terça-feira, 24 de agosto de 2010

DESEJOS, CARÍCIAS E EROTISMO


Carla 151

Sonhei que estava com meu marido e ele era negro. Meus sogros também estavam no local (acho que estávamos na cozinha da casa), mas não os vi. Beijei meu marido e ele, muito assanhado (como uma criança que está prestes a ganhar um brinquedo), disse que ia me esperar no quarto. Antes que ele se retirasse fui dizendo que não era momento para sexo, pois eu ia ajudar minha sogra a preparar a janta. Ele voltou e compreensivo perguntou se mais beijos eram permitidos. Respondi que sim e ia lhe ressaltar algo que já cansara de explicar que não gostava (ele estivera acariciando minhas partes intimas durante o beijo) quando ele demonstrou que já sabia do que se tratava (ele levantou as mãos num gesto de desculpa e depois abraçou-me de modo comportado). Continuamos a nos beijar num cima muito agradável. Eu o sentia mais como um amigo-marido do que como um marido-amigo e isso gerava uma entrega muito tranquila, pelo menos da minha parte. Eu sentia como se estivéssemos há anos casados e gostava de fazer viver aquele clima não de marido e mulher, mas de amizade, romance e respeito mútuo.

De todo modo, acho que ainda há algo não esclarecido por trás da minha resistência interna de entrega sexual. Se a química dos beijos era tão boa, porque a severidade da minha parte de não permitir algo além? É como se eu estivesse testando minha parte masculina (na sua submissão) ou estivesse com meu lado feminino bloqueado por algo que não sei definir.

Essa negação parece-me a forma aceitável como você, no seu estado tradicional e conservador, idealiza  o comportamento social aceitável. Naturalmente isso funciona como um verniz que encobre o desejo erótico.

Qualquer adulo consegue localizar aquilo que lhe é fonte de prazer, no envolvimento sexual, e quanto mais detectamos essa fontes de prazer mais aumentamos as possibilidades de tirar da sexualidade o sumo do prazer, do erotismo e dos orgasmos, mesmo porque essas carícias quando afloram se mostram envolvidas por uma aura de mistérios, magia, cumplicidade no enamoramento e muitas vezes funcionam como preliminares do ato sexual propriamente dito.

O oposto é verdade, quanto menos abrimos possibilidades para esses envolvimentos, essas trocas, a cumplicidade dos apaixonados, e a manifestação dos desejos, mais empurramos a experiência da sexualidade para os quartos escuros restritos ao contato Pênis X Vagina, para os limites das castrações e para uma visão do sexo como pecaminoso, vergonhoso, e aceitável dentro de restrições morais.

Claro que essas trocas de carícias fora do quarto e da cumplicidade que envolve aproximam os enamorados de uma fronteira delicada entre o contato íntimo e pessoal e a manifestação coletiva, uma fronteira entre o desejo e a transgressão moral. E longe de mim querer incentivar o sexo explícito. Como o universo da sexualidade envolve uma complexidade moral, religiosa, ética, política e de direitos, é melhor que se tenha cuidado e cautela com esses limites, mas isso faz parte dos jogos amorosos, e é uma porta que pode ser aberta, mas que precisa ser administrada com perspicácia e inteligência.

Acredito que essas carícias como partes do jogo são aceitáveis e favorecem o despertar de uma sexualidade mais sadia do que outras mais tradicionais que apenas escondem sob o manto da rigidez a formação e o desenvolvimento de traços de perversões.

O sonho parece indicar o conflito entre o desejo e o medo de se soltar, a postura tradicional e conservadora e a necessidade do prazer. O um lado que lhe empurra para a realização do desejo e um que a puxa para a repressão moral aceitável. Escondendo a sexualidade você esconde o desejo e esconde a mulher adulta que existe em você. Dessa forma fica apenas a menina pura à espera do sonho, que nunca se realiza.

A imagem do homem negro, não precisa ser vinculada ao arquétipo sombra, mas reflita sobre a presença e significado do homem negro na sua vida. Pelo aspecto da reconciliação com o masculino é um grande avanço, como conteúdo oposto. Mas sem esquecer que é um oposto carregado de afeto e de sexualidade e reprimi e castrado pela força do feminino moral.

Você está precisando relaxar e... Aproveitar melhor as oportunidades de viver a vida adulta. A sexualidade é conteúdo que envolve o universo adulto, deixamos as bonecas e as brincadeiras de criançinhas e descobrimos as brincadeiras  e os jogos adultos. Ser adulto e não viver isso é cumprir com as obrigações, pagando o preço da responsabilidade do mundo adulto sem desfrutar o prazer e provar o manjar na noite da existência.

domingo, 22 de agosto de 2010

SONHO E REALIDADE



O Presente do Presidente J.F.K

Foto Time/Life 1966

Cick na imagem para ampliá-la.





Elação Coletiva

 
Competição e  ilusões






Silêncio e Quietude

A busca do presente absoluto,
estar acordado.




sábado, 21 de agosto de 2010

SONHOS LÚCIDOS



Carla150

Em terceiro eu caminhava por uma rua quando tomei consciência do fato de estar apenas sonhando. Eu podia sentir meu corpo na cama e, ao mesmo tempo, sentia estar naquela outra dimensão que se fazia tão viva como a real. Eu precisava de muita cautela, pois se eu tomasse muita consciência da realidade do corpo dormente, podia me desconcentrar da outra dimensão e, se mergulhasse muito naquele contexto onírico, podia esquecer que tudo não passava de um sonho. Essa consciência de estar ali em sonho, ou seja, dentro de uma vida fictícia, fez-me ter a sensação de que tanto o perigo quanto a condenação moral eram simbólicos. Sonhando havia menos liberdade do que se estivesse apenas pensando, porém havia em mim mais liberação para fazer escolhas e tomar atitudes. Tentei experimentar essa consciência e essa sensação de liberdade. Parei perto de um bêbado e olhando-o fixo tentei rezar por ele. Ali poderia ter a liberdade de dar consolo a um bebum se eu quisesse. Sentindo-se incomodado ele levantou da sarjeta e começou a ficar nervoso dizendo um monte de coisas que eu não entendia, exatamente por ele estar muito bêbado. Pedi-lhe desculpas, mas ele continuou seu falatório. Apareceu um outro homem dizendo ser irmão dele e pedi desculpas a este também. Percebi que eu tinha liberdade para agir, que me sentia livre para tal, mas o cenário não respondia a meu bel prazer apenas por eu ter consciência de que tudo era um sonho. Eu não podia escolher a reação dos outros como se estivesse meramente pensando. Mesmo que os outros fizessem parte de mim mesma numa espécie de projeção inconsciente, eu não os sentia como uma criação mental minha e não tinha meios de atuar através deles ou escolher com quem eu queria entrar em contato. Virei noutra rua e escolhi uma casa simplória que me chamou a atenção. Fui aproximando dela e quando apareceu uma mulher, disse que estava fazendo uma pesquisa e demonstrei meu interesse de conversar com ela. Perguntei quantas pessoas moravam naquela casa. Ela respondeu enquanto acompanhava uma visita até a rua. Era uma família negra e, embora ela tenha se mostrado receptiva, percebi que ela deveria estar ocupada para me atender. Eu não estava fazendo nenhuma pesquisa e nem sabia ao certo o que poderia perguntar. Em verdade eu estava apenas testando até que ponto eu poderia agir livremente, dominar os fatos, cenas e contexto. Tendo mais certeza de que eu não tinha controle de manipular o meio esterno, disse que outra hora retornava, pois não queria atrapalhá-la. Senti que não podia escolher com o quê sonhar e, ao mesmo tempo, não entendia por que estava naquele local tendo plena consciência de que estava vivendo numa dimensão irreal. Esse foi o porém: não tinha noção de qual utilidade buscar. Eu me sentia numa experimentação, dentro de um mundo além do real, mas não sabia qual o sentido, o que eu deveria exercer ali dentro. Ter consciência ampliou tanto as possibilidades que me senti perdida: o que exatamente eu devia fazer? Continuei sonhando, mas não lembro o resto.

