sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

RISPIDEZ


  


Carlotinha 28
Essa noite tive um sonho que me deixou intrigada... Eu estava com minha irmã. Tudo parecia bem quando eu explodi em meus sentimentos e disse um monte de coisas para ela de uma maneira que só vivencio em sonhos mesmo. Não havia um assunto especifico sendo conversado, mas lembro de uma parte em que eu falava sobre a maneira dela fazer comida e dizia que não gostava do fato dela usar muitos produtos industrializados. Também sei que eu dizia isso de uma maneira muito grosseira e carregada de velhos sentimentos negativos. Eu não estava tecendo uma colcha de crítica, mas sim deixando muito claro todos os aspectos dela que me incomodavam e dos quais fazia eu desinteressar-me de sua pessoa. O interessante é que, fora do sonho, acho que nunca teria uma postura assim, até porque raramente tenho oportunidade de comer o que minha irmã cozinha e, por menos que eu goste, o mundo todo utiliza facilmente uma enorme variedade de produtos industrializados e, por bem ou mal, somos todos (inclusive eu) influenciados a esse consumo. Na continuação do sonho minha irmã ficou calada, ou seja, não se defendeu e nem reagiu. Foi como se ela assumisse minha postura de passividade e eu assumisse a postura dela de ser ativa e falar o que pensa e sente sem tolhimentos. Acabei ficando péssima pensando que não deveria ter dito nada (exatamente como minha irmã fica por ser impulsiva), mas ao mesmo tempo sabia que ser franca era positivo, pois não tinha que fazer de conta que gostava de coisas e situações provindas dela que de fato me desagradam. Pensei naquela frase ‘não atire pérolas aos porcos’, mas ela não se encaixava ao contexto, pois nitidamente minha irmã não apenas havia compreendido o que eu falara como se mostrava magoada com minhas palavras. Nessa inversão de papeis eu compreendi que ela sentiu-se exatamente como eu me sinto, ou seja, percebi que eu guardo magoa de muitas pessoas mesmo sem assumir para mim mesma que fico magoada com as pessoas que vivem falando comigo (ou sobre meu jeito de ser) de um modo grosseiro. Percebi que ela transpareceu tristeza pelo que eu dissera, mas assim como eu, tentou não demonstrar os seus sentimentos. Talvez sua mágoa demonstrasse o fato dela não estar pronta para a minha franqueza, mas a verdade é que, dentro do sonho, ela usou de uma passividade que eu não esperava. Fiquei realmente me sentindo mal por ter dito tanta coisa de forma tão pesada. No sonho eu parecia estar tendo a postura certa de deixar tudo a claro jogando as ‘cartas dobre a mesa’, mas ao mesmo tempo eu fiquei magoada comigo mesmo por ter sentido que magoara alguém. Mesmo tendo sido apenas um sonho, ele reflete muito de uma postura de sinceridade e espontaneidade que procuro ter e que, depois de tal sonho, mesmo que eu conseguisse ter tal postura com facilidade, demonstra que é preciso ter cautela e equilíbrio perante as palavras e diante de uma postura ativa de se comportar perante as desavenças ou antipatias das outras pessoas, sejam parentes próximos ou amigos distantes.
Porque no sonho eu assumi as características impulsivas de minha irmã de dizer o que pensa e sente de forma áspera e ela assumiu minha postura de nada retrucar e ressentir-se quieta?

RISPIDEZ 2

  
Carlot 28

Carlota eu gosto de ver sua reflexão, suas descobertas, este é o caminho... compreender, transformar, amadurecer. O caminho é árduo mas profundamente realizador e gratificante. Você esta certa é preciso ter cautela e equilíbrio perante as palavras e...cautela na postura ativa. As palavras podem ser profundamente, ferinas, ofensivas e violentas em situações que envolvem competição, diferenças e conflitos, elas em geral acabam sendo devastadoras. Toda a força agressiva é projetada no outro em forma de sons, e sons com formatos para destruir, dilacerar o “outro”. Eu percebo a agressividade como um produto defensivo, reativo e cumulativo, isto é, quanto mais você se utiliza desse mecanismo para relacionar-se, deste meio de defesa e ataque, desta maneira de se expressar-se, mais agressividade você será capaz de mobilizar. É como uma conquista, a cada vez maior será o poder de mobilizar essa força destrutiva. Mais força agressiva será acumulada e maior será sua capacidade, seu poder explosivo, sua tirania.
Ou seja, Caia fora desta fria. Não é por aí. A sociedade competitiva nos exige certa capacidade de mobilizar esse poder agressivo. O trânsito, por exemplo: se você não tiver essa disposição, o trânsito se fará assustador, você nem conseguirá circular dirigindo. Mas nem por isso você poderá sair por aí passando por cima dos outros, reagindo com seu cavalo de força, caso contrário acabará matando pessoas inocentes. A agressividade é uma força, um poder que precisa ser disciplinado a nosso favor, dominado e controlado dentro de certos limites do razoável e do aceitável.
No seu caso; Você reprime de maneira a se fazer passar por “boazinha”, e tem medo dessa força superar seu poder de controle. Ora, não há como engessar um vulcão. Uma hora a força reprimida, aprisionada é liberada e pode se manifestar de forma mais destrutiva. É preciso aprender a dosar esse veneno. Se for excessivo ele mata.  Somos recém-saídos das cavernas e ainda vivemos num mundo absolutamente selvagem, apesar de todo o verniz social conquistado.
Como dosar essa força? Primeiramente não a deixando se acumular; não promovendo “imputs” QUE PROMOVA O SEU CRESCIMENTO, que a  multiplique dentro de nós, canalizando-a para ações positivas e construtivas. Transformando e projetando esse poder de forma a promover e gerar retorno positivo.
Isto é um exercício excepcional. Quando você se diferencia do outro no seu processo de maturação, deixa de ser reativa ao que o “outro” faz. O “outro” deixa de mobilizar, a partir de suas ações, sua capacidade reativa, Ele não mais a atinge. Mas... se você estiver indiferenciada o espirro do outro fará cócegas no seu nariz, o drama alheio será devastador, o desequilíbrio do “outro” a sugará e a desequilibrará. Por isso o trabalho de aceitação do outro como ele é, é pré-requisito na diferenciação.
Eu acredito em “não ser omisso”. Em não permitir que o outro me bata na cara. Para quem se permite apanhar não sei dizer o que isso pode representar, cada realidade é uma. Muitos apanham e desenvolvem doenças fatais, muitos renunciam à vida se anulando, muitos viram santos, cada caso é um. A minha opção é não permitir que o outro “Me Bata”, isso não quer dizer que eu necessite bater, aprendi a manter o outro à uma certa distância para administrar minha força, e tenho trabalhado intensamente a compaixão que sinto pelo outro. A omissão promove a culpa no “outro” e resíduos reativos no sujeito. É fundamental avaliar a situação e responder ao que a realidade lhe exige. Para mim o caminho é o diálogo. Sempre o diálogo. Não permitir acumulo de ressentimentos e mágoas, amor próprio ofendido, orgulhos caprichos, vaidades essas misérias humanas que nos corroem como vermes.

