terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

REFLEXÔES SOBRE IDENTIDADE E SEXUALIZAÇÃO


Aquiles Tentando Pegar a Sombra de Pátroclo
Henry Fuseli -Museu de Arte Zurich- XIX


A transmutação do menino em menina, mulher em homem, ou correlatos de transmutação como menina em menino, homem em mulher no Post “Castelo, defesas e Andróginos” pode indicar conceitos formais e rígidos ou aquela necessidade de classificar a ameaça em realidade padrão para se enquadrar no confortável. enquanto vive-se misturado na falta de identidade, como Andrógino. Desta forma a psique se adapta e protege o sujeito de transtornos mentais, Isto é, enquanto se busca o enquadramento numa determinada identidade ou vive-se perdido no conflito da falta de identidade deixa-se de perceber que se vive a androginia de origem. A natureza ambígua de que somos resultados, a múltipla origem. A natureza se aconchega nesta androginia enquanto trabalha para unificar os opostos evitando elevação dos conflitos e consequentemente de polarizações que resultem em configurações desastrosas para os mecanismos psíquicos.

Daí a elevação de defesas e resistências que protejam o sujeito do impacto devastador causado por ausências de referências, exclusões e o não estabelecimento de identidades consistentes. Daí a imagem psíquica ser construída como imagens assexuadas. A sexualidade é apenas simbólica ainda que os orgasmos possam ser reais. O individuo fica protegido na estrutura do narciso que ama seu reflexo.

A identidade não se resolve na mudança física ou material, na natureza imutável de nossa origem, mas na integração entre o masculino e o feminino. A natureza formal seja de preponderância masculina ou feminina se completa na integração dos conteúdos opostos internamente, integrando na unidade as características de um ou do outro sem a preponderância de um sobre o outro.

Escuto transexuais se dizendo internamente femininos, como a justificar em suas intenções de opção sexual. Sem que percebam agem estimulando a preponderância interna de um conteúdo sobre o outro (masculino/feminino), contrariando a necessidade de integração dos opostos internos, que são inevitáveis.

Simbolicamente, masculino e feminino, na psique não são macho ou fêmea. A feminilização ou masculinização no contexto sexual dos conteúdos internos contraria a natureza bipolar da origem, a natureza diferencial e promove o conflito que determina a sexualização conceitual do simbólico.

Como seres transcendentais e simbólicos a natureza física é apenas a singularidade manifesta de uma origem que busca se realizar independente da forma. O individuo de natureza masculina ou feminina que se transveste no oposto, não precisa “Se Sentir” como Mulher ou como Homem internamente, isto serve apenas para o “público” no entorno.

Para manter-se emocionalmente saudável inevitavelmente, o individuo precisa se sentir como individuo, pessoa, um “SER” que antes da sexualidade formal ou informal dentro do social se perceba como um “SER” de múltiplas características em busca da unificação de sua múltipla natureza, que lhe permita a integração plena como singularidade e a sua realização plena como existência.

Tentando ser mais claro:

Podemos projetar no mundo aquilo que desejamos como identidade, a forma que escolhemos como mediadora na relação com o mundo, o projeto que queremos na vida como homem ou como mulher, a compensação ou afirmação do que pensamos ser, e este é um direito inalienável do sujeito como entidade social e coletiva, mas internamente o individuo não precisa se reafirmar de uma forma ou de outra. Ele pode ser apenas o sujeito que simbolicamente escolhe como quer parecer “Ser”, mas trabalhando para não permitir a preponderância interna de uma natureza sobre a outra, já que as duas são essenciais e imprescindíveis. Caso contrário viverá a batalha do tormenta entre ter que se reafirmar como forma sendo bombardeado por conteúdos que em busca de afirmação trabalharão permanentemente para sobrepujar-se ao domínio de outra natureza tão imprescindível e fundamental quanto a si.

Se este movimento de proteção interna não se realizar, pode-se chamar o acontecimento como a sexualização do simbólico, do conceito e da significação do existencial. É querer que o conceito macho ou fêmea, transforme o símbolo sexualizando-o como macho ou fêmea, o que é reduzir a natureza à imagem que a representa. A imagem não pode sobrepujar a natureza, o seu sentido e conteúdo. A imagem interna configura a representação do sujeito e não sua sexualização.

O homem ou a mulher que se transveste de “outro sexo” para realizar o seu desejo ou para atender ao seu conceito, continuam a ser simbolicamente aquilo que sua configuração original definiu como “SER”. Um fenômeno de múltipla natureza que se realizará como unidade na unificação de seus opostos.

Assim, o se permitir homem ou mulher, ou homem e mulher, ou qualquer outro tipo como hoje se experimenta, não transforma aquilo que a natureza do sujeito configura. O individuo para seu conforto poderá tentar ser “um” ou “outro” porque pensando assim se protege, se defenda e se conforta num modelo padrão onde se assume nos seus desejos e na sua tribo, e naquilo que se permite ser. Mas essencialmente continuará a ser aquilo que todos somos:

Seres originados do masculino e do feminino, de natureza dupla, ambígua que nos impõe a tarefar de unificar para que rompamos a dualidade dessa natureza ambivalente.

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SEIS – O MATRIMÔNIO PERFEITO




Eu estava num castelo enorme e procurava por um banheiro. Ao caminhar por um dos longos corredores topei com três meninos que me pediram para tirar uma foto deles. Enquanto um dos garotos foi colocar o filme fotográfico (a máquina não era digital), outro muito travesso colocou a mão nas minhas costas, dentro da blusa, e desabotoou meu sutiã. Eu poderia me sentir envergonhada e depois de tirar a foto fazer de conta que nada acontecera, mas eu tive atitude, me voltei para ele e ordenei-lhe que abotoasse novamente o meu sutiã. Assim ele fez e quando me voltei para trás era uma menina que ali estava. Admirada e feliz eu abracei-a levantando-a nos meus braços e dei-lhe vários beijos no rosto deixando marcas do meu batom preto em suas bochechas. Enquanto voltava a colocá-la no chão, comentei sobre a marca e perguntei se ela queria que eu apagasse, mas ela quis ficar com as mesmas. Então expliquei-lhe sobre a cor preta. Disse-lhe que cansara das cores tradicionais básicas e suaves. Daí o fato de estar com unhas pretas e usar batom tão escuro também. Era como se eu quisesse explicar-lhe que eu era grande e podia usar algo que ela (enquanto criança e não cansada como eu do tradicional) não podia. Nisso resolvi levá-la em casa e o fiz dirigindo um veículo, mas não lembro muito bem dessa parte, pois meu foco estava na paisagem: passávamos entremeio a muitos castelos (parecia estar dentro do cenário de um vídeo-game). Consegui deixá-la próximo a sua moradia sem correr perigo de seu bravo pai ver que ela havia saído e estava até então com uma presença masculina. Sim, eu acabara de me transformar em um jovem rapaz muito apaixonado. Nisso fui pego de surpresa quando vi seu pai saindo de uma casa (talvez fosse um castelo mais simples) bem atrás de mim. Minha reação pareceu surpreendente: eu corajosamente disse que desejava falar com ele e então fui recebido em sua casa. Minha avó estava deitada lá dentro. Nos sentamos e minha avó se transformou numa mulher bem mais nova. Então eu revelei para ambos que eu ia me casar com a filha deles (creio que disse o nome da jovem), mesmo que isso fosse a última coisa que eu fizesse em vida. Falei mais alguma coisa, mas não recordo. Enquanto eu falava a mulher, que parecia muito minha amiga, falava junto comigo como se entoássemos o verso de um poema. Ela claramente aprovava o casamento. Não fiz nenhum pedido ao pai dela, eu simplesmente comuniquei minha intenção de casamento e expressei meu amor. Eu realmente estava disposto a tudo pelas minhas boas intenções. Ao final eu chorava emocionada e havia me transformado no ator Nelson Xavier. Nisso a mulher comentou que eu não havia seguido o conselho dos seis, mas havia interpretado a informação de cinco (isso foi algo que não entendi). Logo em seguida eu acordei.

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CASTELO, DEFESAS E ANDRÓGINOS
Seios – símbolo de proteção e de medida. Medida de líquido (leite), medida de comprimento. Associado ao princípio feminino, à medida no sentido de limite em oposição ao princípio masculino sem medida, sem limites limite, sem medida. É a manifestação suprema da maternidade, como proteção, recursos e afeto. O lugar do repouso ligado à fecundidade realizada, origem do primeiro alimento, associado à intimidade, à oferenda, dádiva fecundante de vida e refúgio.