De todos os sonhos aparentemente lúcidos que já tive (se é que isso é um sonho lúcido), esse foi o mais natural e tranquilo. Eu sentia como se estivesse com a consciência acordada embora meu corpo estivesse dormindo. Não houve nenhum pânico, nenhuma sensação de medo ou desespero para acordar como até então acontecia. É estranho e bom ter sonhos assim. Entretanto, a dúvida que tive dentro da outra dimensão acordou comigo na realidade também: ou seja, o que devemos fazer dentro deles? Não sei quando vou ter outro sonho desse tipo, mas espero estar mais preparada se por acaso acontecer outras vezes.

Qual a finalidade de sonhos lúcidos?

SONHOS LÚCIDOS II

        O Presente da Águia


Vivemos em uma sociedade agressiva e, infelizmente, em uma civilização que mesmo que tenha avançado sob determinados primas em outros se mostra estagnada e estúpida. Uma sociedade que frente às suas contradições severas empurra os indivíduos para o sono, seja através da ignorância ou da mediocridade, ou para o amortecimento através do álcool, das drogas lícitas e ilícitas, ilusões, compulsões sexuais, comportamentos narcísicos, fantasias de riquezas e poder.

Tudo nesta civilidade favorece o escape, fugir do confronto definitivo entre nós e a existência. Um confronto que tem tempo definido para se realizar porque o sono eterno a cada menos dia se aproxima sorrateiro para nos engolfar.

A sua questão me leva a outra questão primordial na existência:

Qual a finalidade de sermos lúcidos?

O que me leva inevitavelmente a conceitos de psicologia profunda, que nos remetem a estados de supra consciência, condição de Iluminado, Self, Selbest, estados de consciência ampliada, existência, transcendência, despertar e harmonia, Individuação.

O estar acordado significa ACORDAR para a vida, evoluir para realizar a existência, sem mais dormir, sem apagar, sem se desligar. Um estado “ligado” onde não temos mais os vazios de consciência, os lapsos, os brancos, os surtos, a ausência, o sono. A consciência se torna um “Contínuu”. E a matéria  anseia por esta evolução.

Diferentemente dos alucinados modernos que ficam “ligados” permanentemente, aplicando ao corpo a tortura da exaustão, o estado do “acordado” permite o repouso ao corpo, já que a mente em estado de atenção funciona em, permanente, meditação, portanto, sem promover a hiperatividade compulsiva da função mental, que é desequilíbrio.

Acordar para a consciência das dimensões, da percepção plena da existência, para a multiplicidade dimensional do universos, para manter-se conectado com o divino.

Este é um estado que merece ser atingido, que faz a vida valer mais a pena do que riquezas materiais, ouros e tesouros, poderes e domínios, fugazes ilusões que não abrem portas e nem portais, não preparam para o desconhecido nem para o inominável, apenas iludem e inundam o espíritos de ilusões etéreas.

Estar desperto é o estado que define uma preparação mental para podermos olhar no olho do divino.

O sono eterno se anuncia, enquanto temos tempo e o corpo fenomenal, que nos permite aprender a saída desse labirinto, desse enigma, mais inteligente priorizar o essencial, o despertar do espírito... Acordar, do que fingir de cegos.


Obs.: como ja pode ter percebido, me dispus a responder-lhe sua questão, partindo de sua avaliação de sonho lúcido. Mas como em sonhos não podemos desconsiderar as possibilidade fica a indicação de que se o sonho não for lúcido, é porque o Incs. lhe chama a atenção para o seu sono dentro da realidade.

SONHOS LÚCIDOS III

olhar de Tigre acordado

Portanto minha cara, qual a finalidade de acordar?
Bem, se continua com sua questão,
reproduzo abaixo um trecho do livro Sonhos Lúcidos para voce:

“Em relação à eletricidade, uma "curiosidade científica" do século XVII, diz-se que uma mulher perguntou a Benjamin Franklin: “Mas para que serve?” A resposta é famosa: "Madame, para que serve um bebê recém-nascido?” Se neste estágio fosse feita a mesma pergunta em relação a sonhar lucidamente, uma "curiosidade científica" do século XX, poderia ser dada a mesma resposta. Embora por enquanto possamos apenas especular, o nosso trabalho em Stanford e as descrições de outros sonhadores lúcidos sugerem que, como a eletricidade, os sonhos lúcidos também podem ser aproveitados para nos ajudar a desempenhar inúmeras tarefas com uma facilidade muito maior. Ás aplicações dos sonhos lúcidos, tal como me parecem hoje, caem de modo geral em quatro áreas amplas: exploração científica; saúde e crescimento interior; solução de problemas criativos, ensaios e tomadas de decisão; satisfação de desejos e recreação. Visto que já foram apresentados os usos e vantagens de sonhar lucidamente na exploração científica do estado de sonho, vamos nos ocupar apenas com as três últimas categorias.”

