terça-feira, 23 de março de 2010

QUESTÕES





   Ondas Psy

Nas últimas noites tenho a sensação de não estar sonhando e, quando sei que sonhei, não consigo ter lembranças claras.

Existem momentos em que a relação Sonho vigília é alterada. Os sonhos continuam a existir, mas a memória é tão frágil que não consegue manter-se, sem dissolver-se, na passagem da dimensão do sonho para a dimensão de realidade na vigília.
São duas dimensões em que vivemos com um único corpo:
Na vigília, o corpo desperto, todos os sistemas funcionando “a toda”, a consciência ligada, plugada, o corpo em ação total frente aos riscos e exigências de uma realidade ameaçadora.
No Sono, o corpo em repouso, o sistema em baixa frequência, em dinâmica de atualização consequentemente funcionando com pouco gasto energético e com funções em processo de “Pausa”. Baixa capacidade de memorização, retenção, evocação e registro. A energia disponível está sendo utilizada na manutenção das funções orgânicas e pouco disponível na capacidade de recepção de imputs e registro de dados. Quando próximo do despertar, o corpo começa a ser acionada, a frequência elevada para recuperação da capacidade total de funcionamento.
Nesta transição de uma dimensão para outra, existe uma memória integrada à função onírica e outra à função de vigília. Se o individuo vem de algum processo de repouso mais profundo em decorrência de um desgaste maior no dia a dia, este vácuo entre uma dimensão e outra, entre uma realidade e outra, aumentam, provocando a diminuição da capacidade de registro na memória de vigília, ou impedindo a transferência e o registro de dados, protegidos num quadro transitório, que permite certo nível e consciência, para o registro definitivo em realidade de vigília.
Em outras palavras: o cansaço, situações de estresse, de choque, esgotamento, uso de medicamentos, álcool, drogas, alimentação pesada que promova digestão noturna lentificada, excitabilidade, adiamento da hora de sono e repouso, podem provocar a baixa capacidade de memorização e limiar de consciência inferior. 



VENENO SUBLINGUAL

Para quem acompanha o BBB10...

 
"Acho que essa foi minha pior noite aqui no Big Brother", afirma Anamara. No corredor da Casa Luxo, Anamara revela a Dicesar:



"Tive pesadelos a noite inteira".


A baiana diz que sonhou que "coisas ruins" saíam de sua boca, “Eu to agoniada, uma dor bem aqui no estomago, teve uma hora que eu tive um sonho tão ruim, saia umas coisa da minha boca, eu engasgava, e eu sonheo que tava cuspindo e acordei cuspindo”. Muito ruim. Muito ruim. Muito, muito ruim..”


O maquiador prefere comentar o clipe que os brothers estão assistindo na TV.
“...Ainda na sala, Anamara comenta com Fernanda um pouco mais dos sonhos ruins que teve durante a noite. "No sonho, eu dizia:
"Mas Cadu, você sabe que só justificou seu voto dessa forma porque sua melhor amiga estava aqui dentro",
relembra a baiana.


"E ele ficava calado", completa,
 Fernanda sugere que as duas saiam da sala, e a dupla vai para o Quarto Tattoo.
"Eu quero evitar ao máximo falar as coisas perto do Dourado", explica a dentista.
A baiana continua desabafando e explicando seus pesadelos.
"Que golpe baixo”. “Muito feio”, repete a baiana, sobre a atitude de Cadu na brincadeira de ontem...”.


Quanto mais me dedico à comprensão dos mecanismos do inconsciente mais fico admirado com os mistérios que envolvem nossa existência na realidade e na dimensão dos sonhos.
Os trechos do sonho acima pinçado no Reality Show BBB10, retratam de forma admirável como o inconsciente nos alerta para os nossos erros, equivocos e cuidados que deveriamos ter com nosso comportamento.
A leitura imediata é simples e definitiva, a pessoa em questão, nos últimos dias se sentiu tão pressionada e ansiosa manifestou sua desconpensação no confinamento tentando através de palavras desqualificar os outros participantes  rivais e extrapolou na sua verborragia. A leitura é o que é:
no sonho de sua boca saem coisas, que a faz engasgar ou cuspir. Coisas desagradáveis ou nojentas ou incômodas:
 VENENO CUSPIDO.

O sonho tenta reequilibrar a função psiquica descompensada, sinalizando para o cuidado necessário com o que sai da boca e alertando o sonhador para disciplinar sua ação dentro da realidade.
Pedagógico!

sábado, 20 de março de 2010

FEED BACK 10

FEED BACK

Foi muito preciso tudo o que escreveu e adorei a imagem do túmulo.
A cada sonho me impressiono com a “inteligência” oculta que existe em nosso inconsciente.
Sinto que sempre fugi para me esconder na idealização do que queria parecer,
mas atualmente tenho me esforçado para mudar isso.
Claro que ainda acho um bocado difícil, mas o melhor é a exata compreensão
dessa necessidade tão real que me é interiormente cobrada.
Hoje tenho consciência de que a permanência de tormento existe além dos sonhos,
pois se estende na realidade da vida.
Ninguém cresce se não enfrentar os próprios tormentos a que tem medo.
O sonho é uma parábola perfeita a mostrar-me que a vida nos força sempre,
cedo ou tarde, a sermos fortes usando nossa parte de pessoa madura, integra, plena e capaz de crescer, vencer, superar limitações, se defender impondo respeito e autonomia moral.

O desfecho final de tal sonho pode significar um começo de sucesso no caminho certo em retratação da vida real em si?


Antes de responder-lhe, Agradeço-lhe o feed back.
Ele confirma que seguimos um bom caminho, e que o esforço, ou os escritos, tem valido a pena, . É nítido o avanço que realiza na compreensão de si mesma, considerando sua reflexão.
E se assim não o fosse teria motivos para, neste momento,
encerrar esta experiência, este nosso diálogo Surreal entre dois conhecidos desconhecidos.

Se bem entendi sua questão... Sim!
E quando se refere à possibilidade de sucesso na caminhada,
eu definitivamente qualifico o propósito, como esse, de SUCESSO.
Por escolha pessoal, e as fazemos, podemos passar por essa vida como alienados, ignorantes, sonsos,
 lerdos, desinteressados, iludidos ou fantasiosos,
como soberbos ou obcecados, compulsivos nos vícios ou entediados,
 gananciosos ou materialistas, como mentirosos ou enganadores,
 ladrões e corruptos, assassinos, deformados, sofredores, vítimas, dramáticos,
revoltados, etc.

Não importa o escape.
São muitas as possibilidades que existem
 para nos enganar, para nos esconder de nós mesmos
e dos nossos Desígnios.
Há muito tempo atrás eu fiz uma escolha, passei a me desvencilhar de armadilhas do efêmero e reavaliei meus conceitos e valores. Passei a focar com determinação meus propósitos e a parar de perder tempo com falsos luxos.Se essa vida tem um luxo, provavelmente o único, seja o de podermos nos dedicar ao aprimoramento da alma e do espírito, o resto é insignificante e serve apenas para nos distrair deste propósito fundamental.
Acredito que é de direito usufruir do melhor de nosso tempo: Música, Literatura, Dança, informação, Tecnologia de Ponta, Conforto, Saúde, Qualidade de Vida em primeiro lugar. Viver bem e aprimorar-se é fundamental, é a primeira exigencia da natureza.

