sábado, 6 de março de 2010

BABOSEIRA ONÍRICA I




   

Olá, é eu de novo. Sonhei inúmeras coisas, mas agora acho impossível colocar na seqüência certa. Vou descrever o que mais facilmente ficou registrado. Lembro de estar vendo minha avó completamente esclerosada junto de uma outra senhora de idade também. Elas mal conseguiam ficar sentada e, por um descuido de minuto, ambas caíram no chão, pois pareciam não terem forças para se manterem na posição em que haviam sido colocadas. Por incrível que pareça isso não me causou sentimentos desagradáveis. Eu sabia que aquilo era natural da vida e, junto de um médico, mãe e tias, aceitava o fato de nada ser possível fazer para reverter à situação da velhice.
Também sonhei que segurava um pássaro amarelo (parecia uma mistura de canário com um passarinho normal). Ele era muito manso e não fugia da minha mão, uma vez que eu o segurava de maneira livre. Eu alisava a cabecinha dele e ele abria as asinhas demonstrando que estava gostando do carinho. Dei rosquinha para ele comer e ele bicou as migalhas parecendo faminto. Tudo estava bem, mas nesse meio tempo, alguns outros passarinhos que por certo deveriam estar pousados na calha da telha, fizeram caca e esta caiu em cima da minha cabeça. Enojada eu saí e entrei numa espécie de escola (que também lembrava o interior de um shopping) e procurei por um local donde pudesse lavar a parte superior da cabeça. Assim eu fiz (mesmo que completamente enojada) em um lavatório, e saí dele jogando os cabelos molhados de um lado para outro a fim deles secarem logo. Eu estava parecendo uma exibida jogando os cabelos daquela forma, mas não estava preocupada com o que poderia estar ou não aparentando. Essa despreocupação me dava sensações de domínio interior, pois sentia que podia fazer o que bem me permitisse fazer. Nisso entrei numa salda de aula donde ia ter uma orientação de trabalho em grupo, se não me engano com uma professora de biologia e sobre um assunto relacionado a flores. Eu estava preocupada porque ainda não havíamos nem se quer começado a fazer tal trabalho. Nesse momento eu tinha a sensação de estar numa escola normal, mas fazendo um curso superior. Ao certo nem uma coisa e nem outra se encaixa no meu real contexto de vida, pois apesar da sensação, o sonho nada tinha a ver com minha época de escola ou de faculdade, muito menos com o que eu vivo agora. Enquanto a professora orientava outro grupo, fui ao banheiro, fiz minhas necessidades, analisei como ficara o cabelo e retornei. Quando cheguei de volta à professora estava olhando dois livros que eu havia pegado na biblioteca e então comentei que lia dois livros por semana e ela disse que tal hábito era muito bom. Começamos a conversar dos livros quando uma jovem sentou-se inesperadamente atrás de mim no banco comprido de madeira e, mantendo a parte da frente do peito encostada nas minhas costas, começou a passar as mãos nas minhas pernas. Eu achei aquilo meio estranho, mas como não me incomodava, continuei tentando procurar uma passagem do livro que queria mostrar para a professora

Continuação...
Não lembro exatamente como o assunto continuou, apenas recordo do momento em que a professora comentou com essa jovem que ficara sabendo
sobre o fato dela estar grávida. Ela confirmou e disso que queria aproveitar a oportunidade para perguntar se era verdade que, conforme o médico havia falado, ela teria complicações relacionadas ao colostro. Como não entendia do assunto, não sabia o que era colostro e nem era eu a grávida, não dei muita atenção. A professora confirmou dando algumas explicações e, quando acabou de falar, eu entrei no assunto brincando num tom de cinismo: ‘está vendo, eu que sou a melhor amiga dela pareço estar sendo a ultima a saber’. Eu de fato não sabia que ela estava grávida pela segunda vez. Até aqui eu pergunto: isso pode ter alguma referencia entre eu e minha mãe? Questionei-a sobre meu período de amamentação e ela não me deu informação nenhuma que fosse indicio de ter tido algum problema relacionado ao fato. Minha irmã que nasceu prematura e nunca mamou no peito fala até o que não precisa, mas eu que, pelo visto mamei muito e de forma natural, cresci tímida e recatada. Não entendo... Na seqüência eu fui procurar o resto do pessoal do grupo, uma vez que a professora nos aguardava. Eu era a maior responsável de todos, algo que, independente de sonho, sempre foi uma verdade em relação aos estudos e trabalhos acadêmicos. Creio que tivemos a orientação, mas não lembro dessa parte muito bem. Sei que, logo após, aproximei-me de um rapaz colega de classe e disse que precisava lhe falar uma verdade. Abertamente falei que, de todos os alunos novatos da classe (isso excluía apenas um aluno cuja amizade já mantinha anteriormente), ele era o que eu mais achava bonito. Retrucando ele se referiu ao aluno excluído (que expressamente eu dissera estar acima dele em quesito de beleza): ‘é o Danone não é?’ O outro rapaz não tinha nome e nem apelido de Danone e isso me soou como um termo pejorativo que demonstrava inveja ou ciúme, algo que compreendi. Entretanto, depois de acordar, me perguntei se essa palavra não poderia ter contexto oculto assim como o iogurte do sonho de noites atrás. Eu ri não querendo desviar o assunto para o ‘Danone’. Completando a fala, quis deixar bem claro que não estava com pretensões de namorá-lo e dissera aquilo apenas para que ele soubesse de minha admiração por sua beleza. Pensei que ele fosse dar uma de convencido e pronto, mas o que aconteceu foi o contrário, ele não soltou mais minha mão, ficou meloso, me acompanhou para fora da sala de aula e tentou me beijar. Durante esse processo de sair da sala de aula, eu vi o rosto dele ir se transformando em muitos rostos masculinos que de fato achei belos durante o decorrer da vida e, no exato momento do beijo, o rosto dele era a imagem do meu rosto em formato masculino. Eu não o beijei porque realmente não estava interessada nele, por mais que o achasse bonito. Se ele me parecia atraente, isso se perdeu uma vez que se tornou um meloso oferecido. Mas ainda pior foi quando eu me vi estampada nele, como se estivesse diante de um espelho a mostrar-me como eu seria se tivesse um corpo masculino. Por incrível que pareça, acho que analisar os sonhos está me fazendo entrar num mundo onírico cada vez mais ligados ao contexto da própria significação dos mesmos...
ultima continuação:
Mas o impressionante de tudo veio na lembrança onírica seguinte. Eu estava numa casa (conhecida apenas dentro do sonho) e, de maneira jamais desejada em contexto real, eu naturalmente beijava uma outra jovem e havia uma intensidade de desejo e prazer imenso. Já estou perdendo as contas dos sonhos embasados em envolvimento sexual com pessoas do mesmo sexo. Isso me incomodou nos primeiros sonhos (se não me engano há uns dois ou três anos atrás), mas agora já é super natural, não apenas por eu respeitar a diversidade sexual que existe (inclusive se me descobrisse sendo bissexual), mas também por entender que a significação disso pode ser vasta. Uma outra lembrança muito embaçada que ficou é de eu estar andando na rua com um resto de leite dentro de uma vasilha. Eu ia levar esse leite para alguém, mas depois me lembrei que estava muito cedo e voltei para casa. Isso parece totalmente sem sentido e só estou contando por lembrar do que me disse sobre algum distúrbio que sofri na fase de amamentação. Não sei o que aconteceu depois e nem se meus sonhos prosseguiram por muito mais tempo até eu acordar. Em todos eles eu me sentia bastante à vontade, tranqüila e no meu natural. Até mesmo a caca de passarinho na minha cabeça, algo que no momento foi chato e nojento, foi rápido de ser resolvido. Será que de toda essa baboseira onírica há algo relevante para ser verificado?

BABOSEIRA ONÍRICA II

Perspectivas



Será que de toda essa baboseira onírica há algo relevante para ser verificado?


BABOSO - adj (baba+oso) 1 Que se baba. 2 Que articula mal as palavras, ou não sabe o que diz. 3 Muito obsequioso com as mulheres. 4 Que tem grande amor e paixão. 5 Parvo, tolo.