Castelo - É o símbolo de proteção, de poder e de segurança no mais alto grau. Localizado no alto dos morros possui acesso difícil por isso pode ser considerado como uma “ilha” de proteção e de isolamento.

O castelo negro é o castelo perdido, o desejo condenado à insaciedade eterna, imagem do destino marcado, do inferno e do lugar da alma penada e solitária. O castelo branco representa o oposta é símbolo da realização.

O SONHO

A sua natureza mental continua a focalizar a necessidade de registro da imagem vivida. É preciso aliviar essa tensão resultante de necessidade de registro e aumentar a confiança interna de sua natureza seletiva e memorizadora. Essa característica pode ser compensadora de sua dificuldade em renunciar a lembranças “negativas” registradas na história de sua vida. É preciso abrir mão, não das lembranças, mas das mágoas e ressentimentos originadas no passado.

O inconsciente te desafia mostrando-lhe que é portadora de seios, portanto de natureza maternal e feminina mas você teima em se apresentar como homem belicoso e poderoso justificada em sentimentos, afetos e em passionalidade.

A dinâmica psíquica por outro lado indica que o movimento é de integração dos opostos, ou da necessidade de realizar essa integração entre masculino e feminino.

“Eu realmente estava disposto a tudo pelas minhas boas intenções. Ao final eu chorava emocionada e havia me transformado no ator Nelson Xavier.”

O choro compensa e alivia a tensão das elevadas polarizações internas, ou conflitos, mas as boas intenções não justificam os equívocos que determinam o destino e encaminham o sujeito para o inferno. E o inferno está cheio de bem intencionados. Por isso cuidado com as “bandeiras”, empunhar Porta Estandarte pode ser apenas mais um equívoco de boas intenções que escondem atuações teatrais, fantasiosas e representação e intenções disfarçadas, em geral espelho de vaidades.

A mensagem pode estar ao final do sonho

“... a mulher comentou que eu não havia seguido o conselho dos seis, mas havia interpretado a informação de cinco (isso foi algo que não entendi).”

Uma coisa seria o “Conselho dos Seis” e outra seria o “Conselho do Seis”

Cinco – Símbolo do homem, da saúde e do amor, da vida manifesta. A quintessência atuando sobre a matéria. Os quatros membro regidos pelo quinto, a cabeça. União do principio celeste (3) com a Magna Mater (2). Número da existência material e objetiva. Número da individualidade, exprime a ação, o ato e não o estado. Símbolo da ordem e da perfeição da vontade divina. O espírito domina os elementos.

Seis – representa a oposição da criatura ao criador, em um equilíbrio indefinido. Essa oposição pode indicar apenas uma pequena distinção que se transformará na origem de ambivalências. União do fogo e da água. Para os gregos representa o número hermafrodita. Número do término do movimento. Na bíblia, em apocalipse é citado como o número do pecado. Para alguns analistas ele é o número do homem físico sem o seu elemento salvador, sem seu lado supremo que o conecta com o divino. Na idade média era consagrado à Vênus/Afrodite, deusa do amor físico. O número mediador entre o princípio e a manifestação.

A indicação sequencial mostra que há etapas na dinâmica psíquica que estão sendo pontuadas dentro de ciclo predefinido. Você atinge o nível cinco, meio do caminho, tempo de construção da individualidade, mas precisa romper o sexto estágio que ainda não foi compreendido ou considerado.

Ao considerar a simbologia do seis pode-se pensar no confronto dos opostos, etapa de conflito e de ambivalência entre naturezas que precisam ser superadas. Então é o estado dos conflitos que solicita a síntese, a integração para romper a polarização. Por isso simboliza o equilíbrio, representa o dogma da analogia, o axioma gravado por Hermes em “A Tábua de Esmeralda” “O que está em cima é como o que está em baixo”.

Este é o estado em que não superou. A compreensão da dualidade, do bem e do mal. Após a chegada do filho de Deus é hora de superar a dualidade e atingir o Matrimônio Perfeito.



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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

PENTAGRAMA E HEXAGRAMA


PENTAGRAMA

O pentagrama, uma estrela de cinco pontas feita com um só traço. Este sinal, como outrosaqui representados, pertence aos tempos mais primitivos da Humanidade e por certo é muito mais antigo do que os caracteres escritos. Sinais deste tipo são positivamente dos mais antigos documentos humanos que possuímos. O pentagrama tem tido várias significações diferentes em diferentes momentos da história do homem. Os pitagóricos chamavam-no penta-alfa e os sacerdotes celtas, "o pé da feiticeira". É também o selo de Salomão, conhecido na Idade Média como a cruz dos duendes. O sinal também representa os cinco sentidos; os princípios masculino e feminino também são transmitidos pelo arranjo das cinco pontas. Entre os druidas, era o sinal da Divindade, e para os judeus significava os cinco livros Mosaicos. É crença popular que este sinal dá também proteção contra o demônio e, por analogia, é símbolo de segurança. Acredita-se também que ele propicia uma acolhida feliz, daí seu emprego como amuleto. Nos tempos antigos, era, entre os babilônios, um talismã.

O HEXAGRAMA
O triângulo é um antigo emblema egípcio da Divindade e também o símbolo pitagórico da Sabedoria. Na Cristandade, ele simboliza a tríplice personalidade de Deus. Também, em contraposição ao símbolo seguinte, ele é outro sinal do elemento feminino, que, firmemente baseado em questões terrenas, anseia, porém, pelo que é mais elevado. O feminino é sempre terreno em sua concepção.

Por outro lado, o triângulo apoiado em seu ápice é o elemento masculino que, por natureza, é celestial e busca a verdade.
  

















Agora, as duas figuras começam a mover-se na direção uma da outra e, ao se tocarem seus ápices, formam outra figura, de aparência inteiramente nova; contudo, nenhuma das figuras originais sofreu qualquer alteração ou interferência.

Porém, quando se interpenetram, a natureza de ambas é fundamentalmente alterada e, como se vê, oblitera-se, por assim dizer. Uma figura complexa e inteiramente simétrica é formada, com novas e surpreendentes seções e correlações, correlações, nas quais seis pequenos e distintos triângulos se agrupam em torno de um grande hexágono central. Surgiu uma bela estrela, mas, quando a examinamos, vemos que os dois triângulos originais ainda conservam sua individualidade. Assim sucede quando um matrimônio perfeito une Homem e Mulher.

Para os judeus, é a estrela de Davi.

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sábado, 5 de fevereiro de 2011

LIBERDADE E TOTALIDADE PESSOAL





Creio que o sonho dessa noite foi uma resposta do meu inconsciente a respeito do sonho passado sobre “anorexia afetiva”. Eu estava junto com um homem, o qual me mostrava algo que não lembro o que era, quando o carro dele estilo Kombi começou a andar sozinho. Como se o veículo estivesse desengatado ele saiu correndo atrás do mesmo e chamou-me para ajudá-lo, mas eu fiquei quieta, sem reação, pois sabia que não ia conseguir parar e segurar o mesmo (seria um pré-julgamento?). Depois de algum tempo ele voltou num outro carro e comentou que tudo tinha acontecido dentro do tempo certo. Ao escutar isso eu desconfiei que tudo fora armação, que ele deixara o veículo aberto para o mesmo ser roubado e assim poder conseguir outro com o seguro (seria um segundo pré-julgamento?). Pensar nisso me fez ter medo do sujeito e saí correndo com medo que ele viesse atrás de mim . Além de sentir-me usada para um plano escuso, também senti-o como um perigo, pois ele poderia voltar-se contra mim ao constatar que eu não aprovava sua atitude (terceiro pré-julgamento?). Conforme corria, o medo foi se tornando tão intenso que por fim comecei a voar. Quando parei estava perto de uma fileira de caminhões. Enquanto tentava entender o que se passava naquele local interditado, também analisava (ou será que tentava me auto-justificar?) tudo o que acontecera comigo. Lembrei que estar com as pessoas era algo sem-graça. disse comigo mesma que antes negar-me aos outros do que ser derrotada pela insatisfação de não sentir-me bem perante os relacionamentos, as amizades e as vivências humanas de modo geral. Não senti que essa insatisfação estivesse ligada ao fracasso de não ser semelhante a uma idealização sociável de mim mesma, mas sim um desgosto causado por não ter afinidade com os outros, por não achar divertido estar com as pessoas. Eu preferia ser esquiva a ter que me frustrar passando por situações desagradáveis, pois esse é o sentimento que geralmente sinto em companhia alheia: desconforto.