Quem não rompe esse pré-requisito
se perde na profusão da evolução mas principalmente,
 perde o "timing"da Roda  da Vida.
Essa é a forma mais plena, acredito, de podermos agradecer à dádiva de viver. Com ela abandonamos a escravidão moderna da sociedade compulsiva e consumista que só valoriza o acumulo, o poder e o efêmero e passamos a agir com o INTENTO dos GUERREIROS que não perdem de vista o Eixo do Sentido da vida e se dedicam a realizá-lo.

sexta-feira, 19 de março de 2010

FEED BACK 9




  


Muitas vezes, para sermos fieis ao que sentimos, sermos verdadeiros com o que pensamos, é preciso aceitar a consequência de ser visto como uma pessoa insensível, fora do bom sendo e até mal educada. Eu me vejo muito arisca, sarcástica e ríspida perante as pessoas com as quais não tenho afinidade, pois não gosto de permanecer no mesmo ambiente, não me desgasto com conversações que não me agradam ou com justificativas que não me vejo na obrigação de dar e nem se quer faço questão de cumprimentar. Se eu for agir por educação e bom senso eu terei que ser falsa. Hoje tive coragem de desvencilhar-me da mascara de boazinha e não dei a mínima para a visita de minha tia. Logo o assunto entre ela e minha mãe era sobre eu e cada uma dizia o que achava sobre meu suposto ‘mau humor’ dando sua receitinha de cura como se eu estivesse doente. Fiquei no quarto escutando música e fazendo minha ginástica matutina. Por certo estranharam minha reação, pois antes eu ‘fazia sala’ sem disso gostar. Como sempre, por fim, acabaram entrando em discussão religiosa até que minha tia ‘girou nos calcanhares’ e foi embora irritada. Eu fui apenas natural, mas realmente não causei boa impressão. De todo modo, fiquei tão feliz por superar a máscara de boazinha que nem me importei com a opinião de ambas tentando encontrar razões para meu jeito de reagir em tal momento. De todo modo, ainda vale analisar: será que isso é correto? Ser educada e hipócrita versus ser mal educada e verdadeira, eis a questão. Se fosse antes acho que eu ia me sentir uma ‘monstra’, mas hoje me senti apenas eu e, concomitantemente, senti-me mais forte. Cansei de mendigar respeito, compreensão e carinho alheio tendo de passar por cima de minha autofidelidade para com o que penso, sinto e sou. Sei das conseqüências de todos me criticarem e julgarem negativamente, mas em verdade, estou calejada e mais do que acostumada a criticas e julgamentos alheios. Isso parece não estar no que eu sou, mas sim na postura dos outros de gostarem de cuidar e preocupar exacerbadamente da minha vida. Isso cansa, esgota a minha paciência! Não vou me permitir melindrar, quero me fortalecer, me valorizar. Se o outro se melindrar comigo, infelizmente eu apenas estou sendo coerente, verdadeira e fiel a mim mesma e ao mundo.
O QUE PENSA A RESPEITO?


Cuidado com as armadilhas, certas fronteiras são muito próximas. Educação não quer dizer falsidade ou hipocrisia, mesmo que falsos dissimulados e hipócritas possam usar do formato educado para esconderem o escárnio que sentem pelos outros.  Educação quer dizer civilidade, aperfeiçoamento no trato das inter-relações, delicadeza, cortesia, generosidade, disponibilidade.
A civilidade é um exercício histórico da humanidade na busca de aperfeiçoamento para superar a realidade primitiva dos trogloditas. Educação é um verniz que nos reveste favorecendo a convivência e o respeito com os diferentes e também com os semelhantes
Ser boazinha é outra coisa. É papel. Se a educação é o trabalho de lapidação, representação é teatro. E o teatro só se justifica para aqueles que ainda estão em fase de preparação de sua civilidade.
Educação é prazer, refinamento, sofisticação, aprimoramento do coletivo em nós, capacidade de partilhar, compaixão, benevolência que amortece a tragédia do viver.
Existe um momento em que quando fortalecemos a individualidade, o trato com o coletivo se faz de forma natural, favorecendo a convivência e consolidando a intenção gregária do ser humano. A intenção que nos fez abandonar a selvageria para partilhar com os outros a conquista na jornada da vida. Quanto mais fortalecidos em nossa dinâmica de individualidade diferenciada mais nos predispomos a partilhar a experiência de viver no coletivo
Reavalie seus conceitos: Se eu for agir por educação e bom senso eu terei que ser falsa. Ser falso significa ausência de si mesmo, não estar presente,  Ré presenta. Isso para mim é ausência de “Senso”, falta o senso (sentir) a si mesma. Educação é Senso coletivo, um bom senso coletivo, civilidade é senso consciência.
“SENSO sm (lat sensu) 1 Faculdade de julgar, de raciocinar; entendimento. 2 Siso, juízo, tino. 3 pus Sentido, direção. S. comum: a) modo de pensar da maioria das pessoas; noções comumente admitidas pelos homens; b) Filos: sentido central de coordenação dos sentidos próprios; c) Filos: fundo imutável e espontâneo do espírito cuja forma reflexa é a razão. S. estético: faculdade de apreciar a beleza. S. íntimo: a consciência. S. moral: a consciência do bem e do mal.”
Ser verdadeiro significa estar ao lado da verdade e isto não pode significar falsidade. Há equivoco no conceito. É sua escolha e seu direito estar presente em sua casa, estando fisicamente ou não no espaço, e isso não significa falta de educação, tanto quanto mais íntimo for o visitante, o que não quer dizer; Não receber; não felicitar; cumprimentar; despedir-se.
Naturalmente, a convivência social nos exige fino trato, aquilo que em decorrência de mal entendidos vêm levando as pessoas a se esquecerem de ter, fazendo-as se mostrarem cada vez mais intratáveis.
É nítido e observável que a modernidade vem levando as pessoas as serem cada vez mais grosseiras e incivilizadas, seja por ansiedade, egoísmo, intolerância desrespeito, impaciência, agressividade, competitividade, o que exige que pessoas educadas cada vez mais tenham que se disciplinarem para não caírem na lama comum da banalidade. E isto, creio, começa a fazer a diferença entre as pessoas.

NA SOCIEDADE MASSIFICADA QUANTO MAIS VOCÊ SE DISTINGUIR MAIORES SERÃO SUAS POSSIBILIDADES DE SE TORNAR BEM SUCEDIDA NO COLETIVO.

Ancorada na educação você dificilmente perderá. Agora... isto não quer dizer que você não tenha que fazer-se respeitada.

 O RESPEITO É CONQUISTA PESSOAL, É O RESULTADO DE POSTURA, ATITUDE, FIRMEZA E O RESPEITO QUE VOCE SE TEM.

Parece-me que o seu momento é a conquista do seu espaço pessoal, se posicionar, se colocar, abandonar a omissão, se mostrar. Desobediência Civil ( Ghandi / Thoreau), passivamente, sem gritar, berrar, ofender, agredir, e os outros? 
Se eles não se agradam da situação, que façam suas críticas é de direito.

QUEM SE PERMITE O DIREITO DE DIZER “NÃO”
SE OBRIGA A OUVIR A CRÍTICA ALHEIA.

Só realizam mudanças aqueles que experimentam. Tateando, às vezes acertando, outras se equivocando, assim chega-se ao equilíbrio.
A referência? É se sentir bem.
Ah! Cautela não faz mal a ninguém e tubarão também é mortal.

VÁ EM FRENTE!