Sonhos não são fantasias e não me parecem baboseiras, mesmo que a vida o seja. Possivelmente você em seus momentos de impaciência se permite mais ácida. Parece-me que você se cansa e isso lhe deixa uma ponta mais intolerante ou irritadiça. Lembra-me alguém praguejando. Acho divertido a impaciência em jovens. Não deixa de ser banalização, mesmo que a reatividade da resposta possa sinalizar uma invasão de conteúdos de inconsciente na sua consciência, o que lhe torna suscetível, caprichosa, vaidosa e regredida. Não se assuste! Todos em fase de desenvolvimento e maturação estão sujeitos a essas incursões que nos deixam suscetíveis a conteúdos além do nosso poder de controle.
 Compreendo seu cansaço, percebo e valorizo o seu esforço, mas preciso lhe alertar para um detalhe: Nada em nossa vida é destituído de sentido.  A falta de sentido é projeção dos que perderam em vida o rumo da estrada e isso diferencia quem está em busca de encontrar relações mais harmoniosas com o mundo, com propósitos definidos de realização.
Eu não posso ver sentido num general que em guerra não queira aniquilar seus inimigos. Definitivamente sou contra guerra, por isso não ingressei em exércitos. Mas respeito a escolha alheia e não posso pensar um general evitando batalhas, fugindo para não derrubar o inimigo. Sua atitude coloca em risco seus subordinados, seu compromisso, suas responsabilidades. Ele poderá até trabalhar pelo humanismo, mas se estiver em guerra ele terá que ser General. Estou fazendo uso de uma imagem radical para salientar a importância da coerência de suas atitudes com seus propósitos.
Nessa vida, Estados Nacionais podem ser impunes com criminosos o que os tornam injustos com os que cumprem as leis. Mas a vida supera a incompetência humana, ela é implacável com sua mão pesada ancorada na força do tempo. Não se esqueça: A vida é IMPLACÁVEL em sua cobrança.
Concebo alguém severo consigo mesmo apenas para não se permitir em erro que o torne alvo da cobrança da vida. Se não a IMPECABILIDADE DEIXA DE TER  SENTIDO. Simplistas em geral se permitem omissos, descompromissados, irresponsáveis e não percebem que suas atitudes alimentam caprichos que os afastam do cerne da questão, promovendo, sem que o saibam, ações que acabarão reverberando contra eles próprios. VIGIAI! Esta porta que estou tentando lhe ajudar a abrir, tem sentido quando  o indivíduo se conecta ao sagrado, com o divino, o que lhe exige compostura. Não se deve cometer o risco de profanar o sagrado já que a intenção é contrária, é a jornada do Jasão em busca do “Velo de Ouro”, “Sacralizar o Profano”.
Ah! Verdadeiramente encontro humor e compaixão na minha vida, e até rio da meninice e bobice alheia com todo respeito possível. Compreendo, aceito e emocionalmente não me afeto, portanto, escrevo-lhe achando graça em sua colocação, mas não seria justo e verdadeiro comigo (meu primeiro compromisso), e em seguida com você se não lhe alertasse para os cuidados que precisa ter no trato com as coisas do Inconsciente.
Por favor, não se ofenda, não tenho porque fazê-lo, tampouco se sinta agredida, não gostaria de magoá-la, mas trinta e cinco anos estudando a psique me indicam que o melhor trato é a verdade, o respeito, o cuidado e a reverência permanentemente. Os que desconsideram estes princípios básicos incorrem em erros fatais e irreversíveis.
Este universo do inconsciente nós é desconhecido, e estamos numa jornada humana coletiva de retirada do véu que o encobre para vislumbrar um pouco daquilo que pode ser esta força universal. Por enquanto estamos todos sob este jugo divino, na batalha de Deus contra o Diabo, e não podemos subjugar o desconhecido. Quem assim age se permite INCAUTO, se superestima, se aniquila.
A vida é estranha. Muito estranha. Por vezes é assustadora, outras se mostra incompreensível. Doída, doida, maluca, vida bandida... Tudo é possível. Cansativa, angustiante, para muitos um tédio. Sensacional, emocionante. Puro Êxtase. Quanto mais vivo mais percebo como ela é exigente. Se você erra, o preço é alto.   A vida só não é desinteressante. Nós podemos ser desinteressantes. Os limites são nossos. Se não descubro tesouros, não é porque eles não existem é porque eu não soube procurar. A vida é um manifesto fantástico do universo.
Ao longo desses meses tenho me surpreendido com sua riqueza interior. Logo você que se acreditava pobre. Tenho tentando mostrar-lhe esse tesouro, seu interior não é pobre. Aproveito para agradecer-lhe de todo o coração a oportunidade de escrever sobre essas nuances que definem nossa vida nesta relação com o mundo, entre a banalização e o significativo, entre o Sagrado e o Profano.
E se agora o faço é para aproveitar a oportunidade de falar para quem visita esse Blog: Um alerta... o que projetamos é o que viveremos. Se projetarmos tesouros encontraremos riquezas, se projetarmos miséria colheremos desastres.
Para concluir é preciso lembrar que no sonho 32 chamava-lhe atenção para a importância da responsabilidade do falar ou da utilização deste instrumento nas relações sociais. Nesta civilização interativa precisamos de uma civilidade responsável. Infelizmente nossos exemplos são os piores possíveis. Na política vemos um presidente que compensa seu complexo de inferioridade semanalmente falando pelos cotovelos as maiores asneiras, grosserias e banalizações (não falo em erros de linguagem, desnecessário), falo em verborragia. No dia a dia a competição social extrapola a competência da ação para se fixar no falatório, onde falastrões e falastronas se ungem na “falastria”. Rompa suas barreiras e impedimentos, mas mantenha a referência nos limites, rigidamente trabalhados no  seu  passado  para não incorrer na armadilha de ser apenas compensativa.

BABOSEIRA ONÍRICA III -





   
SIMBIOSESIMBIOSESIMBIOSESIMBIOSESIMBIOSESIMBIOSESIMBIOSESIMBIOSESIMBIOSESIMBIOSE
      
S I B I O S E
"Até aqui eu pergunto: isso pode ter alguma referencia entre eu e minha mãe? Questionei-a sobre meu período de amamentação e ela não me deu informação nenhuma que fosse indicio de ter tido algum problema relacionado ao fato. Minha irmã que nasceu prematura e nunca mamou no peito fala até o que não precisa, mas eu que, pelo visto mamei muito e de forma natural, cresci tímida e recatada. Não entendo..."

Continuo sem informação: não sei como foi o desenvolvimento da gravidez de sua mãe. Você é resultado de planejamento familiar? Seus pais escolheram  a gravidez ou ela foi fortuita? Aconteceu? Como eles lidaram com essa mudança na vida deles? Estavam preparados? Com que estado emocional sua mãe atravessou este período de 9 meses. Como ela lidou com as transformações do corpo? A gravidez foi desejada? Ansiada? Esperada? Planejada? Ele esteve só ou acompanhada? Foi assistida? Emocionalmente o que rolou com ela frente às mudanças na vida dela? Como foi o nascimento e o seu primeiro ano de vida?
 A psicologia considera a partir da visão de desenvolvimento de Freud, três estágios de desenvolvimento na primeira infância: Fase Oral; Fase anal; Fase Genital. Na primeira fase ocorreria uma dinâmica de Simbiose entre a criança e a mãe. Determinante em todo o processo de desenvolvimento do individuo.
Eu pessoalmente tenho uma teoria que amplia este “Tempo” Simbiótico. Eu não acredito que ele nasça na fase oral junto com o processo de amamentação. Para mim a fase de SIMBIOSE inicia-se a partir da formação do feto, ou seja, No quarto Mês. O feto formado e vinculado à mãe pelo cordão umbilical estabelece o vinculo simbiótico que avança após o parto, atinge a fase de oralidade e pode estar completo a partir da fase anal.

Reflita a minha tese: 
A Simbiose inicia-se já no quarto mês de gravidez com o complemento do processo de formação fetal, e se desenvolverá a partir deste momento com o desenvolvimento e crescimento do feto”.

Neste caso a partir da relação vivida a partir de seu quarto mês de vida dentro da barriga de sua mãe sua estória já estaria traçada independente do período de amamentação, ocorrido posteriormente.
Sempre que acompanho crianças não perco o olhar neste foco, o período de gestação, já que esse período será determinante em todo o processo de desenvolvimento e de formação da personalidade do indivíduo, ao longo de toda uma vida. Muitas vezes, esse processo nãose fecha, as pessoas ficam aprisionadas nesse oceano primordial do líquido Amniótico.




BABOSEIRA ONÍRICA IV






 Não tenho a informação importante sobre sua avó, se viva ou morta. De certo modo define a significação da representação. Independente disso sua presença está relacionada à sua reaproximação do eixo de sua origem. Ancestralidade é referência do passado ao qual estamos inexoravelmente ligados e responsavelmente comprometidos.