“Até que ponto os conceitos de sonhar lucidamente são relevantes para a vida acordada? A resposta é que as atitudes que caracterizam o ato de sonhar lucidamente têm certos paralelos com uma abordagem de vida que poderia ser denominada "viver lucidamente". Para adquirir um conceito mais claro do que esta expressão curiosa sugere podemos continuar a raciocinar por analogia, examinando algumas atitudes e suposições contrastantes associadas com a comparação entre sonhar lucidamente e sonhar não lucidamente1. O modo mais básico de diferenciação entre as atitudes do sonhador lúcido e do sonhador não lúcido provém justamente da própria definição de lucidez. Enquanto você está tendo sonhos não lúcidos, supõe que está acordado; quando está tendo um sonho lúcido, sabe que está dormindo e sonhando. Creio que no estado acordado o par de atitudes. correspondentes é o que passarei a expor. De um lado, você poderia estar fazendo a suposição (não lúcida) de estar sentindo objetivamente a realidade. De acordo com este ponto de vista parece que a percepção é pura questão de olhar pela janela dos olhos e simplesmente ver o que há lá fora. Infelizmente parece que esse ponto de vista tradicional, de "bom senso", é claramente incoerente com os resultados obtidos pela psicologia e neurofisiologia de hoje. O que você vê não é "o que está lá fora"; de fato, o que vê nem está "lá fora". O que você vê dentro da cabeça é só um modelo mental do que percebe ou acredita que está "lá fora". A compreensão lúcida da natureza da percepção provém do conhecimento moderno do funcionamento do cérebro. Se você quiser seguir essa abordagem, recomendo adotar a seguinte hipótese de trabalho: as suas sensações são necessariamente subjetivas; são o resultado do que você mesmo construiu baseado no estado de motivação em que está no momento e na parte da realidade que está vendo (e na qual está acreditando). Em termos de percepção visual este ponto de vista explica a ilusão de óptica que pode aparecer como resultado do que esperamos do mundo; também explica como as emoções podem distorcer a percepção, fazendo com que, por exemplo, alguém que esteja acampando veja "todas as moitas como se fossem um urso" e alguém que esteja amando veja "em cada árvore o ser amado". Resumindo, a melhor (ou seja, a mais certa) análise de percepção é que não sentimos a realidade diretamente e sim por intermédio de modelos do mundo, que nós mesmos fazemos. Por isso, antes que você consiga ver o que está "lá fora", as informações visuais dadas pelos olhos atravessam uma legião de fatores subjetivos, a saber, expectativas, sentimentos, conceitos, valores, atitudes e metas. É inevitável que os nossos modelos do mundo limitem o que sentimos da realidade; quanto mais distorcidos os mapas, mais distorcido o território parece.”

“Sonhar lucidamente pode ser um ponto de partida para entender como poderíamos não estar completamente acordados, pois o sonho comum está para o sonho acordado como o estado acordado comum poderia estar para o estado completamente acordado. Essa capacidade que os sonhos lúcidos têm de nos preparar para despertar mais completamente pode vir a demonstrar que é o maior potencial que o sonho lúcido tem para nos ajudar a ficar mais vivos na vida.”

Do livro Sonhos Lúcidos de Stephen LaBerge
( São Paulo - Edições Siciliano 1990)
págs 179/180, 287/288, 293.




sexta-feira, 20 de agosto de 2010

VIAGEM A PARIS


PARIS
CARLA 149

Em segundo sonhei que minha irmã havia me dado uma viagem para Paris. Nós duas íamos para lá. Eu estava muito feliz como se estivesse vivendo um sonho... e era apenas um sonho.

PEQUENAS CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS

Para compreender a leitura do sonho

Uma imagem possui uma representação, um significado ou uma simbologia específica. Mas a imagem é mais do que isso. Através das imagens oníricas somos conectados com o universo psíquico, nosso lado mais profundo e desconhecido, nossa origem, nossa alma. Pelas imagens somos, como seres visuais, sensíveis e perceptivos, conduzidos através do nosso foco de atenção para aquilo que o espírito interior define como o melhor para nós, somos mobilizados, lançados, conduzidos e resgatados para o eixo, para o ponto central que possuímos, aquilo que nos distingue como sujeitos.
Portanto, a imagem é essencial, para que o Intento Psíquico, o comando interior, possa se realizar e para que nós como seres simbólicos possamos nos referenciar nos significados, aproximando ou nos distanciando das experiências na realidade.

Cada imagem que é codificada possui uma carga energética, um conteúdo, uma polarização produzida pela psiquê, uma referência psíquica ou uma polarização produzida por nós a partir de nossa experiência na existência, no dia a dia, na vida. Digo produzido por nós quando definimos e elaboramos o significado ou como o resultado do processamento e dos acontecimentos naquele momento específico. Quando a imagem é arquetípica ela já vem codificada e polarizada da origem.

Não se pode também esquecer que quando herdamos o conteúdo, a configuração está codificada pela imagem. Temos de concordar que uma imagem vale mais do que mil palavras, sendo portanto mais sintético e mais sábio armazenar imagens do que conteúdos de imagem.A imagem define o conteúdo assim como um conteúdo pode ser sintetizado numa imagem.

Com o nascimento as imagens são resgatadas do arsenal herdado e recodificado quando necessário a partir do desenvolvimento do individuo. Quanto mais informações mais resgatamos conteúdos e mais podemos usufruir do conhecimento humano herdado.

Muitas vezes quando existem diferenças entre o conteúdo produzido pela psiquê e o conteúdo produzido pela experiência pessoal e incorporado nos centros psíquicos, essas diferenças podem indicar o surgimento de conflitos.

Quando não existem diferenças entre o conteúdo produzido pela psiquê e o seu similar, aquele que produzimos, os conteúdos se acoplam em representações mais significativas e consistentes.

Se os conteúdos não se integram é porque existem diferenças entre a significação arquetípica, e a significação produzida pelo sujeito a partir de percepções ou julgamentos equivocados.

Um exemplo, para tentar clarear na vida diária:

Em várias religiões a sabedoria, alerta:

NÃO JULGUES PARA NÃO SER JULGADO.

Desconsidere a questão religiosa. Quando o sujeito se arrisca a julgar o outro, ele produz um conteúdo que vai ser incorporado como definido, se a percepção for correta ela encontrará respaldo psíquico que incorporará a avaliação final, definindo as possibilidades de resposta do individuo frente às situações que forem originadas na realidade. Se o conteúdo for incorreto ele será incorporado, mas não se integrará ao seu espelho já construído anteriormente pela psiquê, e receberá uma polarização diferenciada para que possa ser distinguido quando este conteúdo for invocado pela consciência.

Assim pode ser a origem de um comportamento ambíguo e ou conflituoso, conteúdos de polarizações opostas.

Outro exemplo: Uma pessoa que mente se transforma em grande produtor de conteúdos que serão incorporados promovendo um grande desacerto psíquico. Na verdade promoverá a construção de uma realidade interna imaginária diferenciada e polarizada distintamente, em desacerto com os conteúdos referenciais da psiquê. Esses desacertos serão devastadores.

Outro exemplo: Há pouco tempo abordei no Blog aeternus femininus a questão da formação da Personalidade do Sociopata no desenvolvimento humano. Assim que nasce, a criança é indistinta da mãe. Se o biótipo materno é de uma Mãe Abandônica o comportamento distanciado, pouco afetivo, promoverá reatividade no individuo, se esta natureza reativa for acelerada, ressentida, agressiva ela gerará a formação de uma representação negativa da mãe como objeto promotor de desconforto.