quarta-feira, 17 de março de 2010

TORMENTOS I






Charlot36
Como sonhei muito essa noite! Obviamente não lembro de tudo, mas vou tentar resgatar algumas partes. Lembro de estar dentro de um carro, que estava estacionado, conversando com um amigo muito querido. O clima era muito agradável e me sentia muito bem até que um carro colidiu exatamente ao lado. Uma vez que a rua era muito movimentada, senti que correríamos perigo se ficássemos dentro do carro e dizendo isso fui saindo desesperada do veículo, inclusive descalça e pesarosa por deixar meu tênis novo para trás. Não sei por que eu não estava calçada. Não tenho certeza se meu amigo conseguiu sair também, pois tudo foi muito rápido e outros veículos, incluindo ônibus e enormes carretas foram literalmente passando por cima de todos os carros que estavam na frente, inclusive os estacionados. Foi um massacre total e me deram como morta. Eu fui tentar convencer minha mãe de que eu não morrera e, dentro de um ônibus, observei que ela levava flores e alguns sapatinhos de crochê (que faço para doar a mães carentes) a fim de colocar dentro do meu caixão em representação minha. Cheguei até ela e disse que eu não havia morrido, mas ela não acreditou que eu fosse eu. Achei estranho e fiquei desesperada pensando que tinha de fazer algo. Nisso me falaram o nome de uma amiga que estava ajudando casos semelhantes e corri até ela cheia de esperança. Ela estava incorporada de preta velha e encontrei junto dela algumas outras pessoas conhecidas, inclusive, se não me engano, o amigo do carro que não sabia se houvera sobrevivido. Perguntei a preta velha se era verdade que eu morrera (mesmo tendo certeza de que estava viva) e ela confirmou que eu ainda não havia morrido. Pedi ajuda e ela disse que ia fazer sua mandinga. Não lembro muito dessa parte.
Desci do ônibus com o suposto amigo.
Nos pusemos a caminhar e outra vez sentia-me muito bem por estar ao lado dele. Ele não me passava sensação de segurança ou paixão (embora desse um excelente namorado), mas sim de cumplicidade. Algo nele me atraía bastante e me fazia ficar encantada e alegre. Fomos caminhando até a casa de uma pessoa conhecida dele. Entramos e sentamos na sala. Fiquei observando para meus pés que estavam calçados com algo improvisado e, embora não me agradasse muito, estava sem outra opção melhor. Ele trabalhava com arrumação de festas para a mulher que morava na casa em que estávamos e relatou-me que para algumas festas era convidado, mas para outras, como a daquela noite, infelizmente o convite não era feito. Ficamos conversando amigavelmente, mas também não recordo muito dessa parte. Sei que depois eu estava andando pela rua normalmente quando começou a acontecer um verdadeiro caos. Explosões, tiros, um enorme avião que foi decolar e caiu assim que saiu da pista provocando uma torrente de fogo que começou a se alastrar nos carros e casas, uma loucura sem tamanho. Pus-me a correr e tinha que tomar cuidado para não ser atingida pelas tampas dos bueiros que saiam fortemente voando enquanto jatos de ar eclodiam por debaixo da terra. Nisso adentrei num local e me escondi com uma jovem. Estávamos bem até que entraram duas mulheres e, desesperadas, nos vendo como sinal de ameaça (não sei por que) tentaram nos matar com facas. Em defesa, mesmo me machucando, enfrentei a briga e consegui matar as duas com a ajuda dessa amiga. Nisso desci para a parte de baixo pulando por uma grade. Parecia um deposito e havia varias caixas. Escondi-me entre elas tentando não ser vista pelas pessoas que já estavam ali escondidas, pois não queria ter de matar mais ninguém. De repente vieram alguns homens investigadores e saí fugida entrando numa sala de aula universitária. Eu estava desesperada achando que estavam me procurando por causa das mulheres que eu havia matado. Nisso a jovem que estava comigo deu-me cobertura e falou para me esconder embaixo do banco no qual ela estava sentada e assim, escondeu-me com sua saia rodada. Continuaram na procura e eu não cabia totalmente em baixo do banco. Desconfiado começaram a espetar um ferro passando-o pelo chão. Eu levantava o corpo apoiando apenas nas mãos e fazia de tudo para dar a impressão de que não havia nada ali. Insatisfeitos, mas sem poder levantarem a saia da jovem, pegaram um rodo e aí conseguiram me descobrir. Achei que eu fosse ser levada presa ou até que fossem me matar, mas unicamente avisaram que eu ia ser deportada. Fiquei aliviada. Abracei a jovem feliz pela nova amizade tão necessária naquele momento desesperador. Ela me consolou sobre a deportação e eu disse que estava tudo bem, até porque, o que mais queria era sair daquele caos. Deixaram-me reclusa até o dia seguinte dentro da suposta universidade e, durante a madrugada, encontrei um casal de assaltantes querendo roubar o local. Novamente tive que enfrentar mais duas pessoas e, correndo risco de vida, mas sem matar nenhum dos dois, eu consegui rendê-los (também usando facas e facões) até a chegada da policia que, não sei como foi avisada, não demorou a cercar o local. Isso pareceu me dar crédito. Ao menos pessoalmente eu me sentia favorecida com aquela segunda situação de enfrentamento corporal.
Depois disso eu caminhava com alguém que chamava de mãe, mas não se parecia com minha mãe, por um corredor cheio de variadas espécies de plantas. Tinha jeito de viveiro misturado com passagem de esconderijo secreto. No caminho, perto de uma parte que parecia uma gruta, encontramos dois sujeitos e um deles disse que me conhecia. Embora ele também me parecesse conhecido, eu tinha certeza de não conhecê-lo e desvencilhei-me com custo dele. Não estava nos planos encontrar ninguém ali e não sabia por que aqueles dois sujeitos passavam por ali. Ao final entramos numa espécie de laboratório de plantas e começamos misteriosamente a analisar e pegar algumas sementes. Entretanto, deixei minha mãe fazendo o serviço e fui analisar o local melhor. Saindo daqueles dois cômodos que eu conhecia bem, encontrei outros desconhecidos. Alguns cômodos pareciam abandonados, embora fossem amplos e de construção bem conservada, enquanto outros estavam bem mobiliados. O local era bonito e agradável, mas tudo ali parecia ser-me uma incógnita.
O resto eu não lembro. Por que essa mistura de pessoas tão amigas e outras tão ameaçadoras? Por que a diferença de ambientes torturantes e outros agradáveis? O que faz um sonho ter essas características contrastantes? Por que sonhar com tantas pessoas que só as conheço dentro do sonho?

TORMENTOS II




Charlot36

Desastre,
 “enormes carretas foram literalmente passando por cima de todos os carros” Foi um massacre total e me deram como morta.” “eu não havia morrido, mas ela não acreditou que eu fosse eu.”... Fiquei desesperada...  Tinha de fazer algo. Perguntei a preta velha se era verdade que eu morrera... Eu ainda não havia morrido. Pedi ajuda.
Um acontecimento que ronda a fantasia de muita gente, é morrer e ser enterrado vivo. Ou seja, morrer para os outros, ter a consciência de estar vivo, mas ser considerado como morto. Não é apenas morrer, mas morrer sabendo que morreu sem morrer. No caso de ser enterrado o desespero aumenta porque o enterro define a impossibilidade de escape da situação, o que implicará em ter que morrer novamente, o que pode significar muita punição. No seu sonho é morrer sem ter morrido. O que nos remete a morte em vida. Esse o grande risco que corremos: estarmos vivos, mas simbolicamente não representarmos mais do que uma lembrança para os outros, e principalmente, independente do outro, viver sabendo que na vida estamos mortos, que a nossa dinâmica está paralisada, que pouco representamos, pouco realizamos, que nada somos. Vivos mortos, mortos vivos.
Veja que interessante: Após o “Grande Desastre” nas imagens iniciais do sonho, ocorre uma pausa e a mensagem parece clara: “Fiquei OBSERVANDO para meus pés que estavam calçados com algo improvisado...”.

 Duas possibilidades:
            1. Insatisfação pessoal. Você gostaria de estar calçada (diante da realidade) com outro calçado. Sua realidade é precária e te deixa insatisfeita. Seu foco é estético e não é funcional, te faltando pragmatismo, objetividade, pés na realidade;
            2. Há ocorrência de inadequação entre suas atitudes e os instrumentos que você utiliza para  se apresentar dentro do que lhe exige a realidade. Você observa, “O Olhar” para sua realidade, “seus pés”, e se percebe usando instrumental improvisado.