Um pássaro é a representação da alma que se liberta do corpo, símbolo da intelectualidade. Opõe-se a serpente, como o símbolo do mundo celeste ao mundo terrestre. San Juan de La Cruz vê nele o símbolo da imaginação, Maia, ilusões, instabilidade, ausência de disciplina, critério. passarinho alegre é comida de gato”.  Como símbolo da alma é mediador entre a realidade terrestre e a celeste.
A relação entre você e o pássaro amarelo sinto como uma aproximação  entre você e seu espírito, sua alma. Se considerarmos o sonho anterior com a imagem arquetípica da praça, essa aproximação estará relacionada ao eixo do mundo. Reconexão com o espírito, estabelecimento de relação de afeto, que a aproxima do eixo do mundo, entre você e sua natureza original.

Na Italia se o pássaro te borra a cabeça é sinal de graça divina e Boa Sorte, sinal de coisas boas que acontecerão. Não é a toa que fezes representam poder e riqueza, na cabeça é alvo certo. Conhecimento, crescimento, amadurecimento, aprendizagem. Não é pouca porcaria.
Colostro é o  primeiro líquido segregado pelas glândulas lactíferas logo depois do parto. Difere do leite típico pelo conteúdo maior de proteínas (tais como albumina e globulinas) e anticorpos, vitaminas e minerais, e pelo menor conteúdo de açúcares e gorduras. Fornece ao recém-nascido humano ou animal corpos imunizantes essenciais e auxilia no estabelecimento da função intestinal.
Interessante a recorrência de leite, produto lácteo, criança e gravidez. Pode-se pensar na origem ou na sua dinâmica como mulher madura pronta para procriação. Já relações com o mesmo sexo envolve a dimensão narcísica do individuo. Se você excluí uma natureza bissexual em intenção em seus movimentos tenho que considerar. Neste caso ela é apenas um lado seu autônomo ou pode estar relacionado a um processo de auto-erotização, bem característico de indivíduos narcísicos. Faltam-me informações sobre sua demanda sexual, seu momento afetivo-sexual, relações. Mas reaparece seu foco estético e seu espelho narcísico, suas escolhas que ainda são definidas a partir de modelos estéticos e não por conteúdos afetivos, pela relação de troca, compartilhamento. E pode ser que seus limites e exigências lhe tirem oportunidades de vivencias sexuais que acabem sendo compensadas em relações com espelhos (o que necessariamente não implica em direção à bissexualidade) mas apenas ao encontro de sua sexualidade como mulher. Naturalmente abre-lhe também um risco de compensação dentro da realidade. Vou ficando por aqui, muita água ainda rolará debaixo desta ponte.
 
                                                                 BYE 

sexta-feira, 5 de março de 2010

ORDENAÇÃO


 

Acabei de acordar de um sonho meio futurista e bastante pueril. Ele começou comigo dentro de um trem. Eu sabia que era trem, mas ele parecia um ônibus por dentro e também por não andar sobre trilhos, mas sim flutuando acima do chão. Ele tinha janelas enormes (que estavam fechadas) e andava incrivelmente rápido. A distancia entre as poltronas era muito pequena e, incrivelmente maravilhada com a visão que apontava do lado de fora enquanto o dia amanhecia (nesse momento andávamos sobre uma ponte imensamente alta), pedi ao casal dos bancos da frente para tirarem a inclinação dos assentos, pois eu estava me sentindo muito apertada. Achei divertido notar que eu estava falando inglês, mesmo que com certa dificuldade e tendo até de fazer mímica com as mãos para explicar melhor o que queria. Eles atenderam meu pedido e seguimos viagem. Nisso chegamos num local incrível, tipo um paraíso de outro planeta. Era um local muito limpo, com construções muito simétricas de mesmo tom e havia muitos carros todos amarelos que levantavam vôos e depois voltavam para o chão. O trem parou em frente uma praça redonda grande com um enorme chafariz no centro e vários bancos ao redor dele. Não havia muitas plantas, apenas algumas poucas árvores. Desci do trem com a turma. Estávamos muito empolgados com o lugar. Dando seqüência a rotatória da praça e seguindo reto na rua que surgia adiante, havia uma praça cujo letreiro grande numa construção de fundo dizia ‘Praça Colombo’ e abaixo outra escrita com o nome do edifício que não lembro qual era. A rua era bastante larga e tinha dos dois lados pequenos chafarizes próximos do chão que espirravam água amarela para cima. Tantas coisas amarelas me fascinavam e me perguntava por que alguém havia escolhido aquela cor para dar destaque em tudo. Era um lugar paradisíaco e nesse momento eu tive uma preocupação, precisava anotar o sonho. Daí eu me vi dormindo numa cama de casal entre lençóis de seda (nada a ver com minha caminha de solteiro) de uma casa elegante e enorme, dessas que é possível se perder dentro delas. Estava de dia e eu podia escutar minha filha (no sonho eu sabia que tinha uma filha) tocando piano no quarto dela junto com o irmão e um primo. Eu queria continuar o sonho anotando o mesmo enquanto dormia como se fosse uma sonâmbula, pois tinha certeza de que ia fazer uma excursão longa e incrível. Fiz a difícil tentativa. Comecei a escrever e voltei para o lugar do sonho tornando a dormir, ou seja, me vi no local do sonho escrevendo os pontos principais do mesmo com uma caneta amarela (fora do sonho ela não era amarela). Quis conferir se fora do sonho eu estava escrevendo também, mas quando retornei em mim mesma dormindo, notei que não tinha força suficiente para escrever fora e dentro do sonho ao mesmo tempo, ou seja, eu estava escrevendo apenas dentro dele. No meio da peleja acabei acordando de verdade. O que pode ser esse sonho tão diferente além de legal e tolo ao mesmo tempo?
Conflito é singularmente é uma bipolaridade, biotensão entre duas polaridades. Como já lhe disse o sonho é um mecanismo psíquico em que ele atualiza regulando as funções do organismo, em todas as naturezas, bio-psiquico ou bio-físico-quimico, ou mental, emocional e psicomotor.
O dia de vida pode parecer banal, mas você está se equilibrando em cima de um planeta que gira a uma velocidade de aproximadamente 30 km/segundo, 1800 km/minuto, 108.000 km/hora. Só para manter-se em equilíbrio o corpo faz um exercício excepcional de atualização de movimento, distensões, tensões, relaxamento. Se quiser fazer um exercício simples para verificar isso, fique em pé e feche os olhos e mantenha-se assim por alguns minutos e perceberás as atualizações de equilíbrio corporal.
À noite, em repouso, o trabalho de atualização se mantém. O corpo entre em baixa atividade, frequência, ritmos e inicia-se o processo de regulação dos comando cerebrais e psíquicos, e o os sonhos também funcionam para esta atualização.
Vejamos: O Trem é composição que anda no limite dos trilhos, em suspensão é paradoxo. Considere a representação simbólica, já que na realidade o domínio dos campos eletromagnéticos já nos permite considerar a elevação, suspensão do trem; Janelas grandes mas Fechadas; dificuldade de fala verbalização em inglês; Sonhar, abandono, e escrever, registrar realidade;  O que eu percebo são esses extremos. E o corpo no meio regulando o nível de tensão de acordo com a realidade que se lhe apresenta.
“O trem parou em frente uma praça redonda grande com um enorme chafariz no centro”.
            “Trem dos sonhos é a imagem da vida coletiva, da vida social, do destino que nos carregam, evoca o veículo da evolução que dificilmente tomamos na direção certa ou errada, ou que perdemos; simboliza uma evolução psíquica, uma tomada de consciência que prepara a uma nova vida”
Praça Redonda - A imagem é arquetípica e utilizada para realizar a restauração do equilíbrio psíquico, ordenação, reconfiguração ou mantê-la quando já existe. É uma representação Mandálica. A mandala é uma imagem do mundo, de ordenação do mundo, uma configuração espacial, representação e atualização das potencias divinas. É uma imagem psicagógica, o termo é grego e designa o guia da alma pelo melhor caminho. A mandala é também uma imagem Sintética e dinamogênica, que representa e tende a superar as oposições do múltiplo e do uno, do decomposto e do integrado, do diferenciado e do indiferenciado, do exterior e do interior, do difuso e do concentrado, do visível aparente ao invisível real, do espaço-temporal ao intemporal e extra espacial.
O amarelo é ctoniano, energia, solar  emerge do negro, rompe o espaço está no centro o universo, é cor do imperador e da iluminação.
Observe este sonhos eu apresento dois caminhos:
·         Entrada pela vertendo do símbolo;
·         Entrada pela repetição dos símbolos como mensagem.
O significado dos símbolos reforça o conceito de leitura da mensagem.  Quando se pensa que os sonhos podem apresentar dificuldades em sua elucidação, eu percebo que a intenção do inconsciente é uma busca permanente para se fazer entender, seja através do símbolos ou seja através da mensagem subjacente e intrínseca de ocorrências dos fatos, repetições. Existe uma mensagem intrínseca que supera o significado dos símbolos. Os símbolos podem servir para reforçar a leitura da mensagem, como referência de que a leitura não esta equivocada. 
                                               OK?  BYE.