O seu Sonho é claro, sua natureza é semelhante à natureza de sua irmã, sua irmã é você, e você sua irmã. Enquanto ela explode para fora, você explode para dentro. Ela faz mal ao “outro” destrói o “outro”, e você se destrói esperando que o outro se transforme. O bonzinho é tão mal quanto o mal, porque ele permite que o outro o destrua, ele se permite destruído para destruir o outro. O caminho pode ser não sendo ela e nem sendo o que você se tornou. Existe uma outra forma, um outro caminho, a firmeza, a autenticidade e isso não nasce como uma magia, é o resultado da transformação que processamos em nós. Manifeste-se. Experimente-se. Administre. Exercite-se.
O sonho é compensador mostrando-lhe suas semelhanças, e seus conflitos, sua capacidade de se colocar no lugar dela, seu julgamento e suas críticas, sua repressão seus desejos e suas identidades. Se ambas se assemelham, paradoxalmente se identificam, o crescimento não está no oposto mas na busca de transformação. Aprender a lidar com essa força e transformá-la a seu favor. 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

EU ELA NÓS I

  

Carlotinha 27

Olá... Tenho sonhado muito e, exatamente por isso, estou tendo dificuldade de lembrar o que sonho. Nessa noite eu sonhei muito com coisas de comer. Lembro que estava numa espécie de restaurante muito chique, ao que me parece, com um pessoal de uma excursão. Eu apenas comi enquanto todo o resto do pessoal (a maioria eram homens) não só comia como entrava na bebida. Num certo momento eles saíram do local e começaram a irem bêbados para a rua, na frente dos carros, enfim, pareciam almas penadas fazendo uma confusão no trânsito. Pensei em ajudar, mas eu era apenas uma para correr atrás de um bando de bêbados. Enquanto isso a organizadora que ia pagar todas as contas começou a recolher os cartões de consumo e fiquei arrependida de não ter comido uma sobremesa. Creio que eu não sabia com certeza que tudo ia ser pago e, uma vez sem condições de arcar uma grande despesa, já que tudo daquele lugar era muito caro, só fui constatar que eu poderia ter aproveitado mais da diversidade alimentícia quando já era um pouco tarde para tal. Pensei de pedir-lhe para me esperar pegar um doce, mas ela já ia ser a próxima da fila a ser atendida e fui obrigada a contentar-me com meu descontentamento. Pensava no quanto os outros haviam gastado com bebidas e, feito tola, eu não comera nem um pedaço de torta para rebater a refeição de sal.

Parece-me que neste sonho aparecem algumas características de seu comportamento ou dificuldades pessoais. Existe um limite onde você funciona dentro de “sua realidade” e um desejo reprimido para saciar seus desejos. Quando você toma pé da situação, não interfere com o vigor necessário e sofre as consequências de sua falta de ação. A falta de ação, aquilo que te bloqueia e reprime pode estar associada a ORGULHO, muitas vezes confundido com amor próprio, vergonha, timidez.
Considero o orgulho, amor próprio exagerado, como uma manifestação de um complexo autônomo que inflaciona sua auto estima, ou a compensa.
Veja: Se existe um complexo de inferioridade, que define a autoestima para menos, a psique se compensa inflacionando, ou produzindo mecanismos compensadores que reequilibram suas funções antes que o desequilíbrio promova uma devastação, uma descompensação. Uma das possibilidades é a formação de complexos autônomos que se fortalecem, como núcleos autônomos, passando a ter poder de interferir compensando estes estados de instabilidade e de frustração dos desejos que promovam conturbação. 
Muitas vezes estes mecanismos foram desenvolvidos por antepassados e potencialmente herdados, sendo ativados como mecanismos de defesa, a partir das relações estabelecidas pelo individuo  pelas exigências de realidade. Ou seja: se você teve pais orgulhosos, ou que não superaram este desafio, você herda a potencialidade de resposta, e se o cenário te pressiona você responde com seu arsenal codificado geneticamente, com suas possibilidades herdadas.
Reaparecem suas dificuldades de movimento, ação, dentro do seu cenário de realidade. O que define você ficar travada? Você não consegue ROMPER os limites que se impõe.
Eu conheço pessoas pró ativas que gritariam:
PAREM TUDO!
PAREM OS RELÓGIOS!
ME ESPEREM!
ESTOU COM FOME!
QUERO BOLO!  QUERO DOCE! QUERO MAMÁ!
OM CO TÔ!
MAMÃE ME SALVA! 
Este último eu coloquei para realçar o nível dramático da situação. Quero focar a sua dificuldade em romper a repressão que você se impõe. Seja para manter a imagem de pessoa adulta, amadurecida, perfeita, OU para esconder a sua criança, seus desejos. E aí acaba pagando o preço da frustração.
E ainda corre o risco de passar a imagem de oportunista, e o pior, de acabar se aceitando como aproveitadora. O reclame é que você não aproveitou a realidade favorável, perdeu a chance. Por quê? Estava focada no Outro? Estava dentro dos seus limites. Mas quando percebe a oportunidade o orgulho te impede de anunciar: ÊPA! Eu quero! Eu não podia comprar, mas se é amostra grátis eu quero! 0800? Eu quero! Vou ligar!
Você esconde dos outros sua realidade, não assume sua condição? É hora de mudar. Qual o problema de ser o que você é? De assumir sua condição, sua realidade? Desta forma você fortalece estes mecanismos que te afastam da realidade e fica suscetível à forças e pulsões poderosas do inconsciente. Nós podemos ser bem equilibrados, bem postados independente de nossa condição social. Mas independente da condição de classe social, a forma como lidamos com nossos limites definem nossa relação com o mundo e com a realidade, em todos os níveis: mental, afetivo, emocional, relacional, familiar. Portanto: O sonho parece dizer-te: rompa seus orgulhos e mostre seus desejos, suas carências. Antes que a repressão te leve para desvios do biótipo: Oportunista.Trabalha o conceito a humildade. Não ser simplória, mas parar de esconder na sombra dos orgulhos.