Ora, o arquétipo da mãe é um arquétipo poderoso e fundamental na formação e no desenvolvimento humano, portanto o conteúdo introjetado conflitará com a imagem arquetípica da mãe como objeto protetor. O sujeito já nasce tendo que lidar com a rejeição, tendo que negar um lado seu que o frustrante. Neste caso, haverá a formação de conflito e consequentemente a formação de conteúdos autônomos de defesa. Como resposta o indivíduo desenvolverá respostas pouco ou nada afetivas, pragmáticas, manipuladoras, no sentido de obtenção de recompensas que o compensem de uma cisão psíquica entre a realidade negativa experimentada e o código herdado da imagem de mãe boa.

Isto tudo para dizer que:

Continua...

ADENDO

Quem leu a reflexão até aqui merece esta observação: Ontem à noite fiz a leitura do sonho e realizei  a reflexão acima, nesta noite sonhei com uma  mulher que estava sentada, com uma saia rodada, acolhendo em seu colo diamantes e pérolas, e eu  ajoelhado catava, no colo dessa mulher os pequenos diamantes, aproximadamente 100 pedrinhas, e as pérolas, apenas duas. acordei pensando que tinha a ver com a reflexão acima que, para mim, enriqueceu-me a compreensão, realizá-la.

VIAGEM A PARIS II

  PARIS
A LEITURA DO SONHO

No sonho se a imagem incorporada de sua irmã, no real, é negativa, a compensação surge para regular a dissociação entre aquilo que sua irmã realmente é e aquilo que você “pintou” que ela é. Neste caso trabalhe suas dificuldades e resignifique o significado de sua irmã, para que se processe a sua reconciliação interna e este resultado possa ser projetado nas transformações que você busca dentro de sua realidade. O sonho é indicação de uma tendência de proximidade ou de caminho a ser seguido.

O significado de irmandade se apoia nos laços consanguíneos, mas estes não bastam, porque na vida adulta a irmandade o significado se amplia da família para o coletivo levando-nos à compreender que a irmandade supera o sanguíneo e nos aproxima da unidade coletiva, e essa passagem é dinâmica de amadurecimento e de transcendência. Neste momento se os laços familiares se fortalecem no afeto, na confiança, no partilhamento, as relações se consolidam e seguem em laços mais fortes. O momento portanto, é propício para esta proximidade, mas para isso é preciso resignificar seus conceitos de irmandade.

Se considerarmos a representação de Paris como cidade Luz, o sinal é de que você caminha, ou voa, para cidade das luzes, reconciliada com a sua irmã. Claro que junto da sua irmã pode ser prenúncio de amadurecimento da relação, a eliminação das arestas que possam impedir o aprofundamento da relação. A indicação de viagem das duas é sinal de aproximação entre você e a representação. A relação se resolve inicialmente dentro de você, na proximidade que acontece com os conteúdos, entre as duas irmãs.

Não há como pensar Paris sem pensar em Torre que pode ser um dado a acrescentar. Se pensar em torre de Babel é a vaidade e a ganância gerando distanciamentos no diálogo. Se pensar na tradição cristã é o símbolo de vigilância e ascensão. Mas como a torre não apareceu pode ser que o conflito solucionado promova o seu aparecimento. Portanto cuidado com as diferenças de linguagem, porque essas diferenças criam abismos, distâncias e o silêncio forma torres que nos aproximam da ascensão que nos leva a Deus.

No caso da viagem ela surge também como compensação, fuga da realidade, necessidade de mudança interior, desejo de transformação, compensação de anseios e desejos, espelho de insatisfações com a sua realidade.  E  a generosidade da sua irmã, lhe dando a viagem, compensa o conceito dela ou sinaliza a sua expectativa de que ela satisfaça seus sonhos... como dever de irmã.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

AFETO... LEITE SAGRADO - I



CARLA 148
Primeiro sonhei que estava chegando em casa quando vi o carro da minha madrinha estacionado na garagem. Como não gosto de visitas e sabia que aquela em específico era para mim, fui insatisfeita direto para o banheiro limpar meus óculos de sol. Conforme eu limpava a lente ela ia clareando como se realmente saísse a cor. Nisso minha mãe foi me chamar tentando dar a entender que eu não percebera ainda a presença da minha madrinha. Sem solução fui cumprimentá-la. Ela abraçou-me e já foi chorando, dizendo que sentia muita falta de mim, do meu abraço, e foi falando um monte de coisas. Pude notar com o sonho que, embora tenha meu lado carente, não tenho coragem de expressá-lo como fez minha madrinha no sonho. Achei a postura dela exagerada, muito carente, quase me colocando num pedestal. Eu não me sentia nada do que ela falava. Eu não me sentia como alguém que pudesse provocar tanta saudade e, ademais, por mais falta que ela me fizesse, eu não estava derramando nenhuma lágrima por ela, pois isso em nada mudaria a realidade da nossa distância.



O sonho traduz que sou uma pessoa fria, distante, com minhas reservas e, ademais, posso ser carente, mas não gosto de gente carente em volta de mim.

Madrinha é mãe substituta. Parece que apesar de sua carência,  não é a carência de mãe o foco do dilema. Isto pode reforçar a compreensão de que a existência do triangulo familiar, Filha X Mãe X Irmã, não envolve a questão da carência do seu afeto, e nem faz de sua mãe uma “Mãe Abandônica”. Já que o problema não é a carência o nó pode estar na competição que voce projeta e nos conteúdos ligados a essa disputa com sua irmã: inveja, egoísmo, caprichos, birra, vaidade, possessividade, ciúme, insegurança, fragilidade, infantilidade, etc.

Perceba a lucidez psíquica, mas não a pense como consciência. Essa lucidez é o senso do espírito do universo que nos chama permanentemente para a possibilidade de nos agregar ao seu eixo. Este espírito do universo que em nós pode ser traduzido como alma, necessita daquilo que desenvolvemos: A consciência, que quando agregada a esse espírito favorece a evolução e o sentido da existência. Sua psiquê amplia a indicação de sua questão primordial, aquele que pode estar definindo seu destino. E amplia essa compreensão quando nos clareia, num grau mais abrangente, a indicação do alvo onde está localizado o NÓ, independente dos outros que existam.

Naturalmente uma pessoa carente se alimenta de afeto e do carinho que lhe chega, se você escolhe uma fonte do afeto e despreza outras fontes, o problema “carência” se mostra pouco provável. Então essa suposta carência pode estar servindo para que você tenha sempre justificativas para sustentar determinados comportamentos, atitudes, caprichos, inseguranças, indisponibilidade, falta de afeto, distanciamento. Ou seja, serve para que você se esconda atrás desta máscara de carência. Serve para que você manipule as pessoas com esta suposta fragilidade.