quarta-feira, 3 de março de 2010

ORALIDADE


  

O sonho dessa noite: Eu desci do carro com minha irmã e cunhado (não sei se minha mãe e sobrinha estavam juntos) na porta de um restaurante e, logo na entrada do mesmo, encontramos com alguns amigos deles que jantariam conosco. Depois de arrumarmos uma mesa fomos nos servir. Eu peguei o prato e me servi com uma rodela de pepino, outra de tomate e então notei que não havia mais nada natural, apenas vidros com conservas. Nem mesmo o básico arroz com feijão havia no local e fiquei por entender que tipo de restaurante era aquele. Sem encontrar mais opção para por no prato, coloquei mais rodelas de tomate com pepino e uma colherinha de um creme branco que estava misturado numa conserva de pimenta. Nisso servi-me de iogurte, mas logo em seguida verifiquei que aquele iogurte fazia parte da sobremesa e eu não devia levá-lo para a mesa uma vez que o combinado era ir para uma sorveteria quando dali saíssemos. Dentro do sonho eu não pensei em confrontar os acompanhantes e fiquei olhando para o iogurte pensando no que fazer. Deixá-lo esquecido ali não seria o correto. Enquanto pensava um tanto apurada, a mulher que pesava os pratos pareceu perceber que algo estava errado comigo e sugeriu que, caso eu quisesse lavar algo, havia uma pia no cômodo da cozinha. Mais do que rápido eu fui para a cozinha e encontrei lá dentro um rapaz que terminava de lavar algumas louças e uma mulher que fazia um recheio de bolo com leite condensado cozido. Expliquei a situação para o rapaz e calmamente ele disse que eu podia despejar o iogurte num copo descartável e lavar a vasilha, amenizando a situação com a explicação de que depois comeria o iogurte ou colocaria-o em alguma sobremesa. Enquanto lavava percebi que estava me sentindo muito constrangida e pensava no quanto àquela situação me faria ficar mal-vista e mal-falada pelos dois ou por todos os funcionários do restaurante. Também pensava que minha irmã já devia estar sentindo minha falta na mesa e isso me deixou ainda mais tensa. Uma vez já estando encrencada na visão do meu próprio lado emocional, percebi que podia ser mal-vista de duas formas: 1. Por transparecer a imagem de pessoa calada e cheia de vergonha pela situação desconfortável que criara; 2. Por transparecer a imagem de uma pessoa extrovertida e meio estabanada, sendo o mais verdadeira possível, ou seja, eu não tinha intenção de usar mascara para aparentar o que não era, mas sim tentar ser o que não era e gostaria de ser naquele momento. Pensei comigo: ‘tem pessoas que extravasam suas tensões falando incansavelmente e outras como eu, se bloqueiam por completo’. Resolvi que ia dar uma de louca e extravasar meu constrangimento falando um monte de besteiras (já que em verdade eu não tinha nada sério a dizer naquele momento) e, realmente me sentindo uma doida, fui falando tudo o que vinha em mente. Comentei que trabalhar na cozinha de um restaurante deveria ser ótimo para ficar provando de tudo, disse que adorava tortas mas infelizmente não tinha boas receitas, falei que aprovava recheios com leite condensado cozido contando que quando criança minha mãe costumava cozinhar leite condensado para comer puro e, em cada fala, eu ria bastante de mim mesma naquela ousadia maluca de tanta besteira falar e, por incrível que pareça, eles também riam como se estivessem me adorando ou, no mínimo, me achando super divertida. Transformando a sensação inicial de desconforto em alivio e um feliz estranhamento de mim mesma, aproximei-me da mulher e elogiei as duas pequenas verrugas de seu rosto dizendo que não pareciam ser verrugas e sim duas sardas que faziam seu rosto ficar bonito e diferente. Eu não estava mentindo e nem tão pouco sendo verdadeira, estava apenas comentando aquilo que vinha em minha mente como se não quisesse mais parar de falar, pois, quanto mais falava, mais destravada e livre de mim mesma eu me sentia, além do que, percebi que se alguém fosse falar de mim posteriormente, não seria pela besteira cometida com a sobremesa, mas sim pelas besteiras que ali houvera falado. Eu sentia que eles estavam se agradando do meu jeito comunicativo (embora disfarçadamente forçado), mas o melhor era sentir que eu estava me amando enquanto uma maritaca.
Não sei se os meus sonhos estão se formando baseados nos meus pensamentos e sentimentos, ou se são estes que estão influenciando meus sonhos. A questão é que por várias vezes tentei me visualizar sendo comunicativa e, para tal, eu teria que agir idêntico ao sonho, ou seja, falar sem pestanejar (mas com bom-senso, claro) e ter de suportar a minha sensação inicial de estar me comportando como uma doida que não sabe de qual hospício saiu. Um ponto do sonho é muito real: geralmente a timidez é mantida por receio da desaprovação alheia e, daí, uma vez que ser tímido também é visto de forma negativa por praticamente todo mundo, por que não arriscar sofrer uma desaprovação por ser alguém desinibida e um tanto extrovertida? A principio qualquer tanto de palavras vai me fazer sentir uma tagarela, mas com o tempo, o equilíbrio do que dizer ou não e a espontaneidade perante uma conversa serão itens naturalmente conquistados. Foi sem dúvida um sonho bem interessante! O que acha?

ORALIDADE II




  


Inicialmente aparece a inadequação, tensão, ansiedade, perda da espontaneidade. O sonho parece compensador de sua necessidade de comunicação. Você precisa romper o compromisso de não falar porque as pessoas não merecem te ouvir, romper o medo de falar, superar a severidade de sua crítica e de seu julgamento, encontrar sua natureza espontânea, sua naturalidade.
Você se defronta com a “neurose”. A neurose é a perda da espontaneidade. Supera-la é o reencontro com sua natureza original, espontânea, autêntica. Mas para reencontrar essa naturalidade é necessário se desvencilhar das armadilhas, ou você acabará sendo arrastada para dentro da patologia revestida de outras manhas, artimanha, máscaras. Neste caso você aparentemente rompe com a neura instalada, mas acaba envolvida pela neura que se reconfigura em novo formato para permanecer ativa, viva, atuando e te comandando com manifestações autônomas de inconsciente.
Eu costumo dizer que as doenças são vivas. Em geral as pessoas pensam na doença como uma manifestação estática, apenas sintomática de um desarranjo. Mas, não! As doenças são vivas, querem permanecer vivas, porque conquistaram uma forma de viver, ainda que seja como uma entidade invasora no corpo em que se formou e instalou.
O fenômeno me parece excepcional. A patologia resiste de todas as formas possíveis e se faz MUTANTE, oportunista, abandonando uma configuração constituída para se rearranjar de outra forma. Nesta hora, a máxima cristão se faz presente: Orai e Vigiai. Não se iluda rompa paradigmas, evite a mesmice, o caminho simplista e aniquile o dragão, a patologia, transforme essas energias densas e as incorpore à sua dinâmica, não perca de vista a possibilidade de ser autêntica.
Como? O seu momento é de reconceituar sua relação com a realidade, não escapar para respostas comuns. Evite a repetição de hábitos, se permita se redescobrir, retire essas carapaças que te envolviam e se permita livre. O que fazer? Compartilhe, divida, escute quando tiver que escutar, fale quando sentir vontade de falar e principalmente: não saia de um extremo para se exigir em outro. A uma longa estrada para você percorrer; Não se apoie em conceitos deformados, refaça-os; Não se escore em modelos, você blindará novamente sua liberdade.
Houve um momento em sua vida que para se proteger você encontrou uma forma que lhe permitiu se relacionar com relativo sucesso com o mundo. O tempo passou, e suas respostas já não se mostravam mais tão eficientes como no passado. Surge um novo momento. Descobrir como responder às exigências do mundo, às suas demandas pessoais, ao seu novo momento, à sua nova idade, realidade. Um trabalho hercúleo, onde você será exigida. Mas as perspectivas são favoráveis. Só não caia na armadilha da enganação, de se forjar dessa ou daquela forma. Se permita “Ser”. O Ser esta além do certo ou do errado. A referência são os princípios e a ética, assim você se forja com uma consistência maturada. Não precisamos nos moldar em uma armadura. Não se permita imaginária, se fazendo parecer, resultado de idealização, da sua fantasia de seduzir e dominar os outros. Você não precisa de justificativas para expressar seus sentimentos, emoções, pensamentos, crenças, conceitos, visão do mundo, percepções, descobertas, conhecimento, informação. Você não precisa de se esconder na fala para desviar o foco dos outros de seus constrangimentos ou inadequações. Você precisa de leveza... Apenas levemente Ser. Somos todos índios, humanos, todos em processo de aprender a viver de forma mais autêntica para que possamos expressar a riqueza que carregamos em nosso espírito do tempo, na alma.