EU ELA NÓS II


 

  
Carlotinha 27
Depois disso eu estava num outro ambiente que não sei dizer se era um restaurante ou uma festa, mas sei que também tinha muitas comidas variadas e sobremesas, das quais eu já sabia que podia comer de tudo livremente, mesmo que algumas variedades houvessem de ser marcadas em meu cartão de consumo e despesa. O local era iluminado à meia-luz e estava achando-o um pouco escuro, tanto é que errei de mesa num determinado momento em que fui servir-me de algo. Lembro que depois eu fui servida com salada de frutas e creme de leite. No que fui buscar uma colher e voltei alguém houvera pegado minha porção e, irritada com a desorganização de tudo, fui servir-me pessoalmente na mesa donde eram organizadas as porções. Sei que o sonho estendeu-se enquanto eu permanecia nesse ambiente, mas não lembro quase nada. Parece-me que eu comia sozinha sem muito me entrosar com as pessoas, pois, de certa forma, eu não estava muito agradada daquele ambiente. No que me parece uma outra etapa do mesmo sonho, mas provavelmente num outro local, eu fui sentar-me na mesa com umas outras pessoas e um garçom foi trazendo um monte de quitandas enormes e entregando para a jovem que estava sentada do outro lado da mesa, a minha frente. Fiquei olhando o enorme pudim, a enorme rosca, etc. Como tudo estava sendo entregue diretamente a ela e o que ela fazia era colocar as entregas na mesa de modo desinteressado, eu perguntei-lhe se ia comer tudo aquilo e ela respondeu que não. Perguntei se ela ia levar para a viagem e ela também respondeu que não. Somente então perguntei se podia me servir das quitandas e ela respondeu que sim. Nisso outras pessoas se aproximaram e sentaram-se do meu lado. Eu não sabia se podia dar da quitanda que comia para tais pessoas e, embora preocupada de oferecê-las, não o fiz por vê-las comendo outras coisas. Havia muitas variedades de coisas de comer e todos pareciam estar comendo algo. Enquanto comia eu retirei os pedaços da quitanda que, não sei por qual motivo, havia colocado no colo, e coloquei sobre a mesa deixando explicito que a pessoa que estava do meu lado poderia pegar da minha porção se não lhe fosse permitido pegar da quitanda original. Logo em seqüência eu coloquei a cabeça no ombro dessa pessoa que se sentara do meu lado e falei algo que não me lembro. Não sei quem eram todas aquelas pessoas que já não eram as bêbadas que haviam ‘enchido a cara’ no primeiro sonho. Não sei se eu era intima delas, mas, ao mesmo tempo em que eu parecia estar à vontade com elas, eu também parecia estar vendo-as pela primeira vez.

Este segundo momento eu tomo consciência depois de ter escrito as observações iniciais. Esta sequência parece-me mais compensadora na satisfação de seus desejos orais, mas mais focada em sua dificuldade de estabelecer vínculos sociais.
Em princípio poderia fixar-me na Dinâmica Pessoal Psíquica: Indícios de desorganização, sombras, conflitos. Tudo dentro de certo “padrão” aceitável. Mas Há movimentos, busca e interação, integração. Contudo chama a atenção a fixação oral, a fixação no alimento, sinais de carência, ou composições gestálticas em aberto na configuração de personalidade. Isto é, sinais e imaturação afetiva, vinculação não resolvida em laços de afeto (possivelmente familiares devido a referencia oral).
Consideremos: O alimento é o sustento da vida, primordial na manutenção da vida. Mas o alimento não é só o objeto concreto, ele nos vincula com o mundo e estabelece o tipo de relação que teremos com este mundo, o tipo de troca que realizaremos com o meio. Mas aí surge o avanço, o sinal de mudança na dinâmica psíquica, a proximidade com a figura masculina, a troca ( superação do Ego-ismo infante).  O sinal de transformação e metamorfose do símbolo na aproximação afetiva: “eu coloquei a cabeça no ombro dessa pessoa que se sentara do meu lado e falei”. ...E FALEI! Parece pouco. Não o é. É mudança da dinâmica interna. A energia pessoal se volta para partilhar e para se aproximar. Aumento da segurança, da força pessoal. Do Poder e do Intento pessoal.

EU ELA NÓS III



Carlotinha 27
Depois disso eu estava noutro local e, estranhamente, havia uns copos cheios de alguma bebida (parecia café com leite) que estavam amarrados em linhas e uma mulher puxava essas linhas. Quando ela me disse para cuidar dos copos já era tarde e, um deles, aquele que ela tentava desembaraçar a linha para puxar, havia caído e quebradoFui limpar a sujeira do liquido misturado com os cacos e comecei a reclamar não lembro sobre o quê. Nisso ela me disse algumas coisas e só lembro da seguinte frase: ‘o que é seu está guardado. Espera que sua vez de ser extremamente feliz vai chegar’É bom deixar claro que eu vivo dizendo isso a mim mesma como um autoconsolo. Embora a fala dessa mulher pudesse ser interpretada de muitas formas, pela sua maneira de dizer eu percebi que ela estava sutilmente me dando uma ‘cantada’ como quem diz ‘não se preocupa com o que você não tem, pois se quiser eu me dou a você’. Achei a situação interessante e pensei que, mesmo não tendo interesse sexual ou atração física por uma mulher, seria divertido ser cortejada, desejada e cativada por umaPensei no quanto de situações inusitadas eu poderia viver saindo da regra fixa de um relacionamento homem-mulher. Não estava pensando no obvio das questões sexuais, mas sim em expansão de afetividade, em aprofundamento de sabedoria exclusivamente feminina, de sair do meu próprio padrão normal-natural de mulher e me sentir simplesmente um ser humano. Eu me senti atraída não pela mulher em si, mas por tudo o que o universo feminino poderia proporcionar-me além do meu próprio feminismo. Eu me senti além de uma divisão entre masculino e feminino, ou seja, eu me senti entre divisões infinitas de seres individuais e únicos que constituem sua sexualidade e personalidade própria. Parece que minha conversa com essa mulher se estendeu, mas não lembro o resto.
Noutra parte do sonho eu já estava com várias outras mulheres em um local que não sei definir o que era. Uma delas estava dançando e quando olhava para mim seus olhos brilhavam de forma quase sobrenatural. Era como se ela dançasse para todos, mas o fizesse especialmente para mim. Eu me sentia honrada com aquilo mesmo sem saber o que de tão especial eu tinha perante o universo feminino. Não era a mesma mulher do sonho do copo e, assim como em todos os sonhos, ela também parecia desconhecida e, ao mesmo tempo, conhecida. Sei que sonhei com mais um monte de coisas, mas as lembranças são muito confusas. O que tudo isso pode representar?