“... e relatou-me que para algumas festas era convidado, mas para outras, como a daquela noite, infelizmente o convite não era feito.” 
Lembre-se da música de Cazuza: “Não me covidaram para essa festa pobre que os homens armaram para me convencer... quero ver quem paga prá gente ficar assim”. A festa tá rolando e você não foi covidada, não se Sente covidada a participar. Eu pressinto mudanças de autoestima frente a este confronto: A necessidade de festas como demanda para aliviar seu elevado nível de tensão (ocorrências em sonhos anteriores) deixa de ser o foco e você independente dos fatos consegue manter-se diferenciada continuando o diálogo amigavelmente.
E aí, volta a confusão:
“...eu estava andando pela rua normalmente quando começou a acontecer um verdadeiro caos. Explosões, tiros, um enorme avião que foi decolar e caiu”
A mudança é que você apresenta postura, e PRONTIDÃO, iniciativa, se mobiliza para a sua proteção corre, se esconde, se protege. Mas... Sonhos são assim... Enquanto não nos diferenciamos em consciência a profusão dos acontecimentos nos envolvem de forma tão avassaladora que passamos para um estágio em que não sabemos o que fazemos, nem porque fazemos. Perdemos o fio da meada. Ocorre relação com a realidade? Sim, na vida, no dia a dia é assim, se não nos diferenciamos e se não mantemos nossas referências, os acontecimentos podem ser tão avassaladores que esquecemos a razão de nossas respostas, perdemos o fio da meada, perdemos a compreensão para o sentido de nossas respostas. Passamos a agir e a responder sem saber por que assim fazemos, sem termos a conexão com o fato determinante. Nos perdemos na profusão dos acontecimentos, passamos a ser apenas a reatividade, a resposta sem conexão com o evento desencadeador.
Você Foge. De que Foge? Porque foge? Você apenas foge para se proteger de uma ameaça abstrata, de uma realidade desfavorável. Foge para evitar ter que se mostrar, para não encarar o que você realmente é, e não sua idealização. Foge para se esconder na idealização do que quer parecer.
“Nisso a jovem que estava comigo deu-me cobertura e falou para me esconder embaixo do banco no qual ela estava sentada e assim, escondeu-me com sua saia rodada. Continuaram na procura e eu não cabia totalmente em baixo do banco.” Você se esconde por debaixo na barra da saia de uma mulher jovem. Frágil e ameaçada. Mas você é confronta até o seu limite de angústia e descoberta, desmascarada.
“Achei que eu fosse ser levada presa ou até que fossem me matar, mas unicamente avisaram que eu ia ser deportada.” Esse o seu medo: Se mostrar e ser marginalizada, excluída do meio, condenada, deportada para o desterro, lugar ermo, solitário, solidão. Condenada sem crime, culpada, submissa e escapista por medo de sofrer o degredo.
O aprisionamento em seguida dá mostra de que nem aprisionada você se livra do confronto e da ameaça.

A FUGA APENAS ADIA O ENCONTRO INEVITÁVEL COM O DESTINO



TORMENTOS III



Something More -1989
 photo Tracey Moffatt - Austrália

“Novamente tive que enfrentar mais duas pessoas e, correndo risco de vida, mas sem matar nenhum dos dois, eu consegui rendê-los (também usando facas e facões) até a chegada da policia que, não sei como foi avisada, não demorou a cercar o local.”
Este acontecimento eu considero excepcional e absolutamente sutil: Nos sonhos o aumento da consciência na realidade favorece o aumento da consciência e do poder de resposta a desafios em sonho. Isso quer dizer que ganhamos em controle, disciplina, observação e resposta. Deixamos de ser apenas reativos para sermos também agentes. Quando ocorre uma energia mobilizada para nos confrontar ou quando o inconsciente mobiliza, aciona um FLUX de energia, (um Quantum ou Quanta) para determinar uma construção de realidade onírica (imagens sucessivas dentro do roteiro dos sonhos, às vezes completados com mobilização da memória dos sons), essa mobilização permanece dentro de um ciclo intermitente de repetição (como um redemoinho) e somente é desmobilizado quando uma tensão igual, contrária ou superior consegue dissolver essa mobilização.
Neste sonho, os desastres iniciais são fluxos constantes e poderosos de energia que mobilizados no inconsciente afluem aos sonhos e mostram sua desorganização e a necessidade de serem ordenados, para que deixem de interferir na condução de sua psykhé como conteúdos autônomos. Na sequência, eles pausam, como que favorecendo um refresco para a consciência pessoal (inserida no sonho), aliviam a tensão para não devastar essa consciência e retornam no ciclo de repetição do fluxo. Quando você encara e assume o confronto, você superar o desafio a que foi convocada e aí a tensão se desfaz. Neste momento uma parte dessa energia, ou toda ela, é incorporada pela consciência. Se toda essa energia for incorporada o individuo se prepara para novos desafios já que será blindado e fortalecido em sua estrutura. Se só uma parte, dessa energia, for incorporada você se livra temporariamente do confronto, já que parte da desordem permanece autônoma afluindo à consciência. E se o confronto não se realiza pela fuga empreendida pelo individuo ele será permanentemente atormentado e solicitado a agir, se posicionar, não se esconder na omissão para que a reconfiguração psíquica possa ser realizada.
Nesse sonho parece-me que quando você é desmascarada em seu esconderijo e enfrenta a ameaça, você supera a angústia, desmobiliza o nível elevado da tensão dos opostos, transforma e metamorfoseia a realidade psíquica. O fluxo é desmobilizado e reaparecem os sinais de reencontro com o eixo do mundo:
Depois disso eu caminhava com alguém que chamava de mãe, mas não se parecia com minha mãe, por um corredor cheio de variadas espécies de plantas. Tinha jeito de viveiro misturado com passagem de esconderijo secreto. No caminho, perto de uma parte que parecia uma gruta, encontramos dois sujeitos e um deles disse que me conhecia. Embora ele também me parecesse conhecido, eu tinha certeza de não conhecê-lo e desvencilhei-me com custo dele. Não estava nos planos encontrar ninguém ali e não sabia por que aqueles dois sujeitos passavam por ali. Ao final entramos numa espécie de laboratório de plantas e começamos misteriosamente a analisar e pegar algumas sementes. Entretanto, deixei minha mãe fazendo o serviço e fui analisar o local melhor. Saindo daqueles dois cômodos que eu conhecia bem, encontrei outros desconhecidos. Alguns cômodos pareciam abandonados, embora fossem amplos e de construção bem conservada, enquanto outros estavam bem mobiliados. O local era bonito e agradável, mas tudo ali parecia ser-me uma incógnita.
Já fora da tensão dos Opostos, do fluxo e da dinâmica caótica, você caminha com a “Mãe” por um corredor (passagem, transição) ornado com a força vida da natureza (plantas), origem variada (riqueza), passa pelo túnel, gruta, gênese e moradia ancestral, encontra dois homens, energia Yang (transmutada?) e segue para o laboratório de plantas, lugar de análise, origens, conhecimento, estudo e sementes (poder germinador, nascimento, renascimento, transformação, vida). E você navega pelos ambientes, descobrindo novos lugares, novos espaços, experimenta o agradável e o confortável sem ameaças, o belo e o desconhecido mistério da vida.
              Muito mais teríamos, mas... por hora ...                    Bye.


QUESTÕES





Por que essa mistura de pessoas tão amigas e outras tão ameaçadoras?
São conteúdos opostos, amigos geralmente não representam ameaças e desconhecidos sim. E definitivamente o mundo é mais desconhecido do que amigo. Porque excluir a maior representação. Nosso pequeno mundo rodeado de conhecidos é uma ínfima representação da realidade desconhecida que nos envolve.

Por que a diferença de ambientes torturantes e outros agradáveis?
Os agradáveis associados aos torturantes protegem a psykhé da desestruturação ou da avassaladora consequência de suas ameaças. Mas se os agradáveis são amortecedores naturais dos impactos que sofremos de estímulos ou realidades desfavoráveis, os torturantes evidenciam ameaças internas que exigem de nós mudanças na forma de interagir com o mundo, nas atitudes ou mudanças de personalidades e de comportamento que se mostram e se fazem necessárias. Nossa natureza é dupla:Luz e sombras.