Se nunca realcei, um detalhe cada vez mais foi ficando saliente e se soltando ao olhar, sua dificuldade em relação à fala intrinsecamente pode estar ligada não apenas ao processo de repressão, por você vivenciado, mas a algum desacerto gerador de distúrbio vivido na sua relação com sua mãe em fase de amamentação. Já havia lhe sinalizado sobre a recorrência de imagens de alimentos e de sua relação de constrangimentos com foco em alimentos em seus sonhos. Possivelmente existe algum nó formado e desenvolvido a partir do período da relação simbiótica vivida no primeiro ano de vida da criança com a mãe. É interessante, caso não saiba, que busque informações sobre sua fase de amamentação, quanto tempo durou, se foi amamentada, como sua mãe viveu este período, se teve depressão pós parto, a relação com o pai, o pai com a mãe. Investigue o que rolou no seu primeiro ano de vida.


Pela boca, após o corte com o cordão umbilical, estabelecemos a manutenção da vida. A criança estabelece vários tipos de conexão com a mãe: pelo olhar o contato visual; identificando e codificando sons maternos e os diferenciando de sons ameaçadores; pelo tato no sutil toque das mãos com os seios, rosto, e outras partes do corpo; pelo olfato na identificação dos cheiros primordiais da mãe associados ao prazer, ao conforto; pelo paladar com o sabor do leite, textura e posteriormente com os outros sabores, etc. Nos alimentamos não apenas de soro materno,  mas de amor, proteção, segurança, confiança, aconchego e inundados com esses alimentos, nesse universo sensorial de prazeres e êxtase, construímos nossos vinculos, a conexão com a realidade e a relação com o mundo.

A fala é antes da comunicação o resultado da construção do simbólico e do desenvolvimento da relação do indivíduo com a mãe. Essa dinâmica se espelhará, se projetará, na relação com o mundo. É neste ponto, nestaa conexão é que aparece a maioria de seus embaraços. Nesta ponte entre a margem do imaginário, do simbólico, de codificação com a realidade que aparecem as interrupções, defesas, resistências, ou seja, o fluxo é descontínuo, e instável que vives. Captou?

Eu sinto que foi um sonho mais do que interessante, um sonho transformador e elucidador. Sinto que o inconsciente responde favoravelmente ao seu esforço de transformação.

DETALHE:   o yogurte  é em tese o leite coalhado, o que nos remete à relação do soro materno. Héracles suga o leite da Imortalidade no seio de Hera. O  leite é simbolo lunar, feminino, ligado à renovação, abundancia, fertilidade, caminho da iniciação e simbolo do conhecimento. 

Caetano Veloso já cantava:



 "Inscrevo, assim, minhas palavras
Na voz de uma mulher sagrada
Vaca profana, põe teus cornos
Pra fora e acima da manada...
...Dona das divinas tetas
Derrama o leite bom na minha cara
E o leite mau na cara dos caretas"

Todos querem sarver o leite bom, para voce ele é a sobremesa, que sentes não ter direito de consumir, o que te deixa encalacrada, defensiva poi acuada, como se o direito não houvesse.


 
                                                                       BYE 

domingo, 28 de fevereiro de 2010

PATER NOSTRO

  

CH32
Essa noite sonhei com meu pai e tenho nítida certeza disso, mas não lembro do sonho em si. Entretanto, lembrar dele e pensar no sonho anterior aqui relatado, fez-me refletir o seguinte: minha parte animus enquanto inconscientemente uma projeção advinda da figura paterna, mantem-se presa as características que achava do meu pai (mesmo que só agora esteja me conscientizando a assumindo isso a mim mesma): alguém sensível, carente, indefeso,calado (por se julgar incompreendido), submisso (e consequentemente um tanto covarde), cheio de autopiedade, se sentindo constantemente desgastado e sem forças quando era impelido a se defender. é util tentar reavaliar o lado paterno que em mim ficou? isso me ajudaria a fortalecer-me para não ter essas caracteristicas negativas citadas acima? como de fato conseguir dar equilibrio e estabilidade a minha personalidade?
Vamos  refletir, a imagem abaixo é apenas para mostrar a ponta do iceberg da complexidade do tema. Você tem origem em:



Ou seja, seu conteúdo masculino arquetípico é constituído da dominância do masculino de Pai e do conteúdo masculino contido na origem materna.
Na união as dominâncias herdadas se revelam e redefinem o novo sujeito na constituição biológica, mas na dimensão psíquica esses conteúdos iniciam um movimento de integração que pode durar todo o processo de  maturação ao longo das etapas de desenvolvimento do individuo e dependendo da forma como lida consigo mesmo ele poderá não conseguir essa primeira fase de integração, e consequentemente não atingirá a segunda etapa que é a integração de masculino e feminino num momento único de unificação dos opostos.
O Pai é Símbolo da geração, da posse, da dominação, do valor, da autoridade. Neste sentido é pode representar uma figura inibidora; castradora. Como representação de autoridade pode simbolizar o Chefe, Patrão, Mestre, Deus. Como pai pode representar  a dominância superior que produz  dependência, subjuga, limita, priva, comanda, determina. Ele é a consciência lógica, racional, diante das pulsões instintivas e dos desejos manifestos do inconsciente. É a tradição conservadora, diante da impermanência.
A formação do animus tem origem arquetípica mas recebe intervenções do cenário de formação e desenvolvimento do individuo que pode ser determinação na configuração do arquétipo. Alem disso conteúdos incorporados autônomos podem se revestir e se mascarar de representações simbólicas e imagens. Intervindo na consciência, transvestido como conteúdo arquetípico sem sê-lo.
é util tentar reavaliar o lado paterno que em mim ficou? isso me ajudaria a fortalecer-me para não ter essas caracteristicas negativas citadas acima? como de fato conseguir dar equilibrio e estabilidade a minha personalidade?
 È mais do que útil, é essencial. Você não é apenas filha de uma mãe mas também de um pai. Ele é parte de sua constituição e de sua gênese. Independente do que ele representou como pai, como homem, como indivíduo, ele está definitivamente na sua constituição e nos enigmas que terás que solucionar no seu processo de maturação. Não há como negar a força de sua representação em sua vida. Você o repetirá, e terá que superar o que ele não superou ou então pagará o preço repetindo-o. Você trabalhará na identificação dele em você, dele contido em ti, e a partir do que identificar romper o que ele não superou e incorporar os aspectos positivos de sua natureza.


No livro "Viva Eu Viva Tu, Viva o Rabo do Tatu" Roberto Freire nos brinda com uma pérola escrita por um jovem poeta, à época com 18 anos e estudante de psicologia - David Calderoni -1976 :

 "hoje encontrei com meu pai
E dói pensar
O quanto ainda sou filho.
É preciso matar meu pai
Teu, nossos pais.
Mas sobretudo é preciso
Sabê-los morrer
Para não cometer suicídio."

 ...

sábado, 27 de fevereiro de 2010

FEED BACK 5

  


"Eu sei que me auto-manipulo de forma inconsciente e, quando tomo consciência disso, fico chocada comigo mesma, com as minhas próprias artimanhas internas de fuga do confronto com o mundo externo. Já percebi que sou capaz de me convencer de algo que não quero para não ter que assumir e deixar claro para as pessoas a minha oposta convicção e vontade pessoal. Eu mantenho interiormente a sensação de que, se for encarar o mundo externo, ou seja, pessoas e situações, vou acabar perdendo a “briga” e daí, por autodefesa, sempre fui omissa concordando com o que não concordo. Essa sempre foi a maneira de não criar intrigas e inimizades. Sempre tive a teoria maquiavélica de ser mais forte dando a entender que meu inimigo estava no poder e no comando de tudo e, enquanto isso, sendo falsa, eu dominava o término da situação/enfrentamento fazendo o outro de bobo. Eu dizia a mim mesma que essa era a melhor atitude e me boicotava para não enfrentar meus medos de combate, ou seja, em me fazendo de esperta, acabava sendo a grande boba da historia. Desde pouco tempo, com essa constante análise dos sonhos, eu entendi que é mais importante criar uma inimizade e me defender, do que ser hipócrita a ponto de me enganar, mentir ao outro e viver na constante sujeição defensiva inconsciente de meus medos. Sempre tive medo de confrontar e magoar o “outro”, mas também sempre senti que arcar sozinha com as magoas provocadas por esse outro me seria injusto. Cabe-me uma necessidade: não me ofender perante a opinião alheia a meu respeito, sabendo expressar minha opinião para me esclarecer e conseguir assim enfrentar os argumentos alheios. Esse enfrentamento sempre me teve aspecto desgastante exatamente por não me julgar forte o bastante para ele. Longe de estar com vontade de convencer qualquer pessoa sobre minha opinião, mas preciso fortalecer-me a ponto de me defender, não enquanto dona da razão, mas sim enquanto alguém que, como qualquer individuo humano, merece respeito e liberdade para ser o que é, agrade aos outros ou não. Conforme me disse anteriormente, sinto sim que núcleos autônomos atuam sobre mim e me comandam. Eles reduzem totalmente meu poder pessoal e minha autoestima. Sinto que sempre vivi no constante “autoengano”, pois assim sempre encontrei a realidade que me parecia mais favorável. Tenho consciência disso tudo, mas cadê a coragem de largar mão desse agradável conforto de uma realidade favorável? Tudo isso me parece tão complexo! Será que tem “cura”?"