ela me disse algumas coisas e só lembro da seguinte frase: ‘o que é seu está guardado. Espera que sua vez de ser extremamente feliz vai chegar’É bom deixar claro que eu vivo dizendo isso a mim mesma como um autoconsolo. Vamos considerar: “ELA ME DISSE”,  “ela lhe disse”,  mas se você se diz isso em vigília, ela te repete. Se ela não é outra que não você. Quem te fala na vigília é você ou é ela? Ou no sonho ela é você? Ela te fala na vigília e no sonho, ou você se fala na vigília e no sonho? Se ela é você, e ela o é, ela é apenas um conteúdo autônomo, arquétipo, ou ela é apenas a representação de sua idealização, ou a personificação de seu desejo. Mas também pode ser sua alma feminina arquetípica que se manifesta no seu rearranjo.
De qualquer forma, o sonho é você, conteúdo autônomos ou psíquicos, de gênese ou produzidos por você. Mas eu penso: vejo no sonho, a mensagem é clara, como compensação ou não, "Sua hora de ser feliz chegará". Eu considero essa hora como o momento de configuração pessoal em que encontramos o conforto do equilíbrio na realização do pessoal. Agora o que você considera como felicidade? Se for encontrar uma paixão e viver como uma princesa feliz para sempre, então... cuidado! alerta! Porque sua felicidade pode ser a busca da pulsão emocional, a conturbação, a passionalidade.
Seu interior dá sinais de se abrir para experiências, buscas, vida, encontros. Mas não enfie a mão em cumbuca. A inteligência emocional não é mergulhar no desconhecido mas saber evitar quando o mergulhar é ardiloso.
Em principio fico com você quando não percebe envolvimento sexual nessas relações com o feminino, sinceramente considero pouco significante qualquer relação ou associação neste sentido. Mas vejo, como primordial importância, a reconciliação com sua natureza feminina. Já vimos em sonhos anteriores a dinâmica voltada para a reconciliação com o masculino e agora vemos sinais de reconciliação com sua natureza feminina. Sinais de que há reconstrução das linhas de sua conexão consigo, refazendo estima e conexão afetiva com o mundo.
Cacos a gente limpa, junta ou elimina-se. Bom mesmo é poder juntar os cacos de nossa vida para reconstruí-la em bases mais sólidas.
Ah! Passeí pelo www.aeternusfemininus.blogspot.com ele é voltado para essa eterna feminilidade.
Bye 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O PSICANALISTA NO DIVÃ 2




 
Hoje, no café da manhã  entre os temas conversados à mesa, falávamos dos sonhos do carnaval e um detalhe na leitura do sonho do Psicanalista me veio como reflexão para ser acrescido à leitura. Sonhos são assim, sempre podem ser enriquecedores na sua compreensão, leitura e entenddimento dos mecanismos da psiquê.

O Sonho do Psicanalista, se mostra especial por um detalhe: Eu possuo informações adicionais da história de vida do individuo e conheço alguns detalhes de sua trajetória nos últimos anos. No acompanhamento analítico é assim que se passa, o interprete tem informações pessoais do sonhador e avança na leitura considerando estes dados, ou pelo menos faz associações que favorecem a decifração, ou mantêm o olhar nas informações conhecidas para evitar intervenções desnecessárias ou fuga do foco do sonho. 

Apressados, críticos ou desconfiados podem acreditar que um leitor de sonhos não comprometido com a verdade, impreciso, sem o conhecimento necessário ou mal intencionado, pode se utilizar das informações, que possui, para basear sua leitura ou interpretação, correndo o risco de apresentar uma visão contaminada, equivocada, frágil ou tendenciosa.   Isto pode ocorrer, principalmente considerando variáveis tão importantes como descompromisso com a verdade, falta de conhecimento e imprecisão. Aí meu caro, ou minha cara, tudo é possível.

Em realidades que envolvem seriedade, compromisso com critérios e a busca de comprensão, respeito pelo "outro" entre outros requisitos, a probalidade disso ocorrer é mínima.

UM SONHO FALA POR SI MESMO.

E eu acrescento, pode parecer estranho, ele não carece de interpretação. ELE É. Precisa ser visto. Nós interpretamos porque estamos em busca de compreensão, decifração sem contaminação, e conexão com o universo. O sonho já oferece todas a informações necessárias para ser comprendido, desde a linguagem mais sofistica  à mais restrita em conteúdo e informações, independente de condições intelectuais. Sua linguagem é universal, é constituida principalmente de configurações em imagens e as imagens falam mais do que qualquer outro instrumento de comunicação.

No caso do sonho a que me refiro as informações me reafirmam o que o sonho ja fala. Eu posso enriquecer a mensagem com associações que reafirmam seu conteúdo. E as informações pessoais servirão para respaldar  o entendimento. Pode-se  pensar no contraditório: as informações definem a leitura. Mas as imagens são tão absurdamente claras que qualquer que fosse o sonhador a leitura não poderia ser alterada. Naturalmente um outro sonhador teria outros acontecimentos e outras variáveis definindo sua realidade ou o seu passado, mas esses são aspectos que aparecem específicos apenas para o individuo e só fazem sentido a ele. O conteúdo coletivo transpõe a singularidade do pessoal, se sobrepõe ao individual para trazer o indivíduo ao eixo do mundo, ao eixo de sua vida.

Os dados e as informações pessoais são facilitadores e favorecem à especificidade, mas na sua ausência, a força do coletivo não tira a profundidade necessária. Pode-se de forma geral ocorrer mais dúvidas, mais interrogações, e isto porque o alvo ainda é o pessoal e sua especificidade, mas neste caso o individuo saberá fazer as associações necessárias e entender melhor as mensagens.

Faço essas reflexões para aqueles que estão em busca de melhor compreender os mecanismos que precisam ser considerados na leitura de um sonho, para que não se fixem na definição da leitura a partir dos acontecimentos conhecidos do sonhador.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

O PSICANALISTA NO DIVÃ





Galvão


Sonhei que estava em uma espécie de clínica , ou "pronto atendimento" de hospital, assentado em uma daquelas cadeiras com apoio para se retirar sangue, onde já tinha estado antes para um procedimento médico menos radical, que não tinha dado certo. Seria pois um retorno.
Chegou então uma enfermeira, que era a mesma que havia me atendido da outra vez, e mandando que eu esticasse meu braço esquerdo, pegou um bisturi afiado e, na altura do pulso, talvez um pouco acima, fez profundo corte contornando-o de fora a fora, como se fosse decepa-lo.  
Virei o rosto para não ver, mas, mesmo não sentindo dor, percebi o sangue esguichando aos borbotões.

Sabia que se ela não executasse seu procedimento rapidamente eu poderia morrer. Era como se fosse uma luta contra o tempo.  
Mas após alguns minutos voltei a olhar e vi meu pulso e antebraço envoltos fortemente com esparadrapo e atadura, e já o sangue estancado. Me deu sensação de que havia sobrevivido. Estava aliviado.

Antecipadamente agradeço-lhe a confiança. Tenho conhecimento de sua formação Freudiana e de seus conhecimentos, e fico admirado com sua busca para ouvir outra leitura, outro ponto de vista como analista. Para mim é um prazer receber sua confiança mesmo que aumente o meu desafio. Para fazer a leitura vamos considerar a realidade em que está inserido.
Você bem sabe, a riqueza de uma leitura está no entendimento do universo onírico associado às informações do cenário de vida do sonhador.

Em cinco tempos:

  • ·         1º tempo – Você na cadeira para retirar sangue;
  • ·         2º tempo -  A enfermeira faz a incisão, o sangue jorra;
  • ·         3º tempo – Você olha para não ver;
  • ·         4º tempo – Você “sabe do risco da morte;
  • ·         5º tempo – O sangue para de vazar. Você sobrevive.