Estaria meu inconsciente apenas reforçando a resposta e o entendimento de que o constrangimento que sinto é o julgamento que realizo, é a severidade e o padrão classificatório que aplico ao coletivo, é o despreparo e a insegurança pra lidar com a imprevisibilidade? Mas como fazer se isso parece sempre ser mais forte do que eu?

Na relação com o mundo, apartir da construção do Eu, a justificativa funciona para todo neurotico como referência para atitudes que ampliem o conforto nas relações sociais. Assim o mentiroso encontra justificativas para mentir, o rato encontra justificativas para roubar, o assassino para matar, o oportunista para aceitar o assédio do corrupto, o imoral para transgredir,etc.

A justificativa tambem funciona como referência na construção da pessoalidade para a criação de defesas e resistências que protejam o sujeito de ameaças, distanciado-o da frustração. Em geral o limiar de resistencia à frustração é reduzido, em decorrência de hipersensibilidade ou de fragilidade emocional originada na imaturação neuropsiquica.

No seu caso existe tendência, e já comentei aqui, de predefinir os acontecimentos, antes que ocorram, para se precaver de frutrações e a sua justificativa é sempre a insatisfação de ter que conviver com o incômodo de relações que a “desagradam”. Há justificativa para proteger a individualidade que é ameaçada pela frustração de viver aquilo que não quer ou a expectativa que não se realiza.

É possivel que a frustração tenha se elevado a níveis de sofrimento quando voce passou a ser controlada e dominada na adolescência. Você “engoliu” o martírio de ser controlada pelo outro mas decisivamente rejeitou a submissão se tornando “Mal Criada” e evitando as situações que não atendiam sua expectativa severa e exigente.

Voce caiu na sua armadilha. Tentando se agarrar na sua suposta individualidade passou a se castrar antes que os outros o fizessem. E deixou de aceitar que todo processo de socialização é castrador. Que a maioria se submete a esse processo. Nos adequamos para que adaptados na sociabilidade possamos conquistar instrumentos que nos permitam reconquistar a Liberdade da natureza selvagem que impera no interior do ser.

Essa liberdade é possivelmente a grande reconquista do homem socializado. Está além de qualquer tipo de poder social, posses materiais ou fama. É a liberdade de poder transitar dentro do coletivo estando resguardado, com autonomia plena de sujeito, singularidade, individualidade.

A armadilha fez você renunciar ao que é inevitável: a interação, a relação com o coletivo. Há um momento em que isto é possível ao individuo liberto, se libertar do coletivo. Mas a conquista da libertação do coletivo é dada ao agraciado que conquista a liberdade do individual. E a liberdade do individuo se conquista através do sacrifício da entrega ao coletivo, à socialização que a civilidade exige.

Nos casos patológicos os que, não aceitam esses principios, seguem os caminhos da psicopatia, se perdem ao redor de seus anseios de centros deformados de carater, anseios de domínio, de ilhas absolutas de centro do mundo.

O sujeito egocentrado se entrega apenas à satisfação do desejo pessoal, nada oferece ao coletivo, nem mesmo a presença, a companhia, o compartilhar. Dessa forma suga o coletivo sem nada a oferecer. Seu castigo paradoxalmente é o aprisionamento no outro, no coletivo. Deixa de encontrar a liberdade pessoal, e não é libertado do coletivo.

Quando o medo supera seus limites, o voar, a ilusão, se torna a compensação da libertação, posto que o aprisionamento sufoca sua existencia.

Estaria meu inconsciente apenas reforçando a resposta e o entendimento de que o constrangimento que sinto é o julgamento que realizo, é a severidade e o padrão classificatório que aplico ao coletivo, é o despreparo e a insegurança pra lidar com a imprevisibilidade?

Reforçando a mensagem de que o constrangimento é resultante de confusão conceitual, conflito entre o desejo de inclusão e o desejo de exclusão. É o ritual do sacrifício de se punir, punindo aqueles que te castraram e a “obrigaram” a renunciar ao projeto de autonomia pessoal. Projeto que se deforma no capricho de não se permitir socializável. O projeto pessoal se transforma em conteúdo autônomo revestido de orgulho, capricho, ressentimentos, competitividade, amor próprio, vaidade, petulância, ou como conteúdo inferioridade se compensando como superioridade, atuando e conduzindo seu comportamento.

É a rebeldia para não se entregar ao inevitável: o partilhar coletivo.
A ilha se constrói, mas não se basta.

Mas como fazer se isso parece sempre ser mais forte do que eu?

Dirigindo seu veículo, sua Kombi. O termo Kombi é originário do alemão Kombinationfahrzeug que quer dizer veículo combinado. Combina carro de passeio e utilitário. Mas seu veículo Kombinado está sem motorista, sem condutor, e desce a rua comandado pelas forças que atuam na naatureza.

A pulsão interior, originária de conteúdos inconscientes penetra na área de transferência e conduz o sujeito já que o individuo não tendo consciência acredita que tudo o que ocorre dentro dele é ele. Ele passa a ser conduzido por conteúdos autônomos do interior que tem vida própria, mas como não é capaz de se distinguir passa a ser resultado de sua sombra, deste lado obscuro do inconsciente.

O caminho é a consciência. A partir das pequenas escolhas focar a consciência, fortalecer a compreensão, assumir o comando da vida referendado em princípios que favoreçam distinguir comandos de comportamento pessoal e comandos de conteúdos internos de origem desconhecida. Isso permite a diferenciação interna entre o Joio e o trigo, atuando na dinâmica psíquica e é um longo trabalho de paciência e humildade, de vigilância e determinação. Caso contrário é seguir pelo caminho da indiferenciação, o caminho do simplismo, onde o individuo se consome fortalecendo seu ego e enfraquecendo seu espírito. Seu domínio.

Esta, possivelmente, é a tarefa mais árdua do ser humano, se constituir individualidade estruturada, em pleno domínio de si mesmo, de seu mundo interior e na forma como estabele as relações com o mundo. Hoje em dia, as pessoas por se acreditarem indivíduos constituídos de um “nome” e um número de identidade se pensam individualidades formadas e bem constituídas quando na verdade se dedicaram apenas a estabelecer um projeto idealizado de individualidade, sem nem mesmo se distinguirem internamente como personalidades bem constituídas. Se acreditam fantásticas porque se pensam maravilhosas, se idealizam perfeitas. Se satisfazem com o projeto que idealizam acerca de si e acreditam que isso é o bastante e porque mentem acabam acreditando nas mentiras que criam.

O SER HUMANO TECE A SUA TEIA

ENQUANTO SE ENREDA NELA.



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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

CONSCIÊNCIA DESPERTA




Mais uma vez estava eu na chamada “paralisia do sono” (andei pesquisando sobre isso). Creio que isso acontece quando estou com muito sono ou quando começo a dormir de barriga para cima (geralmente quando deito para descansar ou meditar, mas sem a intenção de dormir). Dessa vez eu tinha consciência de que estava dormindo, mas não tinha consciência de que estava sonhando. Eu queria acordar, não conseguia mexer nem um dedo, sentia-me prestes a ficar sufocada e acreditava estar espiritualmente fora do corpo, ou seja, estar presente na realidade através de uma outra dimensão dos sentidos. Só que eu estava apenas sonhando.

Então sonhei que havia um ninho de aranhas venenosas em baixo da cama e eu precisava acordar antes delas subirem em mim. Tentei gritar, mas a voz não saía. Psiquicamente (não sei ao certo como explicar) eu me mexia com desespero, mas isso não causava movimento no corpo em si. Depois veio minha mãe com o celular que estava pegando fogo. Ela precisava da minha ajuda, mas nada me acordava, sendo que fora da dimensão física corporal eu me sentia completamente acordada. Eu permanecia conscientemente acordada, mas sem a percepção de que todas aquelas situações e acontecimentos dramáticos eram ilusórios, irreais, meramente oníricos.