Minha Cara, se não tiver, nós estamos condenados ao calor dos infernos. Quero dizer-lhe: se não formos nós a assumirmos a responsabilidade de nossas escolhas nos restará apenas sermos a consequência de nossa inconsequência e em decorrência disso sofrermos ao sabor da instabilidade no oceano das pulsões atormentadoras. 
A vida é uma possibilidade permanente de renovação, transformação e renascimento. Só não é passivel de muidança os que já estão tão estragados, ou refratários, que suas vidas já estão definidas no enrijecimento.
Você toma consciência de que, na vida, as escolhas “simplistas” podem nos custar muito caro. Geralmente paga-se um preço muito alto por caminhos aparentemente mais “fáceis”. E caminhos que se aparentam facilidade, inicialmente, podem se mostrar péssimas escolhas no desenrolar dos acontecimentos.
Não! Não existem caminhos fáceis nesta jornada. E é melhor de cara enfrentar as dificuldades ao invés de adiar decisões difíceis para momentos pressupostamente melhores.
Na dinâmica da vida, há um “Time” que não se pode perder, principalmente por que as estações mudam, os ciclos se fecham, portais se mostram e desaparecem, janelas se abrem e se fecham num flash fotográfico.
Veja só, eu, por exemplo, estou nesse blog impulsionado para uma ação coletiva com tempo marcado para ser encerrado. Há possibilidades dessa janela manter-se aberta, depois do propósito realizado saberei o que escolher, mas os desígnios já estão traçados. E depois que as coisas se fecham, novos são os momentos, outras as possibilidades.
Se você ainda não tem a coragem o suficiente para empreender as mudanças que se fazem necessário, se prepare para elas, e esse preparo não é realizando grandes mudanças mas transformando aquilo que neste momento você se acha forte o suficiente para realizar. Melhor!  Avance um pouco mais, arrisque um pouco mais do que o possível, assim terás pelo menos a certeza de não estar se enganando com justificativas neuradas, o que a levaria inevitavelmente à paralisia.
                                                                       Bye

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

DOMINATRIX

 Tasso Lanza - 1981 - Desenhos


CH31
Olá...
Tive o seguinte sonho:
Eu estava com um homem e nos beijávamos num clima muito intenso quando uma outra mulher apareceu e começou a fazer chantagens emocionais para ele e a postura dele foi afastar-se de mim e começar a chorar. Achei a reação dele muito imatura, mas minha sensação não foi de crítica e sim de compaixão, de modo que me aproximei dele para tentar consolá-lo. Ao acordar fiquei me perguntando se eu e ele não seriamos duas faces interiores de mim mesma perante as imposições e chantagens emocionais dos outros. De um lado estaria minha parte feminina cheia de equilíbrio, compaixão e serenidade, do outro o meu lado masculino inseguro que tende a se desesperar e entrar em melancolia ao mesmo tempo em que faz disso uma fuga (inconscientemente sugerida por medo e indecisão) para não tomar uma atitude mais definida e firme perante as situações da vida conforme necessário para resolvê-las de vez. Devo ter sonhado mais, porém fiquei só com essa vaga e curta lembrança. O que me diz?

Sim!  Ele é símbolo e representação do seu lado masculino. Na psicologia analítica de C.G. Jung, ele nos fala sobre a alma masculina que existe na mulher e denomina como um arquétipo.
Para Jung arquétipo é a parte herdada da psique; padrões de estruturação do desempenho psicológico ligados ao instinto, uma entidade hipotética irrepresentável em si mesma e evidente somente através de suas manifestações. Animus é a figura de homem que atua na psique de uma mulher. É uma imagem psíquica, uma configuração que emana de uma estrutura arquetípica básica. Semelhante às formas fundamentais que subjazem aos aspectos “femininos” do homem, e aos aspectos “masculinos” da mulher, são considerados como OPOSTOS. Como componentes psíquicos  são subliminares à consciência e funcionam  a partir do inconsciente; daí serem benéficos à consciência, mas podem colocá-la em risco através da POSSESSÃO. Operam influindo sobre o princípio psíquico dominante de um homem ou uma mulher e não simplesmente, como se sugere, como a contraparte psicológica contrassexual de masculinidade ou feminilidade.
Em (CW6) Jung resumiu anima/animus como “imagens da alma”, chamou-as como “não-eu”. Ser não- para um homem corresponde com muita probabilidade, a algo feminino, está fora de si-próprio, pertencendo à sua alma ou ao seu espírito. É um fator que acontece a um individuo um elemento apriorístico de disposições, reações, impulso (no homem), de compromissos, crenças, inspirações (na mulher), e para ambos, algo que induz o indivíduo a toma conhecimento do que é espontâneo e significativo na vida psíquica. Por trás do Animus, alegava, Jung, jaz “o arquétipo de significado; exatamente da mesma forma que anima é o arquétipo da própria vida”(CW 91, parár.66). Uma mulher sujeita à autoridade do animus ou do LOGOS é controladora, obstinada, cruel, dominadora. Torna-se unilateral, e acaba sendo absorvida por um pensamento de segunda classe, carrega bandeiras sob a égide de convicções que não levam em conta os relacionamentos.
Na dimensão social podíamos detectar a propensão feminina de se permitir como objeto de disputa dos homens, ou na fantasia de ser libertada por um príncipe encantado, ou ser “encontrada”, identificada e distinguida no meio de todos por este Príncipe. No presente, as conquistas e transformações sociais as mulheres passam por esse processo de harmonizar idealizações, projeções de animus e identificação dos aspectos determinantes que definem sua dinâmica, escolhas e movimentos.

Apresentei alguns conceitos básicos da Psicologia de Jung, que para mim é referência já que o estudo ao longo dos anos e desde 1975. Digo referência já ele avançou em relação à leitura Freudiana, e muitos estudiosos já não repetem  Jung, ainda que o mantenham como referência. Assim me considero, Pós Junguiano, no sentido de continuar pesquisando a partir da porta de conhecimento que Ele abriu.
 Mas vejamos seu sonho: Você avança no entendimento. Mas podemos considerar mais alguns detalhes:
São três as presenças. Você, a figura feminina, e a figura masculina. Com certeza esse conteúdo é sensível, delicado e frágil e está sob o domínio de uma figura feminina castradora e dominadora. Em sonhos anteriores já vimos dinâmica em reconciliação entre você e seu conteúdos arquetípico masculino. A aproximação se repete por erotização (movimento de energia, pulsão, atração) indicando intimidade e fortalecimento da relação de opostos, ou de conteúdos originários de inconsciente. Neste sonho aparece a imagem de conteúdo feminino dominador e castrador, que evidencia o comportamento frágil sob dominação, submissão, do conteúdo masculino, mostrando-o como conteúdo Negativo Adquirido da imagem de animus. 
Eu poderia focar meu olhar, na sua compaixão e/ou fragilidade do masculino, mas me sinto dirigido para a força dessa mulher que o subjuga com manipulação e “chantagem”. Essa mesma mulher castradora muito presente te dominou como conteúdo autônomo e determinou o que você vem sendo na sua relação com a figura masculina, na sua relação com o mundo, com sua sexualidade (interrompendo seus jogos amorosos e de trocas afetivas e carícias),  e em relação à forma como você se relaciona consigo mesma.
Alguma semelhança com seres vivos não é mera coincidência. 
REFLITA!     