O sonho envolve nível elevado (3º tempo) de tensão e alívio da tensão (5º). Neste aspecto ele é compensatório, à medida em que é catártico. Ele sinaliza a tensão (angústia inclusa) e a compensa realizando o relaxamento, a diminuição da tensão
A imagem é clara: Você está no sacrifício, sendo sangrado. É realizado o ritual, feita a incisão. Você vive a angústia e a ameaça do corpo amputado, há ameaça de morte, mas o sacrifício é finalizado. O sonho parece-me ARQUETÍPICO e MÍTICO , e envolve uma relação delicada entre sua pulsão coletiva e seus caminhos pessoais.
Na história humana Sacrifício é a ação humana de sacralizar algo ou alguém separado daquele que o oferece, separado de tudo o que permanece profano, oferecido a Deus como prova de dependência, obediência, arrependimento ou amor. Este processo torna o profano sagrado, e a sacralização torna o objeto ou sua imagem propriedade divina e inalienável.
Neste aspecto podemos diferenciar o sacrifício de oferenda e o sacrifício de oferta. O sacrifício de oferenda é definido pelo coletivo que escolhe uma riqueza e oferece como prova de obediência, submissão e reconhecimento do poder divino ou superior. Assim no passado se ofereciam o sangue das Virgens Puras aos Deuses na busca do perdão, ou de salvação. Assim como ainda se oferece o sangue de cabras, galináceos, coelhos em rituais de magia, de Contrato; A escola Junguiana  pode considerar esses “rituais de morte como a vitória do espírito humano sobre a animalidade e a bestialidade”, neste caso o sacrifício celebra  uma vitória interior.

 No sacrifício de oferta, o sujeito se oferece num ato heroico para se sacrificar pelo coletivo, ele abre mão de si, de sua vida em função do outro, mas compensa seu gesto incorporando a imagem do herói. O sacrifício é símbolo da renúncia aos vínculos terrestres por amor ao espírito ou à divindade. Mães (pais menos) abrem mão da vida em função os filhos, filhos em função de pais, irmãos em função da irmandade, etc.
A ação ou gesto de sacrifício no Antigo Testamento simboliza o reconhecimento da supremacia Divina. Já para os gregos é símbolo de Expiação, Purificação, Apaziguamento, Imploração Propiciatória.
O sangue é veículo da vida, sangue da vida, bebe-se o vinho como o sangue de cristo, bebe-se a vida. Veiculo da alma. O plasma da vida, o rio que corre dentro de nós, que transporta a proteção, a força, a vitalidade e o vigor. Sem sangue nós secamos como o deserto.
Quando o indivíduo é vampirizado, como que paradoxalmente sodomizado (elenão é penetrado, ele é sugado) , ele se transforma, ou morre ressecado ou se vampiriza como contaminado.
Eu precisei lhe lembrar esses dados para te situar dentro do contexto.
Se considerarmos o momento do sonho, ele pode fazer referência a uma postura de sacrifício em que você se colocou, oferecendo, como o sacrificado, o que possui de melhor ao coletivo (doando o plasma). Alguma parecença com cristo? Voce quase foi sacrificado. Naturalmente você incorpora o mito do Herói, do salvador, que abre mão de si mesmo, abre mão da vida em função de salvar o coletivo. Você sabe que correu risco de vida, em relação ao passado recente, colocou sua saúde em risco, sofreu, teve medo de morrer? E agora que a encrenca parece solucionada ocorre alívio da tensão, a sobrevida.  Você cumpre o seu destino.
Eu penso que a relação com o passado é clara. Mas qual a relação com o futuro? Seu pai e sua mãe foram duas estrelas cada um com uma grande obra na vida. Ambos foram contaminados intensamente com uma “Identificação Projetiva” em que eles já não se diferenciavam do objeto, ou da obra que construíam. Por isso penso no seu caso numa relação semelhante: A “Participation Mystique”. Você incorporou a tarefa dos últimos cinco anos como uma obra de fechamento da história famíliar, e o seu risco não foi apenas a morte no sentido lato da palavra, mas a morte simbólica de sua individualidade, do seu universo pessoal, de sua vida. Assim esse sangue representa mais: representa sua essência maior. Mas dependerá de você realizar o fechamento, se diferenciar do objeto coletivo, sem deixar de olhar para o corte que se faz necessário. É um corte, não apenas no corpo, mas com o passado, com a repetição dos erros, para poder reconstruir novas relações, a irmandade adulta e amadurecida, aquela que não é apenas consanguínea, mas que é resultado do comprometimento dos que estão inseridos na relação. Aceitar o destino não apenas como o “Herói” que se permite ser dilacerado no Bravo Coração de Guerreiro, mas como o homem que tem sua vida a realizar, que tem seu destino a cumprir. E para cumpri-lo não basta apenas a submissão à força do coletivo, mas a maturação e o aprimoramento do pessoal. É verdade que temos que superar o coletivo, realizando o que os pais não conseguiram fechar ou aprimorar, mas este desafio é apenas a base para avançar na superação de seus próprios DESIGNIOS. Seus pais morreram, agora é a hora de você se salvar, sobreviver.

Espero que tenha conseguido acrescentar algo à sua visão freudiana. É o que me passou como significativo. Bye

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O SONHADOR

  

A experiencia que vivemos todas as noites provavelmente seja o período onde mais nos aproximamos  do nosso tamanho real frente ao universo. O universo onírico mostra a cada noite que estamos inseridos dentro de  um plasma, um espaço contínuo onde não conseguimos precisar onde estamos, ou o tempo em que estamos,  o fluxo do tempo, ou a dimensão do que estamos inseridos. Praticamente somos conduzidos ao bel prazer da vida, para onde e como ela quer, com pouquissímas possibilidades de interferir com o poder de nossa vontade.
O estranho é que no universo da vigília, que amplifica um pouco mais a consciência,  aumentando o controle da vontade, temos a sensação de uma dimensão mais pontuada, mas que representa apenas uma ilusão do poder que pensamos ter, já que essa dimensão também é absolutamente misteriosa e desconhecida.
Essa sensação de conforto ilusória proteje a frágil consciência de se pulverizar no Pânico de se perceber num universo inimaginável, em força, tamanho e dimensões.

Daí que, se pudermos aumentar a consciência dentro do sonho, e o podemos, não para interferir mas para ter consciência, poderemos fortalecer os mecanismos de resistência  que nos mantêm ligados à realidade e à vida que vivemos.
A questão é delicada. Tudo no nosso entorno favorece a dispersão, os baixos níveis de consciência, de nós mesmos e do mundo, e nossa conexão com esse universo. A vida é essa conjugação que nos permite ser testemunhas desse universo fantástico. Se fortalecermos essa conexão com o universo, aumentamos a nossa compreensão da vida e de nós mesmos, conseguiremos favorecer a aglutinação que facilitará interagirmos de maneira ´mais sincronizada, harmoniosa e consciente com este mundo em que vivemos.
O oposto e o distanciamente e nos perdermos na ilusão do passado ou no encantamento do futuro irreal.
A Consciencia existe apenas no presente intemporal e transcenental e é nossa função amplificar essa consciencia para que realizemos o nosso destino neste universo.