PRECISAMOS ILUMINAR AS SOMBRAS QUE NOS ASSOMBRAM

O que faz um sonho ter essas características contrastantes?
Tensão do Opostos. Nossa natureza, assim como o universo, oscila entre polaridades opostas. Nisso reside a força do mundo que mobiliza as dinâmicas de mudanças. Quando procuramos estados confortáveis que desconsideram a força bruta, selvagem, que mora em nós, e que anseiam por transformação, nós como que engessamos esse vulcão, que acumula energia até que rompa de forma desordenada a frágil blindagem que construímos. A melhor forma de destruir um inimigo é se associando a ele. Você o mantém sob o olhar vigilante, não o perde de vista e pode administrar melhor a ameaça que ele representa. O inconsciente não é nosso inimigo, mas anseia por libertação, transformação e metamorfose, para que possa realizar o seu “sentido” da vida.

O INCONSCIENTE ANSEIA REALIZAR O SEU SENTIDO DE VIDA

Por que sonhar com tantas pessoas que só as conheço dentro do sonho?
Não se deve esperar que o nosso mundo onírico seja apenas um espelho do nosso mundo pessoal. Ele abarca a memória de nossa ancestralidade, a memória do mundo e é neste vasto universo que ele espelha, já que anseia não perder a referência do eixo do mundo (morte em vida). Eu não falo da morte. A morte é natural.

O UNIVERSO SE RECOMEÇA A CADA DIA

Eu falo do intento original que é “Se realizar”, até o último suspiro isso é possível estando plugado no eixo. Agora quando se perde o eixo, o fracasso é completo.
O homem avançou de forma excepcional no conhecimento do universo e de si mesmo, o que não o afastou das armadilhas de se perder no oceano da ignorância.

O MUNDO DOS HOMENS É APENAS ESPECTRO DE NOSSAS ILUSÕES

Mundo, mundo, Vasto Mundo, muito mais vasto do que minhas ilusões.

sexta-feira, 12 de março de 2010

FEED BACK 8 "A"




Old Age Adolescence Infancy the Three Ages
Salvador Dali 

FEED BACK 8
Minhas lembranças oníricas nas ultimas noites são mínimas. Entretanto, sei que são sonhos de proximidade tanto com o elemento masculino quanto feminino. São sonhos de entrosamento que me passam sensação de liberdade e auto-superação bem positiva, embora ainda reduzida. Percebo que em alguns sonhos eu pareço consciente de estar sonhando como se fosse sonho dentro de sonho, algo difícil de explicar. Neles eu tenho noção de que tenho mais domínio da minha própria força interior de agir e, assim, nessa liberdade que acaba sendo quase irresponsável, experimento o contexto do sonho com mais fidelidade ao que sinto, sou mais libidinosa, mais ousada, instintiva. Isso me deixa confusa quanto ao que verdadeiramente sou, as minhas capacidades, necessidades e vontades. Não que eu tenha domínio do sonho, mas sim que eu tenha domínio de uma outra de mim que se permite viver vários tipos de situações oníricas mais intensas e desejáveis do que a realidade. Você falou sobre núcleos autônomos e, em alguns sonhos, vejo essa outra parte de mim sendo eu livre desses núcleos. Isso é possível? Alguns sonhos me proporcionam prazeres inexistentes que em vida não posso ter, seja por falta de oportunidade, de senso de capacidade, desinteresse, e até contenção moral. Às vezes chego a acordar de mal-humor por conta disso. O despertar se torna meu pesadelo.
Acontece que, em várias situações, eu me bloqueio não por opção ou vontade, mas automaticamente como que por instinto inconsciente. E quanto mais vou contra o meu jeito natural de reação, pior parece ser. Busco ser mais ousada e expressiva, demonstrar o que gosto, falar o que penso, expor meus sentimentos, porém da teoria para a prática o ‘bicho’ pega. Daí eu vivo tentativas frustradas na realidade e sou compensada irritantemente com experiências fascinantes durante os sonhos. Às vezes me pergunto se eu poderia ser a pessoa que sou nos meus sonhos que, enquanto acordada, está naturalmente contida. Nos sonhos falo e faço o que fora deles não falaria e nem faria, seja por falta de vontade, medo, pudor, etc. Isso é normal ou acontece só comigo? Por que nos sonhos aquilo que parece impossível na vida real se torna tão fácil e natural, mesmo que não tenhamos controle sobre o que sonhamos? Por que nos sonhos tenho mais liberdade, iniciativa, vontade e capacidade para ser eu mesma? Ou será que nos sonhos eu não estou sendo eu mesma de fato, mas sim o que desejaria ser? Fisiologicamente falando, os sonhos podem acarretar mudanças práticas na personalidade de uma pessoa? Ou será que isso só pode ser possível analisando os mesmos e compreendendo as mensagens incitadas?

FEED BACK 8 "B"



Antes e tudo perdoe-me a contundência da resposta anterior, é resultado do meu lado ZEN, provocar um FOCO para que o impacto possa facilitar o aprofundamento e a reflexão. E o tema envolve questões tão graves e determinantes em nossa saúde mental que aproveitei a oportunidade para realçar essa gravidade dando chance aos que visitam esse blog de refletir e evitar a armadilha e sua gravidade.
Vou procurar responder suas interrogações, assim você pode avançar na sua reflexão:
Você falou sobre núcleos autônomos e, em alguns sonhos, vejo essa outra parte de mim sendo eu livre desses núcleos. Isso é possível? Claro! Na realidade (na vigília) você também tem essa liberdade. Com algumas diferenças do mundo onírico. Como somos voltados para o externo, a profusão de estímulos nos chama para o exterior, e nessa realidade ainda lutamos para sobreviver, vencer, superar, cumprir deveres, aprender, trabalhar, atenção, ameaças, inseguranças uma profusão de exigências. Ou seja, estamos praticamente voltados para fora. Quando o mundo externo nos chama a atenção, o interno como que funciona no embalo. Resta-nos a consciência para que possamos responder a um cenário severo e exigente e com rapidez. Assim funcionamos com uma velocidade e processamento fenomenal e pode-se passar despercebidas as pulsões autônomas que nos mobilizam ou que interferem em nossas respostas.
Já nos sonhos estamos inseridos unicamente no nosso universo pessoal, fica aparentemente mais fácil nos observarmos. E neles você está liberada da repressão moral que se aplica na vigília, assim seus desejos mascarados, reprimidos, fluem com força, ímpeto e afloram as manifestações, desejos, fantasias, sentimentos, emoções, conceitos, reatividade... Tudo aquilo que você tenta esconder de si mesma e dos outros.
“... chego a acordar de mal humor por conta disso. O despertar se torna meu pesadelo.”
Entendi que sua preferência seria continua no sono e aí acordas mau humorada. Essa é a sua chance de mudar sua realidade. Não é necessário promover mudanças drásticas e dramáticas  em sua vida, mas sempre que possível se permita ir além, se surprender, como disse: “ser ousada”. Ouse mais, sempre, saia da sua mesmice, arrisque, todo dia é dia, toda hora é hora. É um exercício fenomenal. Quando realizá-lo vai perceber a riqueza que sua vida transformará e com certeza descobrirás que agindo assim podemos ser profundamente feliz. Não precisamos correr atrás da felicidade ou de lugares fantásticos ou bens materiais. Nós podemos produzir toda a felicidade que quisermos ou necessitarmos no nosso entorno.
“Busco ser mais ousada e expressiva, demonstrar o que gosto, falar o que penso, expor meus sentimentos, porém da teoria para a prática o ‘bicho’ pega.” Não tenho dúvidas da dificuldade de romper com muralhas que construímos, defesas em que nos armamos e nos amarramos, conceitos e preconceitos defensivos, resistência e tensão.
O novo Atrai, mas Exige e Amedronta.
A nós nos resta a possibilidade de rompermos com essas amarras que nos aprisionam nos limitam, nos castram. Essa é a conquista de liberdade.
E vou lhe contar um segredo, é uma conquista admirável e inigualável.
“Às vezes me pergunto se eu poderia ser a pessoa que sou nos meus sonhos que, enquanto acordada, está naturalmente contida.”
Naturalmente. Pode ser essa pessoa e muito mais. J.P.Sartre na sua obra intitulada; “O Existencialismo é um Humanismo”, escreveu: “O homem é um projeto de Si mesmo. É hoje o que ele projetou no passado. E será amanhã o que hoje projetar.”  Para ficar na atualidade: o livro O Segredo de Rhonda Byrne, publicado em 2006, ela conjuga conceitos de Física Quântica com conceitos de Psicologia e esotéricos para reafirmar a mesmíssima coisa; Nós seremos aquilo que projetarmos. Você encontrará no pensamento Hindu e do  Sufismo o mesmo conceito. Para isso é necessário: mente ordenada, domínio, disciplina, a manifestação de sua ação guerreira, determinação, clareza, postura, atitude, iniciativa, capacidade de decisão de escolha, etc. É com você. Supere as barreiras que você mesma colocou à sua frente e siga seu caminho, eu reafirmo:

O UNIVERSO CONSPIRA A FAVOR DAQUELES QUE SE SUPERAM.