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

TORMENTO

O Pesadelo -  Johann Heinrich Füssli -1781
The Institute Of Arts - Detroit

Charlot 30

Que noite horrível! Tive uma seqüência de pesadelos e, pelo pouco que consigo lembrar, tenho quatro contextos péssimos para relatar. Vou enumerá-los:

1. Sonhei que estava numa arquibancada de madeira e, no meio de um conflito policial que surgiu do nada, um homem começou a atirar balas explosivas na minha direção. Eu as tirava jogando longe antes de explodirem, mas foi até que uma incendiou-se antes de conseguir tirá-la. Daí eu fui obrigada a fugir agarrada na vertical por uma tela que havia por trás. O local parecia uma quadra de esportes, mas não tenho certeza. Passei por várias janelas experimentando em qual conseguia passar e, numa delas, a qual mal cabia minha cabeça, eu consegui fugir sem nem mesmo entender como conseguira tamanha proeza. Não sei se pulei ou se desci escalando a parede, pois o lugar da janela era muito alto. Perambulei a rua preocupada por não ter donde me esconder. Busquei refúgio numa casa me oferecendo para trabalhar. Não sei que casa era aquela, mas parecia um convento ou algum local religioso que abrigava mulheres por algum motivo. Uma das mulheres me acolheu e me mostrou o local que era imenso (com vários quartos, salas e jardins internos). Achei bonito e agradável o local, o qual tinha acabamento e decoração num estilo barroco conservador. Tudo parecia bom demais, porém eu continuava com muito medo e, embora me vendo posteriormente disfarçada com peruca e uma horrível roupa masculina meio esfarrapada, sabia que ia ser procurada pelo homem mal e desconhecido.

2. Eu escutava barulhos em casa e fiquei com medo pensando que era ladrão. Não estava com medo de roubo, mas de algo ruim me acontecer. Entretanto, saiu do banheiro o espírito de uma criança. Inicialmente continuei com o mesmo medo, mas depois percebi que, mesmo não a conhecendo, ela me era familiar e querida. Interrogando-a, fiquei sabendo que se chamava Isabel (ou Izabele, não lembro direito) e que, embora não pudesse me contar donde ou desde quando me conhecia, garantiu que gostava muito de mim e senti isso verdadeiramente ao abraçá-la. Ela disse morar no espaço junto de uma legião infantil que muito bem me queria. Nisso ela começou a cantar e, nos meus braços, foi se transformando num bebê. Vale lembrar que, conforme já relatado, não é a primeira vez que tenho um sonho de regressão física de uma criança se tornar um bebê.

3. Eu estava numa praça escura quando alguns homens e mulheres que pareciam drogados vieram em minha direção e me cercaram. Eu dava socos neles, mas era como se eles nem sentissem. Daí eles me prenderam numa espécie de jaula, cobriram com um pano preto e me levaram, mas depois alguém com muito custo concordou e conseguiu me soltar. Eu saí voando (e todos pareciam surpreendidos de eu voar) de um lugar que parecia uma creche ou abrigo de crianças. O estranho é que as crianças pareciam estar com medo de mim ou, então, não gostar da minha presença. Eu podia ver e sentir isso pelo rosto delas enquanto voava me retirando do local. Obviamente esse sonho é um contraste com o anterior pelo fato de haver crianças amigas e, posteriormente, outras aparentemente inimigas.

4. Para finalizar com chave de fel, sonhei que estava dormindo com muito sono como se estivesse dopada, mas precisava levantar, reagir, identificar se o meio estava ameaçador. No que levantei e fui para a cozinha, minha mãe, irmã e cunhado estavam montando um complô para me transformar noutra pessoa e me forçar a ser e usar o que eu não queria. Ao me ver minha mãe deu um dinheiro para meu cunhado comprar um desodorante para mim, mas ele disse que não ia ter tempo e ela se encarregou da tarefa. Comecei a chorar, mas o fazia completamente constrangida, dizendo muito irritada que não queria que minha mãe e nem ninguém comprasse desodorante para mim, porém, ninguém queria respeitar meus gostos pessoais. Era em vão meu desespero, pois eles queriam fazer de tudo para impor-me exatamente o que eu menos gostasse. Pareciam agir por maldade. Embora num contexto totalmente diferente, essa sensação de estar completamente indefesa perante essas três pessoas sempre me causou pânicos reais que, de tempos em tempos, vive me atormentando em sonhos de briga ou de submissão como esse. Enquanto discutiam sobre o desodorante que me comprariam, eu via energias malévolas em forma de bolhas que saiam do meu cunhado e adentravam invisivelmente no peito da minha mãe fazendo-a tossir. Eu comuniquei-a disso, mas ela não ligou a mínima. Minha ira era tanta que, se pudesse, explodiria o mundo naquele momento.

TORMENTO 2

 
De tanto pesadelo formulo a pergunta: o que me leva a ter esses sonhos negativos de submissão, raiva, tristeza, fuga, medo e sensação de tortura por acaso seria o fato de sentir tudo isso na vida real, mas num contexto inconsciente ou não assumido? Ou seria consciente e assumido, mas com sentimento de impotência à superação? Tais sonhos, embora não sejam iguais a outros tidos anteriormente, me parecem muito repetitivos em quesito emocional e, particularmente, parecem me pressionar sobre meus próprios conflitos interiores. É por aí ou estou enganada?

Penso que posso compreender seu senso de “humour” sarcástico, e ao que me parece: sua impaciência. Mas existem momentos que podem verdadeiramente ser exaustivos.
Não! Você não está enganada. O momento indica sonhos de confronto, que não estão apenas te confrontando, mas lhe colocando em uma posição de desconforto e a obrigando a reavaliar, rever, seus conceitos, suas atitudes e sua forma de se relacionar com o mundo. Ou seja: “Você está num mato sem cachorro. Se correr o Bicho vai te pegar... Se ficar... o bicho vai te comer.”.
É importante diferenciar certos detalhes e características do fenômeno onírico: As emoções são suas; são suas a forma como responde à ameaças; como responde ao confronto, ao desconforto em que esta sendo colocada; São seus os sentimentos que se manifestam no sonho; É sua a postura e as atitudes que apresenta diante do desenrolar dos acontecimentos. O Sonho é seu. Ele é resultante da tentativa que seu inconsciente realiza para regular suas funções orgânicas e psíquicas. A parte orgânica que independe de sua ação, os mecanismos cerebrais regulam, e lhe indicam sinais de mudanças necessárias em suas atitudes, comportamentos e escolhas. A parte referente ao seu poder de intervenção nos mecanismos e configurações de respostas realizadas através da vontade, ele lhe sinaliza para que você possa reestruturar e transformar.
Se você realiza uma ação de repressão, se você se engessa, não é o corpo ou o inconsciente que te torturam, e você que se tortura. ? Captou? Se você é severa, exigente e perfeccionista, é você quem se cobra quem se exige.
E a Psyquê possui mecanismos cíclicos, como tudo o é, neste universo ordenado. Nós estabelecemos nosso patamar de vivências. Se superamos nossos desafios, novos desafios se apresentam em novos estágios. Se não os superamos, os velhos desafios se reapresentam e os confrontos se repetem. É fatal se não superarmos nossas dificuldades, nossos erros, ficamos como enredados nos fios invisíveis que nos colocam no eterno mito do refazer.
Quando consideramos a ordenação do universo, sabemos que novas configurações podem ser criadas nesse processo de ordenação, mas isso não impede que a tendência do universo seja se referendar no que já existe. E em geral somos atraídos para realidades já vividas se não superarmos nossos desafios. Quando o sujeito se assusta ele está na eterna repetição, ou porque repete padrões de escolha, de conduta, de priorização, de respostas, de estética.
Para deixarmos de repetir padrões que nos levem à mesmice, precisamos nos surpreender. Não precisamos encantar ou surpreender o “outro” mas a nós mesmos. Nós só dependemos de nós para sermos plenos.
Se eles não respeitam seus desejos, suas vontades, Os responsáveis são eles ou é você?
Na cozinha, minha mãe, irmã e cunhado estavam montando um complô para me transformar noutra pessoa e me forçar a ser e usar o que eu não queria.
Eu poderia pensar em núcleos autônomos que atuam e te comandam. Mas o que eles fazem é reduzir seu poder pessoal, sua auto estima. Te reduzem ao insignificante, te anulam. Mas não é isso o que você se faz? Você fortaleceu esses núcleos, possivelmente na busca de encontrar uma realidade mais favorável. Deixou de se posicionar, se permitiu omissa, relevou os acontecimentos, suas escolhas e construiu a realidade em que vive. Ele é um produto pessoal da sua tentativa de solucionar um desafio com “simplismo”.