Aí vem a pergunta chave: 
E como podemos fazer isso? 
Simples: Basta que nessa dimensão, em que  temos um pouco mais de consciência, 
amplificá-la, trazendo-a para o PRESENTE ABSOLUTO. 
Quando fortalecemos a consciência do Presente, 
abandonando os escapes, para o passado ou para o futuro, 
diminuímos os lapsos, os intervelos, esses vazios de consciência
 e aproximamos as margens produzidas pelos estados instáveis da energética do universo que interferem em nossas funções.

Em geral, esses espaços vazios de consciência, produtores de
  vagalhões de ausência, são preenchidos pelo imaginário, fantasias,  ilusões, 
associados à imagens do passado ou à expectativas de um futuro idealizado, desejado.
E a forma como o individuo funciona a consciência permite que a estrutura mental se utilize desses espaços vazios para preenchê-los com conteúdos que aumentam o conforto demandado pelo desconforto que o sujeito se impõe na suas forma de responder e de se relacionar com a realidade. 
O inconsciente tambem tem poder de entrar neste vazios
 para impor pensamentos ou mensagens que quer que sejam consierados, bem como núcleos autônomos e /ou desgarrados da consciência.

Quando fortalecemos a vivência mental inundando-a com o Presente Absoluto, temos a possibilidade de diminuir esses vagalhões, diminuindo o desconforto, aumentando a consciência de nós mesmos.




domingo, 7 de fevereiro de 2010

SÍMBOLOS



O PONTO como origem de todos os sinais é também sua essência máis íntima. Se no passado este era o início do estudo dos símbolos, no presente o ponto (pixe) se mostra a base de construção de toda a modernidade virtual, de onde poderemos seguir para mundos inimagináveis levados por caminhos dessa natureza fantástica.

Hoje acordei depois de um sonho onde dialogava com outras pessoas sobre o significado de símbolos, e me passaram esse pensamentos:

Quando o conceito é bem comprendido o Símbolo fica mais acessível ao mergulho;

Os símbolos são constituidos de uma imagem que origina um conceito (simbólico), formando um conjunto: imagem-conceito;

Quando se compreende o conceito se faz o caminho inverso da construção simbólica, do conceito para a origem do símbolo e pode se reconstruir o significado do símbolo na criação.

O símbolo é uma energia que se configura em imagem com a função de se realizar e de ser integrada à totalidade do ser. Ele tem Função e Intento;

A energia é mais do que energia, é forma do impulso ordenado, definido em "intento" e de formação e ordem maior.

A energia é dinâmica e movimento sendo acionada por polarizações que a congregam ou a dispersam( universo em retração e expansão).

Quanto mais envelheço mais diabo me aparece!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

IRMANDADE E DANÇA 1



Fred Astaire e Ginger Rogers  
carlotinha 26

Olá.. meus sonhos parecem estar num patamar sentimental repetitivo. Primeiro sonhei que abraçava um rapaz meio franzino, mas que eu gostava muito e o chamava de meu irmão. Ele não era um irmão estilo protetor que muitas vezes idealizei de ter, mas eu sentia que isso pouca importância tinha, pois naquela cena senti que a protetora podia ser eu e senti-me bem. Eu queria passar carinho a ele, não porque ele explicitamente precisasse, mas porque eu sentia vontade disso e fazia-me bem demonstrar que queria seu abraço, bem como abraçá-lo e vê-lo bem. Eu estava sendo sincera perante meus sentimentos e sabia que aquela troca de afetos era benéfica para ambos e que, como qualquer ser humano, ambos precisávamos disso e nos sentiríamos melhores com isso. Interessante que eu repeti por três vezes a sentença ‘meu irmão’ como se para mim fosse inacreditável estar com ele naquele momento ou como se eu sentisse muita saudade dele. Embora na vida real esse irmão não exista, acho que poderia efetuar isso com qualquer pessoa que gostasse e bem quisesse de verdade, pois sempre acreditei muito nessa questão de irmandade humana.
Em segundo eu estava dançando com outro homem que, pelos meus sentimentos, deveria ser apenas um amigo. Eu me sentia tranqüila mesmo que ele não fosse o melhor companheiro ‘pé de valsa’ do local, pois estava na posse de minha liberdade de expressão, de decisão e na autonomia de mim mesma por completo. Também sonhei que conversava com outras pessoas, mas não lembro direito. Só sei que os sonhos continuam sendo cheios de energia amistosa que me fazem acordar com uma sensação muito agradável. Isso é apenas compensação do que ainda não vivo, uma vez que ainda não sou alguém completamente expressiva e afetuosa, ou será um indicio favorável de que estou me fortalecendo para as mudanças necessárias de que tanto me empenho para conseguir?

IRMANDADE E DANÇA 2

Nina Kaptsova - Bolshoi Ballet

Porque apenas uma e não as duas possibilidades?  Compensa e prepara! Considere também que o “irmão” pode estar relacionado a:

·         Seu lado masculino, como conteúdo interno;
·         A sua relação consigo mesma;
·         À compensação de seu desejo de manter níveis afetivos nas relações de irmandade ou familiares.
·         À configuração de relações afetivas com a figura masculina na realidade interna e externa;
·         O encontro da autonomia e da segurança de expressão e manifestação afetiva.

