, não é assim que ocorre, ele precisa lhe preparar, biofísica e mentalmente, para que esteja em condições de participar deste diálogo, e não precise interferir no seu comando de consciência que lhe é primordial e sua única possibilidade de sai da escuridão do tempo, na morada da inconsciência, da prisão do desconhecido.

Deixando de lado o conteúdo como resultante do mecanismo e olhando-o apenas como conteúdo, diria que a primeira parte a psiquê lhe alerta para a importância de diferenciar o real do imaginário e insere uma dinâmica de transmutação e metamorfose da libido. Neste caso a energia acumulada em forma de raiva ou ira se transmuta e pode ser, ou o é, reabsorvida para ser aplicada em ações mais positivas, lúdicas, ou que favoreçam a interação e a inserção no ambiente coletivo, como, por exemplo, a Dança

A ideia do tempo elástico é fenomenal, já me manifestei sobre isto, se não o foi aqui, possivelmente no blog Jornada da alma. Venho escrevendo sobre este fenômeno e o creio magnífico, e para mim definem a forma saudável ou doentia com que nos relacionamos com o universo. Agora aqui não há como avançar neste tema. Mas é admirável esta dica do seu inconsciente. Pensando bem.... uma dica:

Em síntese: É preciso que repense sua relação com o mundo através da dinâmica do tempo, pode haver equívocos nesta dimensão, presença de ansiedade ou ausência daquela que se faz importante, que nos impulsiona para a ação. É necessário que se liberte da prisão do tempo, ou da rigidez que ele favorece. Em princípio reavalie essa sua relação.

Ah! Sonhos premonitórios são bons indicativos de acontecimentos, o que não faz todos os sonhos o serem, o diferencial é a referência de realidade, a fantasia e aprender a lidar com os eventos para desenvolver a habilidade de diferenciá-los, para que não se perca na ilusão do tempo, em Maia.

A dança sempre lhe aparece com uma possibilidade de interação, envolvimento. Ja fez Dança? Danças? gostas? Parece-me que pode ser um elemento forte  para lhe favorecer o equilibrio.
Um detalhe: a mensagem pode ser indicativo de que a forma como avalia seu cenário define o sucesso ou o fracasso de suas relações interpessoais.


Bye

sexta-feira, 14 de maio de 2010

SONHOS E ANÁLISE

Obra de Kiki Smith, Sem título,1993, NY
Quando me propus criar e dedicar parte do meu tempo livre e de estudo na realização deste blog, me propus a dois objetivos básicos:

Um conhecido;

Um desconhecido.

O conhecido, não tinha dúvida, era partilhar com psicólogos e com pessoas que tivessem algum interesse em se embrenhar, no inconsciente, neste matagal tropical constituído de todo tipo fenomenal e específico de habitantes, espécies exóticas, fauna e flora singulares, símbolos e todo tipo de mistério e do desconhecido imaginável e inimaginável num mundo velho novo, misterioso e desconhecido.

Não tive, não tenho e tenho certeza de que não terei, a pretensão de confrontar nenhum tipo de estudioso de áreas afins que se dedicam à análise de sonhos. Isto envolveria muita perda de tempo em batalhas verbais, de significados e de significantes, na busca de entendimento de uma linguagem conceitual em comum, na superação de bandeiras e vaidades, crenças, certezas e defesas. Em síntese, uma batalha sem fim.

O nosso tempo de vida é muito curto para dispreender energia valiosa em tarefas que cabem mais a ideólogos se dedicarem. Minha intenção era mais primária: partilhar 35 anos de estudo e pesquisa na travessia desta mata desconhecida do universo psíquico. Partilhar o pouco que descobri e convidar mentes aventureiras ao desafio de realizar essa travessia de algum lugar, presente, para o insólito que anseia se ordenar.

Pouco é o tempo, nessa modernidade nervosa, que possuímos para passar horas a fio em dedicação e estudo à volumosa e rica matéria acumulada ao longo da formação da civilização humana. E uma dedicação nesta dimensão pode retirar o sujeito da realidade da sobrevivência, e se ele é possuidor de posses que o livrem da necessidade do ganho, ainda pode tirá-lo da realidade dos significados que constituem a vida moderna, pelo mergulho no passado.

Não me identifico com os que fazem leitura e análise a partir apenas do princípio mitológico. A mitologia para mim não é um conteúdo morto que em significado reside no passado. A mitologia para mim se faz vida no dia a dia e se interagirmos plenamente com essa realidade veremos que ela se define no que ainda é indefinível e evoca aquilo que já foi descrito.

Neste aspecto, o estudo da mitologia em todas as culturas, e não apenas na grega ou romana é fundamental, mas pode ser realizado numa prática associada à visão da realidade mítica do presente. Conjuntamente aos poucos. Em comum acordo, um conhecimento completa o outro. Quando vejo eruditos que se envaidecem narrando contos míticos, e associados aos sonhos, pressinto a armadilha de referências importantes representando apenas uma linguagem dissociada da realidade da interpretação ou do seu sentido e significando. Apenas alimento narcísico para o interprete. Sem sentido.

Os SONHOS SÃO A PROVA VIVA DA DINÂMICA DA VIDA, O PASSADO DEVE SER REFERÊNCIA, MAS NÃO PODE SER MAIS DO QUE O EVENTO OU O FENÔMENO REAL, AQUELE QUE TEM SENTIDO POR EXISTIR.

Por isso é que na falta de indicativos do passado, se tivermos a sensibilidade afiada do observador acurado, não perdemos o conteúdo da luz que ilumina a matéria viva dessa mata escura.

E esse se mostrou meu objetivo, a descoberta do sonho como uma realidade presente, pensável, compreensível. Porque o inconsciente busca e anseia compreensão independente da forma ou do revestimento. Ele anseia luz, referência, rumo.