É claro que se essa leitura estiver sintonia com a mensagem do seu inconsciente você pode parar de rodar ao redor do seu umbigo e encontrar um caminho, uma referência para sustentar suas mudanças. O caminho onírico é assim nos tateamos enquanto o Inc. vai nos indicando o rumo.

No momento seguinte você limpa seus óculos. Veja só: os óculos são protetores visuais e ampliadores de imagens. Você limpa os seus óculos de sol, não são óculos ampliadores, são protetores, e a cada limpada mais claros ficam seus óculos, o verniz é retirado, a defesa é retirada, a proteção excluída e o que acontece? Sua visão esta se ampliando, clareando.. Sem defesas você vai ao encontro da sua mãe substituta para receber e dar o abraço, que você nega. Ela realça a sua importância, valoriza a sua existência, e você que tem duas mães é que se dá ao direito de dispensar o amor e o carinho de uma delas.

A sequência do sonho é singular porque espelha a “carência” que você usa como instrumento e com a qual não se identifica, até mesmo se incomoda.

Bem, aqui pode aparecer uma incoerência: Geralmente tendemos a nos incomodar com o nosso espelho. É fatal: Se o outro te incomoda em alguma característica é muito provável que o outro seja aquilo que você é, e que te incomoda. O carente não suporta o carente, não suporta a carência de outro carente.

É possível que o surgimento da mãe postiça venha para suprir aquilo que sua mãe não lhe dá, mas sua obsessão só foca sua satisfação na sua mãe biológica. A vida muitas vezes nos ajuda a solucionar nossas carências por varias vias que não a original. É inteligência saber distinguir este apoio e aceitar a oferta para que possamos abandonar estes miasmas de um passado mal resolvido.

Sendo assim, não se pode descartar uma das possibilidades, elas podem estar corretas. Uma característica é autêntica e a outra pode ter sido uma produção incorporada como defesa. Quando construímos defesas a partir do idealizado, nós incorporamos aquilo em que acreditamos.

Vou citar um exemplo, sem segundas intenções, faço uso do exemplo para mostrar o raciocínio e não quero dizer que é o seu caso:

O mentiroso produz um grave problema. Cada vez que produz uma realidade imaginária para atender sua necessidade de manipulação dos eventos, aquilo que vai transformá-lo numa pessoa emocionalmente inconsistente é que com o passar do tempo ele vai incorporando suas mentiras, acreditando nelas, até que chega num ponto sem retorno quando perde as referências do real e do irreal, produzindo uma dinâmica de instabilidade e de insustentabilidade, a neurose.

Voltando ao tema: possivelmente você pode ter incorporado essa suposta carência como uma “verdade” que hoje não te larga. Uma referência de fragilidade, de falta, de ausência. E aquilo que era apenas um artifício, um instrumento se transformou numa encrenca, num conteúdo autônomo que hoje define sua forma de responder à realidade mas que não atende sua necessidades.

AFETO... LEITE SAGRADO - II



PEQUENA  MENSAGEM ONÍRICA


Mas se existe uma mensagem neste sonho ela pode ser um aprendizado: Antes de querer receber aprenda a dar, aprenda a amar independente de ser amada. Aprenda a abraçar, a distribuir carinhos e carícias, e também a aprenda a receber, seja de quem for. Não abrace apenas o belo, o jovem, o novo, o bonito, a estrela. Um dia a beleza acaba, a saúde acaba, a juventude vai embora, mas o amor, para aqueles que aprenderam a ser amorosos, fica.

Abrace com amor, como se estivesse distribuindo riquezas. Abrace de verdade, com autenticidade, com disponibilidade. Distribua amor. Quando tocar no outro toque com carinho, delicadeza, toque solidária, com compaixão.

Neste mundo hoje, onde há tanto sofrimento, dor, dificuldades, angústias, seja afetuosa com os menores, com os pobres, com os carentes, com os que sofrem, porque essa é a melhor forma de termos compaixão, de aliviar a dor dos necessitados. Estamos todos no mesmo barco, e a existência é uma jornada que muito exige de todos, e cada vez mais perceberemos o sofrimento ao nosso redor. Por isso procure ser leve, com carinho a gente consegue. Dê um pouco de si. O universo agradecerá lhe inundando de amor, suprindo suas carências. Deus é madrinha.

Quando ficamos muito focados na falta que vivemos, na falta do que temos, o sofrimento que sofremos parece que cresce, a dor aumenta, a solidão não cabe no coração, mas quando doamos um pouco de carinho, nossa dor se alivia, e a jornada se torna mais suave. É assim que me sinto.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

À FLOR DA PELE

imagem do livro 1000 Tatoos
Ed Henk Schiffmacher - Taschen
Carla

Sonhei que estava em casa quando surgiu na minha pele um monte de tatuagem de pequeninas flores coloridas e fiquei com a pele toda coberta com os desenhos. Quando cheguei perto da minha mãe as tatuagem começaram a surgir nela também. Comentei que aquilo deveria significar algo que ficara marcado dentro de nós e que, por algum motivo qualquer desconhecido, estava exteriorizando de modo anormal. Seria isso mesmo?

O comentário surge dentro ou fora do sonho? Fora este detalhe significativo, vamos passar o olhar e passear pelo conteúdo:

Lembrei-me de uma música do excepcional Chico Buarque:

Tatuagem

Quero ficar no teu corpo Feito tatuagem

Que é prá te dar coragem Prá seguir viagem

Quando a noite vem... E também prá me perpetuar

Em tua escrava Que você pega, esfrega

Nega, mas não lava... Quero brincar no teu corpo

Feito bailarina Que logo se alucina

Salta e te ilumina Quando a noite vem...

E nos músculos exaustos Do teu braço

Repousar frouxa, murcha Farta, morta de cansaço...

Quero pesar feito cruz Nas tuas costas

Que te retalha em postas Mas no fundo gostas

Quando a noite vem... Quero ser a cicatriz

Risonha e corrosiva Marcada a frio

Ferro e fogo Em carne viva...

Corações de mãe, arpões Sereias e serpentes

Que te rabiscam O corpo todo Mas não sentes...

A vida é assim, naturalmente tem príncipe que nasce para ser Ob, e tem gente que nasce para ser príncipe, e outros querem ser tatuagem no corpo da amada, do amado, para ficar encravado na pele do corpo do prazer.

Mas a música não fala apenas da paixão, mas do amor que carregamos, sendo o que somos, o produto do amor, a cicatriz consentida e exposta do amor.