Irmandade é estabelecimento de relações fraterna, seja nos laços consanguíneos ou não, nas manifestações afetivas, baseadas na mútua proteção, na construção de vínculos estáveis e consolidados, estabilidade, segurança, confiança, disponibilidade, amizade, compartilhamento e intimidade. Ou seja, laços que não envolvem competição, disputa, ainda que essas relações permitam jogos de competição ou exercícios que não ultrapassem limites demarcados de irmandade, onde os interesses são mutuamente guardados.
Quando relações de irmandade ultrapassam esses limites de mútua proteção, os irmãos passam a privilegiar e resguardar apenas interesses pessoais. Neste caso a irmandade deixa de ser uma irmandade afetiva para se fixar apenas como irmandade “formal”, para não dizer que morreu. Geralmente as pessoas gostam de considerar essa irmandade formal já que assim mantém a idealização de uma continuidade de irmandade consanguínea. Não enterram a irmandade que fracassou.
No seu sonho volto a pensar em reconciliação com conteúdos de ordem familiar. Necessariamente não envolve a família, mas o seu reencontro com o conceito, com os conteúdos arquetípicos que envolvem a sua linhagem familiar. Conteúdos que poderiam estar sendo desconsiderados e que envolvem uma importância incomum no seu processo de libertação e crescimento. Podemos nos libertar (e devemos) da ideia de família, ou da família propriamente dita, nas relações coletivas, mas esta é uma libertação que se faz necessária no processo de constituição da individualidade, é uma libertação simbólica e conceitual, já que a nossa vinculação com a família transcende o passado e o futuro. Não há como romper essa conexão, com aqueles que nos antecedem ou com os que nos precederão. Esses vínculos dizem respeito à própria formação da natureza da vida.
O sonho pode parecer simples, mas envolve, pelo que percebo, uma importância fenomenal no estabelecimento de suas relação com suas origens, com seus princípios de gênese e com seu futuro. Na construção de nossos caminhos futuros não há como relevar a importância da irmandade, já que esse conceito, e esse significado simbólico definirá toda a relação com o mundo.
O que quero dizer é que a irmandade originada no seio familiar é a experiência que definirá as relações do sujeito com o coletivo, as sua relação com o mundo. Se os antecedentes de sua vida não favorecerem essa construção, essa projeção, toda a sua relação com o mundo e com as pessoas estará desacertada, contaminada.
Eu sinto (feeling) que é esse o processo por que passa, essa reconstrução, e a psique dá sinais de que o seu caminho vem sendo um bom caminho ( formação de atitudes, transformação,  mudanças, revisão conceitual nas relações com o coletivo) ainda que tudo possa ser um projeto em processo ou dinâmica de experimentação.
Mas a vida é assim, a mudança é anunciada, nos preparamos, as configurações se acasalam e um dia... rompemos as amarras que nos aprisionam em atitudes e respostas caducas.
A sequência do sonho (sendo um único sonho ou outro) é interessante: Voce encontra um parceiro e dança. Você relata : “Eu me sentia tranquila mesmo que ele não fosse o melhor companheiro ‘pé de valsa’ do local, pois estava na posse de minha liberdade de expressão, de decisão e na autonomia de mim mesma por completo.Este é o alvo, esta me parece a mensagem, este me parece um destino de quem se realiza plenamente: Tranquilidade, liberdade, capacidade de decidir e de escolher, autonomia e...TOTALIDADE.
Não tenha dúvidas, cultive a paciência, o tempo da estação de flores uma hora se apresenta, o caminho? O SER AMOROSO! AFETIVIDADE!
                                                 
Obs.: A bailarina é a imagem da mulher guerreira, que tem a consciência e o dominio do corpo. Símbolo da maturação. É uma homenagem à conquista, pelo individuo, da autonomia plena. 
                                                                         Bye.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

COMPAIXÃO - O sonho


  

Carlotinha 25

Olá! Sonhei muito esta noite. Num dos sonhos eu estava subindo e descendo de um elevador de uma espécie de fábrica. Todas as vezes que o elevador parava e eu pensava de sair, algo me bloqueava e logo o elevador fechava e era chamado para outro andar. A principio eu parecia estar me divertindo com o sobe e desce, mas depois os sentimentos ficaram obscuros e negativos. Num determinado momento comecei a ficar agoniada e, quando pensei que já estava com a coragem suficiente para sair daquele recinto fechado, ele simplesmente se abriu por inteiro ficando apenas o fundo e a lateral da parte posterior. Pendurada pelos cabos de meio-elevador vi-me suspensa no alto de um enorme galpão preste a ser a atração de um desastre qualquer. Assustada eu percebi que iam colocar uma carga muito grande nele e então vi um trator vindo na minha direção com a carga levantada. Fiquei desesperada ao pensar que não deveria estar naquele elevador, como se estivesse fazendo algo proibido, mas sem jeito, não querendo ser esmagada pela carga que ia me achatar, gritei. Não lembro o que sucedeu.

Depois disso os sonhos foram todos relacionados a envolvimentos com pessoas desconhecidas donde eu tinha uma postura séria, afetiva e tranqüila. As lembranças parecem confusas, mas sei claramente que abracei pessoas, consolei, estabeleci conversas olho no olho e expus pensamentos e sentimentos. Apesar dessas pessoas serem desconhecidas e não exercer em mim nenhuma reação física ou sentimental maior, eu conseguia dizer palavras sinceras, encorajadoras e firmes. Eu conseguia ser completamente afetuosa não como se gostasse muito de tais pessoas, mas como se procurasse me relacionar o melhor possível com elas. No sonho eu sentia uma mistura de alivio e surpresa por minha própria reação natural para com as pessoas. Poderia tranqüilamente ser um sonho compensatório, mas senti tanto dentro quanto fora do mesmo que, toda aquela experimentação de entrosamento humano, era como um espelho donde eu podia ver-me sendo alguém mais completa e resolvida, ou seja, uma visualização do que muito já busquei sem êxito, bem como uma espécie de afirmação interior de que já sou muito mais do que penso ser, mas, por motivos desconhecidos, estou bloqueada.
O sonho de não conseguir fazer algo banal como sair do elevador, coisa que em vida real nunca aconteceu, pareceu sobrepor-se aos sonhos seguintes demonstrando que em sonho eu consigo a banalidade de bem me interagir, algo que na vida real fica apenas nos desejos e intenções. Isso foi tudo o que senti. Não sei se minha auto-análise está certa, mas estou tendo-a baseada nas próprias sensações oníricas. Embora não lembre com detalhe dos sonhos, as sensações aqui descritas ficaram fortes martelando em minha mente. Seria isso mesmo?

COMPAIXÃO - a leitura


  
Suas percepções caminham numa boa direção, e as sensações, em geral puras,  são referências significativas para o entendimento dos sonhos. Se bem me lembro, em sonhos iniciais haviam imagens recorrentes de escada. Não difere em representação simbólica de elevador (ascensão e descida), com o diferencial que a escada exige ação mecânica e o elevador é acionado por forças eletromecânicas. A principio pode parecer pouca diferença, e o é, mas eu distingo um detalhe marcante que associo  em primeiro lugar com alteração de desenvolvimento de mecanismos, vejamos:

  • A escada exige a ação mecânica e consequente esforço pessoal, mobilização da Vontade, da intenção do movimento.
  • O elevador, como na situação descrita, não está sob o seu poder, sob o controle, subida, descida ou parada. Ainda que seja um estágio mais avançado de desenvolvimento, mudança e ampliação de maturação neurológica, do sistema eletromecânico, do corpo, liberação energética, o processo ainda não está sob seu controle e poder, ainda não está consolidado.
Subir e descer são sinais de instabilidade. Inicialmente pode parecer divertido, mas quando você tem consciência de seus limites, da dependência começa a perceber o risco do envolvimento, o risco de ser sufocada. O preço que se paga pode ser alto. A psique vem te alertando para a necessidade de realizar escolhas, de sairda situação de risco,  tormar posse de sua vida, abandonando o conforto da submissão. Submissão a instrumentos e mecanismos que te aprisionam, internos ou externos.