Em síntese: 1º - Disfarce e fugas não funcionam quando tentamos nos disfarçar de nós mesmos ou fugir (me esconder de mim). Como posso me esconder de mim? Na loucura, na descompensação; 2º A criança que existe em você, busca proteção e tem medos e regride. Ela precisa ser mais bem protegida, fortalecida, ela é aquilo que você possui e mais puro, mais autêntico, mais natural, sua essência; 3º Praça, busca de ordenação arquetípica, atualização de equilíbrio e proteção. Voar, voar, escapar pelo ar. Porque as crianças têm medo de ti? 4º Respeito não se ganha, se conquista com a maturação. É preciso se fazer respeitar. Assim podemos evitar nossos tormentos ou superar nossos piores demônios. Bye

domingo, 21 de fevereiro de 2010

LABORATÓRIO

    Obra do Artista  Plástico - Mario Zavagli 

Carlotinha29
Tudo o que escreveu tem muita coerencia e sinto ser verdade. Pena que na prática seja tão difícil superar as limitações e vencer bloqueios. Mas estou na busca disso. Essa noite foi tumultuada. Eu virava de um lado e de outro e minha cabeça parecia muito cheia. Acho que assisti muito carnaval na televisão e eu parecia continuar vendo as escolas de samba passarem dentro da minha cabeça como se fosse uma cena fixa a se repetir constantemente. Também estava muito calor e isso me incomodou muito. Depois de acordar em certo momento da noite, tomar água e voltar a dormir, meus sonhos se deslancharam e foram muitos, mas como sempre, as lembranças são poucas. Recordo que eu estava reunida para fazer uma pesquisa, estudo, ou algo do gênero, mas nosso assunto era sobre remédios e uma das mulheres falava sobre bater um comprimido X no liquidificador, o qual era imbatível para dores, inflamações, tendinite, contusões musculares, lesões arteriais, etc. Ela dizia que apenas um comprimido batido na formula do liquidificador valia por várias cartelas de outros comprimidos ou injeções receitados por médicos em geral. Fiquei interessada no assunto, mas ela pareceu fazer segredo e, percebendo isso, não insisti em querer saber como era a suposta ‘porção’. Antes de tudo vale dizer que eu me sentia e me via mais nova, talvez com uns treze anos. No que saímos eu entrei no carro ao lado do banco do motorista e, no que uma das mulheres começou a dirigir o veículo, eu que tentava escrever algo com o papel apoiado no vidro da janela, numa das viradas, vi todo meu material cair para debaixo do banco lateral. Enquanto tentava recolher o que dava para ser recolhido resmunguei ‘porque isso sempre acontece comigo?’ Na vida real isso nunca me aconteceu e, como na maioria dos sonhos, tais pessoas parecem conhecidas apenas dentro do ambiente onírico.
Depois estávamos no banheiro de uma grande universidade (parecia um colégio interno, mas em verdade não sei que lugar era aquele,
pois só lembro de estar no banheiro). Eu não sentia frio, mas notei que estava vestida com uma grossa blusa de lã e todos estavam bem agasalhados. Achei estranho e fiquei me perguntando em que lugar do mundo eu de fato devia estar. Eu não queria utilizar o banheiro e esperava na saída do mesmo pelas demais acompanhantes. No que saímos do local, por certo passamos por uma porta diferente, pois avistei algo que me encantou. Da porta de saída seguia uma rampa no meio de uma vastidão de verde bem claro. Do lado da rampa havia um riacho fino com água corrente. O chão estava coberto de musgos e as árvores visivelmente velhas e de troncos retorcidos eram baixas e belíssimas. No que subíamos pela rampa eu, depois de já ter elogiado o local, elogiei também as árvores e, passando do lado de uma delas, bastante maravilhada, observei que havia uma amoreira espécie de trepadeira na árvore e mostrei o tamanho de suas folhas gigantes que deveriam medir cerca de um metro. Como eu subia de mãos dadas a duas crianças (não tenho certeza se eram de fato crianças), um dos homens do grupo perguntou se eu queria para fazer chá. Na verdade eu não queria, mas ele foi tão prestativo que, antes de eu responder, ele pegou uma folha para mim. Comentei que chá de folha de amora era bom para abaixar a pressão arterial e ele respondeu que era preciso ter cuidado para se medicar assim. Pensei em explicar que eu já tinha pressão baixa e não precisava de chá para tal finalidade, mas que tomava vários tipos de chás por gostar do sabor das ervas. Porém não foi possível explicar, pois ele estava subindo mais rápido e distanciou-se naturalmente chegando primeiro numa espécie de ampla casa rodeada de varandas. Sei que o sonho prosseguiu, mas as lembranças pararam por aqui.

LABORATÓRIO 2


  


carlotinha29
Bem, se eu pudesse lhe perguntaria: Quais lembranças lhe vêm à mente quando tinha 13 anos? Parece-me básico. Se pergunte, deixe sua Psyquê realizar o processamento e aguarde as memórias e associações. A mim, parece-me reprogramação mental a partir de algum momento, ou acontecimento chave ocorrido naquela idade. Por que reprogramação?  A psyquê realiza permanentemente um processo de atualização. Ela é dinâmica e a partir dos acontecimentos cotidianos do individuo, mudanças, intervenções, o desenvolvimento e formação de novas atitudes e respostas, a ampliação do repertório de respostas, a forma como o individuo se renova ao responder às exigências do meio, definem e redefinem um novo perfil de respostas para o individuo, oferecidos pela estrutura psíquica.
Veja, um exemplo para favorecer a compreensão: Se uma pessoa tem medo de barata, ao se deparar com este tipo de inseto, seu corpo pode ter um repertório de respostas defensivas prontas para serem usadas:
·         Colocar a mão na cabeça e sair correndo e gritando;
·         Subir no primeiro móvel por perto;
·         Fechar os olhos e gritar desesperada e batendo os pés no chão;
·         Entrar em pânico;
·         Etc.
Para isso o corpo precisa acionar seus mecanismos de resposta e alarme: liberação de adrenalina, aceleração de batimentos cardíacos, ativação e aceleração da resposta respiratória, etc. Se isso não ocorrer o individuo simplesmente entra em pânico e fica paralisado, o que pode ser traumático para o organismo. Uma resposta desesperada pode ser melhor do que nenhuma ação (às vezes a melhor resposta é a Não Ação, o estímulo não altera a função mental ou orgânica, o individuo mantém o corpo em equilíbrio).
Uma reprogramação mental que se faz nos processos de atualização modifica esse comportamento a partir de uma mudança de prontidão mental e de fortalecimento do sistema neurológico. Aumenta-se o limiar de resistência ao estímulo, aumenta-se o repertório de respostas possíveis ao estímulo. Neste caso, o estímulo perde o poder e a força, que projetamos nele, para reagir ao acontecimento. Uma bomba é muita encrenca para matar um inseto. Quando o indivíduo busca manter sob “controle” o mundo, constrói uma imaginária e ilusória relação, com o mundo, de controle e de estabilidade,  e ao se defrontar com um estímulo incontrolável, mesmo um simples inseto (pode voar e pousar no sujeito, no seu rosto, entrar na sua boca, se enfiar para se esconder dentro da roupa, etc.). Neste momento o sujeito perde o controle do meio e de si mesmo, projetando sua descompensação, seus medos e fantasias.
Mas se no dia a dia o sujeito aprende a responder ao meio a partir da avaliação dos cenários em que esta inserido, e não se utiliza de um repertório classificado para se relacionar com o mundo, ele desenvolve habilidades para avaliar, diagnosticar e responder da melhor forma ao que o cenário lhe exige. Isto eu chamo de viver o presente. A psyquê tenta manter o organismo o mais preparado possível para se proteger e por isso ele fica tão disponível a se atualizar, se refazer, se reprogramar.

Quando percebo esse processo no seu sonho? Quando o sonho lhe propõe a experiência de laboratório, pesquisa, desenvolvimento, avaliação, experimentos, ordenação, configuração, dados, processamento, observação, formação e desenvolvimento de um mental criterioso. Mesmo fora do laboratório você amplifica sua capacidade como observadora (o campo e as velhas árvores).
Há também reavaliação e mudanças de paradigmas, ampliação dos conceitos de intervenções e respostas corporais. Você parece uma jovem descobrindo o mundo, e não mais o jovem velho que pensa que “sabe tudo”.
O verde e largo espaço, o riacho e as velhas árvores, todos nesta situação, parecem-me imagens primordiais resgatadas para a dinâmica de restauração do equilíbrio psíquico, mental e físico. Mas lembre-se: o remédio pode ser bom mas quando a necessidade de medicação, tomar remédio sem necessidade é medicar-se incorretamente. Você precisa articular seu poder de intervir, superar a passividade, deixar ir acontecendo e sendo levado, superar essa justificativa, dizer NÃO! Colocar limites. Sem medo de desagradar e de perder o amor do “outro”. Caso contrário, você continuará tomando um remédio sem precisão, um remédio amargo, carregado de solicitude,,, mas amargurado.