Nos sonhos falo e faço o que fora deles não falaria e nem faria, seja por falta de vontade, medo, pudor, etc. Isso é normal ou acontece só comigo?
A realidade é a mesma, os universos pessoais são diferentes, cada um possui sua singularidade.





FEED BACK 8 "C"

   
Por que nos sonhos aquilo que parece impossível na vida real se torna tão fácil e natural, mesmo que não tenhamos controle sobre o que sonhamos?
Sonhos são compensatórios e realizam a atualização dos mecanismos psíquicos. Reordenam o sujeito para adequá-lo a uma melhor performance. O universo é o limite e cada vivência apresenta um significado. Por exemplo: não sei se você é do biótipo INSATISFEITO. Se for, isso te faz uma infeliz. Você imagina que sua satisfação está em coisas impossíveis, consequentemente, deixa de encontrar a felicidade no cenário em que está inserida, no entorno que tem acesso. O sonho pode ocorrer para compensar sua infelicidade. Caso contrário, essa infelicidade pode desencadear uma devastação no seu mundo pessoal, uma dinâmica auto destrutiva.
 Por que nos sonhos tenho mais liberdade, iniciativa, vontade e capacidade para ser eu mesma?
No seu mundo pessoal essa é a natureza que você reprime
 Ou será que nos sonhos eu não estou sendo eu mesma de fato, mas sim o que desejaria ser?
Você fala naquilo que você é. Mas o que você vem sendo? Essa mulher livre que se manifesta e que escolhe o que quer ou aquela que se reprime e não se permite ser? No sonho compensador você se mostra como o que você gostaria de ser mas que não consegue ser. Não é exatamente o que gostaria de ser?
Fisiologicamente falando, os sonhos podem acarretar mudanças práticas na personalidade de uma pessoa?
Só de estarmos vivos já estamos inseridos numa dinâmica de impermanência. Mas isto não basta, é pouco, quando realizamos uma força contrária à transformação. Neste caso o destino pode destravar considerando certos eventos: Ciclos de instabilidade pelos quais passamos que nos coloca em predisposição à mudanças; acontecimentos traumáticos; choques de estresse; perdas afetivas; sofrimento, tragédia; etc. Quando evitamos nos transformar a vida apresenta sua mão pesada. Eu prefiro trabalhar mudanças preventivamente, antes de levar uma “precatada” na Testa.
 Ou será que isso só pode ser possível analisando os mesmos e compreendendo as mensagens incitadas?
A análise é um "Bom" caminho, pois abre a possibilidade de compreensão e sinaliza o rumo das mudanças. Essa transformação, é necessário que se diga, é importante não apenas para definir ou redefinir as relações do sujeito com a realidade externa, mas principalmente por que redefinem a relação do sujeito consigo mesmo, reconfigurando o organismo não apenas para a sua vida mas para a função primordial de perpetuação da espécie, transformando o sujeito, e seus descendentes, em indivíduos mais integrados e bem preparados para o desafio da vida.
No processo de seleção natural os indivíduos mais bem preparados e mais saudáveis serão aqueles que apresentarem maiores possibilidades de sobrevivência. Eles funcionam como arquivos vivos da memória genética. Não erramos quando incluímos nesta dinâmica os indivíduos mais bem qualificados e emocionalmente mais saudáveis, pois eles completam o projeto especial que a vida realiza através de nós.
Considerando estes aspectos podemos pensar num movimento natural que busca a transformação do ser humano. Seria como se melhorássemos o projeto de um carro enquanto ele percorre uma High Way a 200Km/h. Isso se chama tranformação evolutiva.

Sintetizando: cumpra com o seu dever
supere seus desafios,
rompa suas amarras,
se liberte e busque a consciência,
 que a vida faz o resto. 

BYE


quinta-feira, 11 de março de 2010

FEED BACK 7


  Ilustração do livro "GRIFFIN & SABINE"
de Nick Bantock
  
FEED BACK 7 - Charlot
Ainda não havia pensado pelo lado de que mentir significava uma manipulação do outro. Achava apenas que isso fosse uma fuga para não me expor e, consequentemente, não me desgastar com discussão ou evitar críticas. Realmente faz sentido o que escreveu, mas parece difícil de ser entendido. Poderia me explicar essa questão de neura melhor? Você pergunta o que chamo de ousadia. Acho ousado tanto a intenção de mentir quando a de conseguir ser verdadeira, mas principalmente a segunda que, na vida real, me parece sempre mais difícil. Por acaso é o costume de mentir que faz a mentira parecer mais fácil ou, melhor dizendo, menos arriscada? Eu nao minto por mal, talvez seja por pura insegurança pessoal...
Poderia me explicar essa questão de neura melhor?
“Cuidado com as justificativas eles servem para reforçar suas intenções. Isso para mim é artimanha de neura.”
Já me manifestei aqui sobre um detalhe conceitual: “Para mim a doença, literalmente, não é uma manifestação sem dinâmica ou uma coisa morta, a doença é uma manifestação viva”.
O que quero dizer é que ela é sintoma manifesto da matéria ou de algum agente vivo dentro do corpo, ela encontra um canal para se manifestar como núcleo autônomo. Indivíduos não diferenciados não se diferenciam do meio externo como individualidade nem do meio interno como Personalidade. Não sabem distinguir, sentimentos, emoções, origem da reatividade à estímulos externos, conteúdo simbólico pessoal e coletivo, significado do pensamento, etc. Tudo o que acontece dentro dos indiferenciados é considerado por eles como eles mesmos. Este princípio é a dinâmica básica de formação da pessoa em processo de desenvolvimento.
A maturação significa um processo de desenvolvimento onde o sujeito é capaz de distinguir o seu conteúdo Pessoal (EU) de conteúdos que preenche a câmara do pensamento, mas que possuem origem não detectada.
Há uma diferença entre o sujeito pensar que é filho de Deus (todos os somos) e acreditar que é Jesus. Isto naturalmente ocorre com intensidades diferentes no dia a dia. A pessoa tem pensamentos que não sabe diferenciar. A neurose se utiliza dos vácuos de consciência para se insurgir na câmara de pensamentos travestida de EU, e direciona, comanda o sujeito para as ações que alimentem sua constituição, aumentando sua sobrevida.
Neste aspecto o neurótico encontra todas as justificativas para fazer aquilo que sustenta sua neurose, que a alimenta e a faz se desenvolver. O pequeno distúrbio no presente inevitavelmente, se não for dissolvido, se transformará no grave distúrbio de amanhã.
Acho ousado tanto a intenção de mentir quando a de conseguir ser verdadeira, mas principalmente a segunda que, na vida real, me parece sempre mais difícil.
Eu, penso o contrário: Falar a verdade, não é uma questão moral, é mais... um desafio excepcional, um trabalho de permanente vigília, confronto, determinação, firmeza, propósito, disciplina e que também envolve a reafirmação constante dos princípios éticos  e morais que referenciam a vida de uma pessoa. Falar a verdade é uma batalha diária contra a insanidade, contra a neurose, contra a fantasia e a irrealidade, contra inimigos invisíveis e implacáveis a postos para nos derrotar no mundo da fantasia. Falar a verdade é uma conquista diária que necessita ser reafirmada a cada momento neste cenário de guerra contra a bestialidade.