Esse sonho parece um bom contraste com aquele outro donde eu sabia estar dormindo, sabia estar apenas sonhando e tinha não apenas consciência, mas também certo controle, tanto que fui brincar com um gato. No desfecho eu relaxei e creio ter entrado em sono mais profundo, mas ainda assim, depois de pouco tempo acabei acordando. Tais tipos de sonho outrora seriam chamados de pesadelo, mas agora sinto que aos poucos vou aprofundando neles de maneiras diferentes e por vezes penso que falta-me algo (talvez não desesperar) para conseguir adentrar em sonhos lúcidos de forma mais amena.

Qual a real importância de sonhos lúcidos?

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CATALEPSIA PROJETIVA

Vamos por partes, só para não confundir. Toda ocorrência humana dentro ou fora do padrão envolve estudos e concepções médicas já que o homem é o seu objeto de intervenção. Assim, como fenômeno patológico abordado do ponto de vista biológico, não me cabe abordar a Narcolepsia e a variante sintomática de conceito médico-biológico da paralisia do sono, o que foge da minha formação, competência e direito de abordagem.

Posso abordar o fenômeno através de leitura simbólica do psiquismo no fato e avançar na compreensão como fenômeno de estudo Projetivo que envolve, não a área de projeciologia que é abordagem não psicológica, mas a abordagem que engloba o psiquismo do homem como um fenômeno existencial, de natureza biopsicofísica multidimensional.

Tenho a tendência natural de me desvencilhar de concepções médicas já que a psicologia me faculta uma vastidão conceitual com a qual me identifico plenamente. Nas áreas de fronteira prefiro a cautela.

A indução consciente da projeção é uma técnica para entrar em um estado de sonho lúcido ou projeção da consciência, utilizada sécularmente por culturas ameríndias, africanas e asiáticas. E originadas a partir de ocorrências naturais nessas culturas milenares.

Como fenômeno sempre despertou a curiosidade e o interesse de grupos humanos como instrumento de “conhecimento” e saber.

Se houver indicativo de patologia cerebral ou disfunção, o caminho é procurar um atendimento médico.

Já tive oportunidade de abordar as diferenças entre o “Tempo Psy e do corpo” e o “Tempo” social do homem moderno.

A vida moderna nos induz a pensar num tipo de vida humano dissociado do universo e até mesmo do corpo. A mente veloz, a velocidade das comunicações, dos veículos, os hábitos, a aceleração física, a ansiedade, a impaciência, etc, levam o ser humano a acreditar que a máquina corporal é “sem limites” como as máquinas que constroi para seu conforto. Dessa forma passa a crer que o seu “Tempo” mental define a sua vida, sua ação, seu poder sem saber que até um “certo” momento o corpo acompanha mas a partir do momento em que são rompidos os limites, os sistemas orgânicos se alteram em seus ciclos, rítmos e frequências. São desconfigurados e reconfigurados dentro de nova ordenação, passando a funcionar em novas dinâmicas em disfunção.

As consequências podem ser inumeráveis e imprevisíveis.

Na sua vida,  a forma como funciona diante das exigências do mundo, ou como lida com a capacidade de excitabilidade, a hiperatividade pode deixar de lhe permitir o necessário repouso e sono profundo, induzindo-a a estados de consciência associados à compulsão, decorrentes de elevação da excitação, polarização, possibilitanto, consequentemente, um afloramento de consciência  no estado de sono profundo, a vivência de corpo adormecido e consciencia desperta, fenomeno comum em estágio anterior ou posterior à projeção do corpo astral.

Se a psique está em estágio de sono REM, condição de sonhos, a consciência pode experimentar um realismo hiperfantástico, ou projeções de imagens que podem ser compreendidas como “alucinação”.

Neste estágio o corpo experiementa o relaxamento mais profundo, está naturalmente fora do controle psiquico e além do poder da “vontade”. Se você “acorda” a consciencia, ou se a consciência “desperta” ela não tem o poder de mobilizar nenhuma parte do corpo. Não esqueça, a mente desacostumada e controladora pode entrar em Pânico com a falta de “Controle” na situação.

Como o tempo interno difere do conceito do tempo externo um ou dois segundos pode aparecer como “Sem Tempo”, uma eternidade, o apego ao “controle” ao corpo, à materialidade assim como a ansiedade, a impaciencia podem tornar a experiência natural como assustadora ou angustiante.

Portanto, cuide de sua ansiedade e se aplique nos estados de meditação profunda para desenvolver suas experiências noturnas.

Qual a real importância de sonhos lúcidos?

Têm a importância que você estabelecer.

Eles são um portal de consciência amplificada para que possa se conectar neste mundo com novas formas de experimentar a existência. A experiência pode favorecê-la a desenvolver a disciplina, o controle mental, o conhecimento acerca de si mesmo, o aumento da resistência mental, a descoberta de seus potenciais de força, o desenvolvimento da percepção, a ampliação de padrões de consciência que lhe possibilitem se relacionar de forma mais inteira com o mundo, etc.

Mas importância é uma questão relativa. O sujeito estabelece prioridades e dá importância aos seus objetivos.

O que tem importância nesta vida?

O amor? A afetividade? O poder político? A fama? O dinheiro? A família? A segurança? O conforto? Amizades? Riquezas? Tranquilidade? Saúde? Nada disso?

O que é importante nesta vida?

Princípios? Moral? Verdade? Honestidade? Ética? Consciência? Consciência Amplificada da existência?

Qual a real importância dos sonhos lúcidos? Nenhuma! A possibilidade de transitar em outras dimensões? Prá que?

Penso que você tem o direito de descobrir e de se responder.

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CONSCIÊNCIA DESPERTA





“Então sonhei que havia um ninho de aranhas venenosas em baixo da cama e eu precisava acordar antes delas subirem em mim. Tentei gritar, mas a voz não saía. Psiquicamente (não sei ao certo como explicar) eu me mexia com desespero, mas isso não causava movimento no corpo em si. Depois veio minha mãe com o celular que estava pegando fogo. Ela precisava da minha ajuda, mas nada me acordava, sendo que fora da dimensão física corporal eu me sentia completamente acordada. Eu permanecia conscientemente acordada, mas sem a percepção de que todas aquelas situações e acontecimentos dramáticos eram ilusórios, irreais, meramente oníricos.”

Sonhos são assim, a cada noite nos mostram que a realidade em que vivemos é relativa. Só nós não o somos, ainda o sendo como finitos.

Você tinha a consciência de estar acordada, mas não tinha a consciência diferencial entre o sonho, a alucinação e a realidade. A sua consciência era parcial por que não há diferença de realidades ou pelo limite da experiência?

O sonho pode ter ocorrido num intervalo de tempo fundamental para que você pudesse de forma integral memoriza-lo. Você foi “acordada” porque precisava memorizar o sonho, ver o sonho acordada para não esquecê-lo. O inconsciente queria que você visse o sonho

Na necessidade de ser protegida você se angustia querendo proteger. Você é filha em busca de proteção ou se arvora em ser mãe da sua mãe?

O telefone é a possibilidade de comunicação entre mãe e filha. Será que a falta de comunicação angustia a mãe, o instrumento se queima por que o diálogo inexiste? Enquanto você sofre as ameaças das aranhas venenosas.

Em sonho anterior veja o sentido de aranha, no Indicador Temático ou click


Mas nesse sonho, o que salta são as aranhas venenosas, portanto agressivas e pode-se associar a ameaça, a agressividade como conteúdo que existe entre você e sua mãe e que dificulta a comunicação?

O comportamento agressivo te angustia, porque você projeta veneno na relação? E isso dificulta a comunicação de sua mãe para você?

Reflita!

CONCLUSÃO

Você foi acordada num momento de relaxamento profundo, num dia em que o corpo mais cansado estava mais “ausente” E o inconsciente te acordou. Você experimenta a imobilidade, a incapacidade e a impotência de acionar através da vontade o domínio do corpo.

Mas o importante pode ser o sonho, a mensagem de que existem duas mulheres angustiadas que não conseguem se comunicar, ambas se necessitando. Você precisando da blindagem protetiva materna, e a mãe precisando de paz por te saber bem diante da vida, mas sem instrumento para chegar até você. A responsabilidade pode ser sua. É de quem descobre primeiro o nó. Procure-a, busque a proximidade e lhe dê chance para proteger e mostrar-se sua mãe.