No sonho seguinte a continuidade a mensagem é perceptível. Parece-me a continuidade de um processo de reconciliação. Você se reconciliando afetivamente com conteúdos pessoais, estabelecendo vínculos, sendo amorosa, já menos reativa. O que é reconstrução da sua relação com o mundo. Somos com o mundo aquilo que vivemos com nós mesmos. Se somos conturbados nos relacionamos com o mundo de forma conturbada. A relação que estabelecemos com o mundo é a relação com o que projetamos neste mundo.  Mesmo que o sonho seja compensação ele vai além, ele indica mudança interior nessa dinâmica interna, em sua relação com o pessoal e com o coletivo, é naturalmente uma transformação de auto estima.
Mais um detalhe: sua mudança passará, inevitavelmente, pela compaixão que possa desenvolver pelo outro e por si mesma. Para ter compaixão é preciso abandonar a torre de marfim de nossa perfeição para aceitar a nossa natureza humana, nos aceitando, somos mais abertos para aceitar o outro, com seus acertos e falhas. E se aceitamos a miséria humana, nossa tragédia, naturalmente desenvolvemos uma relação afeturosa e amorosa com as pessoas no nosso entorno. Aceitamos o que elas são e o que podem nos oferecer, e oferecemos a elas o que temos. 
 ASSIM DESCOBRIMOS QUE
 A COMPAIXÃO QUE  TEMOS PELO OUTRO
 E A CEITAÇÃO DE NOSSA PRÓPRIA TRAGÉDIA, 
É TERMOS COMPAIXÃO POR NÓS MESMOS.

Adendo: Apesar do coração ser uma bomba, ele realiza a subida (bombeamento) do sangue, espero que esteja bem fisicamente e nas coisas do coração, que voce não esteje encalacrada.

sábado, 30 de janeiro de 2010

TORMENTA 1




Carlotinha24

Acabei de acordar e estava tendo pesadelos horríveis. Primeiro sonhei com vários casais que eram meus pais,
como se fosse em minhas várias vidas. Para com alguns eu sentia muita raiva, para com outros sentia medo. Ia passando um monte de casais falando como se fosse um filme saído de dentro da minha mente, mas ao mesmo tempo era real e eu estava dentro desse filme. Eu me sentia mexendo muito na cama e escutava trovões muito fortes. Agora que acordei constato que caiu um pé d’água mesmo. De certa forma eu sabia que a chuva era fora do sonho, mas ela parecia me amedrontar com seu barulho como se estivesse lá dentro. Numa dessas famílias eu tinha muitos irmãos e fui dar um danoninho para um bebe que só devia tomar leite pelo seu tamanho. Ele comeu algumas colheres e não quis mais. Era uma irmã minha e dele que o segurava e ao lado havia outra jovem e um rapaz que também eram nossos irmãos. Contando assim parece um sonho normal, mas existia muita tensão, raiva e medo, mas não sei definir o motivo em si, mas sei que havia um motivo especifico para os maus sentimentos perante cada casal de pais. Num deles eu brigava com minha própria mãe e dizia para ela que eu também preferia ser uma pessoa muito resolvida e bem de vida, mas essa não era a realidade e eu dizia isso como se para mim fosse impossível fazer qualquer coisa para mudar os fatos. Foi uma briga horrível e não lembro mais os detalhes do que disse, só tenho a sensação vaga que após a discussão ela fez algo bem desagradável para me implicar.
Depois disso eu estava numa espécie de local que não sei explicar o que era. Estava com alguns amigos e quando aproximei de um que estava mais isolado, fiquei horrorizada
com a quantidade de lagartas amareladas que andavam no chão saindo de uma possa de água muito suja. Questionei a esse amigo como ele conseguia ficar ali e ele disse que já estava quase indo embora. Nisso veio outra moça que parecia ser sua namorada e saímos os três de lá. Nisso adentramos numa espécie de jardim que, embora parecesse ser algo comum, deu-me a impressão de ser maldito. Eu ia ir por um caminho quando esses amigos me convidaram para ir para algum outro lugar. Eu sentia algo muito estranho em todo aquele lugar, mesmo as pessoas parecendo tranqüilas. Não sei o que sucedeu depois, mas sei que apareci noutro local horrível. Havia uma casa construída no meio de uma espécie de floresta, embora tudo parecesse fazer parte de um palco de teatro e, no que fui entrar nessa casa, passei por uma gigantesca teia de arranha. Quando passei não sabia o que era aquilo e me desesperei, pois comecei a sentir inúmeras pequenas ferroadas nas mãos e rapidamente meu corpo todo começou a ser envolto por fios de teia até que os mesmos cobriram minha boca e nariz impedindo a respiração. Era impossível gritar e em segundos eu me vi morta quando uma mulher me pegou e puxou todas aquelas camadas de teias tecidas sobre minha boca. Nessa parte tem uma confusão, pois não sei se essa mulher era uma rival que queria me matar por conta própria de outra maneira ou se existia um homem que era o vilão a nos ameaçar. Só sei que por todos os lados aviam teias de aranhas e só restava eu e outra pessoa no local. Analisei tudo. As aranhas eram minúsculas, menores do que formigas, amarelas e de grande quantidade em cada teia. As teias grudavam no corpo como se estivessem com cola invisível e rapidamente as aranhas picavam e teciam a presa. Tentando sair do local que parecia uma armadilha, entrei em combate com esse homem ou mulher que queria me matar. Eu fiz de conta que entrei na casa, mas em verdade me escondera na lateral desta. Havia uma prateleira cheia de injeções amarelas e eu não sabia para que aquilo servia. Nisso a pessoa veio trazendo uma vasilha com um liquido também amarelo, acho que para jogar em mim. Desesperada eu peguei uma das injeções e caminhei passando por trás de uma das enormes teias que havia mais adiante. No que a pessoa correu atrás de mim ela sem perceber passou pela teia e instantaneamente parecia morta. Ainda para garantir joguei o conteúdo da seringa sobre seus olhos e cautelosamente procurei sair daquele local sem esbarrar em nenhuma teia. Ao sair eu adentrei num corredor estreito e ao final dele havia uma tabua pintada de vermelho com a escrita ‘teto solar 6 ½’ junto com a assinatura de seu criador e a data ‘5 anos’. Ali não havia nenhum teto solar no sentido literal do termo e achei tola à data de 5 anos, uma vez que não se sabia quando aquilo fora ali escrito. Também havia outras assinaturas que deveriam ser de pessoas amigas ou companheiros de trabalho da época. Meu nome não constava lá, embora eu tivesse a sensação de ter participado do grupo na época. Tive essa sensação pois, se assim não fosse, eu não saberia de tal passagem secreta. Era do lado dessa tabua vermelha, ou seja, na lateral do corredor que havia uma estreita fresta e foi por ali que eu fugi. Estava me sentindo como num filme de terror com final feliz. Acordei muito tensa e achei melhor escrever tudo isso antes de esquecer. Outra vez não entendo o que esses sonhos simbolizam.