Olha que interessante: Uma pessoa que seja 99% verdadeira e apenas 1% mentirosa, será um individuo considerado verdadeiro ou mentiroso? Ele será um mentiroso! A verdade não aceita contaminação, ou se é 100% ou não se é. Pense: Um reservatório de água 99% pura e com 1% de contaminação por micro-organismos será água pura ou contaminada? Ah! Considerando padrões de volume a definição de percentual de diluição poderá determinar, mas falando em micro universo, será água contaminada; E uma pessoa 99% mentirosa e 1% verdadeira, será? Mentirosa. A mentira sempre prevalece determinando a pureza ou a contaminação.
Falar mentira é fase de infância (4/5 anos) que o adulto imaturo repete. É brincadeira de ludibriar, enganar, esconder, omitir, camuflar, conflito com a realidade, fragilidade emocional. Coisa de criança e de adulto que não quer crescer. E você chama isso de difícil? Dificil é lutar contra essa imposição, contra a ilusão que nos lança no oceano do imponderável, no universo da irrealidade.
A Consciência é uma aquisição recente da humanidade na história de nossa gênese, abrir mão da verdade é abrir mão dessa consciência e da lucidez que ela nos invoca.
Por acaso é o costume de mentir que faz a mentira parecer mais fácil ou, melhor dizendo, menos arriscada? Eu nao minto por mal, talvez seja por pura insegurança pessoal...
Eu costumo dizer que o inferno está cheio de pessoas bem intencionadas, desavisadas, simplistas. A índole é boa, mas o instrumento é a armadilha para transformar o bom em estragado. O mentiroso contumaz se superestima, cada vez mais e subestima o outro. E a mentira não se faz menos arriscada, ao contrário, os riscos serão cada vez maiores já que a falsa segurança fortalece a superestima. Em geral, esta é a armadilha em que os Sociopatas se derrotam. A mentira é fonte de prazer para aqueles que se acreditam inexpugnáveis, se protegem nas suas armaduras, máscaras de defesa, enquanto rodopiam no entorno do próprio umbigo sofrendo pela consciência que possuem da farsa que se forjam.
O Sociopata se forja na mentira, na deformação do caráter.
Hoje em dia se fala em mentira social, A neurose pessoal avança para uma neurose coletiva. O cinismo e a hipocrisia se acobertam na mentira.
 A mentira é o caminho da infelicidade.

quarta-feira, 10 de março de 2010

DESASSOSSEGO

     
CH 35
Esta noite sonhei que estava com dois amigos homens mais velhos que eu (conhecidos apenas no sonho) e que estávamos numa espécie de trailer na beira da praia. Entretanto, aquela não era uma praia comum, pois o mar era para baixo. A areia condensada formava as pedras rochosas de forma que, para entrar na água, era preciso descer pelas pedras de argila. O divertido era ver as ondas do mar vir e não nos alcançar, como se estivéssemos olhando-as de um pequeno penhasco que formava uma espécie de L deitado (eu olhava estando na base do L). Eu me servi de uma bebida com gelo e aparentava estar bastante pensativa enquanto fazia charme com o canudo. Ao menos o copo era de servir uísque, mas não sei qual era a bebida, pois não prestei atenção ao gosto dela em si. Eu estava concentrada em outra coisa além das ondas. De maneira geral o sonho pareceu-me imensamente distante da minha realidade e, depois de acordada, pouco consigo me identificar na mulher que eu vivi dentro do mundo onírico. A questão é que um dos companheiros me perguntou o que eu tinha e rispidamente respondi: “Me deixa em paz” e fui saindo de perto dele. Entretanto, eu não falei isso por querer paz, mas para testá-lo. Eu não estava irritada ou mal, mas dava essa aparência para analisar a reação que ele teria comigo. Ao contrário da paz pedida, eu queria que ele fosse atrás de mim e insistisse em conversar comigo, mas ele não o fez. Eu também queria analisar como ele ia reagir com minha resposta dura. De certo modo ele me desagradou não indo atrás de mim (eu literalmente estava fazendo cena e, exatamente por isso, um paparico seria bom), mas também me agradou o fato dele não se melindrar com minha resposta rude (até porque eu não tinha nenhum problema pessoal com ele) e respeitar-me não indo atrás de mim (se de fato estivesse mal eu ia mesmo querer não ser perturbada com interrogatórios). Analisei tudo isso enquanto brincava com o canudo remexendo o gelo e olhava sozinha para as ondas que se movimentavam enquanto algumas pessoas posavam para fotos ou entravam na água. Verificando que ele não ia ir atrás de mim, resolvi ir mansinha atrás dele, pois aprovara sua postura. Fiz de conta que a bebida havia me relaxado e aliviando-me do problema inexistente que fingia estar me consumindo. Do resto não lembro.
Questiono: como podemos ter tanta ousadia nos sonhos a ponto de não nos reconhecermos? Essa ousadia existe mesmo dentro de mim, está em processo de construção ou o sonho representa apenas uma necessidade ou desejo de possuir tal coragem e liberdade de expressão? Na vida real eu teria sim capacidade de manipular uma cena, mas acho que não seria tão boa atriz quanto no sonho. Neste eu fingia tão bem que podia enganar até a mim mesma de que estava com algum problema e precisava de sossego sem ninguém me rodeando. Entretanto, se fosse para ser verdadeira e precisasse mandar alguém me deixar em paz, acho que nenhuma coragem teria para tal, muito menos da forma ríspida e direta que falei no sonho. Como pode uma situação dessas?

“O poeta é um fingidor
Mente tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente”.
Desassossego -Fernando Pessoa.