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

ISOLAMENTO





Eu varria o quintal quando escutei algumas pessoas falarem mal de mim na casa da vizinha. A situação já estava me deixando irritada quando a dona da casa me defendeu dizendo que eu tinha família para se preocupar comigo (algo que eles não precisavam fazer) e que eu já era bem grande para saber o que fazia, para tomar conta da minha vida. Ela disse isso sem opinar sobre o assunto que comentavam, algo que não lembro a que se referia. Eu não importei com as críticas ou julgamentos em si, mas estar na boca dos outros me incomodou e irritou tanto que, logo depois, quando terminei de varrer o quintal e fui almoçar, minha mão tremia bastante. Eu não fiquei apreensiva com o quê falavam, mas sim com o objetivo fatal daquela conversa que seria tentar mudar-me.

Geralmente meu desconforto quando escuto alguém falar mal de mim é esse: a sensação de perigo por indiretamente quererem me controlar, dar jeito em mim, influenciar minha opinião e atitude para que eu decida estabelecer a vontade alheia e não a minha própria. Não sei se isso é um pré-julgamento de rejeição alheia que costumo fazer em situações do gênero, mas geralmente quando falam mal de mim a intenção maior é provocar posteriormente um confronto direto, algo que sempre costumou me abalar, me fazer sentir ameaçada, menosprezada e desrespeitada.

Venho conquistando o meu direito de ser o que sou enquanto cumpro o dever de respeitar o que os outros são. Sinto que aos poucos, aumentando gradualmente a auto-estima, o desalento vai diminuindo independente de haver confronto ou não.

De todo modo, o sonho pareceu-me claro ao mostrar que no fundo ainda existe sim uma boa cota de desconforto a ser superado. Há partes conflitantes dentro de mim?

A mulher que me defende, assim como os críticos, seria também uma projeção minha?

Esta parece uma tônica em sua vida a partir da infância sob o domínio da mãe e da adolescência sob o domínio da irmã. Você submetida ao severo comando de autoridade familiar decorrente da necessidade da família frear o comportamento impulsivo ou a autonomia que se desenhava caótica:

“...escutei algumas pessoas falarem mal de mim na casa da vizinha. A situação já estava me deixando irritada quando a dona da casa me defendeu dizendo que eu tinha família para se preocupar comigo (algo que eles não precisavam fazer) e que eu já era bem grande para saber o que fazia, para tomar conta da minha vida.”

Frente à dificuldade em controlar comportamentos fora do padrão de limites aceitáveis, os mais velhos tendem a promover o medo à rejeição, à critica, ao julgamento alheio, focando o individuo no medo de se submeter à condenação externa.

As técnicas de controle social incentivam esse medo associado ao que o outro vai pensar, dizer, comentar, julgar e condenar. Dessa forma direcionam a atenção do individuo para o outro. Retiram o sujeito dele e o lançam no espaço da ilusão, de Maya.

Ao invés de desenvolver no sujeito a consciência e o senso de civilidade que nasce da sociabilidade, o respeito aos direitos alheios que nasce no respeito a si mesmo como Ser vivo, a compreensão dos limites necessários na conduta social e a forma de estabelecer relações, o discernimento entre os opostos e aprendizagem para atuação nos cenários coletivos, o treinamento para o desenvolvimento das relações formais e privadas, as pessoas simplificam e ensinam pelo estímulo negativo, induzindo o medo de rejeição, de exclusão e condenação social, ensinam o ego Centrado no outro compensado na vaidade e no narcisismo, no distanciamento afetivo e no conceito do mundo girando ao redor da personalidade centralizadora.

A formação castradora sofrida leva ao desenvolvimento de transferências negativas em relação à origem da castração sofrida e de quebra à rejeição do coletivo. Você se submeteu à castração social, mostrando submissão, mas passou a rejeitar a família pela castração e a sociedade pela representação, interferindo decisivamente e dificultando a formação e a construção de relações afetivas autênticas que lhe permitissem a interação com os grupos pelos quais passou. Essa foi a escolhida nascida no orgulho ou na presunção compensatória de superioridade.

A individualidade castrada se vinga castrando e rejeitando o externo, ainda que esse externo seja a referência da expectativa de vida e seja a punição que se impõe como sacrifício, oferenda e renúncia.

A individualidade sacrificada não se realiza, ou só se realiza no ritual de sacrifício. Sente a ameaça e o perigo pela condenação. O outro passa a ser tão importante que enquanto foges para não sofrer o impacto da condenação invasiva deixa de perceber que já sofreu invasão perdendo o fluxo natural das relações afetivas e fraternas advindas do sentido de coexistir no coletivo.

Neste momento o destino já predefinido, coloca-a na busca de si mesmo na tentativa de reencontrar o eixo da vida. Mas é preciso resignificar os conceitos que definem a sua disponibilidade nas interações coletivas.

“Venho conquistando o meu direito de ser o que sou enquanto cumpro o dever de respeitar o que os outros são. Sinto que aos poucos, aumentando gradualmente a auto-estima, o desalento vai diminuindo independente de haver confronto ou não.”

Sua reflexão é perfeita! Esse direito é uma conquista associada ao respeito pelo direito alheio. O seu momento não é de “ilha”, mas de vivenciar o que não foi vivido até hoje. Como pessoa, encontrando outras pessoas. Como diferente encontrando outros diferentes. Como navegante encontrando outros navegantes.

Sem medo de encontrar a crítica, o julgamento dos que se acreditam superiores, a condenação dos invejosos, a maldade dos miseráveis entrevados. Mas com esperança de encontrar seus iguais, sua tribo com quem poderá compartilhar o melhor de sua vida.

Há partes conflitantes dentro de mim?

Grande probabilidade! Os opostos ainda atuam.

E a mulher que te defende, mostra que existe um novo velho caminho para tratar as diferenças. O respeito! Ela já existe dentro você e se torna referência de condução da sua dinâmica psíquica.

Ψ

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

PERSONA




Persona é o termo derivado do latim para a máscara usada por atores na época clássica, daí referir-se à máscara que um individuo constrói para se relacionar com o mundo.

Já escrevi que a consciência media a relação do inconsciente com o mundo, mas essa mediação se realiza inicialmente através da construção da persona que espelha o processo de sociabilização e de idealização do sujeito com o mundo.

Para Jung A Persona é um arquétipo significando que existe uma inevitabilidade e ubiquidade para a “persona”. Ubiquidade é a qualidade daquilo que pode estar presente em vários lugares ao mesmo tempo.

Na vida social existem exigências que favorecem o intercâmbio, que funcionam como identificadores que aproximam os indivíduos na formação de tribos e grupos, esta é a função da persona. A persona pode ser indicada como “arquétipo social” envolvendo todos os facilitadores próprios para se viver em comunidade, estas referências variam de em culturas e se transformam com o tempo.

A persona não deve ser entendida como uma manifestação patológica ou falsa. O risco patológico resulta de uma identificação exclusiva da pessoa com sua persona. Isto resulta de falta de consciência do individuo inflacionando o papel social (advogado, político, cantor, ator, médico, empresário), do papel sexual (mãe, pai) e falha no processo de desenvolvimento e maturação, dificuldade de adaptação ao meio social, etc. Essa identificação excessiva à persona leva à rigidez ou à fragilidade emocional. O individuo se confunde com o seu papel social. O ego identificado com a persona é orienta a partir dos acontecimentos externos, não percebe, anula ou releva os eventos internos. Ele se indiferencia e se transforma na persona que o media.

Se Anima/Animus mediam a relação entre ego e inconsciente a persona media a relação entre o ego e o mundo externo.

Ψ

PERSONAGEM






Eu estava com minha mãe em uma farmácia numa cidade considerada como patrimônio histórico. Ela ia comprar cálcio de ostra (medicamento que minha avó toma) para mim, mas eu achei o remédio caro (vinte reais) e disse que aquilo não ia adiantar para nada. Minha mãe começou a reclamar sobre mim para a atendente. Então eu repliquei contando-lhe que pelo fato de ser introvertida e quieta, minha mãe sempre me julgara ser doente, apática e depressiva. Disse claramente que meu jeito de ser era de tal modo e que inclusive gostava de ser assim, pois me aceitava, algo que a família não conseguia fazer. Continuei dizendo: “...não gosto de ser importunada e quando não me sinto à vontade com alguém, quando não há afinidade, prefiro não me relacionar e, se a distância física não for possível, mantenho a distância afetiva...”