Você está tatuada de seu pai e de sua mãe. Eles estão registrados nas suas entranhas, e nas linhas deste órgão exposto que nos protege do impacto da realidade. E se agora, flores afloram na sua pele e mostram a sua natureza de origem materna singela, perfumada, em forma de uma das mais belas criações divinas, elas que representam a feminilidade exposta, a flor, podem simbolizar a emersão deste seu lado. Você chega à estação das flores. Se isso indica sua origem, indica um lado feminino, de renovação, símbolo do princípio passivo. Símbolo do aeternus femininus.

A floração é o resultado de uma alquimia interior, a união dos elementos fogo e água, essência e sopro, o retorno o eixo, o elixir da vida, o retorno ao centro à unidade, à origem. A flor também pode representar a alma, o arquétipo do espírito, o centro espiritual.

Se hoje do interior afloram flores, que elas venham para compensar as tristezas ou para te lembrar das origens perfumadas de nossas vidas: o amor. Que o amor aflore na tua pele para que possas viver o sabor do perfume. E hoje, se ainda, como moça desvirginada, quem sabe amanhã, como matriz da vida, proliferando a força do amor. A sensibilidade aflora.

Para finalizar, somente lembrando outro poeta em forma de música, Zeca Baleiro:

Ando tão à flor da pele,

Qualquer beijo de novela me faz chorar...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

FEED BACK




carla

Feed back em autonomia:



A interpretação faz total sentido e sinto que há uma criança carente dentro de mim que tem suas recusas de crescer e se libertar da dependência cômoda. Não sei por que razão me desmotivo julgando minhas atitudes como desimportantes, mas isso de fato ocorre e talvez esteja ligado ao sentimento de insignificância perante a vida ou o mundo. Não existe culpa relacionada à aborto, mas sim ao fato de não desejar ser mãe e julgar que isso é uma 'obrigação' na vida de toda mulher.

Se eu pudesse identificar um ponto comum aos brasileiros diria que é  Baixa Auto Estima, associada a um Complexo de Inferioridade coletivo que atinge a sociedade como um todo. Muitos que dizem por aí que não tem problemas com a auto estima, em geral apenas compensam a baixa estima com uma alto superestima. Uma compensação que não resolve o problema na essência, mas paenas na compensação.

O oposto pode ser encontrado na sociedade americana do norte. o Norte americano tambem apresenta problemas de auto estima, mas no caso deles pela presença do Complexo de Superioridade. Eles se superestimam, tanto que acabam se mostrando, no geral, mediocres. O que era de se esperar, já que aquele que se considera muito bom ou superior não precisa se superar, já se acredita maior.
No nosso caso, apenas com a maturação, como personalidade, individuo, socio-político, independência, podemos conseguir superar essa encrenca. É como viver fora do eixo tendo permanentemente que compensar o desvio.

PRECISAMOS ENCONTRAR O NOSSO TAMANHO,
PARA SERMOS DO TAMANHO QUE SOMOS. 
NEM MAIOR, NEM MENOR,
MAS DO NOSSO TAMANHO.


Mas como encontrar o tamanho que somos? Essa, para mim, é a grande questão da psicologia dos brasileiros, superar o Complexo de Inferioridade. O inicio do caminho é nunca abrir mão da cidadania, da dignidade, da verdade e o mais rápido abrir mão do orgulho, da vaidade, dos capichos.

 Mas é uma longa jornada de paciência.



segunda-feira, 16 de agosto de 2010

SPECTRU E SCORPIONE

carla

Sonhei que estava com uma equipe quando chegamos a uma casa que diziam ser mal assombrada. Não fui a primeira a entrar, mas o fiz sem receios. O interior estava sujo e não havia iluminação artificial. Já passara do anoitecer e enquanto do lado de fora ainda parecia ser dia, lá dentro o ambiente de penumbra já dificultava bastante a visão. Comentei que meu único medo era de algum bicho peçonhento e citei de exemplo o escorpião. Sentei numa mesa muito empoeirada e tentei entrar em contato com os 'fantasmas' do local. Senti que haviam forças fortes naquele ambiente e rezei caminhando ao redor da mesa com as mãos levantadas ao alto. No mesmo cômodo que eu havia uma outra pessoa que ora tinha a fisionomia de homem e ora de mulher. Provavelmente era meu animus feminilizado. Depois de algum tempo retirei-me do local, pois ali dentro no meu sentir não havia nenhum 'fantasma'. Interessante que embora aquela casa tivesse aspecto de abandonada, todo o seu redor estava muito bem conservado. Haviam pés de plantas medicinais como alecrim e manjericão cujas flores perfumavam o ambiente. Também havia canteiros de hortaliça super verdes. A terra estava bastante adubada e molhada como se alguém houvesse acabado de aguar os canteiros. Abracei uma jovem como se estivéssemos a comemorar o fato da casa não estar assombrada. Depois disso ela apanhou um ramalhete de flores de alguma das plantas medicinais e me deu para eu segurar. Cheirei-as e depois entreguei ao rapaz que estava dentro do carro nos esperando. Era o sujeito que por vezes tinha a fisionomia de mulher. Eu queria abraçá-lo também, mas sentia que ele parecia irritado, triste e sentindo-se frustrado, talvez por ter achado perda de tempo termos ido numa casa assombrada que não era assombrada. Ajoelhei-me do lado de fora do carro e da janela acariciei o rosto dele, que nesse momento realmente tinha a fisionomia de uma mulher, e disse que estava aguardando ele se declarar. Sentia que havia um amor lindo entre nós e coloquei-me aberta para um envolvimento maior. Isso é tudo o que lembro.

O universo e espantoso e inimaginável energeticamente. A profusão de energia que nos envolve é colossal, e é evidente que é fundamental termos cautela para lidar com a multiplicidade de dimensões superpostas em que estamos inseridos.

O sonho focaliza sua atenção em pontos que merecem essa cautela. Você parece-me mais a vontade com a realidade extra dimensão, além do materializado, do que com o concreto. Você lida bem com as forças, com os campos energéticos espectrais, do que com escorpiões.

Tudo bem que o aracnídeo seja de hábitos noturno e peçonhento, mas há dificuldades para lidar com o perigoso materializado como não ter cautela para lidar com o imaterializado?

O escorpião encarna como animal noturno, o perigo, o espírito belicoso, mal humorado, dissimulado, ágil, imprevisível; Como animal diurno simboliza a abnegação, o sacrifício materno. Na mitologia grega é o vingador de Ártemis (Diana) a virgem vingadora eternamente jovem, fugidia. Ofendida por Orião que tentou violentá-la a deusa providenciou para ele fosse picado por um escorpião e como agrado transformou o escorpião em constelação. Na astrologia é símbolo de resistência, luta, dinamismo e morte. Em síntese: Um canto de amor no campo de batalha e um grito de guerra no campo de amor, como natureza vulcânica seu elemento sãos as tragédias e as tormentas.