O que você chama de ousadia? A intenção de mentir e a realização, ou a de conseguir falar e fazer o que lhe passou pela cabeça?
Entre outros, pela vida afora, nós temos três caminhos a seguir:
·         Ser verdadeiro;
·         Ser um autêntico mentiroso;
·         Ser um mentiroso que se finge de verdadeiro.
A verdade nos aproxima de um tipo de autenticidade especial, onde não negamos a natureza da origem, o que favorece em nós a construção do individuo consistente em princípios éticos, valores, conduta, comportamento, atitude, respeito, integridade, honradez.
A mentira nos aproxima da inconsistência, uma autenticidade forjada na fantasia, o que favorece a desconstrução do indivíduo, levando-o a formação de distúrbios de personalidade, conflitos, neuroses, isolamento sócio-afetivo,  suscetibilidades e pulsões fora de controle.
Quando nos baseamos em referências inconsistentes acionamos mecanismos de tensão contrários aos princípios de ordenação que referendam a relação do individuo com a realidade.
Por exemplo: Assassinos em série sempre deixam rastros para serem descobertos, tanto quanto, ladrões, parceiros infiéis, mentirosos, desonestos, corruptos e transgressores de forma geral. E Por quê? A psique busca uma forma de solucionar seu desequilíbrio, na ordenação, produzido pelo impacto das Tensões que desarranjam os mecanismos que estabelecem a relação do individuo com a realidade. Ou seja, é uma questão primordial que supera a ética a moralidade ou  a religiosidade.
No sonho você toma o “controle” do “INTENTO” em suas mãos, e consequentemente vai pagar o preço pela escolha feita.  O “outro” não está sob o poder do seu controle, portanto ele se movimentará a partir da imprevisibilidade contida no seu leque de respostas possíveis (tudo pode acontecer). Como você não possui o controle da ação alheia, a chantagem, a manipulação, a sedução, e outros jogos de domínio, só são possíveis dentro de certos limites restritos (muito mais restritos do que se pode imaginar). Consequentemente, para escapar dessa realidade desfavorável, você terá que se convencer, em seus atos, a subestimar o outro, acreditando que ele é mais controlável do que na verdade o é. E aí mora a armadilha do manipulador. Quando o outro é subestimado você se submete à lei da imprevisibilidade, porque o ser humano possui em sua esplêndida natureza um poder acionado por sua gênese, por sua natureza divina. Isto quer dizer: O Ego pode ser primariamente controlado e dominado por estímulos externos mas ele está sob o jugo de pulsões internas (o mar, o oceano) que transcendem a nossa capacidade de manipulação.
O Ego é apenas mediador entre a realidade externa e uma realidade interna dirigidas por forças poderosas e desconhecidas que comandam a natureza do corpo.
A mensagem é clara: o seu poder de manipular o outro é limitado, e acreditar que ele é superior só é possível se você subestima-lo (armadilha) e se superestimar. Quanto mais se superestimar maior será o recuo que terás que realizar no futuro, ou maior o tombo que sofrerás.
Entretanto, se fosse para ser verdadeira e precisasse mandar alguém me deixar em paz, acho que nenhuma coragem teria para tal, muito menos da forma ríspida e direta que falei no sonho.
Cuidado com as justificativas eles servem para reforçar suas intenções. Isso para mim é artimanha de neura. A força exigida para Ser verdadeiro é a mesma para Ser dissimulado. Uma avança numa mão e a outra na contramão, considerando o aumento do nível de tensão Intra-Psy. Quando você apresenta dificuldades em expressar suas intenções, você se utiliza da força de repressão ancorada na necessidade de manipular, seduzir sem o risco de perder seu objeto de foco. Quando você apresenta a expressão de forma ríspida você mudou a forma mas continua a realizar a intenção de manipular e dominar o seu foco, uma como vítima passiva e outra com agente ativo.
Esta é a forma complicada de viver, e a pior forma que se pode escolher para se relacionar no coletivo e com você mesma. Fingindo, dissimulando suas intenções, expressando seus desejos pelo avesso, pelo não desejo, “eu quero mas demonstro que eu não quero”, eu desejo mas escondo o meu desejo para fazer o outro mostrar o seu desejo se colocando suscetível à manipulações”.
O caminho saudável é fazer sua escolha e mostrá-las, expressá-las, sem medo das consequências, sem subterfúgios, de forma transparente, honesta. E o outro? É problema dele. O seu problema é só seu, sua escolha, sua atitude, seu posicionamento, sua postura, firmeza, determinação. Qual o problema? O “Não” é o direito do outro e precisa ser respeitado. Serei melhor sendo livre e não aprisionando o incauto, APRISIONANDO "A VIDA ALHEIA".
                      -Eu quero!                                          -Eu não quero!
                      -Eu vou!                                              -Eu não vou!
                      -Segue teu caminho.                        -Eu sigo o meu!
Um afirma o outro nega, são as diferenças. Aceitá-las é fundamental. Eu não preciso e não devo convencer o outro a fazer aquilo que quero, Se o fizer só estabeleço uma relação com um espectro de mim mesmo.
                                                                                    
   

Você foi lúcida na sua percepção: "... eu fingia tão bem que podia enganar até a mim mesma..." 
 É o que acontece com quem mente, acabam se convencendo das  mentiras que produzem e se perdem como crianças na muiltidão, perdem a referência da realidade. Lentamente acabam sendo corroídos pela insanidade, perdidos e insanos, charfurdam na lama viscosa e afundam no pântano de sombras. 
  CORRA LOLA! CORRA!

    BYE.




   

domingo, 7 de março de 2010

FEED BACK

 
Você é resultado de planejamento familiar? Não!


Seus pais escolheram a gravidez ou ela foi fortuita? Foi Fortuita, inclusive minha mãe já estava com trinta e oito anos e considerava-se velha para engravidar.


Como eles lidaram com essa mudança na vida deles? Pelo que sei ficaram alegres, ao menos é o que sempre disseram.


Estavam preparados? Como foi uma surpresa não esperada, creio que tiveram de se preparar de forma um tanto obrigatória.


Com que estado emocional sua mãe atravessou este período de nove meses. Como ela lidou com as transformações do corpo? A gravidez foi desejada? Ansiada? Esperada? Planejada? Depois de saber estar grávida creio que o planejamento de me fazer vir ao mundo surgiu por imposição do destino. Agora tenho um fato relevante que, pelo visto, fará diferença em lhe ser relatado. Minha mãe sofreu uma queda de uma escada e teve que engessar a coluna, pois teve fratura com esmagamento de vértebra. Ela já estava grávida, mas não sabia disso. Ela reclamava os sintomas de gravidez e os médicos diziam ser do tombo. Quando realmente foi descoberta a gravidez, tudo lhe foi dito. Alguns diziam que eu nasceria toda defeituosa por conta dos raios-x constantemente feitos, etc. Até abordo foi cogitado perante a situação dela. Não sei maiores detalhes. Enfim, ela resolveu enfrentar o que tivesse de ser e me dar a luz da vida. Vale também dizer que minha mãe já houvera sofrido bastante ao ter tido minha irmã de sete meses cerca de treze anos antes e, cerca de um ano depois do nascimento dessa minha irmã, (que foi a primeira filha) ela veio a ficar viúva, vindo a arcar sozinha com uma vida bastante difícil (ela estava longe da família pois fora morar em São Paulo na época, donde inicialmente fora buscar melhores condições de vida e de emprego). Supostamente, se lhe faltou apoio, foi mais na primeira gravidez do que na segunda, uma vez que em tal época ela não tinha uma vida financeira ainda estruturada.


Ela esteve só ou acompanhada? Foi assistida? Embora a gravidez tenha tomado ares trágicos por sua fratura nas costas, creio que ela teve apoio familiar e, pelo que conta, só não ficou desesperada a ponto de cometer alguma loucura porque seu medico, o mesmo que fez o meu parto, lhe tranquilizou muito durante todo o período da gravidez dando-lhe o apoio psicológico que ela tanto precisava.



Emocionalmente o que rolou com ela frente às mudanças na vida dela? Sinceramente não sei responder.


Como foi o nascimento e o seu primeiro ano de vida? Tudo indica que tenham sido normais, porém existem fatos que infelizmente não posso fazer vir a tona. Já escutei relatos de que minha mãe sofreu uma grave “obsessão” durante os tramites de gravidez e durante os meus primeiros anos de vida. Ela bebia muito, fumava, via e ouvia absurdidades. Se foi problema espiritual, mental, psicológico ou sabe-se lá o que, eu não posso dizer, pois era apenas uma pequena criança e, obviamente, não lembro de nada. Dizem que foram feitos trabalhos (esses de centros espíritas) e ela se curou. Nunca mais bebeu, embora só tenha deixado o cigarro a poucos anos e, conforme dizem, sua mediunidade foi fechada. Esse assunto não é muito bem aceito para ser dialogado aqui em casa. Sempre achei uma injustiça pensar que o mais importante de nossa personalidade (não sei se estou usando as palavras corretas) se estabelece nos primórdios da vida ainda no útero materno. Somos apenas suscetíveis e indefesos nesse iniciar da vida.


Eu é que agradeço por ter me feito valorizar tanto os meus próprios sonhos. Incrível verificar que não são apenas baboseiras (mesmo que assim pareça ser).

Obrigado!
Sua compreensão é fundamental neste diálogo, quando abordamos temas delicados que podem nos tocar em suscetibilidades. 
Sonhos ainda são uma porta para um universo desconhecido e que envolve muitos mistérios. Tenho procurado por respostas a várias décadas, insatisfeito com resultados pouco conclusivos ou básicos a que os estudos de grandes pesquisadores chegaram. Muitos ainda se contentam com conhecimentos que se mostram precários e outros mais exigentes continuam em busca de compreensão. C.G.Jung abriu à humanidade um grande portal avançando nos conceitos do início do século passado desenvolvidos pelo Dr Freud. Humildemente continuo na busca, tanto quanto outros, de conhecimentos ou de uma abordagem que possa representar algum avanço nesta área e... Informações sempre são preciosas para que possa descartar hipóteses, consolidar conceitos, eliminar equívocos e encontrar caminhos mais seguros nesta jornada na “Noite da Humanidade”.