Realmente não sou muito sociável e não associo isso a questões físicas de saúde, como geralmente faz minha mãe. Não sei se ela chegou a comprar o remédio ou não, mas sei que apareceu um senhor, provavelmente o dono do local, comentou que ia haver um teatro e convidou-me para participar do mesmo. A justificativa de que isso seria bom para minha introversão não interferiu na minha escolha, pois aceitei o convite por gostar de teatro. Assim fui conhecer o local donde o teatro ocorreria, conhecer o resto do pessoal que faria parte da peça e, pegando meu papel, comecei a ensaiar também. A história seria sobre um antigo bar que funcionara exatamente no local vazio donde estávamos. A arquitetura era bem antiga, estilo século XVIII, mas conservada. O ambiente era agradável e embora não sentisse ser amiga de ninguém, sentia me dando bem com todos. Almoçamos juntos até que resolvi ir embora. Eu estava hospedada num local bastante moderno (um contraste arquitetônico para a cidade) donde subi as largas escadas de aço brilhante. Fiquei meio perdida nas escadarias e não lembro exatamente como foi, mas sei que voltei para baixo. Nisso eu percebi que cada leque da escada tinha duas voltas, pois eu já estava descendo direto no estacionamento. Subi outra vez e então desvendei o mistério: de um lado ela descia para o andar de baixo (térreo) donde havia a piscina e, do outro lado, donde eu descera, ela descia dois andares indo parar no primeiro piso do estacionamento. Conseguindo chegar na piscina, encontrei com alguns conhecidos, mas não quis entrar na água. Fiquei a observar tudo enquanto me divertia relacionando (conversando) com as pessoas sem muito entrosamento. Também lembro que fiz massagem nos pés de um rapaz que saindo da piscina veio sentar-se ao meu lado. Dentro das minhas limitações e, apesar do meu jeito austero de ser, tudo parecia estar tranquilo e confortável.

O sonho envolve um aspecto decisivo de sua vida: a relação com a família e com a sociedade. A sua postura é de não envolvimento afetivo e você encontra justificativas que lhe são confortáveis para a sua dificuldade de interagir com as pessoas.

Caprichos, severidade, elevado grau de exigência, superioridade, criticidade e tudo isso inserido na necessidade de compensação, excluindo enquanto mascará o medo de ser excluída ou não aceita pelo coletivo.

No teatro grego, os atores representavam usando máscaras e túnicas de acordo com o personagem que iriam representar. Muitas vezes, eram montados cenários bem decorados para dar maior realismo à encenação.

Eu não a vejo como “não sociável”. É diferente, você se faz “não sociável” quando a situação não lhe agrada. Desta forma exercita seus caprichos, sua vaidade, suas exclusões, demonstra sua insatisfação, intolerância e impaciência e se refugia no ensimesmamento.

O sonho indica a permanência desta postura na sua relação com a vida. parece-me que você se esconde na “introversão” enquanto anseia a aceitação e o aplauso social. Prefere escorregar para evitar relações que estética ou socialmente não lhe agrada. Como se a inferioridade fosse compensada por uma atitude de superioridade. As concessões que faz estão associadas a situações que atendem à expectativas construídas na idealização de seus propósitos de vida.

“...não gosto de ser importunada e quando não me sinto à vontade com alguém, quando não há afinidade, prefiro não me relacionar e, se a distância física não for possível, mantenho a distância afetiva...”

RAPUNZEL, desça dessa torre onde por livre escolha se aprisiona à espera de um príncipe que não existe. O príncipe você constrói, pega um bom sapo e o transforma em nobre, assim como os homens fazem com as pererecas, transformando-as em princesas.

E, infelizmente, não é questão de sorte nem de santo, a fama é resultado de um destino ou de árduo trabalho. Se tens sonhos de ascensão social, corra atrás e lute pelo Pódio, chegue ao palco e trabalhe pelo aplauso. Mas, enquanto isso não acontece aprenda com as relações humanas, esse aprendizado a tornará mais humana no pináculo, menos solitária na torre, mais feliz como ser humano.

Ψ


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

MULHER JOVEM, PROCURA




Eu cuidava de um bebê, mas ao mesmo tempo em que era um bebê humano, era também um bebê gato. Achei legal a maneira como lidava com aquilo, eu o ninava e o mimava como se fosse uma mãe e já tivesse prática para tal. Acabei dormindo com ele nos braços e quando acordei estava noutro ambiente.

Levantei e notei estar no meio de uma turma de estudantes. Por certo devo ter tomado banho, mas minha recordação maior é de tirar a toalha dos cabelos molhados e penteá-los. Eu estava junto de duas jovens e uma delas se ofereceu para cuidar dos meus cabelos quando houvesse uma oportunidade, e eu aceitei. Por gostar muito da atividade de cabeleireira, ela já se oferecera para fazer isso na outra jovem, mas esta não quisera. Ao terminar de pentear os cabelos disse-lhes que tinha de ir tomar o café da manha, pois eu já estava um tanto atrasada e quase todas já o haviam tomado.

Não lembro de comer em si, mas lembro de ter ido em seguida para uma sala de aula de canto. Nisso entrou um professor de antropologia que me deu aula na universidade (em 2002). Lembrando que naquela semana eu tinha aula de estatística ao invés de canto, saí do ambiente enquanto o professor dava algum recado que nem fiz questão de escutar. Já estava chegando na outra sala quando escutei o professor falar meu nome pela segunda ou terceira vez. Pensei que ele estava me usando como exemplo, querendo saber onde eu fora ou então me procurando para conversar algo. Como eu já estava atrasada para a aula de estatística, a principio não importei-me, mas num segundo momento, ao olhar para trás e verificar que o professor estava com todo o grupo fora da sala, resolvi ver o que queriam comigo ou o quê falavam de mim. Estavam indo fazer uma visita numa comunidade indígena e eu estava convidada para ir se quisesse. Não tive dúvidas de que queria ir, mesmo que fosse ficar com falta na aula de estatística. Preocupada com as faltas, que por certo deveriam ser muitas, comentei que eu sempre esquecia que tinha aula de estatística ao invés de canto, pois para mim cantar era muito mais agradável do que fazer cálculos. Entramos numa espécie de elevador, mas o mesmo era feito de tubos (canos) plásticos e não havia fundo. Ele era fino (pequeno) de modo que precisávamos escalar nele para cabermos. Ajeitei-me e sem nenhum medo, como se já estivesse acostumada aquele aparelho incomum, começamos a subir.

Num momento da subida o elevador foi enfraquecendo até quase parar e alguém comentou que ele não ia suportar o peso. Outro alguém lhe respondeu que era daquele jeito mesmo (eu já sabia disso) e logo depois o elevador deu um baque (era como se ele houvesse parado para se energizar) e continuou subindo. Pouco depois as paredes laterais sumiram e começamos a subir no meio do nada. Estávamos infinitamente longe da terra.

Interessante que eu continuava não sentindo medo, o problema foi que meus óculos começaram a cair do rosto com a força do vento. Mesmo tendo de me segurar com apenas uma mão, ajeitei várias vezes os óculos no rosto. Eu queria ficar com os olhos abertos a fim de ver o cenário, mas o vento foi ficando tão forte que precisei fecha-los. Fiz isso e fiquei quieta com a cabeça para os óculos não caírem. Fiquei tanto tempo quieta que quando abri os olhos eu estava numa espécie de balanço sobre terra firme. Nisso meus óculos finalmente caíram e ao tocarem o chão se transformaram em óculos de sol. Mesmo sentada dei um impulso no balanço e peguei os óculos, os quais naquele momento senti serem do meu pai (talvez por parecer com um que ele teve em vida). Fiquei esperando para continuar a subida até que me dei conta de que aquele balanço realmente não era mais o elevador.

Senti-me tola ao perceber que estava sozinha ali. Saindo do balando passei a mão na cabeça e notei que não estava com nenhum lenço (em todo caso eu não estava de lenço antes). Intrigada me perguntei quem teria pego o lenço português (estilo xale) que minha mãe me emprestara. Em compensação eu estava com um colar de penduricalho nas cores vermelho, verde e branco (lembrou-me a bandeira da Itália). Saindo do balanço retirei o colar e fiquei olhando para minhas mãos: de um lado aquele colar diferente que não sabia de onde viera e, na outra, o óculos escuro que também parecia não ser meu.