Veja que esse medo do escorpião pode ser o medo desta força interior que mobiliza em você a impulsividade, a agressividade, a reatividade, mas o medo projetado no animal é apenas o símbolo de sua dificuldade para lidar com este elemento abstrato e simbólico.

Há o receio mas pode lhe faltar cautela para lidar com o conteúdo mental, essas forças internas.

Tudo bem sua casa já não está tão assombrada mas ainda precisa de cuidados limpeza, a parte externa, aparente, visível, está cuidada mas a interna precisa de atenção, luz, cuidados, limpeza.

Apesar do Animus ser um conteúdo puro, pode aparecer contaminado. Essa contaminação aparece nesta manifestação de irritabilidade, frustração do sujeito dentro do carro “ele parecia irritado, triste e sentindo-se frustrado, talvez por ter achado perda de tempo termos ido numa casa assombrada que não era assombrada.” Parece-me bastante caprichoso e pouco consistente, um comportamento muito parecido com o seu tédio manifestado quando não há algo de extraordinário para alimentar sua necessidade do especial.

Mas fica a dúvida: o que existe é uma mulher se comportando como homem ou um homem com cara de mulher? Para avançarmos mais é necessário que você seja menos pão dura nos seus feed back e possa participar dando mais retorno com suas percepções e informações. Neste aspecto o conteúdo scorpionino é mais masculino, e à medida do seu temor pode representar um achatamento no conteúdo masculino que acaba promovendo desvios para se manifestar de alguma forma frente à sua repressão, temor ou relevância diminuída.
Isso pode ser o vento que define suas relações afetivas com o masculino. Há  preferência, em você, na escolha de homens mais femininos e passivos?

domingo, 15 de agosto de 2010

FACE E CABELOS




Carla145


Por fim, num quinto sonho, eu estava num quarto estilo de bebê. Ele era pequeno, havia duas camas de solteiro e no meio delas um berço. Tudo estava enfeitado com temas infantis e haviam muitos brinquedos. Várias crianças brincavam surpresas e felizes naquele ambiente como se fosse a primeira vez que estivessem entrando no quarto. Enquanto isso eu estava tendo meus cabelos penteados, mas não estava gostando, pois quem remexia neles parecia não ter delicadeza suficiente. Haviam mais duas pessoas cujos cabelos estavam sendo tratados. Uma delas estava tendo o cabelo escovado e outra tinha o cabelo sobre uma mesa donde passam nele um rolo metálico chamado Skin Cooler, um acessório de beleza que em verdade é usado no rosto, pois fecha os poros e clareia as olheiras. Eu não tenho esse instrumento, mas achei muito interessante sonhar com isso, pois desde alguns dias que venho tratando melhor do meu rosto e colocando rodelas de pepino geladas sobre os olhos. Eu já vira esse acessório ser utilizado em canais de novela, mas não sabia nada sobre ele. Pesquisei e descobri que o mesmo é guardado no congelador e tirado apenas na hora de ser deslizado no rosto, pois a superfície gelada faz os vasos sob a pele se contraírem. No sonho o rolo era passado sobre um enorme cabelo liso e volumoso e eu não via a hora de receber aquele tratamento específico.

O que me diz de tais sonhos? Você disse que eu poderia dar nome para facilitar a identificação dos personagens internos, mas como diferenciar os arquétipos dos personagens que apenas apresentam traços arquetípicos?

A psyquê utiliza o que acontece em nosso dia a dia para se articular na sua dinâmica de atualização. Um dado que salta ao olhar é a proximidade daquilo que acontece no dia com o que acontece no sonho. Este fato para mim sinaliza uma proximidade de tempo e de intenções e é claro que evidência o quê antecede o quê. Se a intenção do Incs. Antecede a consciência a direciona em sua ação.

Vejamos: a sua atitude premente é a de cuidar do seu rosto. Você promove a ação. Mas sonha sobre o tema que focaliza o cabelo. Bem... Não sabemos s o que antecede a ação de cuidado, se o filtro da pulsão de Incs. Ou se a necessidade do ego. O sonho precede sua ação na realidade ou ele apenas reforça a mobilização de sua conduta?

Eu lhe digo:

O Incs. mobiliza seus cuidados pessoais e o sonho lhe indica a importância de ficar atenta a este cuidado. Precisaria investigar sua atitudes mas parece-me que se você cuida da pele do seu rosto é necessária saber porque realiza este cuidado e se está cuidando da coisa certa.

Você Pinta, tinge, seus cabelos?

Seus cabelos são secos ou oleosos?

Qual tipo de química você utiliza para cuidar dos seus cabelos?

Estes produtos podem esta produzindo alguma reação na sua pele facial?

Possivelmente cuidar deste rosto sem saber se o que vem de cima, do cabelo, não o compromete, pouco pode valer!

Avalie!

O que me diz de tais sonhos? Você disse que eu poderia dar nome para facilitar a identificação dos personagens internos, mas como diferenciar os arquétipos dos personagens que apenas apresentam traços arquetípicos?


Se você conseguir localizar o Arquétipo saberá distinguir o que é traço!

sábado, 14 de agosto de 2010

PHALUS ERECTUS










Invocação a Priapo Sec. I d.C., Pompéia , Casa dei Vettii

CARLA 144
No quarto sonho eu estava trabalhando dentro do consultório de um nutricionista. Havia uma repartição atrás de mim que compunha uma sala de espera, donde tinha uma televisão ligada e, do lado, a sala de atendimento. Eu era uma espécie de secretária particular, estava com um monte de cheques na minha mão e tinha de ligar para alguns clientes a fim de resolver problemas relacionados aos mesmos. Nisso uma paciente entrou e, depois de ser atendida, no momento em que ia saindo do consultório, perguntou se eu estava vendo televisão, mas sua pergunta foi com ar de crítica, como se eu estivesse deixando o trabalho de lado. Nesse momento o nutricionista estava sentado numa poltrona encostada a parede e à minha direita, entre minha mesa de trabalho e a porta de saída. Antes que eu pudesse responder qualquer coisa ele disse-lhe com ar irônico que eu estava sim vendo televisão. Ele respondeu dando a entender que ali dentro eu podia fazer o que bem quisesse. Aquela defesa agradou-me e assim que a senhora terminou de se retirar, fui até ele e beijei-lhe várias vezes na face. Ele foi receptivo, mas não retornou meu afeto ficando estático. De todo modo eu apreciei a aproximação sentindo enorme prazer e não me importei com a postura dele. Além do mais, ali era um ambiente de trabalho. Ele comentou que não estava tendo tempo para nós dois com tantos pacientes, mas que recompensaria isso assim que saíssemos dali. Interessante que até então eu estava tão concentrada no trabalho que não percebera ou assumira o fato de haver uma ligação de intimidade afetiva entre eu e o nutricionista. Era como se nada e tudo houvesse entre nós ao mesmo tempo. Quando ele levantou-se notei que ele ficara excitado. Ele tentou esconder o fato tampando com o jaleco, mas eu falei para ele deixar de ser bobo e então ele soltou o traje e passou por mim tentando não demonstrar seu constrangimento ou não querendo se importar com a suposta vergonha que demonstrou sentir inicialmente.

O nutricionista é o que: cuida da alimentação balanceada, correta para a boa saúde do indivíduo, mas dentro do contexto onírico é plausível compreender que além de orientar a boa alimentação, parece um conteúdo que nutre sua necessidade de proteção, compensa sua carência, se excita (se energiza), mas quando se envergonha, você assume o poder de dominadora, mostrando uma postura pró-ativa, naturalista, com flexibilidade moral, sem julgamento ou críticas.

Podemos pensar em dois lados um mais contido e outro mais natural, um mais moralista e outro menos, um mais tímido e outro mais preparado para enfrentar a cobrança da manifestação sexual.

Interessante é que o sujeito é capaz de agir em sua defesa frente à cobrança profissional, mas se mostra recatado frente ao crescimento do Falus Erétil. E você não sabe se postar frente à cobrança, mas socorre aquele que te protege. Isso pode significar ambivalência, conflito entre posturas ou mecanismo para se esconder. Pode ser que conceitualmente você aceite o comportamento sexual mais liberado nos outros, é capaz de defendê-lo, mas em você não sei se a repressão lhe protege permitindo-lhe um lugar confortável na idealização. Isto quer dizer confortável até que o desejo se empurre para o cenário do desconforto tento que optar pelo comportamento casto quando o desejo é de se mostrar uma mulher Fálica, de exibir a sua sexualidade e dominar através de atitudes escoradas na representação simbólica do Pênis Erectus. Neste caso quando o outro evidencia a força do falus, você estimula a exibição e satisfaz em você a sua necessidade de também ser mais exibida.

Não se assuste, a sexualidade é uma natureza complexa na sociedade humana. Associada ao pecado fica mais complexa, reprimida, sucumbe à força de um vulcão interno que eclode produzindo prazer e dor, conflitos.

É importante que entenda que as forças da repressão cobram, quando ficamos ancorados em conceitos confusos e tradicionais. Às vezes a sociedade sinaliza liberdade mas se comporta de forma tradicionalista e conservadora. E o conservador é mais tradicional e presente do que podemos imaginar na sociedade dita livre.

Se existe um caminho que precisa ser experimentado é o inevitável caminho de nossa natureza sexual, e experimentando podemos sondar este universo que se conecta ao mais profundo de nós mesmos.

Quando tratamos esse lado com delicada sutileza, cada passo pode ser dado na descoberta do corpo, do prazer e da melhor forma para lidar com essa força. Desta forma a descoberta pode ser cheia de prazeres, orgasmos e êxtases, brindando o corpo com a possibilidade de um caminho suave, delicado e cheio de pureza. O sexo não precisa ser impuro, nem deve sê-lo, ao contrário, ele apenas é o espelho da forma como nos relacionamos com o nosso melhor, nossa natureza procriadora, a vida.

No sonho a mulher repressora, que existe em você, lhe confronta com a figura de autoridade, e o conteúdo masculino a protege, fortalece, porque atende à sua expectativa e carência. Encontrar a proteção pode ser o caminho para encontrar o desejo sexual, mas pode ser a armadilha que a colocará nas mãos do outro, já que lhe abre uma porta por onde ansía entrar, a de valorizar aquele que atende às suas expectativas.

O caminho não é encontrar alguém que atenda essas expectativas da falta e da ausência, mas o de encontrar alguém com quem tenha identidade e com quem possa partilhar o prazer de viver. Se o caminho social tradicional,“aceitável”, e confortável para a mulher práticar sexo, ao longo dos séculos, foi o casamento, podemos compreender melhor a sua ansiedade, se existe, do encontro deste “marido”.

Mas o mundo, hoje, oferece mais opções para a mulher moderna, mesmo que isso possa implicar na necessidade dela romper com o véu do tradicionalismo. Por trás da modernidade, a sexualidade feminina ainda demanda muita confusão conceitual e simbólica, um exemplo é a força de costumes como a manutenção da virgindade e as celebrações que ainda funcionam como rituais de passagem e anunciação coletiva da vida de virgem pura para a da mulher adulta e acasalada. Boa reflexão. Bye.

Obs. Considere que sem informações de sua experiência e conduta sexual, fica muito difícil para mim a compreensão desta sua natureza, visto que o sonho está diretamente relacionado com este comportamento. A leitura no caso é apenas uma referência para a sua reflexão.



sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O CORPO DESPERTA, A ENERGIA CIRCULA

Carla 142

Em segundo sonhei que estava descendo de esqui numa espécie de escorregador de alumínio coberto com gelo e que tinha muitos altos e baixos. Havia momentos que até voávamos entre uma lombada e outra. Descia-se de dois e o fiz junto com uma jovem. Ao final caíamos divertidamente numa piscina de água morna. Entretanto, notei que a água já estava meio suja e disse que ia passar para a outra parte do clube, ir para outra piscina. Interessante como desci o tal escorregador: embora a jovem tenha ficado na minha frente pelo fato de ser mais baixa, era eu quem guiava o esqui como se estivesse acostumada a andar naquilo, sendo que em verdade nunca o fiz. Foi muito natural, tanto que pergunto: como isso é possível?

No universo dos sonhos não existem limites. Nossos limites somos nós O sonho é interessante e avança nas suas transformações. Vejamos:

Você sai do gelo e cai na piscina de água morna. Há movimento, movimento de energia, dinâmica de transformação. A energia bloqueada, como a água fria, fica mais densa, pouco se movimenta. A água corre para o mar, esse é o sentido natural do fluxo da energia. Na verdade para baixo e apenas uma referencia, já que no espaço não existe nem baixo nem alto, e nunca sabemos se descemos ou se subimos.

A ENERGIA em movimento se esquenta sinaliza vitalidade aflorando. Energia sendo liberada.

A água anda meio suja. Beba mais água. Diluía o que pode ser tóxico.

Há movimento, sinal de que sua flexibilidade aumenta. Bom sinal. Guiando o esqui, você guia a sua vida. É verdade que você pouco a dirigiu, mas assumindo a direção descobrirá que pode ser mais fácil do que somos capazes de imaginar.

Nossos limites somos nós mesmos, triste é que as pessoas apenas descobrem os limites da transgressão para que possam se superar, aqueles que quando superamos produzem limitações psiquicas, nó, busílis, bloqueios em nossos fluxos harmônicos.