Passei os olhos pela região e concluí que já estava na comunidade indígena. Antes de explorar o local, caminhei até uma espécie de galpão donde estava tendo uma palestra. Comecei a andar entre eles na intenção de achar alguém. Estava um pouco escuro e sem os óculos eu tinha de me aproximar para tentar enxergar as pessoas melhor, mas ao fazer isso uma mulher tirou seus pertences do banco achando que eu queria sentar. Disse-lhe que não precisava e retirei-me indo mais para frente. A mulher índia tinha o semblante sério, mas não pensei que fosse por minha causa. Aquele por certo era o jeito dela. Entretanto, senti que poderia estava atrapalhando, porém precisava encontrar alguém conhecido e continuei procurando.

Estava nessa procura quando acordei.
*****

Faltam informações sobre suas atitudes afetivas, mas a introdução sonho revela a ausência de defesa e resistência afetiva frente a recém-nascidos, a compensação de sua atitude afetiva defensiva frente a outras pessoas ou o nascimento, a formação, de conteúdos psíquicos, que recebem foco de atenção que canalizam energias afetivas. O acontecimento pode ter influencia decisiva na reconstrução de sua auto estima.

Há também a possibilidade de conteúdos arquetípicos ligados à sua natureza maternal sendo compensados e direcionando a atenção e mobilizando sua disposição para este aspecto decisivo da natureza feminina a maternidade, e/ou sinalização de mudanças orgânicas de ciclos femininos (ovulação, menstruação, período fértil).

Filho de gato, gato é. A transformação pode ser indicativa de atitudes afetivas sendo projetadas em focos que permitam a sua realização como Intento. A maternidade não realizada é compensada no papel de mãe de um gato onde você pode projetar a sua afetividade compensando o sentido original da energia.

Cabelo – manifestação energética, de forças superiores, sentido de fertilidade. Força primitiva, símbolo solar. Representação da força viral, e da alegria de viver, ligada a vontade focada no Triunfo. Correspondem ao elemento Fogo.

“Estava nessa procura quando acordei.”

Quem procura, busca. Quem acha, acorda!

O sonho relata uma característica que vem se repetindo a forma com dissolve sua força em decorrência de não definir seus propósitos. Possivelmente já tenha me manifestado sobre o equivoco que há entre aqueles que acreditam que deixando se levar encontram a forma segura de aceitar os desígnios da vida.

Poucos podem desta forma obter resultados satisfatórios, a maioria se perde num mar de ilusões e de dispersão.

Em sonho anterior escrevi sobre o caminho entre a Ação e a Não-Ação. Quando nos deixamos levar pelas ondas do mar do inconsciente podemos dar num porto seguro tanto quanto dar num quebra mar rochoso, numa praia paradisíaca ou num mar de lugar nenhum. A Não-Ação é tão fundamental quanto a Ação. É fundamental se situar no seu cenário de vida, bem observá-lo para saber a hora em que se deve agir, atuar, e a hora em que se deve se deixar levar.

O sujeito que apenas age, acredita na presunção de um poder que não possui. O sujeito que apenas se deixa levar, se entrega ao sabor das ondas sem saber onde pode parar.

O inconsciente anseia evolução e para isso necessita da consciência que ajuda a construir e de onde espera ajuda para se ordenar. Necessita rumo ainda que possa se referendar em princípios resultantes de conteúdos arquetípicos que espelhem o conhecimento das gerações ancestrais que o norteiam.

Quando o sujeito se deixa apenas ser levado se entrega ao sabor de uma noção sem rumo, sem norte que precisa se referendar nos limites de uma realidade que funciona como Porto Seguro.

Você tem uma leve (ou profunda?) tendência de se deixar levar. Abre mão de referências lógicas, racionais, em nome do prazer ou de sensações que lhe servem de guia para se conduzir.

A intuição é um poder magnífico que quando bem utilizado nos permite caminhos seguros e acertados. Mas para se guiar pela intuição é fundamental se “Ouvir” e... Refletir, avaliar, diagnosticar, escolher. Quando mal utilizada por desconhecimento do mecanismo, ela pode se tornar uma armadilha conduzida por conteúdos que atuam para paralisar, travar e boicotar o sujeito.

Você se deixa conduzir, se entrega em mãos de aprendizes, justificada na bondade ou por oportunismo, conforto ou simplismo.

Sua Força Vital possui uma dona, uma Rainha: Você. Nada pode justificar a conduta de se entregar ao destino acreditando na magia de ser protegida ou guiada para um paraíso. É preciso trabalho duro. Montar o lombo do cavalo selvagem e domá-lo. Assim podemos nos comprometer com a vida que nos foi dada, ou que conquistamos.

Os óculos são instrumentos de ampliação da visão, consciência ampliada, ou descanso – óculos de sol-.

A tribo indígena pode ser a referência à postura dos guerreiros que sobrevivem em território ameaçador, indicação de força primitiva e ancestral.

Encontrar suas mãos no sonho é um acontecimento especial, mas isso fica para outra oportunidade.

Ψ

sábado, 29 de janeiro de 2011

VIAGEM ASTRAL, SONHOS E CONSCIÊNCIA






Outra vez eu não conseguia mexer-me sobre a cama. Queria acordar e não conseguia. Do desespero inicial surgiu a angústia e a sensação preocupante de não ter domínio ou poder sobre o corpo inerte. Como sempre, primeiro veio a sensação de fadiga com o medo de sofrer apneia e, depois, o medo de que os órgãos parassem de funcionar tendo uma falência múltipla. Tentei me mexer usando a técnica da sutileza já aprendida e utilizada em sonhos passados, mas creio que eu estava impaciente para isso. Então percebi que se meu corpo não respondia, minha mente estava completamente acordada, consciente e muito ativa. Embora desconcentrar-me do corpo fosse muito difícil, percebi que era possível. Então busquei algo que eu gostaria de fazer e pensei em brincar com um gato. Imediatamente fui transportada para um local donde brincava com um bichano preto muito fofo e manso.(1)

Eu não sabia se podia ter controle sobre tudo aquilo que me acontecia através do pensamento, mas em verdade eu nem explorei essa possibilidade, pois pareci ficar decepcionada: sonhar consciente estando dormindo era como sonhar acordada utilizando uma técnica de visualização. O diferente é que eu realmente estava lá, brincando com um gato, mas ao mesmo tempo, aquilo não parecia ter o realismo de uma situação sonhada de modo impreciso.

O fato do sonho ter lucidez tirava dele a magia que o mesmo deveria ter, mas por que essa decepção se já tive euforia e alegria em outros sonhos lúcidos?

Era como se eu estivesse menosprezando aquela situação ao ter consciência de que tudo era meramente um sonho, uma irrealidade.

Mas por que em tal sonho eu senti tudo de forma irreal se o sonho em si é uma realidade mental, uma comunicação com o inconsciente?

Era como se todo o produto da mente, ou seja, os pensamentos, fosse irreal, abstrato e principalmente relativo. Melhor, era como se a própria vida fosse real e irreal ao mesmo tempo: a vida seria a contradição de um fluxo vital incontrolável sendo mantido pela própria mente controladora. Eu senti como se a vida em si fosse um sonho consciente e isso não me agradou. Eu me senti um tanto boicotada, pois o racionalmente escolhido pela consciência em si pareceu ter ido contra aquilo que eu verdadeiramente desejava: um fato surgido de forma natural e espontâneo, mesmo que de modo inconsciente.

Dizem que o inconsciente não distingue o real do imaginário e isso por certo me fascina mais do que o discernimento consciente. À medida que compreendo o inconsciente, deixar que as coisas ocorram parece mais interessante do que tentar forçá-las para acontecer, seria isso?


Em meados da década de 80 um físico Inglês chamado David Bohm contestava a física moderna propondo a existência de um universo multidimensional e de camadas de realidade mais profundas, situadas à sombra da nossa realidade. Ele dizia que o universo lembrava um gigantesco holograma multidimensional, além do tempo e do espaço comuns, como um organismo vivo do qual fazemos parte.

Isso pode parecer muito, mas comparado ao que dizia o sábio chinês Lao Tsé, que viveu 500 anos antes de Cristo, que o mundo era Invisível - o que foi vislumbrado pela física apenas no século vinte com o estudo do microcosmo, nos dá a dimensão da complexidade do nosso entrorno e da tarefa na busca de compreensão da vida e do mundo.

Temos muito que avançar no mapeamento conceitual e na compreensão da psique, mas já conhecemos uma ponta desse Iceberg que nos permite certo entendimento dos mecanismos mentais, da estruturação e do funcionamento mental.

O seu relato pode ser dividido em duas partes:

1. O relato propriamente dito da vivência;

2. Suas reflexões e questões sobre a experiência.

O relato (1) parece-me a descrição clássica de um Sonho Lúcido. E você já descobriu o instrumento que precisa dominar para readquirir o controle nesta extradimensão, depois de se perceber dentro dela: a projeção do pensamento.

Entre as associações possíveis neste sonho, como evento psíquico, isto é, manifestação onírica, e não como experiência de saída extracorpo, eu indico a sua dificuldade de romper a sua paralisia, o seu travamento, a resistência, em direção à relação com o mundo como personalidade maturada e autônoma.

Sua solução é o domínio do pensamento, não necessariamente o pensamento imaginário ou fantasioso. O domínio que lhe permita direcionar suas ações para a realização de seus propósitos em sua vida.

Suas reflexões mostram sua tendência de chegar a conclusões precipitadas sem ter explorado em sua totalidade suas possibilidades no sonho ou na experiência de viagem astral.

“Eu não sabia se podia ter controle sobre tudo aquilo que me acontecia através do pensamento, mas em verdade eu nem explorei essa possibilidade, pois pareci ficar decepcionada”

“Eu nem explorei porque fique decepcionada” É bem característico em você esse tipo de resposta de ficar decepcionada por não ter suas expectativas e seu elevado grau de exigência atendido. Você responde como autoridade e conhecedora do presente, deixando de experimentar o que a vida lhe propõe por já ter mentalmente definido e classificado o acontecimento como frustrante. Essa é uma forma de se defender do “novo”. Mostrando controle do cenário ou reduzindo e banalizando o acontecimento.

Você enquadra a vivência no padrão pessoal de ver o mundo. Isso parece-lhe confortável. Desta forma você tem a impressão de estar num mundo limitado sob o seu domínio. Pura ilusão! Independente de querer acreditar nisso o mundo continua o mesmo: misterioso e assustador. Você apenas encontra uma forma confortável para se situar nessas realidades Mágicas, "a real e a irreal", abortando a magia em sua vida e suas possibilidades de estar neste mundo e sendo obrigada a compensar essa atitude na criação de  um universo de fantásias que atende  à sua satisfação pessoal.




“O fato do sonho ter lucidez tirava dele a magia que o mesmo deveria ter, mas por que essa decepção se já tive euforia e alegria em outros sonhos lúcidos?”

Essa lucidez elimina a magia quando se tenta enquadrar o universo no limite da consciência. Ou o contrário: A consciência egóica elimina a magia quando se tenta enquadrar o universo no limite da lucidez.

Na física existe um fenômeno chamado EPR, sigla formada pelas iniciais de Einstein, Boris Podolski e Nathan Rosen que observaram o estranho comportamento das partículas subatômicas que interagiram um dia, de responderem instantaneamente aos movimentos uma da outra estando separadas a anos-luz de distância. Esse fenômeno nunca foi bem resolvido, e Einstein sempre acreditou que o fenômeno colocava a ciência entre duas alternativas inaceitáveis, a de que a realidade objetiva é uma ilusão ou a medição da partícula EPR viola a lei de causa/efeito, interferindo de alguma forma na outra partícula. A ideia de que o Intento do olhar altera a experiência como um evento. Para o físico Niels Bohr o mundo objetivo é uma grande ilusão, cujas partículas elementares parecem assustadoramente próximas da substância que compõem os sonhos.

Você como sonhadora dentro do sonho, funciona como observadora que altera a dinâmica do sonho, independente do seu grau consciência.   Para que esse estado de consciência ocorra no universo onírico, o corpo exige do sonhador e de sua condição psíquica, um determinado nível de pré-requisitos que superados lançam o sujeito, independente de sua vontade, dentro de uma realidade extra dimensional, com múltiplas possibilidades de interação num espectro mais amplo de vibrações do universo.

Em outras palavras, você é lançada dentro deste mundo através do portal psíquico para interagir com mais possibilidades e de forma mais ampla com outras dimensões do universo.

“Era como se eu estivesse menosprezando aquela situação ao ter consciência de que tudo era meramente um sonho, uma irrealidade.”

Também sinto em você essa atitude de menosprezo. Mesmo que o entenda como uma forma confortável e defensiva que encontrou para lidar com o desconhecido, ainda que seja uma forma reducionista que a limita dentro do mundo. Neste aspecto a realidade não satisfaz a sua espectativa e o mundo "mágico" voce enquadra  num limite mental que tira dele a condição excepconal, restando-lhe apenas a satisfação na fantasia e na ilusão.

“Mas por que em tal sonho eu senti tudo de forma irreal se o sonho em si é uma realidade mental, uma comunicação com o inconsciente?”

O sonho é uma realidade mental, e funciona como a manifestação mediadora partindo do inconsciente em direção à consciência. Media a relação com o inconsciente que pode ser entendido como o espírito do mundo, o espírito do tempo. Mas o chamado “sonho lúcido” é um estado de Supra Consciência que se pode chegar através do sonho tanto quanto da vigília, por exemplo, um estado de meditação. Como para se chegar à essa Supra Consciência se faz necessário entrar num determinado estado vibracional excepcional e harmônico, é como se o individuo a partir de seu corpo acionasse a abertura de um portal que traspassado permite ao sujeito funcionar como consciência em estado Etéreo, sem o corpo físico, ainda que ligado a esse corpo através do Fio de Prata.

Dentro de nossa realidade podemos acionar outras dimensões através do corpo e vinculados a ele. Já depois de morto, sem o corpo é preciso primeiro existir como fenômeno espiritual, como realidade e unidade subatômica, mas aí é outro mistério.

Pois é, infelizmente a vida não é o que você quer. E essa condição se aceita ou se contraria. Eu sou daqueles que humildemente trabalham a aceitação. Exige-me menos esforço. Respeito os que gostam do confronto e não suportam aquilo que se veem obrigados a aceitar, passam a vida insatisfeitos e em conflito.

"Dizem que o inconsciente não distingue o real do imaginário e isso por certo me fascina mais do que o discernimento consciente."

A consciência é uma aquisição relativamente recente na espécie humana, possivelmente 30.000 anos em 1.000.000 de anos da espécie. Um resultado evolutivo fenomenal da natureza. O inconsciente não distingue o real do irreal porque é inconsciente, porque existe numa dimensão diferenciada, mas não tenho dúvidas de que ele anseia por consciência, por luz, por integração dos opostos para que possa na escala evolutiva atingir níveis mais elevados de totalidade e o aprimoramento individual acresce ao inconsciente coletivo um plasma de consciência, que é a possibilidade do individuo de se integrar á consciência cósmica.
"À medida que compreendo o inconsciente, deixar que as coisas ocorram parece mais interessante do que tentar forçá-las para acontecer, seria isso?"

Penso que isso em parte me parece sábio, mas a resposta pode estar no caminho do meio. Saber agir e interferir, saber conduzir e saber se deixar ficar. Ação e Não ação. Nessa atitude sabida dos orientais mora a lucidez de ter aprendido o momento de fazer e o momento de não fazer. Agir e esperar os sinais e depois agir novamente e saber para no momento em que se deve parar. Saber que se possui uma singularidade que não é o bastante para definir o universo e que é portanto um resultado deste universo. Como um marionete que tem o poder de se movimentar mesmo que seja tambem movimentado pelo seu criador.

Eu posso dizer-lhe por experiência pessoal: É excepcional e surpreendente quando navegamos sintonizados com nós mesmo e com o espírito do tempo.
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A intenção deste Post foi de tentar colocar um pouco de luz nesta área desconhecida e favorecer a reflexão sobre este fenômeno do psiquismo e de nossa natureza.

Desculpem-me, se não fui claro o bastante, A complexidade do tema envolve questão relevante e essencial da existência humana. O que torna a tentativa de dissecação exaustiva por tocar em conteúdos ainda de difícil compreensão, e nem sempre temos à disposição instrumental que nos permita delicadeza suficiente para tratar essa multiplicidade dimensional "irreal" do universo com o padrão linear de pensamento em que estamos estruturados. 

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